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sábado, 2 abril 2005

Com a corda na garganta

Categoria: Beira-Mar , Col: Rui Malheiro

Beira-Mar 2004/2005

O Beira-Mar, último classificado à partida para a jornada 27, tem contra si o peso da história: são raras, muito raras mesmo, as situações em que o último classificado a oito jornadas do fim do campeonato nacional conseguiu salvar-se. No entanto, os aveirenses estão já habituados a 'missões impossíveis'. Basta recordar-nos de há duas épocas atrás, quando o Beira-Mar, 17º classificado à jornada 27, conseguiu recuperar, em sete jornadas, os sete pontos que tinha de distância para o Varzim... de Luis Campos.



Se compararmos a temporada 2002/2003 e a edição actual da SuperLiga, encontramos bastantes pontos comuns na carreira do Beira-Mar. A principal diferença, no entanto, é que uma vitória na jornada 26, em casa, diante do Paços de Ferreira, permitiu aos aveirenses subirem para o 17º posto da SuperLiga, a 2 pontos do 15º, abandonando o último lugar - que passou para o Vitória Setúbal - que ocupam esta época, a três pontos do 15º classificado.
Contudo, tal como hoje, o Beira-Mar, à entrada para a jornada 27, somava as mesmas 13 derrotas e possuia o pior sector defensivo da SuperLiga. A jornada 27, à semelhança do que acontecerá amanhã, era marcada por um jogo decisivo: deslocação ao terreno do Varzim, que a formação orientada por António Sousa perdeu, ficando numa situação bastante delicada, já que os poveiros, orientados por Luís Campos, dilatavam para 7 pontos a vantagem sobre os aveirenses.
Em 7 jornadas, o Beira-Mar não só recuperou esses 7 pontos, como conseguiu acabar o campeonato 3 pontos à frente do Varzim, o 16º classificado da versão 2002/2003 da SuperLiga.


Luís CamposAntónio Sousa


Lideranças



Um factor decisivo para a excelente recuperação final do Beira-Mar em 2002/2003 foi a liderança técnica de António Sousa. Numa época conturbada, com alguns afastamentos de jogadores a meio da temporada, e reforços de Inverno que não o chegaram a ser, a definição de um modelo de jogo praticamente inalterável, baseado num 4x2x3x1, foi determinante para a ponta final dos aveirenses. Ricardo Sousa, o 'nº10', e Fary Faye, que viria a ser o goleador do campeonato, foram as peças decisivas, mas a dupla de centrais formada por Filipe e Mariano Fernandez, depois de várias experiências com outras formatações, e de Sandro Gaúcho, no meio campo defensivo, também se revelaram importantes. Na baliza, Paulo Sérgio acabou por ser o titular na fase decisiva ; nas laterais, Ribeiro e Areias acabaram por dar mais consistência que Toni e Diogo Luís ; no meio, Levato e Marcelinho alternavam como parceiros de Sandro ; e, por fim, nas alas, Juninho Petrolina e Rui Dolores abriam as alas, com Carlinhos Bala e Gamboa à espreita, mostrando utilidade nas segundas partes, mas também de início, quando eram chamados ao lugar do actual jogador do Belenenses, protagonista de uma época muito inconstante, devido a uma guerra de egos com o filho do treinador, e pouco inspirado na fase de crescimento da equipa.

Este ano, a oito jornadas do fim, Luís Campos ainda continua a experimentar, não dando sinais, três meses depois de assumir o comando da equipa, de já ter um modelo táctico definido e um 'onze base'. Numa época também conturbada em termos disciplinares, com despedimentos a meio da época, três mudanças de treinador e aquisições de Inverno para todos os gostos, Campos já experimentou uma infinidade de esquemas em 11 partidas: desde o 4x3x3, ora desdobrável em 4x2x1x2x1 ou 4x1x2x2x1, passando pelo 4x4x2, com ou sem losango, ou pelo 4x2x3x1 e 4x1x4x1, e também por esquemas de três centrais: 5x2x3, 5x3x2 ou o mais arrojado 3x4x3. Tudo isto gera instabilidade, falta de rumo e, sobretudo, impede a existência de rotinas de jogo, com claras consequências em termos de resultados. Os focos de indisciplina, sobretudo visiveis no elevado número de expulsões recentes, também revelam a necessidade de uma liderança mais tranquila e menos impaciente, uma das armas que Sousa possuia e que acabou por ser decisiva na excelente recta final de 2002/2003. E, como já acontecera na Póvoa de Varzim, Luis Campos já caiu no erro de não assumir as derrotas, preferindo culpabilizar os jogadores publicamente, situação que nada ajuda à coesão interna do grupo de trabalho, sobretudo tendo em conta, até ao momento, mais um ano horrível do treinador: 18 jogos, 3 vitórias, 3 empates e 12 derrotas, entre Beira-Mar (11 jogos) e Gil Vicente (7 jogos).

Apesar de tantos factores negativos, a permanência permanece em aberto, mas terá que passar por uma vitória em casa - onde, em um ano e três meses, só venceu três vezes (!) - amanhã, diante do Penafiel, que permitirá a Luis Campos alcançar 26 pontos, mais um ponto do que António Sousa tinha, à jornada 27, há duas épocas atrás.


