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segunda-feira, 31 janeiro 2005

Beira-Mar 0 - 3 Nacional

Categoria: 04/05 SuperLiga , Beira-Mar , Nacional


Jogadores do Nacional festejam o 2º golo dos madeirenses

Vitória indiscutivel do Nacional na deslocação a Aveiro, onde Luis Campos volta a afundar, depois de uma semana no céu, proporcionada pela 'banhada' táctica na Luz. O Beira-Mar só venceu por uma vez em casa, curiosamente frente ao Gil Vicente de Luis Campos, e ontem percebeu-se porquê. Nem tudo se pode explicar nos 'estigmas' caseiros: a equipa é desequilibrada e o seu treinador esteve em dia não. O Nacional, por sua vez, jogou tranquilo, e ao primeiro minuto já vencia com uma grande penalidade nítida, mas caida do céu. Depois, foi o avolumar da vantagem, que até poderia ter outros números, com direito a 'recital' de Wendell e Marchant, dois pragmáticos reforços de Inverno, que parecem dispostos a apagar o colorido veraneante que a equipa insular passeou em grande parte da primeira volta da SuperLiga.

Enquadramento. Depois de uma vitória moralizadora na Luz, o Beira-Mar, no 17º lugar da SuperLiga, recebia o Nacional com a necessidade imperiosa de vencer, de forma a dar continuidade à recuperação na tabela classificativa, mas também para quebrar a série de maus resultados caseiros, pois os aveirenses, à partida para esta jornada, já não venciam em casa desde 19 de Setembro de 2004, altura em que o Beira-Mar, ainda orientada por Mick Wadsworth, bateu o Gil Vicente.. de Luis Campos. O Nacional, agora treinado por João Carlos Pereira, em 12º lugar, só havia pontuado por uma vez fora, curiosamente na última deslocação, ainda com Casemiro Mior à frente do clube, diante do Penafiel (vitória 1-0).
Beto e Ricardo Silva, por castigo, eram baixas de vulto para Luis Campos, que não podia contar também com Rui Óscar, Bruno Resende, Malá e Kingsley, devido a lesão. O francês Hassan Ahamada, recém contratado, era a principal novidade entre os convocados.
Em relação ao Nacional, João Carlos Pereira apenas tinha 16 jogadores disponiveis, destacando-se as lesões de Patacas e Alexandre Goulart, assim como os castigos a Adriano e Gouveia. Serginho Baiano, em vias de rumar ao futebol coreano, já não foi opção para este jogo.

As tácticas. A formação aveirense apresentou-se em 4x2x3x1. Luis Campos foi obrigado a reestruturar o seu sector defensivo, com Ribeiro e Mário Loja nas laterais e Ricardo e Alcaráz a fazerem dupla de centrais. Jorge Silva actuava à frente do sector defensivo, apoiado por Paul Murray, que, em situação ofensiva, permitia o desdobramento em 4x1x4x1, jogando 'box to box'. Rui Lima era a unidade mais criativa, com liberdade para aparecer em qualquer lugar do meio campo ofensivo, enquanto que McPhee e Ali jogavam nas alas e 'Tanque' Silva fixo na frente.
João Carlos Pereira, por sua vez, apostou num 4x3x3, desdobrável em 4x2x1x2x1, com a defesa de 4 a ser composta por Emerson e Cleomir nas laterais, enquanto que Fernando Cardozo e Ávalos faziam a habitual parelha no centro da defesa. Cléber Monteiro, mais fixo, e Bruno jogavam à frente da defesa, com o argentino Júlio Marchant, em estreia na SuperLiga, a funcionar como médio mais ofensivo, no apoio aos alas Miguel Fidalgo e Wendell e ao avançado André Pinto.

Que entrada! Na sua primeira iniciativa ofensiva na partida, o Nacional conquistou uma grande penalidade, que tem tanto de nítida, como de perfeitamente disparatada. Jogada rápida dos insulares, com Bruno a avançar no terreno sem ser pressionado, lançando André Pinto sobre a esquerda, que já dentro da área é empurrado por Ribeiro, vá se lá saber porquê. Wendell, chamado a converter o castigo máximo, não perdoou.

