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sábado, 12 fevereiro 2005
Belenenses 3 - 0 Estoril
Categoria: 04/05 SuperLiga , Belenenses , Estoril
Em noite de gélida nortada no Restelo, venceram os da casa perante um adversário que, a pouco e pouco, se foi tornando incapaz de esconder as deficiências que o têm mantido tão próximo da linha de água. Sem brilhantismo, mas também sem demasiada dificuldade, o Belenenses acabou por vencer como se nenhum outro cenário se pudesse realmente vir a materializar. Ainda assim, foi mais difícil do que parece.
O Belenenses obedeceu no relvado ao 4-1-3-2 das últimas jornadas. Cabral regressou à sua posição, enquanto Pelé procurava ensombrar João Paulo. Rui Ferreira pingava suor no miolo e era secundado por Marco Paulo. José Pedro colava-se à esquerda em estreita relação com Lourenço, enquanto Petrolina jogava no centro e na direita em esforço combinado com Catanha, pela primeira vez titular na Superliga.
O Estoril apresentou-se numa espécie de 4-4-1-1. Vargas, pela primeira vez titular, personificou o risco assumido pelo treinador Litos na visita ao Restelo, apresentando-se como a unidade mais móvel e criativa nas incursões atacantes da sua equipa. Mais atrás, via-se Elias próximo de Juninho Petrolina, e Pinheiro também em missões mais defensivas. Hugo Santos, à esquerda, e Fellahi, à direita, procuravam entontecer os laterais azuis, enquanto o solitário João Paulo se preparava para uma noite de sacrifício.
Começou bem melhor o Estoril, exercendo uma pressão eficaz sempre que os azuis chegavam aos últimos metros do terreno. As antecipações aos jogadores do Belenenses sucediam-se. Destacavam-se Pinheiro, pela abnegação todo-terreno, e Rui Duarte, pela aparente facilidade com que eclipsava José Pedro. Confrontado com a maior agressividade dos estorilistas, o Belenenses permanecia apático, o que se registava de modo flagrante na incapacidade de flanquear o jogo. O jogo canalizado pelo meio também não surtia efeito, e os ataques por aí iniciados não resultavam. Os canarinhos não se limitavam a roubar a bola ao adversário, mostrando interessantes desdobramentos na transição defesa-ataque, que se traduziram em dois lances perigosos: aos 6 minutos, uma tentativa de chapéu quase certeira por Hugo Santos, e dois minutos depois um remate de meia distância por Vargas a obrigar à atenção de Marco Aurélio.
Foram bons os 20 minutos de domínio territorial por parte do Estoril, mas acabaram-se. Com os azuis a pressionarem mais nas tentativas do adversário sair para o ataque, e depois das necessárias afinações posicionais, o jogo repartia-se cada vez menos pelos dois meio-campos. Aos 23 minutos, Lourenço aparece no lado direito dentro da área, ganha espaço e passa rasteiro para Catanha. Este só tinha de encostar o pé, mas Dorival oportunamente salvou. Dois minutos depois, os papéis inverteram-se mas a dupla era a mesma. Lourenço é bem assistido pelo colega brasileiro, mas a clara oportunidade de golo resulta num remate pouco mortífero que o regressado Jorge Baptista afastou de perigo. Ainda mais perto esteve Juninho Petrolina quando, um minuto depois, surgiu isoladíssimo pela esquerda, rematando a um dos postes. A tendência do jogo mantinha-se, mesmo que o jogo belenense revelasse variações muito pouco felizes e um José Pedro completamente alheado da partida. Ainda assim, Marco Paulo revelava força física e discernimento suficientes para criar desequilíbrios nas combinações com Petrolina. Aos 40 minutos, um desses lances isola Lourenço que, acossado por Dorival e a perder o ângulo de remate, procura um contacto. O oponente brasileiro vai na conversa, o árbitro também, e Lourenço inaugura o marcador. Minutos depois, a primeira parte terminava.
