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domingo, 30 janeiro 2005

A história de uma longa 'maldição'

Categoria: FC Porto , Recordar É Viver , Sp. Braga

O Sp. Braga venceu para a Taça de Portugal nas Antas, em 2001/2002O Sp. Braga joga hoje no Estádio do Dragão a possibilidade de chegar, pelo menos até amanhã, à liderança da SuperLiga, situação nunca antes vivida pela formação bracarense numa fase tão adiantada da prova.

Se à partida a tarefa dos comandados de Jesualdo Ferreira não se antevê fácil, apesar da irregularidade do FC Porto na corrente edição do principal campeonato português, as deslocação às Antas - esta será a primeira ao Dragão - têm-se revelado um autêntico pesadelo para os bracarenses, desde a sua última vitória em solo portista, na longinqua temporada de 1959/1960.

É que desde esse jogo até hoje, em 45 anos de história do campeonato português, o Sp. Braga apenas conseguiu por quatro vezes empatar no terreno do FC Porto, sendo que a última das ocasiões, em 2001/2002, quebrou um ciclo de 25 anos de derrotas consecutivas. Um mês depois, no entanto, os bracarenses viriam a vencer nas Antas, mas para a Taça de Portugal, num jogo que determinou a saída de Octávio Machado do comando técnico do FC Porto, abrindo as portas das Antas a José Mourinho.

A vitória de 1959/1960

Foi a 1 de Novembro de 1959 que o Sp. Braga, na altura orientado pelo húngaro Szabo, pela última vez venceu um jogo diante do FC Porto extramuros. Pedroto, na altura ainda jogador, inaugurou o marcador nos primeiros minutos da partida, fazendo antever uma vitória tranquila dos 'dragões'.
Só que o Sp. Braga conseguiu uma surpreendente reviravolta, com Velez, ainda antes do intervalo, a fazer o 1-1, para Júlio Teixeira, a trinta segundos do fim da partida, conseguir o 1-2, a concluir uma excelente jogada individual de Mendonça, depois de uma etapa complementar praticamente de sentido único, com o FC Porto em busca do golo do triunfo.
Júlio Teixeira, que, curiosamente, era irmão do já falecido António Teixeira, na altura jogador do FC Porto - ainda o segundo maior goleador da história do clube, viria a ser, mais tarde, treinador do clube, após excelente percurso como técnico do Leixões -, que não foi utilizado nesta partida devido a lesão. Há quatro anos, em entrevista ao jornal 'Record', Júlio Teixeira, que, já como treinador, lançou Jaime Pacheco na equipa principal dos Aliados do Lordelo, relembrou esse momento mágico da sua carreira de futebolista: 'Deu-me uma enorme satisfação, claro, mas confesso que foi uma explosão de alegria interior. Lembrei-me do meu irmão, apesar de ele não estar a jogar. Foi por causa dele que quase nem festejei...'

A ficha do jogo:

1959/60 - 5ª jornada
01/11/1959
Estádio das Antas
Árbitro: Braga Barros

FC PORTO: Acúrsio; Barbosa, Arcanjo, Paula, Pedroto, Monteiro da Costa, Gastão, Ferreirinha, Humaita, Adérito e Hernâni.

SP. BRAGA: Faria; Armando, Calheiros, Narciso, Trenque, Pinto Vieira, Velez, Passos, Teixeira, Mendonça, José Maria.

Golos: 1-0, por Pedroto (10 m); 1-1, por Velez; 1-2, por Teixeira, a 30 segundos do final

Quatro empates em 45 anos (1959/1960-2004/2005)

Após esta partida, apenas por quatro vezes o Sp. Braga voltou a pontuar no terreno do FC Porto. Duas delas ainda nos anos sessenta - 60/61 e 64/55 -, sempre por 1-1, a que se seguiu, em 75/76, um empate a zero. Depois, o FC Porto alcançou 25 vitórias consecutivas em jogos do principal campeonato português, a antecederem o último empate do Sp. Braga nas Antas, também a zero, em 2001/2002.
Com Octávio Machado como técnico do FC Porto, uma estratégia defensiva bem elaborada por Manuel Cajuda, na altura técnica do Sp. Braga, valeu a conquista de um ponto, num jogo também marcado por um intenso duelo entre Hélder Postiga e Quim, em que o agora benfiquista levou a melhor. Na baliza portista, Vítor Baía, que regressava após largos meses de passagem, teve um tranquilo final de tarde gélido de Dezembro, com destaque, no entanto, para uma boa defesa a remate de Abiodum, quando este estava em excelente posição para fazer o golo.

A outra vitória

Um mês depois, o Sp. Braga voltou a visitar as Antas, desta feita para a Taça de Portugal. O Braga, de Cajuda, surpreendeu ao vencer por 2-1, num jogo que ditou o despedimento de Octávio Machado do comando técnico do FC Porto, abrindo a porta das Antas a José Mourinho, com os resultados que são conhecidos.

Capucho, aproveitando um 'frango' de Quim, até adiantou o FC Porto no marcador, que falharia uma grande penalidade mal executada por Jorge Andrade, mas seria Castanheira a estrela da partida, ao apontar um golaço a 30 metros da baliza, para além de ter estado na origem do 1-2, três minutos depois, marcando o canto que Idalécio desviou e tabelou em Ricardo Silva para trair Vítor Baía.

No final da partida, que marcou também a estreia de Kaviedes de azul e branco, foi grande a contestação a Pinto da Costa. Quem fez a festa foi, claro está, Manuel Cajuda, que perdera, dias antes, Tiago e Armando Sá para o Benfica: 'Ganhámos com todo o mérito e justiça, porque fomos a melhor equipa em campo, porque soubemos responder a um resultado negativo, a uma grande penalidade inexistente e a tudo o mais que se passou neste jogo'. Octávio, no entanto, parecia mais preocupado em desviar as atenções de mais um falhanço, virando antenas para outro lado: 'Chamar palhaço ao João Pinto seria um insulto para uma classe honrada. Só houve duas pessoas que ele não conseguiu enganar: Gil y Gil e João Vale e Azevedo'.

Publicado por rui malheiro às 16:15

Comentários

Acabou-se a maldição , GRANDE SPORTING CLUBE DE BRAGA

#1 | Comentado por: Pixie | 24 de outubro de 2005 às 21:14