Só Nacional. A formação da casa acusou muito o golo e não conseguia construir uma jogada. Luis Campos impaciente, ainda antes dos 10 minutos, já tinha vários jogadores a fazer aquecimento, e não tardou em mexer: lançou Tininho, abdicando de Mário Loja, procurando com isso dar maior agressividade ao flanco esquerdo. Só que o Nacional, muito tranquilo, continuava mais perigoso, e até viu um golo ser invalidado a André Pinto, que de cabeça, concluiu um excelente cruzamento de Wendell. Ficam muitas dúvidas quanto à eventual posição irregular do avançado brasileiro do Nacional.

Despertador. Só a partir da segunda metade do primeiro tempo, o Beira-Mar conseguiu começar a criar perigo junto da baliza de Hilário, sobretudo na sequência de lances de bola parada, tirando partido, muitas vezes, da subida à área adversária dos jogadores mais recuados, com Ricardo a destacar-se nesse capítulo. Na melhor iniciativa de futebol corrido dos aveirenses, Rui Lima com um passe fantástico, coloca a bola na área, onde Murray assiste Ali, que, em excelente posição, foi incapaz de superar Hilário, que correspondeu com uma excelente mancha. O Nacional, no entanto, sempre que podia, ia espreitando o contra-ataque, com Miguel Fidalgo a destacar-se, mas também Júlio Marchant, um jogador exímio no passe e na cobrança de lances de bola parada.

Campos lança Ahamada. Ao intervalo, Luis Campos decidiu fazer a sua segunda substituição, abdicando do desinspirado Ali, para lançar o francês Hassan Ahamada, que se colou à direita do ataque, passando McPhee para o flanco oposto. Sem resultados práticos, diga-se. Foi o Nacional, mais uma vez, a entrar melhor, construindo boas iniciativas ofensivas, e André Pinto, após jogada envolvente na esquerda entre Marchant e Cleomir, cabeceou ao poste da baliza de Srnicek. O Beira-Mar, só num atraso infantil de Bruno conseguiu criar perigo, mas Rui Lima revelou-se surpreendido com a oferta do adversário, atirando ao lado.

Dois golos.. em quatro minutos. Luis Campos, aos 61 minutos, voltou a mexer na equipa, fazendo a sua última substituição. Abdicou do lateral direito Ribeiro, lançando Marcelinho para o meio campo ofensivo, o que obrigou Paul Murray a fechar o lado direito da sua defesa. João Carlos Pereira atento, retirou Bruno, em clara quebra de produção, colocando Alonso na ala esquerda do ataque, o que levou Wendell a juntar-se à zona central do terreno. A substituição e alteração das peças resultou em cheio, com o segundo golo a surgir aos 64 minutos, num lance iniciado em Alonso, que colocou em André Pinto, e este, com alguma sorte à mistura, a assistir Miguel Fidalgo, que, com um remate de primeira, bateu Srnicek. Pouco depois, Júlio Marchant lançou Wendell, que aproveitando o adiantamento da defesa aveirense, correu 30 metros em direcção à baliza do guardião checo sem oposição, obrigando-o a uma defesa por recurso. Mas, aos 68 minutos, surgia, com toda a naturalidade o 0-3, num lance construido pelos reforços de Inverno do Nacional: Alonso progride, sem oposição, pela esquerda, e quando vê o central Ricardo sair-se-lhe ao caminho, isola Marchant, que, com um toque primoroso, coloca a bola à entrada da área, onde Wendell, sem oposição, rematou para o fundo das redes de Srnicek. Até parecia fácil...

