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segunda-feira, 4 abril 2005

Moreirense 0 - 1 Belenenses

Categoria: 04/05 SuperLiga , Belenenses , Moreirense

Belenenses afunda Moreirense e sonha com 6º lugar

Moreirense - Belenenses

Quanto tudo levava a crer que a partida terminaria com um nulo, que até se justificava dada a fraca qualidade da mesma, Sousa, aos 84 minutos, após um excelente apontamento individual, deu um triunfo precioso ao Belenenses, que coloca a formação do Restelo a apenas três pontos do sexto lugar. Em situação muito delicada ficou o Moreirense, com Vítor Oliveira a não resistir a mais um mau resultado, num jogo em que a sua equipa procurou bastante o golo, mas revelou-se desastrada na finalização.

Enquadramento. O Moreirense abordava esta partida com a necessidade imperiosa de vencer, de forma a abandonar a zona baixa da classificação. Há três jogos sem vencer e sem marcar golos, a formação de Moreira de Cónegos tinha pela frente um Belenenses tranquilo, mas que já há 361 minutos não marcava golos fora de casa, sendo que o último tento extramuros, apontado por Marco Paulo em Setúbal, valera o único triunfo do Belenenses na condição de visitante nesta SuperLiga.


As tácticas. Sem poder contar com Tito, impedido devido a castigo, Vítor Oliveira fez regressar ao 'onze' João Ricardo e Luis Vouzela, que estiveram ausentes, também por motivos disciplinares, da deslocação à Amoreira da jornada anterior. Assim, Oliveira apostou num 4x4x2 com formato losango, abandonando o 4x3x3 que apresentara em jornadas mais recentes: Orlando e Ricardo Fernandes formavam o eixo central da defesa ; Primo e Sérgio Lomba - adaptado à esquerda, posição que, no entanto, conhece bem - eram os laterais ; Jorge Duarte era o médio mais recuado, apoiado, em situação defensiva, pelos médios interiores Luis Vouzela e Eriverton Lima, que actuavam atrás de Vítor Pereira, o médio mais ofensivo ; na frente, uma dupla de avançados formada por Armando e Manoel.

Sem José Pedro, que não recuperou de um entorse, Carlos Carvalhal surpreendeu ao deixar Juninho Petrolina no banco e Antchouet de fora dos 18, apesar de ter integrado a convocatória de vinte jogadores. Sem surpresa, Carvalhal manteve a aposta no habitual 4x4x2 em losango, com uma defesa de 4 formada por Wilson e Pelé no eixo central, enquanto que Amaral e Sousa eram os laterais. Rui Ferreira era o médio mais recuado, apoiado por Marco Paulo e Ruben Amorim, que já não era titular desde a 10ª jornada, altura em que o Belenenses recebeu o Moreirense no Restelo. Neca era o vértice superior do losango de meio campo, procurando lançar a velocidade dos dois avançados abertos: Paulo Sérgio e Rodolfo Lima.



Entrega. Tal como salientamos, o jogo foi de fraca qualidade. Valeu por isso a entrega total dos jogadores de ambas as equipas, a compensar as lacunas do ponto de vista técnico. O Moreirense foi mais incisivo em termos ofensivos, com os seus jogadores a procurarem de todas as formas chegar à vantagem. O Belenenses revelou coesão defensiva e inteligência na gestão do jogo, retirando, na altura decisiva, os frutos do nervosismo e da ansiedade dos locais.


Golo do Belenenses. Depois de Neca, na primeira parte, e Paulo Sérgio, já na etapa complementar, terem estado perto de bater João Ricardo, o golo 'azul' acabou por surgir ao cair do pano, naquela que terá sido a melhor jogada de contra-ataque: Rui Ferreira lançou Sousa na esquerda, e este, após um excelente trabalho individual, disparou cruzado e bateu João Ricardo, num lance em que fica a ideia que o guardião angolano podia ter feito melhor.


Desperdício local. O Moreirense cumpriu o seu quarto jogo consecutivo sem marcar golos. Diante do Belenenses, a formação vimaranense efectuou 18 remates, mas só cinco levaram a direcção da baliza. Francamente paupérrimo para um emblema da SuperLiga, em contraste com o Belenenses, que em 11 remates, conseguiu que 8 levassem a direcção da baliza. Um deles deu golo.


