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domingo, 20 março 2005
Estoril 2 - 0 Moreirense
Categoria: 04/05 SuperLiga , Estoril , Moreirense
Cinzento da Amoreira ensombrou o Moreirense
Pois é. O canário voltou a voar. Aconteceu esta tarde, na Amoreira, após o apito final do árbitro. É que, o Estoril venceu o Moreirense com dois golos sem resposta e fruto disso, voltou a subir acima da linha de água. Mas não foi fácil, convém referir. Sem assumir contornos épicos, a vitória do Estoril foi, ainda assim, uma demonstração inequívoca de querer, força e, porque não dizê-lo, qualidade. A partida, em si, foi fraca. É um facto. Sem que nada o fizesse prever, o Estoril adiantou-se no marcador, aos dezassete minutos, numa jogada vistosa e de entendimento entre as linhas média e avançada, bem concluída por João Paulo. Foi como se não tivesse sucedido, porque a primeira parte morreu aí. O enterro aconteceu a um minuto do descanso, quando Paulo Sousa foi expulso e reduziu o Estoril a dez unidades. Ocorreu que o Moreirense poderia espevitar, durante o intervalo, mas foi pura ilusão. A segunda parte começou como terminou a primeira. Espectáculo muito pobre e alguns esboços de jogadas mal amanhados. Ainda assim, o Estoril, sempre melhor e chamando a si a responsabilidade do jogo, conseguiu marcar o segundo golo. Finalização perfeita de Fellahi, num remate de fora da área, revivendo os tempos idos da Liga de Honra. O Moreirense conseguiu reagir, em comprimento. Faltou foi profundidade. Ou seja, empurrou o Estoril para trás, mas não dispôs de uma única oportunidade flagrante de golo. Foi até, o Estoril, em contra-ataque, a estar mais próximo do terceiro tento, que acabou por não surgir. A suceder seria, de certo modo, injusto. O que é certo é que no fim, o Estoril somou os três preciosos pontos e ultrapassou o Moreirense na cada vez mais apertada e confusa classificação da SuperLiga.
Enquadramento. Era um jogo fundamental para o Estoril, que não vencia há três encontros. Em situação periclitante na tabela, perder, poderia significar o comprometimento de toda a temporada. Sim, porque estamos numa fase decisiva e todos os pontos são, nesta altura, fundamentais para a contabilização final. Além de que, o Moreirense é um adversário directo na luta pela manutenção e era essencial garantir vantagem nos confrontos directos. Para a formação de Moreira de Cónegos, com mais dois pontos que o seu adversário, à partida para este encontro, e vinda de um empate caseiro frente à União de Leiria, o jogo não se revestia de somenos importância, pelos motivos supracitados. Importante referir que, no encontro da primeira volta, o Estoril havia vencido em Moreira de Cónegos por duas bolas a uma.
As tácticas. No Estoril, Fellahi voltou a estar disponível depois de duas jornadas de ausência por castigo. Litos, treinador do Estoril, conhecendo as limitações do seu plantel e sabendo da importância que assumia esta partida, apostou num 4x4x2, com reforço da zona intermediária. Na baliza, manteve a aposta em Yannick, o mesmo sucedendo em relação à linha defensiva composta por Rui Duarte, na direita, João Pedro, na esquerda, Amoreirinha e Dorival no centro. O meio campo era formado por Paulo Sousa, jogador de contenção, apoiado por Elias e Pinheiro, cabendo a Fellahi o papel de organizador de jogo. Na frente, em cunha, surgiam Arrieta e João Paulo.
Vítor Oliveira, técnico principal do Moreirense, sabendo que enfrentava um concorrente directo na luta pela manutenção na SuperLiga, achou provavelmente que a melhor defesa seria o ataque. Deste modo, manteve a aposta no 4x2x1x3, vulgo 4x3x3, que tem sido apanágio na estratégia da formação vimaranense ao longo das últimas jornadas. Com João Ricardo suspenso, Nuno Claro estreou-se na baliza, seguido de um quarteto defensivo constituído por Primo e Tito nas laterais, Ricardo Fernandes e Sérgio Lomba no meio. Sérgio Duarte actuou a trinco, com o apoio de Filipe Anunciação e Eriverton era o vértice mais ofensivo do miolo. Na frente, três atacantes. Manoel, Fernando e Lito.
Os golos. Em termos qualitativos, terão sido os melhores momentos que se assistiram, esta tarde, na Amoreira. O primeiro golo do Estoril nasce de uma bonita jogada de entendimento, bem finalizada por João Paulo. O segundo tento, apesar do lance confuso, é de uma inteligência e de um aproveitamento fora do comum. Remate com o selo argelino de Fellahi, pois claro.
Carácter estorilista. O Estoril efectuou uma partida bastante razoável. Não jogou mais e melhor do que lhe era exigido. Jogou o suficiente, o que necessitou. O adversário foi frágil e caiu cedo. Mesmo em vantagem, após a expulsão de Paulo Sousa ainda se pensou no pior. Recorde-se Aveiro na última semana, pois então. De qualquer forma, a segunda parte mostrou um Estoril muito personalizado. Aí, os canarinhos controlaram bem as acções a meio campo, recuaram quando tiveram que o fazer e, responderam à altura, primeiramente, chegando ao segundo golo e explorando o contra-ataque, na fase final do desafio.
