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terça-feira, 12 abril 2005

Bayern Munique 3 - 2 Chelsea

Categoria: 04/05 Competições Europeias

Chelsea treme mas não cai

Bayern venceu Chelsea

O Chelsea segue em frente na Liga dos Campeões, mas saiu derrotado na deslocação a Munique. Sem José Mourinho a orientar a equipa a partir do banco de suplentes, os forasteiros entraram expectantes, mas como tem sido apanágio nesta edição da prova, acabaram por se adiantar no marcador à meia hora de jogo. Golo de Fank Lampard. O remate do médio inglês foi, no entanto, desviado por Lúcio antes de entrar na baliza de Oliver Kahn. O Bayern de Munique tinha criado as melhores ocasiões de golo até então – remate de Michael Ballack à entrada da área e iniciativa individual de Bastian Schweinsteiger –, mas enervou-se com a desvantagem e caiu no erro de bombear bolas para a área contrária. Aí, a defensiva londrina levou quase sempre a melhor. Na segunda parte, a formação alemã continuou com a mesma toada atacante, embora com mais cabeça e menos coração. No entanto, sempre longe de encostar o Chelsea às cordas. Os 'blues' geriam o encontro conforme queriam e o tempo passava. Eis, senão quando, Claudio Pizarro igualou a partida, aproveitando um ressalto de bola, após defesa incompleta de Petr Cech a cabeceamento de Michael Ballack. O tento do empate espevitou os locais, que partiram com tudo para cima do adversário. Foram dez minutos de sufoco, com alguma sorte à mistura, para os pupilos de José Mourinho. Mas como não marcou, o Bayern de Munique, fê-lo o Chelsea. Cruzamento de Joe Cole e Didier Drogba, de cabeça, a desviar com sucesso para o golo. No minuto noventa, nova igualdade no marcador. Os londrinos, já em fase de descompressão, viram Paolo Guerrero emendar um remate de Bastian Schweinsteiger. O árbitro deu cinco minutos de desconto, mas pensava-se que o resultado estava feito. Tanto que até o português Nuno Morais entrou em campo para participar na festa inglesa, que saiu estragada em cima do apito final do árbitro, pelo tento de Mehmet Scholl que consumou a reviravolta e deu a vitória aos 'bávaros'.

Enquadramento. Jogo relativo à segunda-mão dos quartos-de-final da Liga dos Campeões da UEFA. No encontro da primeira-mão disputado em Stamford Bridge, o Chelsea vencera por 4-2. Assim, para prosseguirem em prova, só a vitória por dois golos de diferença interessava, aos comandados de Felix Magath. No Chelsea, José Mourinho cumpria o segundo jogo de castigo imposto pela UEFA. Um revés que já tinha sido bem ultrapassado, no primeiro embate entre os dois conjuntos, em Londres.


As tácticas. O Bayern de Munique de Felix Magath alinhou em 4x1x3x2. Na baliza, jogou o eterno Oliver Kahn. Os franceses Willy Sagnol e Bixente Lizarazu foram os laterais, numa defensiva composta ainda por Lúcio e Robert Kovac, ao meio. A zona intermediária era povoada por Martin De Michelis, como elemento de contenção, Bastian Schweinsteiger na ala direita, Zé Roberto na ala esquerda e Michael Ballack ao meio. Na frente, jogaram Roy Makaay e Claudio Pizarro.

José Mourinho estruturou o Chelsea em 4x1x2x2x1. À frente de Petr Cech, jogaram quatro defesas centrais de raíz, sendo que Robert Huth se apresentava pela direita, William Gallas pela esquerda, Ricardo Carvalho e John Terry pelo centro. Claude Makelele era o elemento mais recuado do meio campo, Eidur Gudjohnsen e Frank Lampard, os médios interiores. Depois dois elementos nas alas, Joe Cole e Damien Duff, sendo que o segundo apoiava mais de perto o atacante Didier Drogba.


Objectividade. Muito pragmática a formação londrina orientada por José Mourinho. Defendeu quando teve de o fazer e atacou nos momentos exactos. Ocasiões flagrantes para o Chelsea? Três. Duas deram golo. Uma foi brilhantemente travada por Oliver Kahn.