Ode ao desperdicio. João Carlos Pereira, após o 0-3, preferiu refrescar a equipa, dando-lhe maior consistência defensiva, com a entrada de um 3º central (João Fidalgo). O Beira-Mar estava no tapete, não criava perigo, e nem mesmo a expulsão de Miguel Fidalgo, depois de uma verdadeira 'caldeirada' entre jogadores das duas equipas, animou os aveirenses. Mesmo algo recuado, continuou a ser o Nacional a equipa mais perigosa, aproveitando verdadeiras auto-estradas no meio campo defensivo do Beira-Mar. Emerson, depois de um 'sprint' de 60 metros, em que deixou para trás mais de meia equipa adversária, não teve força para bater Srnicek, na última oportunidade da partida.

Prólogo. Vitória indiscutivel do Nacional, a primeira de João Carlos Pereira como técnico dos insulares, a confirmar, apesar das inúmeras baixas, uma equipa em crescendo, com reforços de qualidade. Quanto ao Beira-Mar, depois da vitória na Luz, o regresso ao passado, não só da equipa, mas também do seu treinador Luis Campos. É que nem tudo se pode explicar pelo prisma dos 'estigmas'. E a enorme assobiadela dos 5 mil adeptos presentes no estádio, é a prova que a vitória sobre o Benfica já faz parte do passado.


Miguel FidalgoO duro: Miguel Fidalgo. Foi expulso, num jogo que lhe corria de feição. Perdeu a cabeça, talvez provocado por Paul Murray, mas sabendo que tinha amarelo, podia e devia ter-se contido. É um jogador muito interessanete, veloz, com técnica e facilidade de remate. Apontou um golo de grande recorte, que nem a expulsão mancha.


AliQue pesadelo!: Ali. A escolha era dificil, tantas as más exibições entre os locais. No entanto, pedir a Ali, com o seu peso e forma actual, que crie desequilibrios em velocidade pelas alas, é quase como querer que o guarda-redes Pavel Srnicek que se torne no goleador do Beira-Mar.


Júlio MarchantO dandy Júlio Marchant. Este médio argentino que ontem se estreou na SuperLiga, depois de uma paragem de seis meses devido a uma lesão, encheu o campo, ajudando na recuperação de bolas e lançando grande parte das acções ofensivas do Nacional. Foi o fio condutor do futebol insular, com passes primorosos, em bola corrida e bola parada, e fez uma assistência perfeita para o 3º golo, após uma excelente desmarcação.


WendellO Melhor em Campo: Wendell. Este jogador, internacional brasileiro, tem tudo para ser uma das agradáveis surpresas desta segunda volta. Ontem, jogou entre a ala esquerda e o centro do terreno, e mostrou qualidade a atacar, mas também a defender. Apontou dois golos, deixou outro por marcar, e esteve em alguns dos melhores lances ofensivos dos madeirenses. Que exibição!


Ficha do Jogo:


Árbitro: António Costa (Setúbal)


BEIRA-MAR (0)

Pavel Srnicek - Ribeiro (61' Marcelinho), Ricardo, Alcaraz, Mário Loja (12' Tininho) - Jorge Silva, Paul Murray - McPhee, Rui Lima, Ali (int' Hassan Ahamada) - 'Tanque' Silva.

Suplentes: Galekovic, Filipe, Tininho, Marcelinho, Artur, Hassan Ahamada, Heitor.



NACIONAL (3)


Hilário - Emerson, Fernando Cardozo, Ávalos, Cleomir - Cléber Monteiro, Bruno (61' Alonso) - Júlio Marchant (69' João Fidalgo) - Miguel Fidalgo, Wendell - André Pinto (72' Nuno Viveiros).

Suplentes: Belman, João Fidalgo, Alonso, Marcelo, Nuno Viveiros.



Golos:

2' Wendell (0-1), grande penalidade
64' Miguel Fidalgo (0-2), assistência: André Pinto
68' Wendell (0-3), assistência: Júlio Marchant


Cartões Amarelos:

BM: Ribeiro (1'), Paul Murray (78'), Jorge Silva (88').
NAC: Emerson (13'), André Pinto (55'), Miguel Fidalgo (67' e 78'), João Fidalgo (78').


Cartões Vermelhos:

NAC: Miguel Fidalgo (78')

Publicado por rui malheiro às 02:03