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domingo, 6 fevereiro 2005
Gil Vicente 2 - 0 Beira-Mar
Categoria: 04/05 SuperLiga , Beira-Mar , Gil Vicente
Depois de uma primeira parte francamente má, onde Luis Campos, de regresso a Barcelos, anulou o esquema de Ulisses Morais, os treinadores foram os protagonistas no reatamento, assumindo o risco de procurar a vitória. Mais comedido, Ulisses goleou o seu antecessor no banco gilista, e criou condições para uma vitória tranquila, que até podia ter tido outros números. Os golos de Rovérsio e Carlos Carneiro - e que golo! - conferiram um desfecho justo, que permite ao Gil Vicente alargar a distância sobre a zona de descida, onde continua o Beira-Mar, numa jornada em que os cinco últimos perderam.
Enquadramento. Um dos principais polos de interesse da deslocação do Beira-Mar ao terreno do Gil Vicente era o regresso de Luis Campos a Barcelos, onde começou a temporada. Em situação aflitiva, os aveirenses, com mais pontos conquistados fora de portas (11) do quem casa (6), procuravam repetir a vitória da última deslocação - 2/0 na Luz -, enquanto que o Gil Vicente, ainda perto da zona perigosa, apesar da excelente recuperação protagonizada desde a chegada de Ulisses Morais ao comando técnico da equipa, procurava colocar um ponto final numa série de duas derrotas consecutivas em casa, diante de Penafiel e Sporting. Na formação de Barcelos, que na última semana arrancou um empate no Bessa, Marcos António e Rovérsio, após lesão, e Bruno Tiago, após castigo, estavam de regresso aos eleitos de Ulisses, onde se estreva o avançado brasileiro Val Baiano. Gregory Arnulin, devido a castigo, era a principal ausência. Do lado do Beira-Mar, Ricardo Silva e Beto regressavam após castigo, enquanto que Rui Óscar, Kingsley e Malá ficaram de fora por lesão. Alcaráz e Mário Loja, titulares nos últimos jogos, não foram convocados por Luis Campos, num sinal claro de insatisfação perante o rendimento de ambos na recepção ao Nacional da última jornada.
As tácticas. O Gil Vicente apostou no esquema de 4x4x2, que tem vindo a utilizar nas últimas jornadas. Com Marcos António e Rovérsio a regressarem ao eixo central defensivo, Tonanha manteve-se como lateral-direito, enquanto que Ezequias, central no Bessa, jogou a lateral-esquerdo. Braima foi o trinco mais fixo, apoiado por Ednilson, com Casquilha, no centro-esquerda, e Luis Coentrão, em posição mais central, mas bastante móvel, a serem os médios mais ofensivos, no apoio à dupla atacante formada por Nandinho, mais aberto, e Carlos Carneiro, mais fixo.
Luis Campos, por sua vez, para além do conhecimento profundo que tem da maior parte dos jogadores gilistas, mostrou estudo das últimas partidas da formação de Barcelos. Assim, montou um esquema de 3x4x3, que visava a anulação do esquema táctico do adversário. Jorge Silva era o central solto, ficando Ricardo Silva e Ricardo na marcação. O meio campo tinha Beto e Paul Murray, com Ribeiro e Tininho a funcionarem como volantes laterais. Na frente, McPhee e Ali jogavam sobre as alas, no apoio directo a 'Tanque' Silva.
Início fraco. O Gil Vicente procurou assumir o jogo, como lhe competia, enquanto que o Beira-Mar apostava numa postura mais expectante, que visava explorar o contra-ataque, com a equipa muito curta no terreno, já que a defesa actuava muito adiantada e em linha. Essa situação não foi explorada pela equipa de Barcelos, bastante errática no passe e incapaz de criar desequilibrios sobre as alas. Os aveirenses também não faziam melhor, errando muitos passes, mas seria McPhee, à passagem do quarto de hora, a criar o primeiro lance de perigo, com uma tentativa de chapéu a Paulo Jorge, que passou perto da barra.
Enfadonho. O jogo em termos qualitativos, até ao intervalo, não sofreu melhorias. Muitos passes errados e pouca velocidade, impediam que houvesse perigo junto de qualquer uma das balizas. Voltou a ser McPhee, após boa jogada sobre a direita, a criar perigo, num cruzamento venenoso que Tonanha tirou da zona perigosa, seguindo-se os primeiros lances do Gil Vicente, que incapaz de entrar na área adversária, explorou os remates de fora da área, com Tonanha, por duas vezes, e Luis Coentrão a tentarem surpreender Pavel Srnicek. A melhor oportunidade acabaria por surgir ao minuto 45, quando Carlos Carneiro chega atrasado a um cruzamento largo de Casquilha. Foi muito pouco para um jogo de SuperLiga.
Ulisses melhor que Campos. Ulisses Morais, ao intervalo, abdicou do médio mais recuado Braima, para lançar Bruno Tiago, dando maior dinamismo ao centro do terreno, mesmo mantendo o sistema táctico, já que Ednilson fixou-se mais ao centro. O Gil Vicente reagiu bem à substituição introduzida pelo técnico, o que levou Luis Campos, pouco depois, a assumir o risco de procurar a vitória. Abdicou de Beto e Ali para lançar Rui Lima e Ahamada nas alas, com McPhee a jogar nas costas de 'Tanque' Silva, passando a jogar em 4x2x3x1, com Jorge Silva a sair de central solto para a posição de trinco. Não resultaram as alterações, já que o Gil Vicente encontrou mais espaços e conseguiu flanquear o jogo, sobretudo pela asa direita, onde Tonanha e Nandinho criavam inúmeros desequilibrios. Seria Nandinho, aos 59 minutos, a oferecer uma excelente oportunidade a Bruno Tiago e Carlos Carneiro, mas nenhum dos dois gilistas conseguiu dar a melhor sequência ao lance.
