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domingo, 13 março 2005
Beira-Mar 2 - 1 Estoril
Categoria: 04/05 SuperLiga , Beira-Mar , Estoril
Indigestão canarinha dá novo fôlego ao Beira-Mar
Desde a terceira jornada que não sucedia. É verdade. O Beira-Mar voltou a vencer em casa e a vítima só seria melhor, do ponto de vista aveirense, se escolhida a dedo. Isto, porque o Estoril foi a equipa derrotada. Estoril que, convém relembrar, é um dos adversários do Beira-Mar na luta pela manutenção. Num encontro não mais que razoável sob o ponto de vista qualitativo, o Estoril começou melhor, mais disciplinado e entrosado, com a iniciativa de jogo, tomando a dianteira do marcador com metade da primeira parte decorrida, num tento vistoso e oportuno de João Paulo. O Beira-Mar, fruto de uma péssima prestação colectiva no primeiro tempo, demorou a reagir. Fê-lo na segunda metade, mas contou para o efeito, com a preciosa ajuda do guardião estorilista Yannick. O francês Ahamada não se fez rogado e igualou a partida. A partir daí, o Beira-Mar cresceu e consumou a reviravolta no marcador ao cair do pano, quando jogava apenas com dez elementos. McPhee foi o autor do golo mais feliz da tarde. Com este resultado, Luís Campos respira, o Beira-Mar deixa a lanterna vermelha para a Académica e alcança o Estoril na classificação. Litos é que não têm motivos para sorrir e o próximo embate frente ao Moreirense afigura-se decisivo para as aspirações canarinhas na SuperLiga.
Enquadramento. O Beira-Mar, lanterna vermelha à partida para o encontro desta tarde, procurava alcançar a vitória, algo que não acontecia à seis jogos. Pela frente, a formação orientada por Luís Campos, tinha o Estoril, também à procura de pontos, dada a situação difícil na tabela classificativa. Aliás, o Estoril tinha neste confronto, o primeiro de uma série de três, que pode decidir muito sobre o futuro da equipa na SuperLiga. À parte disso, algumas curiosidades. Neste jogo, iriam estar frente a frente duas das piores defesas da competição, sendo que o Beira-Mar se apresentava como a equipa com pior saldo nos jogos caseiros – oito pontos conquistados em onze jogos a que correspondia uma única vitória, contra o Gil Vicente, então orientado por Luís Campos – e o Estoril, a pior equipa nos jogos extramuros – cinco pontos em onze jogos e uma só vitória diante do Moreirense.
As tácticas. Necessitado de uma urgente vitória, Luís Campos, técnico aveirense, apostou num esquema de 4x3x3. Em relação ao último encontro diante da União de Leiria, desastroso para o Beira-Mar, diga-se, as únicas alterações no ‘onze’ eram as saídas de Rui Lima e McPhee para as entradas de Marcelinho e ‘Tanque’ Silva. De resto, na baliza apresentava-se o veterano Pavel Srnicek, seguido de um quarteto defensivo formado por Filipe e Tininho nas faixas laterais, Ricardo Silva e Jorge Silva no centro. Sandro e Beto completavam com o supracitado Marcelinho o trio de meio campo, Ahamada e Ali jogavam pelas extremas direita e esquerda, respectivamente, no apoio ao avançado.
No Estoril, Litos foi menos acutilante e bem mais contido, se tivermos em linha de conta a estratégia inicial da equipa na jornada passada. Ainda sem poder contar com Fellahi, o treinador da formação da Linha, voltou ao esquema de 4x3x3. Na baliza, a grande novidade com a inclusão de Yannick em detrimento de Jorge Baptista. Depois, uma linha de quatro defensores composta por Rui Duarte, na direita, João Pedro, na esquerda, Amoreirinha – nova oportunidade no ‘onze’ – e Dorival no centro. Paulo Sousa regressava ao miolo, juntando-se a Elias e Pinheiro, este funcionando como vértice ofensivo. Para a frente apresentavam-se, Arrieta, pela ala direita, Hugo Santos, pela ala esquerda, e João Paulo, pelo meio. Yuri, esse, era novamente relegado para o banco de suplentes.