Figuras



Tanque Silva

Tanque Silva: o melhor marcador. Com 7 golos na SuperLiga, o avançado uruguaio é o melhor marcador do Beira-Mar na corrente temporada, mas os seus tentos apenas valeram uma vitória: na Luz, diante do Benfica. Avançado possante e agressivo, que trabalha muito em prol do colectivo, apesar do seu mau feitio, possui características bem diferentes de Fary, mais oportuno e móvel. Atravessa uma fase de 'apagamento' após o 'bis' na Luz, pois não mais voltou a marcar, o que implica um jejum de quase dois meses e meio.

Beto

Beto: o jogador mais valioso. Médio centro 'box to box', não tem o poder criativo de Ricardo Sousa, nem a sua capacidade para a execução de lances de bola parada, apesar de já ter mostrado eficácia em livres em força. Muito trabalhador e com capacidade física inesgotável, é eficaz a recuperar jogo e a sair com a bola para movimentos ofensivos. Tem sido o jogador mais regular, e também por isso o melhor, do Beira-Mar ao longo da temporada. Soma 24 jogos, sempre como titular, e só falhou duas partidas esta temporada, ambas por castigo. Com 5 golos, dois deles decisivos para as vitórias no Bonfim e no Dragão, é o segundo melhor marcador da equipa.

Ahamada McPhee

Hassan Ahamada e Stephen McPhee: os jokers. O francês Ahamada, emprestado pelo Nantes em Janeiro, tem sido aposta regular de Luis Campos, desde que se estreou, à jornada 19, diante do Nacional. Parece finalmente fixar-se na ala direita do ataque, depois de algumas experiências em zonas mais centrais, tendo apontado um dos golos diante do Estoril. Está em crescendo de forma, o que é natural, já que chegou a Aveiro depois de largos meses sem ser utilizado no seu clube de origem.
McPhee, autor de 3 golos nas três primeiras deslocações do Beira-Mar nesta SuperLiga, eclipsou-se após o fulgor inicial. Avançado veloz e muito móvel, foi bem aproveitado no curto reinado de Mick Wadsworth, mas quer com Manuel Cajuda, quer com Luis Campos o seu rendimento tem sido muito irregular. O facto de nenhum dos dois treinadores portugueses ter-lhe definido uma posição fixa - já foi utilizado no meio, a avançado ou segundo avançado, ou nas alas - tem também contribuido para a sua inconstância, mas não será explicação única. O golo da vitória diante do Estoril, numa partida em que foi suplente utilizado, apontado ao minuto 90, marcou o seu regresso aos golos. Ao todo soma 4 tentos, em 25 jogos, 23 dos quais como titular. Apenas falhou a recepção ao Sp. Braga, na estreia de Luis Campos como técnico dos aveirenses, devido a castigo.

Kingsley

Kingsley: o eclipsado. Habitualmente titular com Mick Wadsworth e Manuel Cajuda, embora com rendimento bastante irregular, o avançado nigeriano perdeu espaço com Luis Campos. Já não é titular desde a deslocação a Guimarães, da 17ª jornada, e nos últimos jogos nem sempre tem sido utilizado: jogou pouco mais de meia hora nas deslocações a Leiria e Restelo. Depois de uma excelente primeira volta em 2003/2004, seguiu-se a quebra de produção na segunda parte do último campeonato que se alargou a esta época, que atinge agora o extremo. Mesmo assim, na primeira volta, apontou 3 golos, e sempre que marcou o Beira-Mar não perdeu. Será que o veloz nigeriano aparecerá na recta final desta SuperLiga?

Publicado por rui malheiro às 19:30

Comentários

Luis Campos, será que este ano repente a sua proeza de detergente? o 2 em 1? duas descidas num ano? VAmos ver....
Já agora quem dava a Académica por descida acho que vos temos respondido!

#1 | Comentado por: Gonçalo Cabral | 24 de outubro de 2005 às 21:13

Essa recuperação do Beira Mar há dois anos cheirou a esturro. Lembram-se da vitória em Felgueiras contra o Guimarães na penultima jornada? Os de branco nem corriam...

#2 | Comentado por: Rui | 24 de outubro de 2005 às 21:13

Estes Merdosos, tao sempre a mandar a boquinha, mas é qndo tem o cu cheio, o campeonato inda nao acabou seus rotos, inda nao garantiram a manutençao, enquanto a mnh UDL ta garantida! :D
TONES MATEM-SE

#3 | Comentado por: Um Leiriense | 24 de outubro de 2005 às 21:13

Toma la mais 1a vitoriasita dos TONES!!!!

#4 | Comentado por: guedes | 24 de outubro de 2005 às 21:13

O que está garantido, é que pelo andar da carruagem a Académica ainda fica perto da Bartolomeu SAD. Já são 5 pontos de diferença, com 21 por jogar.

Hoje, só eram mais de 9000 mil Tones, como dizes, no Estádio. E a equipa a lutar para não descer. Quem vos dera!

Um Conímbricense, orgulhosamente

#5 | Comentado por: Alexandre Oliveira | 24 de outubro de 2005 às 21:13