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domingo, 10 abril 2005

Boavista 1 - 0 FC Porto

Categoria: 04/05 SuperLiga , Boavista , FC Porto

Xeque-mate ao Dragão

Boavista vs. FC Porto

Inevitavelmente as ambições do título terão acabado ontem. Alguns poderão afirmar que para isso acontecer "de facto" o Benfica terá que vencer hoje no Estádio dos Arcos, mas o Porto não saiu ontem do Bessa apenas vencido matematicamente, saiu principalmente derrotado psicologicamente. O lance de Pedro Emanuel (ao qual retornaremos) é demonstrativo da impotência e desespero que assinalaram qualquer lance azul e branco na recuperação do resultado. E o Boavista? Fez o que lhe competia. Percebeu quando o Porto jogou com dinâmica e imaginação, e nessa altura foi o salve-se quem puder, percebeu quando o Porto passou a jogar sem jogar, e nessa altura pressionou até ao golo.

Ainda que tenha terminado o jogo tal como o remate de Costinha em resposta a um cruzamento de Quaresma, isto é, sem convicção e sem jeito, o Porto entrou no jogo com enorme confiança e muita criatividade ofensiva. O jogo era rápido e atraente, e por momentos, parecia que iria ser aberto, com o Boavista a responder em velocidade aos lances ainda mais rápidos do Porto. Essa dinâmica durou pouco, mas nesse período foi um prazer ver jogar Postiga! Víamos um jogador renovado com o golo ao Gil Vicente, desiquilibrador, com capacidade de drible, mostrando-se incisivo, enfim, o Postiga dos bons velhos tempos. O seu principal cavaleiro era Ivanildo, um estilista que deliciava os adeptos com um conjunto de movimentações rápidas e gingonas. O outro cavaleiro de ataque era Diego, que por momentos também pareceu renascer, aparentando uma maior preponderância na equipa. Claro que ao Boavista não interessava, uma semana depois, fazer novamente o papel de bobo da festa, e por isso, tratou logo de deixar de atacar, concentrando-se na estratégia defensiva agressiva, com Toñito destacando-se no papel de caceteiro mor. O Porto não se sentiu desmoralizado e continuou a desenhar belas jogadas, cheias deu virtuosismo, mas a verdade, é que os perigos reais para Carlos eram poucos, sentindo-se ameaçado apenas por um ou outro remate de fora da área.

O intervalo chegou e tudo a zeros. O jogo parecia que iria ser resolvido em resposta a uma de duas questões: Quanto mais tempo o Boavista aguenta o nulo? "ou" Quando é que o Porto perde o gás? Para o adepto que estivesse a ver o jogo a resposta não era óbvia, mas para quem tivesse tapado os ouvidos com cera, fugindo aos encantos da sereia, a resposta localizava-se obviamente no Porto. Não foi preciso esperar muito para os restantes perceberem isso, já que a equipa que entrou na segunda parte só muito remotamente se assemelhava à que entrou na primeira. Apática e sem ideias, foi deixando o Boavista crescer no jogo, que começa a atrever-se a chegar à baliza de Baia. Cafu vai ganhando protagonismo, ensaiando lances rápidos de golo, até que inesperadamente, mas sem grande surpresa, Cádu corresponde com convicção a um livre cruzado para a área e coloca a equipa em vantagem no marcador.

Ainda faltavam cerca de 40 minutos para o terminus do jogo, mas a verdade é que isso fazia pouca diferença. Não se pressentia que o Boavista se tornasse mais ambicioso, e não se previa uma reacção muito acutilante da equipa azul e branca. Por isso mesmo, o jogo não surpreendeu. Tornou-se morno, jogado aos repelões, com um Boavista lúcido a contrastar com um Porto perdido e desorientado. Obviamente que Quaresma apenas serviu para potenciar a desorientação e Fabiano para exponenciar a perdição. É verdade que se viram uns lances perigosos, que Ricardo Costa e Ivanildo poderiam ter marcado, mas ninguém ficou de mãos na cabeça por não o fazerem. O Porto chorava o seu funeral e Couceiro olhava pensativo o Horizonte nubloso. No outro lado da barricada, Pacheco era só sorrisos e piadas e Loureiro esforçava-se por manter uma pose presidencial, enquanto mentalmente abria garrafas de champanhe. O campeonato anima mas possivelmente pelo 3º lugar. A ver vamos.


Os destaques do Terceiro Anel.



Neste particular a disputa foi acesa. Alinhavam-se de início vários candidatos e o vencedor acaba por surgir apenas nos minutos finais, surpreendendo tudo e todos. Temos que ser honestos e afirmar que Hélder Rosário e Jorge Costa, ainda que interventivos e dinâmicos, desiludiram um pouco. Por outro lado, Toñito não quis deixar créditos por máois alheias e fartou-se de distribuir pancada. Nada como entrar com pitõns em riste! Nos períodos de maior pressão portista, foi um autêntico "one man show" e só faltou mesmo o ninja para enviar para o celeiro. Contudo, quando o prémio parecia mais que atribuído surge Pedro Emanuel. O lance passa-se no meio campo, o lance envolve João Pinto, o lance parecia inocente, mas... vem a repetição e a perspectiva aproximada, a multidão acorda e clama, algo entre o surpresa e a admiração. Que belo gesto técnico. Um pontapé que ao mesmo tempo atinge o joelhos de João Pinto e o varre por detrás, fazendo-o cair desaparado no chão. O plano seguinte mostra-nos a face de Emanuel, era a face de um guerreiro, de quem não precisa de "photo finish" para saber que venceu. Rendi-me a esta expressão, um misto de serenidade do dever cumprido e de desprezo pelo adversário. Toñito pode esforçar-se muito, pode correr muito, mas mesmo como caceteiro, será sempre um jogador de segunda linha. Já Pedro Emanuel, esse tem lugar garantido no Olimpo dos maiores.