Força aveirense. Foi essencialmente psicológica. Uma equipa que jogou tão mal como fez o Beira-Mar no primeiro tempo e reagiu, galvanizando-se depois de conseguida a igualdade na busca do golo da vitória, é porque ainda quer algo desta SuperLiga. Hoje, o querer e o acreditar estiveram presentes e solucionaram o desfecho da partida. Nada mais a dizer, portanto. Será de repetir?
Organização canarinha. O Estoril efectuou uma boa partida. A juntar a uma primeira parte em que se adiantou no marcador, controlou as acções adversárias e dispôs de ocasiões flagrantes de golo, uma segunda parte de contenção. Viu o Beira-Mar chegar ao empate, mas não se desmoronou. Podia mesmo ter feito novo golo, não fosse uma magnífica intervenção de Pavel Srnicek. Ainda assim um ponto não seria mau de todo e o Estoril recuou. Entende-se. A luta pela manutenção é feroz e o Beira-Mar é um dos rivais, nesse capítulo. Só que, acabou por baquear na fase final da partida, quando certamente já não contava com outro desfecho que não fosse o empate. Ainda esboçou reacção mas era tarde…
Luís Campos. Se muitas vezes é criticado por falar de mais e agir de menos, hoje, tal não se lhe pode apontar. Pode afirmar-se que Luís Campos teve o seu mérito nesta vitória. Mas vamos por partes. A estratégia inicial não resultou. Aliás, no essencial, foi toda a equipa não funcionou na primeira parte. Não obstante, quando a formação aveirense necessitou de estímulo, ideias, frescura, o treinador executou. Realizou as substituições que entendeu e a verdade é que se deu bem com as escolhas. No fim, três pontos na carteira e uma salva de palmas para tão ilustre figura.
A passo. Péssima prestação do Beira-Mar na primeira parte do jogo, sempre num ritmo lento e pausado. Mais, uma desconexão e descoordenação gritante entre sectores, com fraquíssima prestação ao nível do passe. Não foi por acaso que o Estoril se colocou a vencer e chegou em vantagem ao descanso. Ao intervalo, a distância de qualidade de jogo entre as duas equipas era por demais evidente com claro prejuízo para os aveirenses.
Insegurança. Teve um nome: Yannick. Porque toda ela começou e acabou nele. A equipa do Estoril tremeu, por breves instantes, depois da igualdade e por isso, poderá parecer excessivo atribuir grande parte das responsabilidades pela façanha aveirense ao guarda-redes francês do Estoril, mas que as teve, teve. É ponto assente e daqui não saímos.
Os destaques do Terceiro Anel.
Vargas. Entrou no decorrer da segunda parte, com o resultado empatado. A missão era simples. Conduzir as acções ofensivas da equipa e municiar os homens da frente. Só que o resultado acabou por ser uma entrada violenta sobre um adversário e a consequente expulsão.
Yannick É certo que Jorge Baptista passou a semana toda lesionado. Daí, talvez se compreenda a aposta de Litos no guardião ex-Benfica. Só que Yannick não deu segurança e voltou a comprometer, à imagem do que fizera quando se estreou pelo Estoril contra o FC Porto, com responsabilidades nos dois golos sofridos.
João Paulo. Foi sempre muito batalhador jogando entre os defesas contrários. O primeiro golo do encontro foi o prémio pela sua boa e esforçada exibição.
Ahamada. Mostrou-se inconformado com o evoluir da acção e tentou remar sempre contra a maré, leia-se monotonia aveirense, tendo sido o elemento mais perigoso do Beira-Mar em todo o encontro. Deu o pontapé no charco quando marcou o primeiro golo aveirense. Depois, assistiu McPhee para a vitória.
