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terça-feira, 1 fevereiro 2005
José Couceiro: O Eleito
Categoria: FC Porto
José Couceiro vai ser o sucessor de Victor Fernández no comando técnico do FC Porto. O actual técnico do Vitória Setúbal é o eleito de Jorge Nuno Pinto da Costa, e nas próximas horas deverá assumir o cargo, sendo que a sua experiência de gestor para além de técnico, terá sido decisiva para suplantar Carlos Brito, o outro nome que agradava aos administradores da SAD portista.
Após o jogo entre o Sporting e o Vitória Setúbal, José Couceiro não seguiu viagem com a equipa sadina, abandonando Alvalade num carro particular, acompanhado pela filha. Segundo 'O Jogo', as negociações com administradores da FC Porto, Futebol SAD começaram de seguida, sendo que o acordo final terá sido alcançado durante a madrugada, como já confirmou, esta manhã, a Rádio Renascença.
José Júlio de Carvalho Peyroteo Martins Couceiro, de 42 anos, chega a um 'grande' com apenas dois anos e meio de carreira como técnico, depois de experiências como jogador nas divisões inferiores, sindicalista, comentador televisivo e gestor no Sporting e Alverca. Foi no Alverca que iniciou a sua carreira como técnico, em 2002/2003, conseguindo a promoção à SuperLiga, através de um 2º lugar, atrás do Rio Ave, de Carlos Brito. A época passada, não foi capaz de segurar os ribatejanos na SuperLiga, queixando-se, inúmeras vezes, das arbitragens. Esta época, rumou a Setúbal, que abandonou em 7º lugar, em igualdade pontual com o Rio Ave. Durante a primeira fase da prova, os sadinos foram a grande surpresa da SuperLiga, aliando bons resultados a um futebol bonito e eficaz ofensivamente.
Carreira de jogador sem expressão. Lisboeta, mas filho de pais angolanos, José Peyroteo Couceiro, desde sempre carregou o nome de um dos mais históricos e emblemáticos jogadores nacionais de sempre, Fernando Peyroteo, de quem é sobrinho-neto. O seu percurso futebolistico começou em 1977, nos iniciados do Belenenses, que viria a representar também nos juvenis. Em 1980, o apelido Peyroteo ter-lhe-á aberto as portas de Alvalade, mas não vingou nos júniores do Sporting. Em 1981, já sénior, iniciou a sua carreira de sénior, construida na antiga Zona Sul da 2ªDivisão e, já na fase final, na 2ªDivisão de Honra. Central de parcos recursos, foi alternando entre o banco e a titularidade no Montijo (81/82), Barreirense (82 a 85), Atlético (85/86), Torrense (86 a 88), Oriental (88/89), Torreense (89 a 91) e Estrela Amadora (91/92), onde apenas foi utilizado em 5 jogos, encerrando carreira com apenas 29 anos.
Sindicalista bem sucedido. Ainda como jogador, Couceiro já apareceu ligado ao Sindicato de Jogadores Profissionais de Futebol. Mas seria já após abandonar a carreira de futebolista, em 1993, que seria eleito presidente, ganhando protagonismo, fruto também de um excelente trabalho, que deu uma nova alma a uma estrutura há alguns anos amorfa. Manter-se-ia no cargo até 1997, acumulando o cargo de administrador da Futepro, empresa mista Liga/Sindicato, e também o de comentador desportivo da RTP.
Gestor de sucessos e insucessos. No início de 1998, José Couceiro foi nomeado director-geral do Sporting, num período conturbado do clube de Alvalade. Apostou forte na aquisição de Carlos Manuel para técnico, que, como se sabe, fracassou em toda a linha. Refém dessa aposta, veria os seus poderes serem esvaziados, após a saída de 'Carlão' de Alvalade, no final da temporada 97/98. Manteve-se ainda no Sporting até Março de 1999, mas o planeamento da temporada 98/99 passou-lhe ao lado. Em Abril de 1999 foi apresentado como administrador do Alverca, numa aposta pessoal de Luis Filipe Vieira. Manteve-se no cargo até ao final da temporada 2001/2002, altura em que pediu demissão, assumindo a responsabilidade da descida da equipa, na altura orientada por Vítor Manuel, à Liga de Honra. Apesar do seu nome ter sido falado para assumir um cargo de proa na Liga de Clubes, a SAD do clube ribatejano recusou o seu pedido de demissão, reforçando-lhe os poderes no futebol do Alverca.
O treinador Couceiro. Com curso de treinador de 4º nível, tirado conjuntamente com José Mourinho, José Peseiro e Carlos Brito, José Couceiro começava a temporada 2002/2003 como responsável de todo o futebol do Alverca. Era treinador da equipa principal, que tinha como objectivo regressar à SuperLiga, mas também por todo o planeamento da formação à equipa principal. Apesar de algumas limitações financeiras, a aposta num misto entre jovens e veteranos, garantiu ao Alverca uma carreira sempre nos lugares de subida, embora tenha perdido o título de campeão para o Rio Ave, protagonista de uma sensacional recuperação na tabela, desde que Carlos Brito assumira o comando técnico da equipa em Novembro de 2002. Tacticamente, apostou num 4x2x3x1, bastante semelhante ao que José Mourinho utiliza, por essa altura, no FC Porto.