Seitaridis. Bem, não é que tenha sido um pesadelo, mas foi um sonho agitado. Seitaridis está claramente a desiludir, e ontem conseguiu confirmar todas as limitações que temos reconhecido nele. Será o mesmo jogador do Europeu? O que será que Ibarra viu que o assustou e o fez desistir da luta? Um jogador algo lento, algo duro no corte, que pouco surge nos espaços atacantes, e que permitiu a Café fazer o que quis. Está no lance do golo, mas não é o maior culpado. Não o podem acusar de não ter saltado e disputado o lance, agora se salta contra dois, não há muito a fazer. Um pormenor: o corte que fez com a mão acaba por ser algo irónico. Faz pensar que na Grécia devem existir regras diferentes.


Tal como o resto, foi um jogo de destaques repartidos. Aos 45 minutos o Porto tinha dois desiquilibradores fundamentais - Postiga e Ivanildo. Foram os dois jogadores mais em evidência, com dribles cheios de fantasia e orientação clara para o golo. Enquanto a equipa os apoiou, o jogo foi deles, quando esta desapareceu, eles também se foram desvanecendo. Na segunda parte, Cafú foi o principal desiquilibrador, sendo este jogador quem mais ameaçou e confundiu os defesas portistas.


Cadu. Num jogo em que nenhum jogador consistentemente desiquilibrou, o maior destaque acaba por ser para quem decidiu. Neste particular, ninguém foi mais preponderante que Cadu, que na primeira parte decidiu, ao efectuar cortes de elevada qualidade, sendo um dos principais opositores dos cavaleiros portistas. Na segunda parte marcou o golo decisivo, com um bom cabeceamento e foi protagonista a segurar o resultado. Um noite para recordar. Apesar do destaque a Cadu, gostaria de fazer uma breve referência a Lucas, que também faz um grande jogo, consolidando o meio campo boavisteiro, surgindo em todos os espaços do campo.


Ficha do Jogo:


Estádio: Bessa Século XXI
Árbitro: Paulo Costa (Porto)


Boavista: Carlos; Martelinho, Cadu, Hélder Rosário e Carlos Fernandes; Tiago (João Pedro 80’), Lucas, Zé Manuel (Guga 86’), Toñito (João Pinto 71’) e André Barreto; Cafú.

Suplentes não utilizados: Khadim, Ambassa, Diogo e Fary.



FC Porto: Vítor Baía; Seitaridis (Quaresma 56’), Jorge Costa, Pedro Emanuel e Ricardo Costa; Costinha, Bosingwa, Ibson e Diego (Bomfim 75’); Hélder Postiga (Luís Fabiano 69’) e Ivanildo.

Suplentes não utilizados: Nuno, Pepe, Leandro e Raul Meireles.


Golos:

51’ Cadu (1-0).



Cartões Amarelos:

Boavista: Carlos Fernandes, Zé Manuel e Hélder Rosário.
FC Porto: Hélder Postiga, Ivanildo, Diego e Pedro Emanuel.


Cartões Vermelhos:

Boavista: -
FC Porto: -

Publicado por alexandre calado às 11:39

Comentários

Pensamentos de um portista que já não quer ser portista

Estes labregos do Norte ainda não tomaram consciência do seu verdadeiro lugar no panorama futebolístico nacional… Um clube cujos adeptos são “emplastros” ou “macacos” e as adeptas têm a tendência de dar palmadinhas rítmicas na vagina em pleno berço da nacionalidade não merece respeito! Já apreciaram as festas futebolísticas naquela Baixa decadente e aparentemente recém bombardeada? Quando o Futebol Clube do Porto, para mal da Nação, vence um campeonato, aquela praça terceiro mundista parece a Quinta das Aberrações. «Só queremos ver o Puarto campeom, o Puarto campeom, o Porto campeom…». Deus, isto não existe… Essa pequena cidade tem o clube que merece… um clube regional que, a sul, não passa de Gulpilhares e que para lá da circunvalação é fortemente odiado por adeptos também encarnados. O Futebol Clube do Porto alguma vez teve um Eusébio? Já esteve em sete finais dos campeões europeus? Esse pequeno clube tem sessenta mil adeptos, o Glorioso Sport Lisboa e Benfica tem seis milhões! Normal para um clube universal… O encarnado representa o ideal lusitano, a mentalidade portuguesa. O Futebol Clube do Porto é mais galego que português. A verdadeira Lusitânia é a sul do Rio Douro. Recuso-me a falar da conjuntura actual, porque ela é criada artificialmente pelo domínio do sistema por parte do senhor Pinto da Costa. O Abramovich dos favores e da corrupção! Não tenho provas, mas uso o senso comum… É normal um pequeno clube de província ganhar tudo sem recorrer a falcatruas? As instituições do futebol nacional e europeu estão nas mãos dos industriais do Norte. Ninguém sabe, todavia se pensarmos um pouco…
Para terminar… o Benfica tem toda a razão do mundo quando tenta impedir a horda tripeira de invadir a Capital! Acham que os romanos viram com bons olhos a entrada dos bárbaros visigóticos de Alarico na Cidade Eterna?! A História serve para nos ensinar a evitar os erros do passado…

#1 | Comentado por: Sergei Ivanov | 24 de maio de 2009 às 20:11

Pensamentos de um portista que já não quer ser portista
?????????????

O quê??
É preciso ter um enorme desplante para se afirmar portista, e logo a seguir destilar ódio por todos os poros contra todo e qualquer portista.

Um bocadinho de juízo não faz mal a ninguém.

#2 | Comentado por: Jorge Coelho (jcoelho) | 24 de maio de 2009 às 20:11