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quarta-feira, 13 abril 2005

Juventus 0-0 Liverpool

Categoria: 04/05 Competições Europeias

Liverpool e Chelsea voltam a encontrar-se, agora na Champions

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Joe Cole selou a vitória em ambos os encontros a contar para a Premiership, a sorte acompanhou os londrinos em Cardiff e Mourinho festejou o primeiro título em terras inglesas. Pois bem, como não há três sem cinco, Chelsea e Liverpool voltam a encontrar-se na corrente temporada. Depois de os blues terem saído de Munique com a passagem à fase seguinte, hoje foi a vez dos reds segurarem a vantagem trazida de Anfield. Fica assim marcada a meia-final inglesa da prova, o que significa que as Ilhas Britânicas voltam a estar representadas no derradeiro desafio da Champions, seis anos depois da mítica vitória do Manchester United em Camp Nou. Hoje, em Turim, um Liverpool desfalcado segurou o curto ímpeto de uma Juventus muito conservadora e previsível. Muito mal se jogou no Delle Alpi, estando afastada a possibilidade de reedição da final de 2003, que opôs o AC Milan ao conjunto agora treinado por Capello.

Enquadramento.
A Juventus tinha uma desvantagem de 2-1 para anular mas o golo de Fabio Cannavaro deu enormes esperanças ao conjunto de Turim. À semelhança do que acontecera na eliminatória frente ao Real Madrid, a Juve queria aproveitar o factor casa para virar a sorte da ronda. Todavia, Capello tinha a lamentar a recente lesão de David Trezeguet. Também Jonathan Zebina, Ciro Ferrara, Olivier Kapo e Alessio Tacchinardi eram cartas fora do baralho italiano. Líder, em parceria com o AC Milan, da Serie A, a Juventus procurava bater o quinto classificado da Premiership. Em Manchester, o conjunto de Benítez perde frente ao City de Stuart Pearce e ficou mais longe de se apurar para a próxima edição da Champions, algo que ainda pode acontecer se o conjunto do Merseyside vencer em Istambul. Todavia, a ausência do capitão Steven Gerrard era baixa de peso na turma de Anfield, sendo que ao médio internacional inglês se devem juntar os nomes de Dietmar Hamann e Harry Kewell. Por outro lado, Rafa Benítez voltava a contar com Xabi Alonso e com o avançado Djibril Cissé, afastado das convocatórias desde a grave lesão contraída no Outono de 2004.

As tácticas.
Limitado nas escolhas e em desvantagem no resultado, Capello optou por um esquema de três centrais. Thuram actuava mais sobre a direita, Cannavaro ocupava a esquerda e o veterano Paolo Montero fazia o centro. Emerson era pendular na ligação entre sectores, sendo que a opção por Olivera em detrimento de Blasi pretendia alargar o futebol italiano mas acabou por tirar algum rendimento do uruguaio, habituado a actuar de forma bem mais livre. Mauro Camoranesi, o ítalo-argentino, procurava romper na ala direita mas Zambrota foi bem mais sucedida na linha contrária, ele que subiu alguns metros para uma posição que bem conhece. Nedved actuava atrás de Ibrahimovic, o ponta-de-lança que deveria contar com o apoio da unidade mas solta na frente de ataque, Alessandro Del Piero.
Rafa Benítez apostou no very british 4-4-2. Face à lesão de Kirkland e ao frango tremendo com que Carson premiou Cannavaro, em Anfield, o polaco Jerzy Dudek foi chamado novamente à titularidade, ele que também tem andado longe da excelência. Hyypia, central finlandês e autor do primeiro golo da primeira-mão, tinha ao lado o internacional inglês Jamie Carragher. Steve Finnan, antigo companheiro de Boa Morte no Fulham, ocupava a lateral-direita, sendo que cabia ao francês Djimi Traoré a posição diametralmente oposta. Igor Biscan, internacional croata, era a unidade que actuava mais perto do quarteto-defensivo, sendo que o regressado Xabi Alonso ganhava imediatamente convocação para o onze. Núñez foi o escolhido para a ala-direita mas fechava muito ao centro, sendo que Luis García, autor de um golaço no encontro de Liverpool, tinha liberdade na escolha do raio de acção mas normalmente surgia nas costas do único avançado – Milan Baros. Resta John Arne Riise, incansável médio-esquerdo que faz todo o corredor.