Depois de um primeiro tempo não muito bem jogado, não se pode dizer que a segunda parte tenha oferecido grandes novidades a esse respeito. Até começa de modo emocionante, com João Paulo a desperdiçar a mais clara oportunidade de golo do Estoril em todo o jogo, e o único lance de perigo criado pela equipa durante esses 45 minutos. Mas rapidamente o jogo voltou a amornar. Por esta altura já Vargas, com problemas físicos, tinha cedido o lugar a Luís Torres, que pouco ou nada veio acrescentar a uma equipa cujas soluções atacantes se pareciam ter esgotado, e que praticamente não conseguia ameaçar os sectores recuados da equipa adversária. Carlos Carvalhal tira o esforçado Catanha e faz entrar Paulo Sérgio para avançado-esquerdo, abrindo um pouco a frente de ataque, completada em tridente ofensivo com as aparições constantes de Juninho Petrolina junto à área. Do outro lado Litos tira Hugo Santos do lado esquerdo para fazer entrar o inefável Moses Sakyi. Entre um Belenenses novamente apático e um Estoril incapaz de dar profundidade ao seu jogo, o jogo prometia arrastar-se até ao fim - não fossem os pormenores de Juninho Petrolina, em bom plano, alternando os lances individuais com um bom desempenho ao serviço do colectivo. Minutos depois, o pouco competente João Pedro, já sem Hugo Santos para o auxiliar, vê Juninho Petrolina aparecer na sua zona de acção com total liberdade. Na sequência de um primoroso cruzamento, Lourenço aparece junto ao poste mais distante a falhar de forma imperdoável. Litos arrisca o que há para arriscar, e assim Yuri substitui Dorival. A estocada final, infligiu-a o treinador estorilista com esta substituição. Pouco depois, Paulo Sérgio falha o golo na sequência de uma boa iniciativa de José Pedro. Tudo parece acontecer a uma maior velocidade, sem surtir grande efeito, até que um novo contra-ataque azul aproveita fatalmente as evidentes permeabilidades no lado esquerdo do trio de centrais improvisado por Litos. Paulo Sérgio aproveita o bom passe de Lourenço e marca o seu primeiro golo no campeonato. Digno de registo depois disto, só mesmo o terceiro e último golo de partida. O recém-entrado Neca – para o lugar de Marco Paulo - desmarca muito bem Amaral que, mais uma vez liberto no flanco onde se deveria encontrar João Pedro, assiste o substituto de Lourenço em campo, Rodolfo Lima, que não tem dificuldade em fechar a contagem. Mérito de uns ou demérito dos outros? Provavelmente, um pouco das duas coisas.
Apesar da exibição pouco conseguida do Belenenses, é uma vitória pouco discutível, pelo maior número de oportunidades criadas e pelo inteligente aproveitamento dos contra-ataques. Quanto ao Estoril, pagou cara a inadaptação ao esquema de três centrais, mas antes disso não pareceu suficientemente ameaçador para uma discussão dos três pontos.
Equipas:
Árbitro: Olegário Benquerença (Leiria)
ESTORIL - Jorge Baptista; Rui Duarte, Buba, Dorival (Yuri, 74’) e João Pedro; Pinheiro, Elias, Vargas (Luís Torres, 46’) e Hugo Santos (Moses, 62’); João Paulo e Fellahi.
BELENENSES - Marco Aurélio; Amaral, Wilson, Pelé e Cabral; Rui Ferreira; Marco Paulo, Juninho Petrolina e José Pedro; Catanha (Paulo Sérgio, 60’) e Lourenço (Rodolfo Lima, 81’).
GOLOS: [1-0] Lourenço (40'), g.p., [2-0] Paulo Sérgio (80'), [3-0] Rodolfo Lima (86')
Melhor em campo: Juninho Petrolina
Publicado por vasco mendonca às 07:24
Comentários
Realmente, a superioridade do Belenenses não foi tão marcada como o resultado deixa antever. Foi uma vitória justa, perante um Estoril esforçado, mas completamente espremido, que já não dá mais. O contra-ataque decidiu o jogo. Penso que Lourenço, para além de Petrolina, foram os melhores em campo!
#1 | Comentado por: Ivo C. | 24 de outubro de 2005 às 21:14
Mas temos que ver que este Estoril ainda deixa muito a desejar...simplesmente não tem pedalada para este campeonato!
www.blocoesquerdaprocaralho.blogspot.com
#2 | Comentado por: Pantera | 24 de outubro de 2005 às 21:14
A primavera vêm aí.............E o s CANÁRIOS vão cantar.
#3 | Comentado por: Manuel Contente | 24 de outubro de 2005 às 21:14