Na época seguinte, de regresso à SuperLiga, a aposta num misto entre jovens e veteranos manteve-se, assim como o esquema de 4x2x3x1, embora com dois médios defensivos mais fixos, por vezes alternado com um 4x4x2 em losango, com dois avançados rápidos na frente. O Alverca viria a descer de divisão, caindo na zona de descida na ponta final do campeonato, depois de várias polémicas com arbitragem, que levaram o técnico a assumir uma postura bastante agressiva e conflituosa, com algumas declarações contundentes.
No início desta época rumou a Setúbal, com o objectivo de garantir uma época tranquila, dentro das limitações orçamentais dos sadinos. A primeira fase da época foi excelente, com a equipa a praticar bom futebol e a posicionar-se sempre nos lugares europeus. Tacticamente, voltou a explanar o 4x2x3x1, embora com variantes em 4x3x3 e em 4x4x2 desdobrável em 4x2x4. Problemas financeiros, com salários em atraso, aliados a alegados interesses nas principais unidades do clube, levaram a um abaixamento de forma nos últimos dois meses, contrariado por resultados positivos nas três derradeiras partidas de Couceiro como técnico do Vitória Setúbal: vitórias em casa diante de Penafiel e Vitória Guimarães - este para a Taça de Portugal - e empate em Alvalade.
O consultor. José Couceiro é consultor da First Portuguese Football Players, responsável pelos fundos de jogadores do FC Porto, Sporting e Boavista.
José Couceiro na SuperLiga: 53 jogos, 18 vitórias, 9 empates, 26 derrotas, 60 golos marcados - 71 golos sofridos.
José Couceiro na Liga de Honra: 34 jogos, 16 vitórias, 12 empates, 6 derrotas, 47 golos marcados - 24 golos sofridos.
José Couceiro na Taça de Portugal: 6 jogos, 4* vitórias, 2 derrotas, 10 golos marcados - 6 golos sofridos
(*) uma das vitórias foi alcançada após prolongamento
Totais: 93 jogos, 38 vitórias, 21 empates, 34 derrotas, 117 golos marcados - 101 golos sofridos. 40,86% de vitórias.
Publicado por rui malheiro às 09:42
Comentários
Couceiro ou Carlos Brito podem ser excelentes escolhas, ou completos desastres. Talves a opção Couceiro seja mais lógica, pois parece-me uma pessoa com pulso mais forte. Tal como Mourinho, quando entrou no Porto, ninguém apostaria que ele ganharia "tudo", com estes 2 treinadores, qualquer que seja a escolha, ninguém pode dizer que vão ser vencedores ou perdedores. O sucesso tb depende dos jogadores que se tem. Mourinho tinha Carvalho, Deco, P. Ferreira, Alenichev, Derlei, Maniche. Grandes jogadores comandados por um grande treinador. Ninguém faz pão sem farinha, ou omoletes sem ovos. Mas existem pães e pães, omoletes e omoletes. Nesse aspecto o Cozinheiro conta muito. Com os ovos e a farinha que o porto dispõe, é possível fazer coisas boas...
Confesso que apenas tenho uma pequena ideia da forma de jogar desses treinadores, afinal quantos jogos vejo desses clubes, comparado com a quantidade de jogos que vejo do porto, do benfica, do sporting, do chelsea, do real, do barcelona, do bayern,etc, etc...Couceiro só treinou Setubal e alverca, C. Brito só me lembro de ver treinar o Rio Ave, Carvalhal só me lembro de ver treinar o setubal e agora o belenenses. V. Pontes é mais conhecido pelos elogios que mourinho lhe faz do que propriamente pelo seu trabalho (será que se mourinho não o elogiasse, falariam tanto dele?). Qual deles o melhor? Não sei. Parece que todos eles quando querem conseguem colocar as suas equipas a jogar bom futebol, e um futebol de ataque, umas vezes mais em contra-ataque do que em ataque continuado...
Qualquer um deles é uma boa escolha... mas para mim , a escolha acertada era Claude Puel... mas se calhar nesta fase, o melhor é mesmo um treinador português
#1 | Comentado por: frank | 24 de outubro de 2005 às 21:14
Se este for na realidade o ELEITO, parabens ao FCP !!!
Couceiro vai enfrentar o problema de Fernandez ter dispensado dois grandes jogadores e apostado em jogadores brasileiros por atacado.
Introduzir Leo Lima ou Pitbul no todo que se chama -equipa nao teria sido tarefa de maior, agora dispensar Derlei e Carlos Alberto, Cesar Peixoto, Hugo Leal, Maciel ..... especialmente os dois primeiros foi um erro de gestao . Couceiro de certeza que gostaria de contar com Carlos Alberto, agora tera que contar com Leandros , Claudios, Leos e.... continua a haver a escola de samba do Dragao. Isto nao pode ser considerado renovacao mas sim delapidacao !!!!!
Como se destruiu a equipa campea da Europa e do Mundo :(
BOA SORTE COUCEIRO !!!!!
#2 | Comentado por: Luis Lacerda | 24 de outubro de 2005 às 21:14