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quinta-feira, 7 abril 2005
Visão Periférica (II)
Categoria: Col: Nuno Almeida
Provavelmente, nunca as palavras de Paolo Di Canio, sobre Joe Cole, terão feito tanto sentido como ontem. 'É o jogador com mais talento que já vi jogar. Melhor que eu, com aquela idade, só ele', atirou o controverso jogador italiano, aqui há uns anos, a propósito de um jovem, Joe Cole, que dava então, os primeiros passos na formação principal do West Ham United e que mostrava já uma maturidade e apetência invulgares para a prática de futebol ao mais alto nível. Posto isto e porque, sobre jogadores ingleses, existe sempre muito pouco para se dizer, apenas o essencial (?), é melhor mudar o verbo e passar para outro assunto. Falemos, pois, do Estoril. Em jeito de esclarecimento, a todos os que seguem com particular interesse esta coluna, a razão principal pela qual tratei de escrever sobre a Académica na estreia. Acontece só que, e peço desculpa por isso, chega com atraso de uma semana.
Adenda: O essencial é o que transparece cá para fora. O resto é o que todos sabem. Ou seja, os ingleses jamais saberão jogar futebol.

Ponto prévio. Na época anterior, o Estoril tinha um plantel e uma equipa. Esta temporada, o Estoril tem uma amostra do que teve no ano passado. Na transição, saíram alguns dos melhores intérpretes que moravam na Linha, casos de Marco Paulo, André Barreto e Carlitos e para colmatar as lacunas existentes, num vaivém de péssimas decisões e indecisões, acabaram por ser contratados alguns espécimes raros, que abundam no mercado internacional, formando-se um grupo de trabalho profundamente desequilibrado e desajustado, a ponto de ter sido classificado como o principal candidato à descida de divisão. Nada de estranhar, diga-se.
Numa síntese sobre a temporada 'canarinha', destaco a aposta corajosa da direcção da SAD, em Litos, para o comando técnico da equipa. Primeiro, porque aconteceu em cima do início da competição oficial e depois, por ter sido, talvez, a escolha menos óbvia entre as possíveis. O jovem técnico, que transitou de adjunto a principal, substituiu tão só Ulisses Morais, o treinador que em dois anos, conduziu o clube da Linha desde a 2ªB até à SuperLiga. Tarefa ingrata logo à partida, portanto.
Mas sobre Litos, que até começou bem, é necessário dizer que, tem complicado muito e já trocou as mãos pelos pés, um sem número de vezes, sobretudo pelas apostas incompreensíveis na estrutura da equipa e nos jogadores seleccionáveis. A juventude não explica tudo, devo dizer. E a Litos nem o carácter de disciplinador, que tem tentado impor, lhe vale. Exige-se pois, alguma qualidade também na construção táctica e princípios de jogo. Espero que não, mas temo que neste momento, Litos seja um dos entraves ao sucesso imediato da equipa 'canarinha' na SuperLiga. Contudo, terá que se dar o benefício da dúvida até final.
Pelo que se passa internamente só o treinador e a restante equipa técnica poderão responder, mas calculo que seja muito triste para todos os adeptos canarinhos verem N’Doye, o melhor jogador do Estoril no primeiro terço da SuperLiga, ser afastado da formação titular e brilhar agora em Penafiel, um rival directo na luta pelo grande desiderato do clube. Por outro lado, quando reabriu o mercado em Janeiro, era necessário reforçar o plantel. Correu mal, convém referir. Ciente da carência de qualidade no plantel com que se debatia o treinador Litos e de que da rentabilização dos fundos económicos da SAD dependia grande parte da estabilidade futura do clube, a direcção contratou apenas quatro jogadores. E que jogadores! O paupérrimo Moses e o terrível Yannick, o eterno Vargas e o campeão-de-juniores-pelo-Alverca Amoreirinha, na condição de emprestados. Muito pouco, para o desejado.