Golo e expulsão. No minuto seguinte, o Gil Vicente adiantou-se no marcador. Canto da direita de Nandinho, Ricardo Silva falha a intercepção aérea, e Rovérsio, sozinho, rematou de primeira para o fundo da baliza de Srnicek. O Beira-Mar tentou esticar-se mais ofensivamente, procurando o empate, mas raramente conseguiu acertar mais do que dois/três passes. O Gil, ainda com mais espaços, estava mais perto do segundo golo, e Tininho, sem velocidade para acompanhar Nandinho, acabou por ver o segundo amarelo, após falta sobre o veloz extremo, que, pouco depois, falhou excelente oportunidade para fazer o 2-0, ao tentar fazer um chapéu a Pavel Srnicek.
Só Gil Vicente. Com o Beira-Mar, mais uma vez, completamente desmembrado e perdido no terreno, o Gil Vicente dominou a partida até ao seu final. o segundo golo adivinhava-se, e Ezequias, após duas excelentes jogadas pela esquerda, esteve perto de o conseguir. Mas seria Carlos Carneiro, aos 88 minutos, após jogada de Fábio Januário - rendeu Nandinho - à direita, a fazer o 2-0, num subtil toque de calcanhar. Estava feito o resultado final, com Ulisses Morais a ainda ter tempo para lançar Val Baiano, o último reforço de Inverno dos gilistas.
Prólogo. Vitória justa do Gil Vicente, que assim se reencontra com as vitórias em casa, isolando-se no 13º lugar, já com seis pontos acima da linha de água. Quanto ao Beira-Mar mantém-se nos lugares de descida, mas continua a um ponto do 15º lugar, só que as segundas partes dos aveirenses continuam a ser assustadoras. O próximo jogo, em Aveiro, diante do Vitória Setúbal adquire uma importância extrema para a formação de Luis Campos, que ao querer vencer o jogo, desequilibrou a equipa.
O duro: Tininho. Na primeira parte, fruto do 3x4x3 aveirense, jogou mais adiantado. Com as alterações tácticas da segunda parte fixou-se a lateral esquerdo, mas não teve pernas para acompanhar Nandinho, vendo-se obrigado a recorrer a faltas para o travar. Acabou por ser expulso, por acumulação de amarelos.
Que pesadelo!: Ali. Não se percebe a insistência neste jogador. Fora de forma, não conseguiu ganhar um único lance sobre Tonanha e nunca teve pernas para acompanhar as subidas - e foram várias - do lateral gilista. Saiu tarde.
O dandy: Bruno Tiago. A sua entrada em jogo, mudou o rumo da partida, passando-se do tédio a um franco domínio gilista. Bastante desinibido, movimentou-se bem no centro/direita do meio campo gilista, fez bons passes e teve ainda disponibilidade para aparecer na área.
O Melhor em Campo: Nandinho. Atravessa um excelente momento de forma, e, mais uma vez, criou inúmeros desequilibrios com a sua velocidade, sobretudo na segunda parte. Foi dos seus pés que saiu o primeiro golo, como a maior parte dos lances ofensivos dos gilistas enquanto esteve em campo. Depois de arrancar a expulsão de Tininho, esteve perto do 2-0, num chapéu que Srnicek desfez.
Ficha do Jogo:
Árbitro: Rui Costa (Porto)
GIL VICENTE (2)
Paulo Jorge - Tonanha (90'+1' Val Baiano), Marcos António, Rovérsio, Ezequias - Braima (int' Bruno Tiago) - Ednilson, Casquilha, Luís Coentrão - Nandinho (76' Fábio Januário), Carlos Carneiro.
Suplentes: Adriano, Nuno Amaro, Bruno Tiago, Luis Tinoco, Paulo Costa, Fábio Januário, Val Baiano.
BEIRA-MAR (0)
Pavel Srnicek - Ricardo Silva, Jorge Silva, Ricardo - Ribeiro, Beto (53' Hassan Ahamada), Paul Murray, Tininho - McPhee (70' Heitor), Ali (53' Rui Lima) - 'Tanque' Silva.
Suplentes: Paulo Sérgio, Filipe, Sandro Gaúcho, Marcelinho, Rui Lima, Hassan Ahamada, Heitor.
Golos:
60' Rovérsio (1-0), assistência: Nandinho
88' Carlos Carneiro (2-0), assistência: Fábio Januário
Cartões Amarelos:
GV: Carlos Carneiro (37').
BM: Beto (32'), Tininho (47' e 69'), Jorge Silva (49'), Rui Lima (65'), Paul Murray (76'), Ribeiro (86'), Ricardo (87').
Cartões Vermelhos:
BM: Tininho (69'), por acumulação de amarelos
Publicado por rui malheiro às 23:05
Comentários
Descem 3 não é? Deus queira, Viva o GDEP
#1 | Comentado por: João Rocha | 24 de outubro de 2005 às 21:14