Intermediária canarinha. Até que ponto a táctica 4x3x3 tem sido benéfica para o Estoril? É uma pergunta com resposta indefinida, que só poderá ser colocada a Litos, treinador do Estoril. Apenas para dizer que, hoje funcionou o 4x4x2, com bom encadeamento colectivo e exibições individuais acima da média no miolo estorilista. Mesmo depois da expulsão de Paulo Sousa, com a intervenção de Litos, o meio campo não desarmou. Diria que, numa tentativa de tirar de esforço, até melhorou.
Zero vírgula qualquer coisa. A exibição do Moreirense roçou a nulidade. É uma pena, porque se esperava outra atitude, outra acutilância da equipa forasteira, capaz de colocar à prova o sector defensivo do Estoril. Houve além de tudo, uma falta de ideias gritante por parte dos comandados de Vítor Oliveira. Na primeira parte, um ou outro sinal foram bem negados por Yannick. Depois, foi a pique. Ora quem joga assim, normalmente perde e o Moreirense, hoje, não foi excepção.
Os destaques do Terceiro Anel.
Paulo Sousa. Entrega-se muito ao jogo, o que por vezes só o prejudica. Parece um contra-senso dizer isto. De qualquer modo, tento explicar. Paulo Sousa é abnegado e lutador, mas exagera nas entradas que faz. Convém relembrar a Paulo Sousa que, quando joga futebol, não está numa arena, mas num campo de futebol. Isto para dizer, que era evitável a entrada por trás que originou a sua expulsão, bem como grande parte dos cartões que tem visto ao longo da época.
Lito. Demasiado apático e inconsequente para o que o seu técnico certamente esperava de si. Não confirmou predicados. Deveria ter sido substituído.
João Paulo. Não é por acaso que João Paulo começa a cair no goto dos adeptos canarinhos. É, aliás, de dizer que João Paulo faz por isso. Trabalhou muito para a equipa e marcou o primeiro golo do desafio, importante para serenar ânimos nas bancadas e a própria equipa. Acabou por ser substituído no decorrer da segunda parte, quando interessava segurar a posse de bola.
Fellahi. O melhor do Estoril foi o melhor do encontro. É verdade. Hoje, na Amoreira, esteve o Fellahi do ano passado. Ele foi o organizador de jogo que o Estoril necessitou. Jogou e fez jogar todos os seus colegas. Mais, desempenhou tarefa árdua durante toda a segunda metade, coroada com um excelente golo.
Remate. Com este desfecho, o Estoril ultrapassou o Moreirense e igualou o Gil Vicente, que ainda terá de visitar a Amoreira, na classificação da SuperLiga. Os canarinhos garantiram ainda vantagem no confronto directo com o Moreirense, com duas vitórias em dois encontros disputados. O Moreirense, por seu turno, mergulha na parte escura da tabela, numa altura fulcral. A ver vamos o que reservam os próximos jogos. De referir que, o Estoril vai a Coimbra enfrentar a Académica, enquanto o Moreirense recebe o Belenenses.
Ficha do Jogo:
Estádio: António Coimbra da Mota
Árbitro: Jorge Sousa (Porto)
Estoril: Yannick; Rui Duarte, Amoreirinha, Dorival (Buba 46’) e João Pedro; Paulo Sousa, Elias, Pinheiro e Fellahi; Arrieta (Torres 46’) e João Paulo (Abadito 62’).
Suplentes não utilizados: Jorge Baptista, Hugo Santos, Raphael e Moses.
Moreirense: Nuno Claro; Primo (Armando 56’), Ricardo Fernandes, Sérgio Lomba e Tito; Jorge Duarte, Filipe Anunciação (Demétrios 60’) e Eriverton; Manoel, Fernando (Nei 76’) e Lito.
Suplentes não utilizados: João Carlos, Orlando, Delfim e Vítor Pereira.
Golos:
17' João Paulo (1-0)
53' João Paulo (2-0)
Cartões Amarelos:
Estoril: Buba (85’) e Yannick (90’+2’).
Moreirense: Fernando (58’) e Tito (80’).
Cartões Vermelhos:
Estoril: Paulo Sousa (44’).
Moreirense: -
Publicado por nuno almeida às 22:04
Comentários
1 ÓPITMA VITÓRIA, DE 10 CONTRA 14 JOGADORES... NÃO POSSO DAR OS PARABÉNS AO ÁRBITRO JORGE SOUSA, PK O ESTORIL GANHOU.
#1 | Comentado por: João R. | 24 de outubro de 2005 às 21:13
Mais um árbitro para a lista negra do Estoril Praia........................Que vergonha !
#2 | Comentado por: Manuel Contente | 24 de outubro de 2005 às 21:13