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quinta-feira, 23 dezembro 2004
Santos FC: Retrato de um campeão
Categoria: Col: Nuno Almeida
Artigo publicado no blogue Magia do Futebol
O Santos é o novo campeão brasileiro de futebol, conseguindo o segundo título nacional em três anos e oitavo da sua história. Numa conjugação quase perfeita de talento – Robinho e Elano – com maturidade – Ricardinho e Léo –, grandes encómios vão, no entanto, para Wanderley Luxemburgo. Um técnico bem cotado e com créditos firmados, que pegou na equipa em baixa, lhe deu nova alma e a levou ao topo. Pelo meio, teve ainda o engenho necessário para, afastar jogadores carismáticos como Renato e Alex, suprir a saída do maestro Diego e indicar as novas soluções. Um trabalho sem mácula de Luxemburgo...
Não há rosas sem espinhos e, a verdade, é que o Santos começou muito mal o campeonato. Três derrotas averbadas nas quatro primeiras jornadas do campeonato foram suficientes para o rompimento do vínculo contratual entre Emerson Leão e o clube que conduzira ao título brasileiro em 2002. Wanderley Luxemburgo, treinador campeão, em 2003, pelo Cruzeiro, foi o seu sucessor, mas os resultados não foram imediatos. A equipa tardava em mostrar o que sabia e consentiu a perda de oito pontos nos três primeiros jogos sob a orientação técnica de Luxemburgo, fruto de duas derrotas e um empate. A separação das águas era inevitável. Mas a colheita – aquisições de Ávalos, Fabinho, Ricardinho, Zé Elias e Deivid – não poderia ter sido mais proveitosa. Seguiu-se uma brilhante recuperação, com sete vitórias em outros tantos encontros, que levou o Peixe ao topo da classificação. A partir daí, a equipa soube manter-se nos lugares cimeiros, alternando somente entre primeira e segunda posições da classificação. A grande oposição ao domínio do Santos foi protagonizada pelo Palmeiras, numa primeira etapa e principalmente, pelo Atlético Paranaense, na segunda fase do campeonato, clube que chegou mesmo a ser considerado grande favorito para a conquista do título, à entrada para as últimas jornadas, só baqueando na penúltima jornada. E disso se aproveitou o Santos, para vencer.
Liderança forte. Táctica consistente. Técnica sublime. Maturidade suficiente. Foram os factores de equilíbrio na caminhada do Santos até ao êxito final. Ao longo da campanha, Wanderley Luxemburgo apostou essencialmente num esquema de 4-4-2, estruturado a partir de grande coesão na zona central da defesa (Ávalos e André Luiz), da rigidez táctica na zona intermediária, com incidência para a cobertura e marcação (Fabinho), ocupação plena de espaços e o flanquear de jogo (Preto Casagrande e Elano) e assente na velocidade imprimida junto às linhas laterais (Paulo César e Léo), coordenação, criação e capacidade de passe do médio ofensivo (Ricardinho) e rapidez de execução da linha avançada (Robinho e Deivid). As variações no esquema, conforme as condicionantes, ocorreram para, 3-5-2 ou 4-3-3.
A estrela: Robinho. Dono de um talento indescritível é a grande estrela da equipa. Um jogador fora de série, apesar do aspecto frágil e da curta idade. Tem uma técnica apuradíssima e é imparável com a bola nos pés. Um verdadeiro artista do drible. Mais parece uma gazela em acção. É um regalo, assistir ao seu ziguezaguear entre defesas contrários. Além do que, marca golos que se farta, 21 na temporada, cotando-se como o melhor marcador da equipa.
A força no miolo: Elano e Ricardinho. Duas peças basilares na estrutura da formação. Elano é a tradução em jogador, do poderio santista na competição. Marcou 16 golos na temporada e assumiu-se um verdadeiro dínamo. É um médio de características especiais, com grande versatilidade e polivalência, muito forte sob o ponto de vista táctico, oferece garantias defensivas à equipa, é importante na manobra ofensiva da equipa e aparece amiúde a finalizar. Está pronto para o exigente futebol do velho continente. Outro jogador, Ricardinho, médio resgatado por Luxemburgo, ao Middlesbrough, onde não se conseguiu impor, foi igualmente uma das peças chave do Santos para a conquista do título. Mostrando toda a capacidade técnica que empregara ao serviço do São Paulo, com um pé esquerdo temível, grande capacidade de passe e visão de jogo, foi um dos garantes da equipa, assumindo a batuta do meio campo e as rédeas da equipa precisamente, na fase mais delicada do conjunto, condicionado pelo afastamento de Robinho.
