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domingo, 6 fevereiro 2005

Estoril 1 - 2 FC Porto

Categoria: 04/05 SuperLiga , Estoril , FC Porto

Festa portista na Amoreira

Num jogo de vital importância para a equipa, o FC Porto deu a José Couceiro os tão ambicionados 3 pontos no seu jogo de estreia. Um jogo difícil para os campeões nacionais que acabaram por beneficiar da forma demasiado defensiva com que os estorilistas encararam o jogo nos momentos inicias para formarem uma vantagem que souberam manter até ao final.

Couceiro em estreia vitoriosaNoite de estreias: a atracção principal do jogo de ontem era obviamente a estreia de José Couceiro no banco portista, e a forma como a equipa iria posicionar-se. Desde logo o ex-técnico do Setúbal promoveu o regresso de Nuno Valente à competição depois de uma longa ausência; estreia também foi a aposta num trio ofensivo constituído por McCarthy, Quaresma e Postiga. O restante elenco foi composto por Baía, Seitaridis, P. Emanuel e R. Costa (a actuar na sua posição de origem), Costinha e Bosingwa na zona defensiva do meio-campo e Diego como organizador de jogo. Novidades também na equipa da casa que estreiou Yannick e o ganês Moses, numa equipa que apresentou um quarteto defensivo formado por Rui Duarte, João Pedro, Buba e Dorival, e um meio-campo composto por Elias, Paulo Sousa, Fellahi e Pinheiro. Na frente de ataque, acompanhado por Moses, o ponta-de-lança João Paulo.

Meia hora de avanço: foi este o tempo que o Estoril deu ao FC Porto. A equipa de Litos entrou em campo demasiado receosa do adversário, centrando a sua preocupação no anular das suas unidades mais influentes; se com isto conseguiu emperrar o dragão, Litos impediu a sua equipa de se mostrar mais atrevida, e, exceptuando os lançamentos para a velocidade de Moses, os primeiros 30 minutos foram de sentido único: a baliza canarinha. No entanto, o FC Porto não apresentou soluções colectivas para criar perigo junto da baliza de Yannick; mas, quando o colectivo não funciona, recorre-se ao individual. E foi do sítio menos esperado que a estrutura defensiva do Estoril ruiu: ao minuto 18, Bosingwa livrou-se do seu oponente directo e encetou uma arrancada que só parou com um remate indefensável à entrada da área, isto depois de ter deixado mais três adversários pelo camninho. Um grande golo! Passado 4 minutos, McCarthy soltou Quaresma na direita e este desfere um remate potente da quina da área com a bola a entrar junto ao primeiro poste, parecendo Yannick mal batido. Sem deslumbrar, os azuis-e-brancos souberam capitalizar a iniciativa com que o Estoril os presenteou.

Nada numa mão, outra na bola: a partir da meia-hora de jogo o Estoril soltou-se mais em termos ofensivos, passando a incomodar mais amiúde a defensiva portista. Foi no entanto através de uma grande penalidade a punir mão de Costinha na área, que o francês Fellahi reduziu a diferença. Até ao intervalo poucos foram os lances de registo, apesar do maior afoito do Estoril. A vantagem portista era justa, até porque o Estoril só procurou jogar quando se viu com dois golos de atraso.

Diferentes posturas: Litos certamente sentiu que era possível chegar ao empate, e o Estoril passou a mandar no jogo aumentando o número de jogadas de perigo junto da baliza de Baía. Logo a abrir o segundo tempo, Fellahi fez um passe fantástico que isolou João Paulo, mas Baía saiu de pronto evitando o golo da igualdade. O meio-campo do Porto começava a falhar, e os estorilistas aproveitaram para se lançarem na ofensiva, priveligiando o lado direito do seu ataque procurando tirar partido da maior capacidade ofensiva de Rui Duarte, e a natural falta de ritmo de Nuno Valente. O golo esteve próximo através de um bom remate de Pinheiro, a que Baía correspondeu com uma excelente defesa com a bola a embater ainda na trave. Couceiro acabou por reequilibar o meio-campo com a entrada de Raul Meireles, e o Porto acabou por conseguir suster o maior ímpeto estorilista controlando o jogo até ao fim.

Rescaldo: embora o empate fosse o resultado mais justo, o Estoril acaba por merecer o castigo da derrota pela falta de ambição que mostrou na fase inicial da partida. Dar meia-hora de avanço a uma equipa, mesmo que numa fase menos boa, que possui valores individuais capazes de resolver a partida foi um erro que certamente Litos não quererá repetir. Couceiro obteve o resultado ideal para marcar a sua estreia, e poderá ter conseguido uma vital injecção de confiança na equipa para o que ainda falta disputar esta época.

Árbitro: João Ferreira teve uma actuação ao nível do jogo: mediana. Cometeu alguns erros menores, sendo que os principais lances onde o trio de arbitragem errou, a culpa terá de ser atribuída ao assisten Sérgio Lacroix, já que foi este a assinalar as infracções. Um desses lances foi o que originou o penalty estorilista em que, sendo indiscutível a mão de Costinha a verdade é que imediatamente antes o avançado Moses desviou também ele a bola com a mão, ficando a infracção por assinalar. Estranho foi também o anular de uma jogada em que Quaresma surge frente a Yannick e simula uma falta, já que fiquei com a sensação de o árbitro ter apitado antes da simulação por indicação do auxiliar, não sendo possível descortinar o motivo.

O melhor em campo: Bosingwa - não só pelo excelente golo que marcou, mas pelo que correu, jogou e fez jogar, e pelo sacrifício por que passou nos últimos minutos.

O "dandy": Rui Duarte - muito bom o lateral direito quer em termos defensivos quer, sobretudo, nas manobras de ataque nas quais foi o principal motor da sua equipa.

Que pesadelo: Paulo Sousa - primeiro foi um pesadelo para Diego fruto da excelente marcação que exerceu; depois viu-se envolvido num pesadelo ao sair lesionado.

O momento: Defesa de Baía a remate de Pinheiro - não só pela beleza do lance, mas também porque marcou a última grande oportunidade do Estoril para chegar ao empate.

Ficha de Jogo:

Local: Estádio António Coimbra da Mota, Estoril

Árbitro: João Ferreira
Assistentes: Sérgio Lacroix e Carlos Santos
Quarto-Árbitro: João Henriques

Estoril: Yannick; R. Duarte, J. Pedro, Dorival e Buba; P. Sousa(77' Vargas), Elias, Pinheiro e Fellahi (87' Hugo Santos); Moses (69' Yuri) e J. Paulo.

Tr. Litos

FC Porto: V. Baía; Seitaridis, N. Valente, R. Costa e P. Emanuel; Costinha, Bosingwa e Diego (59' R. Meireles; Quaresma (73' Claúdio), McCarthy e Postiga (92' Ibson).

Tr. José Couceiro

Golos: 0-1 Bosingwa (18'); 0-2 Quaresma (22'); 1-2 Fellahi (37').

Disciplina

Amarelos: P. Emanuel (42'); P. Sousa (44'); Quaresma (69'); Bosingwa (77'); Buba (86').

Publicado por bruno ribeiro às 09:48