Substituições. As alterações levadas a cabo por Vítor Oliveira e Carlos Carvalhal não surtiram efeito. Se Afonso Martins manteve a mesma bitola exibicional de um pouco inspirado Vítor Pereira, as entradas de Demétrios e Lito não surtiram qualquer efeito, sobretudo quando um dos jogadores sacrificados foi Manoel, o jogador mais esclarecido dos locais até à altura da substituição. No Belenenses, as entradas de Juninho Petrolina e Lourenço também não introduziram nada de novo, sobretudo quando Ruben Amorim, rendido pelo primeiro, era uma das unidades mais esclarecidas entre os visitantes.



Os destaques do Terceiro Anel.



Sérgio Lomba. Não viu o cartão amarelo da ordem - tem 24 amarelos em 54 jogos pelo Moreirense nas duas últimas épocas -, mas não foi feliz no regresso à lateral esquerda, posição que conhece bem, já que ao serviço do Gil Vicente era sobretudo utilizado como lateral. Sem velocidade para Amaral ou Paulo Sérgio, quando este descaía para a direita, foi um constante ponto de insegurança, ao contrário do que é habitual quando actua como central.


Lourenço e Juninho Petrolina. Ontem, se dúvidas houvesse, ficou provado o acerto da opção de Carvalhal em não colocá-los no 'onze' inicial. Suplentes utilizados, não trouxeram nada de novo à equipa, e sobretudo o médio ofensivo brasileiro pareceu bastante alheado e desinteressado com as incidências da partida.


Sousa. Eficaz em termos defensivos, numa das poucas vezes que subiu pelo flanco esquerdo, marcou um golo de bandeira. Um prémio justo para um jogador muito tempo afastado dos relvados por uma lesão grave e que se reencontrou com os golos: o último tinha sido em Agosto de 2003 diante do Sporting.


Paulo Sérgio. Muita velocidade, aliada a boa técnica individual, a mostrarem um jogador a atravessar o seu melhor momento da época. Foi o responsável pelos melhores lances de perigo do Belenenses, revelando bom entendimento com Neca e Ruben Amorim, pondo a cabeça em água a Primo e Sérgio Lomba, já que caiu preferencialmente para as alas.



Remate. Segunda vitória consecutiva do Belenenses, o que acontece pela primeira vez esta temporada. Com este triunfo, o segundo fora de casa, o Belenenses regressou à metade de cima da tabela e situou-se a apenas três pontos do sexto lugar, em vésperas de recepção à Académica. Quanto ao Moreirense, as derrotas de Gil Vicente, Estoril e Beira-Mar permitiram manter um 17º lugar a apenas um ponto do 15º. Só que quatro jogos sem vencer e marcar golos nesta fase da época são um claro sinal que o próximo treinador dos vimaranenses terá um trabalho muito árduo pela frente.



Ficha do Jogo:


Estádio: Comendador Joaquim de Almeida Freitas
Árbitro: Artur Soares Dias


Moreirense: João Ricardo - Primo, Orlando, Ricardo Fernandes, Sérgio Lomba - Jorge Duarte - Eriverton Lima (72' Lito), Luís Vouzela - Vítor Pereira (int' Afonso Martins) - Armando, Manoel (66' Demétrios).


Suplentes: Nuno Claro, Filipe Anunciação, Delfim, Afonso Martins, Bertinho, Lito, Demétrios.



Belenenses: Marco Aurélio - Amaral, Wilson, Pelé, Sousa - Rui Ferreira - Marco Paulo (75' Andersson), Rúben Amorim (60' Juninho Petrolina) - Neca - Paulo Sérgio, Rodolfo Lima (55' Lourenço).


Suplentes: Pedro Alves, Rolando, Cristiano, Andersson, Juninho Petrolina, Lourenço, Catanha.



Golos:

84' Sousa (0-1), assistência: Rui Ferreira



Cartões Amarelos:

MOR: 20' Primo ; 77' Luís Vouzela ; 79' Jorge Duarte
BEL: 68' Neca ; 90'+4' Pelé.

Publicado por rui malheiro às 01:32