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quinta-feira, 6 janeiro 2005
Momentos sublimes (I): Argentina 2 - 1 Inglaterra
Categoria: Col: Nuno Almeida
Artigo publicado no blogue Magia do Futebol

22 de Junho de 1986. O Estádio Azteca, na Cidade do México, era palco de uma partida referente aos quartos de final do Mundial 86. Frente a frente, Argentina e Inglaterra. A selecção alviceleste que chegava a esta fase da prova após derrotar o Uruguai por uma bola a zero e de ter concluído a fase de grupos no primeiro lugar, à frente da Itália, Bulgária e Coreia do Sul. Por seu turno, a selecção inglesa alcançava os quartos de final, fruto do segundo lugar obtido no seu grupo, atrás de Marrocos, mas à frente da Polónia e Portugal – com quem, aliás, perdera – e da vitória frente ao Paraguai na segunda ronda da competição, por três a zero.
Inimigos de outras batalhas, ambos os países alimentavam grandes esperanças nesse Campeonato Mundial e concretamente nesse desafio, suportadas em grande parte pela arte mágica de Diego Maradona e pela veia goleadora de Gary Lineker. Relativamente ao jogo, uma primeira parte morna em situações perigo junto das balizas e bastante disputada na zona de meio campo acabava com o marcador em branco. No início da etapa complementar, em dez minutos, a Argentina, por intermédio do seu melhor jogador, resolvia a questão. Primeiro acto. Cruzamento tirado da direita por Jorge Valdano, Diego Maradona a saltar na disputa do lance com Peter Shilton, acabando por desviar a bola com a mão para o fundo da baliza inglesa. Quatro minutos volvidos. Segundo acto. Diego Maradona brinca com a bola ainda na zona intermediária da sua equipa, ultrapassa Peter Beardsley e Peter Reid, continua em progressão pela direita tirando Terry Butcher da jogada, aguenta a presença de Terry Fenwick fintando Peter Shilton e concluindo na perfeição. A Inglaterra faria um golo por intermédio do avançado Gary Lineker, ainda assim, insuficiente para evitar a eliminação da competição.
Ficha de jogo
Estádio Azteca, Cidade do México (114.580 pessoas)
Árbitro: Ali Bennaceur (Tunísia)
Argentina – Nery Pumpido; Jose Cuciuffo, Jose Luis Brown, Oscar Ruggeri e Julio Olarticoechea; Sergio Batista, Jorge Burruchaga (Carlos Tapia 76’), Hector Enrique, Ricardo Giusti; Diego Maradona; Jorge Valdano.
Treinador: Carlos Bilardo.
Inglaterra - Peter Shilton; Gary Stevens, Terry Butcher, Terry Fenwick e Kenny Sansom; Glenn Hoddle, Peter Reid (Chris Waddle 66’), Trevor Steven (John Barnes 76’) e Steve Hodge; Gary Lineker e Peter Beardsley.
Treinador: Bobby Robson.
Golos:
1-0 – Diego Maradona aos 51’.
2-0 – Diego Maradona aos 55’.
2-1 – Gary Lineker aos 81’.
Disciplina: Cartões amarelos a Sergio Batista (Argentina) e Terry Fenwick (Inglaterra).
Publicado por nuno almeida às 16:43
Comentários
Falta apenas dizer que esse segundo golo do Maradona foi considerado o melhor golo de todos os Campeonatos do Mundo. Não sei quando, nem por quem, mas lembro-me de ler isso nalgum lado...
Foi absolutamente fantástico. Não, espera, devem existir adjectivos mais adequados.
Foi um assombro. Um portento de arrogância. Um tratado na arte de desbaratar e espezinhar toda uma equipa. Foi... indescritível.
Nesse momento tive inveja dos argentinos, porque para eles deve ter sido arrepiante, electrizante, orgásmico...
#1 | Comentado por: jcoelho | 24 de outubro de 2005 às 21:15
Anda por aí o José Marinho? ;)
#2 | Comentado por: Pedro Varela | 24 de outubro de 2005 às 21:15
Mas o que se esquece é que a Inglaterra pressionou, no decurso dos últimos vinte minutos, a Argentina, encostando-a às cordas, fruto de uma exibição memorável de um jogador fantástico, John Barnes. Lembro-me da aflição argentina perante a pressão inglesa e de várias oportunidades perdidas pelos avançados ingleses, nomeadamente bolas nos postes.No entanto, fica sempre a memória dos golos de Maradona...
Lembra-me o filme de Jonh Ford, "My Bloody Valentine", onde James Stewart, o jornalista do Este civilizado afirma: "If the fact becomes a legend, print the legend!", ou seja, se o facto se torna lenda, registe-se a lenda!
#3 | Comentado por: kamane | 24 de outubro de 2005 às 21:15
Uma correcção: o jogo foi jogado a 22 de Junho, não a 12.
Uma sugestão para outro momento sublime e raramente lembrado. Nesse mesmo mundial, o terceiro golo do Brasil frente a Polónia de Boniek nos oitavos-de-final. Contra-ataque, Josimar a dançar com a bola e a hipnotizar três defesas polacos, segurando-a o tempo suficiente para Edinho entrar pela esquerda; Edinho recebe, avança para a baliza, tira do caminho com uma finta de corpo o único defesa que saiu da hipnose, senta o Mlynarczyk e marca. Só visto. Se o futebol fosse xadrez, a Pólónia ou qualquer outra equipa concediam a derrota ali mesmo.
#4 | Comentado por: Pedro | 24 de outubro de 2005 às 21:15
Entre as coisa que tenho orgulho de exibir no curriculum, está o facto de ter visto em directo aquele segundo golo do Maradona. Como disse o JCoelho, faltam mesmo adjectivos. E ainda hoje me arrepio ao recordar o momento. Uma coisa é ver agora em documentários, outra é lembrar a emoção que sentimos no momento. Logo nessa altura tive a consciência que acabava de ver uma das grandes obras primas do futebol (a maior?). Um homenzinho atarracado (menos de 1 e 70 m) e sem graciosidade, acabava de, sozinho, vergar uma equipa fortíssima (era uma das melhores Inglaterras que já jogou em campeonatos do Mundo, muito superior à Argentina, com Maradona de fora).
Acho que são momentos como este que tornam o futebol o maior de todos os desportos.
#5 | Comentado por: Paulinho | 24 de outubro de 2005 às 21:15
Caro Pedro, tem toda a razão. Peço desculpa pelo lapso que entretanto já corrigi.
#6 | Comentado por: Nuno Almeida | 24 de outubro de 2005 às 21:15