Desdobramentos. Ao nível habitual, a prestação do Chelsea, em termos defensivos. Os defesas centrais, Ricardo Carvalho e John Terry, estiveram impecáveis durante quase todo o jogo, no posicionamento e nas dobras aos seus colegas de sector. De realçar ainda a grande entreajuda dos jogadores dos Blues, com destaques positivos sobretudo para os médios em relação aos laterais.


Dez minutos de pressão. Os dez minutos que se seguiram ao golo de Claudio Pizarro, foi muito provavelmente o melhor período do Bayern de Munique em todo o encontro. Grande capacidade de pressing a meio campo e excelente dinâmica ofensiva. Só faltou um golo que relançasse a partida. E sorte, já agora.


Público. De salientar a excelente moldura humana que compôs o Estádio Olímpico de Munique no apoio às duas equipas. Em duas palavras, inexcedível e espectacular.


Pós-golos do Chelsea. As piores fases do Bayern de Munique no jogo. Depois do primeiro, a ânsia de resolver as coisas depressa e bem foi, mais uma vez, inimiga da perfeição. O estilo de jogo adoptado pelos alemães até ao descanso só favoreceu os intentos do Chelsea. Nesse período, o guardião Petr Chec só foi posto à prova, num remate de longe de Bastian Schweinsteiger. Após o segundo, queda anímica dos jogadores do Bayern de Munique, só readquirida ao minuto noventa.


Desconcentração. Foi fatal ao Chelsea. O jogo dura até ao apito final do árbitro. Nenhuma equipa melhor que o Bayern de Munique o saberá. E, desta vez venceu.


Os destaques do Terceiro Anel.



Claude Makelele. Entradas duras houve para todos os gostos e é talvez injusto destacar um jogador. O facto de referir o jogador francês fica, no entanto, a dever-se a duas situações num curto espaço de tempo. Primeiro uma entrada dura sobre um adversário, com o pé alto, e depois, uma pisadela em Mehmet Scholl. Até a mim me doeu.


Robert Huth. O mesmo se aplica neste caso. Roy Makaay também não fez quase nada que justificasse a titularidade. Contudo, a deplorável primeira parte do defesa alemão do Chelsea merece ser citada. Melhorou, muito pouco, na etapa complementar.


Mehmet Scholl. Entrou e deu outra dinâmica à intermediária da sua equipa. Participou em diversas jogadas de ataque e finalizou a última, dando a vitória ao Bayern de Munique.


Joe Cole. Se calhar até nem fez um grande jogo, ou pelo menos, um jogo vistoso do ponto de vista técnico, de construção de futebol ofensivo e assim. Mas, esteve exemplar no apoio a Robert Huth, sobretudo, durante a segunda parte, que seria certamente o que interessava a José Mourinho. E fez as duas assistências para os golos do Chelsea. A segunda é brilhante.



Remate. O Bayern de Munique sai de cabeça levantada com uma vitória e o Chelsea segue em frente com um resultado agregado de 6-5, aguardando agora o adversário para as meias-finais.


Ficha do Jogo:


Estádio: Olympiastadion
Árbitro: Manuel Mejuto González (Espanha)


Bayern Munique: Kahn; Sagnol, Lúcio, Kovac e Lizarazu (Salihamidzic 78’); De Michelis (Scholl 52’); Schweinsteiger, Ballack e Zé Roberto; Makaay (Guerrero 73’) e Pizarro.

Suplentes não utilizados: Rensing, Frings, Jeremies e Deisler.



Chelsea: Cech; Huth, Carvalho, Terry e Gallas; Makelele, Gudjohnsen (Geremi 88’) e Lampard; Cole (Morais 90’+2’) e Duff (Tiago 71’); Drogba.

Suplentes não utilizados: Cudicini, Johnsen, Smertin e Forssell.


Golos:

30' Frank Lampard (0-1)
65' Claudio Pizarro (1-1)
80' Didier Drogba (1-2)
90' Paolo Guerrero (2-2)
95' Mehmet Scoll (3-2)



Cartões Amarelos:

Bayern Munique: Robert Kovac (27’).
Chelsea: Eidur Gudjohnsen (50’).


Cartões Vermelhos:

Bayern Munique: -
Chelsea: -

Publicado por nuno almeida às 23:59