Da defesa ao ataque: Léo e Deivid. Mais dois jogadores fundamentais na campanha da equipa no campeonato brasileiro. Léo foi um dos esteios da defesa santista. Lateral esquerdo moderno e experiente, muito ágil e rápido a atacar é capaz de assumir todas as despesas no seu flanco. Foi o jogador mais utilizado da equipa. Refira-se como curiosidade, o facto de já ter sido dispensado por Luiz Felipe Scolari, nos seus tempos do Palmeiras. No outro extremo, Deivid, um atacante que já havia passado pelo clube, transitando posteriormente do Cruzeiro (onde foi campeão brasileiro) para o Bordéus. Foi outra das apostas de Luxemburgo para a renovação introduzida na equipa. E desde logo formou uma dupla temível com Robinho, na frente de ataque do Peixe. É um jogador adaptável a qualquer posição do ataque, quer seja mais fixo na área, descaído para um dos flancos ou no apoio directo ao homem mais avançado, posição onde rende mais. Revelou sempre grande sentido de jogo colectivo e capacidade de finalização, terminando o campeonato como um dos melhores marcadores da equipa, a par de Robinho, com 21 golos.
Carreira da equipa:
46 jogos
27 vitórias
8 empates
11 derrotas
89 pontos
103 golos marcados
58 golos sofridos
Os jogadores campeões:
Guarda-Redes
Mauro (21 jogos; 16 golos sofridos)
Tapia (18 jogos; 27 golos sofridos)
Júlio Sérgio (7 jogos; 14 golos sofridos)
Defesas
Léo (44 jogos; 2 golos)
André Luiz (38 jogos; 1 golo)
Paulo César (36 jogos; 1 golo)
Ávalos (21 jogos; 1 golo)
Domingos (20 jogos; 1 golo)
Flávio (14 jogos)
Leonardo (9 jogos)
Antonio Carlos (7 jogos)
Marco Aurélio (4 jogos)
Pereira (4 jogos)
Alex (4 jogos)
Márcio (2 jogos)
Daniel (2 jogos)
Narciso (2 jogos)
Alcides (2 jogos)
Médios
Elano (41 jogos; 16 golos)
Ricardinho (37 jogos; 11 golos)
Fabinho (28 jogos; 1 golo)
Preto Casagrande (25 jogos; 3 golos)
Marcinho (28 jogos)
Ricardo Bóvio (25 jogos)
Luís Augusto (19 jogos)
Diego (9 jogos; 4 golos)
Claiton (9 jogos; 1 golo)
Zé Elias (11 jogos)
Lopes (6 jogos)
Renato (6 jogos)
Paulo Almeida (6 jogos)
Lello (3 jogos)
Avançados
Deivid (41 jogos; 21 golos)
Robinho (37 jogos; 21 golos)
Basílio (40 jogos; 15 golos)
William (6 jogos; 2 golos)
Leandro Machado (4 jogos)
Luizinho (2 jogos)
Publicado por nuno almeida às 07:09
Comentários
Julgava que Paula almeida e Diego tivessem feito mais jogos.
Leão saíu ingloriamente, mas é um bom técnico.
#1 | Comentado por: João Pedro | 24 de maio de 2009 às 20:13
Caro João Pedro, o Diego esteve ausente porque foi para a selecção na Copa América e o Paulo Almeida foi um dos "encostados" porque Luxemburgo queria jogadores a pensar exclusivamente no clube.
#2 | Comentado por: Nuno Almeida | 24 de maio de 2009 às 20:13
E o alcides não fez mais jogos também, porque ficou com o joelho todo arrebentadinho.
#3 | Comentado por: José Leal | 24 de maio de 2009 às 20:13