A época futebolística também tem sido de sobressaltos. Em casa, o conjunto estorilista mostrou-se sempre intermitente – 6 vitórias, 3 empates e 4 derrotas – e começa aí, se quiserem, a explicação da actual classificação na SuperLiga. Resta acrescentar que, nos confrontos na Amoreira, o Estoril somou a sua vitória mais expressiva – 5-0 ao Beira-Mar – e algumas das exibições mais deploráveis na competição – Sporting e Académica. O complemento da explicação está nos confrontos extramuros. Fora, o Estoril não existe, é um conjunto moribundo – 9 derrotas consecutivas –, mesmo tendo saído da cova aberta durante a pré-época, com vitórias em Moreira de Cónegos e empates no Estádio do Dragão e no Estádio do Bessa.
Daqui até final da SuperLiga, o Estoril tem porventura o calendário mais difícil – Sporting de Braga, Benfica, Gil Vicente e Marítimo em casa e Vitória de Guimarães, Nacional e Vitória de Setúbal fora – entre todos os candidatos à despromoção. Não obstante, espero e desejo, que a manutenção não seja uma simples miragem no deserto, de ideias e qualidade, que tem o Sol tem posto a nu, na Amoreira, esta temporada.
Duas notas finais, até por tudo, quanto tenho lido e ouvido acerca do Estoril. Primeiro, nem vou entrar pelo lado mais fácil, leia-se, arbitragens desfavoráveis. Apenas vos asseguro, meus caros amigos, que o Estoril tem sido a equipa menos beneficiada pelas arbitragens ao longo da SuperLiga. Facto, uma grande penalidade a favor na deslocação a Vila do Conde. Segundo, o Estoril é o clube com menor número de assistências no seu recinto. É outro facto. Devo informar, contudo, os mais obtusos, que tal não se deve só a falta de adeptos. O Belenenses é o quarto clube com mais adeptos em Portugal e sempre sofreu desse mal. A explicação é sócio-económica. A Linha é o espelho da nação, onde reina o pseudo glamour. Creio, nesse sentido, que o problema do Estoril é não actuar na Kapital!
Visão Periférica: um nome escolhido ao acaso, sem pretensões e/ou presunções de qualquer espécie.
Publicado por nuno almeida às 13:47
Comentários
Bom, começo por dar uma pequena introdução sobre o facto do Belenenses ter fracas assistências, bem como o Estoril (e também o Benfica quando as época correm mal, lembram-se 2 e 3 mil pessoas no fim dos anos 90?): Lisboa é uma cidade com 1001 solicitações lúdicas e culturais, o que acaba por desviar a atenção do futebol. Sei do que falo, pois tenho vários amigos de Guimarães, conhecido pelas suas boas molduras humanas, e todos eles me dizem que o clube ganha muito nesse aspecto, pois cada jogo do Guimarães em casa acaba por ser o principal acontecimento do dia na cidade e toda a gente vai em romaria ao estádio. Há, portanto, que captar as atenções do público de outra forma, basicamente vender o jogo de futebol com um embrulho diferente.
De resto, quanto à análise do Estoril concordo, excepto em relação ao N'Doye. Deu nas vistas na 4ª e 5ª jornada (golos ao Belenenses e Porto) depois de ter começado intermitente. A partir desse jogo nas Antas, começaram os problemas, basicamente jogava sozinho, achava que fintava todos e tinha reacções muito feias quando era substituído, o que ao que parece causou mal estar entre os colegas. Daí perceber a sua dispensa. E sinceramente, não o acho jogador por aí além.
#1 | Comentado por: Luciano Rodrigues | 24 de maio de 2009 às 20:11
Viva Luciano. Eu citei o N'Doye porque, quer se queira quer não, foi o jogador mais influente no conjunto durante o 1º terço da SuperLiga e, embora também não o considere um fora de série, tem ajudado em muito a resolver jogos, em favor do Penafiel.
#2 | Comentado por: Nuno Almeida | 24 de maio de 2009 às 20:11
um dos motivos para as baixas assistências é a guerra entre a SAD & o clube. os dirigentes da SAD nunca perdoaram aos sócios do clube terem-nos derrotado nas eleições para o clube. durante algum tempo os sócios do clube pagavam tanto quanto os não-sócios para assistir a um jogo no campo da amoreira.
#3 | Comentado por: NiHiL | 24 de maio de 2009 às 20:11