Remate. Com este resultado, o Beira-Mar alcançou o Estoril na classificação, embora os canarinhos tenham vantagem, uma vez que golearam os aveirenses na primeira volta por expressivos 5-0. De qualquer forma, com esta vitória, o Beira-Mar quebra um duplo jejum. De vitórias caseiras e vitórias na competição. Do lado do Estoril, manteve-se a tradição. O Estoril é a pior equipa da SuperLiga nos jogos fora de portas, tendo somado a oitava derrota consecutiva longe da Amoreira. Só que a margem de manobra é cada vez menor e avizinham-se confrontos decisivos para a turma comandada por Litos.
Ficha do Jogo:
Estádio: Municipal de Aveiro
Árbitro: João Ferreira (Setúbal)
Beira-Mar: Pavel Srnicek; Filipe (McPhee 45’), Ricardo Silva, Jorge Silva (Ricardo 62’) e Tininho; Beto, Sandro e Marcelinho (Paul Murray 39’); Ahamada, ‘Tanque’ Silva e Ali.
Suplentes não utilizados: Galekovic, Ribeiro, Rui Lima e Kingsley.
Estoril: Yannick; Rui Duarte, Amoreirinha, Dorival e João Pedro; Paulo Sousa, Elias e Pinheiro (Cissé 80’); Arrieta, João Paulo (Vargas 72’) e Hugo Santos (Yuri 65’).
Suplentes não utilizados: Jorge Baptista, Buba, Abadito e Torres.
Golos:
26' João Paulo (0-1)
57' Ahamada (1-1)
90’ McPhee (2-1)
Cartões Amarelos:
Beira-Mar: Ricardo Silva (75’ e 86’), Sandro (88’) e Ali (90’+2’)
Estoril: Rui Duarte (17’), Hugo Santos (45’+2’), Paulo Sousa (75’), Arrieta (90’+2’)
Cartões Vermelhos:
Beira-Mar: Ricardo Silva (acumulação, 86’)
Estoril: Vargas (90’)
Publicado por nuno almeida às 23:02
Comentários
Depois de ter comido um belo ensopado de enguias como já à muito tempo o meu metabolismo ansiava dirigi-me ao belo estádio que a cidade de Aveiro se orgulha; para meu espanto as enguias começaram a trabalhar-me no estomago assim que deparei com um dos inimigos publicos numero UM do Estoril Praia, o Sr. árbitro João Ferreira de Setubal o tal que na divisão de Honra inventou um penalti na Póvoa de Varzim em desfavor do Estoril e nos retirou dois penaltis que exestiram, não contente com isso voltou a prejudicar-nos na mesma época em Santa Mª da Feira e este ano com o Rio Ave e com o Porto, este Sr. deve ter jogado alguma vez no Casino Estoril e perdido muito dinheiro para mostrar tanta raiva para com a equipa do Estoril, ou será que trabalha para o "sistema", o que é certo é que algo se passa!
Como foi possivel ter assinalado perto de 30 faltas e muitas à entrada da área que só exestiram na cabeça deste senhor, nem metade delas exestiram, o cartão amarelo ao Rui Duarte e ao Paulo Sousa então foram o cumulo, depois de terem havido entradas a partir de jogadores do Beira Mar nem sequer sancionadas como faltas, conclusão, num jogo pouco faltoso, 12 faltas do Beira Mar e trinta do Estoril, este jogo devia de ter sido televisionado para estudarem a arbitragem deste Senhor anti estorilista.
Não queria terminar sem dar uma palavra de apreço à claque do Beira-Mar que foi fantástica no acolhimento aos cerca de 70 canarinhos que se deslocaram à bela cidade de Aveiro. São estas atitudes que dignificam o futebol português......PARABÉNS AURINEGROS.
#1 | Comentado por: Manuel Contente | 24 de outubro de 2005 às 21:13