Depois dos incidentes do Roma-Dínamo Kiev e do duelo entre Inter e AC Milan, este último já na noite de ontem, a massa adepta da Juventus deu, durante o encontro, um exemplo de bom comportamento. Recordem-se os incidentes do Heysel e lembre-se também a detenção, durante o dia de hoje, de oito adeptos do clube por confrontos com ingleses na cidade de Turim. São dados preocupantes, com certeza! Todavia, o que se passou no Delle Alpi foi uma lição de desportivismo, sobretudo se tivermos em conta que a Juventus até saiu eliminada. Ainda neste ponto, nota para a boa afluência a recinto da Juve, que tem uma enorme massa adepta mas que joga com o seu estádio quase sempre despido.


Nem Zlatan Ibrahimovic nem Milan Baros marcaram na noite de hoje mas ambos foram destaque pela positiva. Avançados ainda jovens mas que foram destaque no Euro´2004, os homens mais adiantados de Juventus e Liverpool revelaram pormenores de classe. Zlatan mexe-se imenso, joga bem atrás e de costas, aparece bem com bola controlada ou na procura de espaços. Teve uma soberba ocasião de golo, ainda no primeiro tempo, mas desperdiçou-a quase escandalosamente. Baros também tem os predicados do sueco mas é um jogador com menor presença na área. Surge facilmente nas alas, ganha em velocidade e tem poder de choque mas é mais atleta para embalar do que marcar posição na área. Usou estas características num excelente lance individual, já no segundo tempo, mas errou o remate por centímetros.


Dada a escassez da vantagem inglesa, previa-se um encontro aberto e um bom espectáculo. Sendo claro que tudo isto estava dependente do aparecimento do primeiro golo (o Liverpool não arriscaria estando em vantagem, a Juventus não poderia lançar-se desalmadamente estando à distância de apenas um golo), não podemos deixar de lamentar o mau espectáculo a que se assistiu. Muito conotada com uma solidez defensiva que nem sempre tem correspondência atacante, a Juve não conseguiu empurrar um Liverpool que se conformou com a vantagem e que relegou para Baros a missão de ameaçar Buffon. Quando se previa emoção e espectáculo na luta pelo acesso às meias-finais da Liga dos Campeões, chegar ao final com um sensaborão nulo é desolador. Sobretudo porque a partida foi, em suma, muito fraca e desinteressante.


Como é óbvio, a maior responsabilidade cabe à Juventus. Capello mexeu para um esquema que os bianconeri também dominam mas foram notórios os cautelismos com que encarou o encontro. Olivera perdeu-se na rigidez táctica que também afectou Emerson, Nedved e Del Piero exibiram-se a nível muito limitado, Zambrota teve rasgos e Zlatan foi caindo com o tempo. Resta Mauro Camoranesi, um jogador que, pessoalmente, não aprecio e que mostrou muito pouco de futebol na noite de hoje. Nem a entrada de Zalayeta mexeu com a banalidade instalada, até porque só veio acentuar o domínio do Liverpool sob o meio-campo. Afastado da Liga dos Campeões, Capello tem de alterar conceitos. Sob pena de perder a Serie A para o AC Milan, nesta altura bem superior à Juventus.

Emerson.
Teve algumas entradas bem durinhas e foi o atleta que mais faltas acumulou ao longo do encontro. Emerson exibiu-se a um nível fraco e nem do ponto de vista do fair-play se distinguiu pela positiva. Quatro faltas cometidas e um cartão amarelo que o afastaria da próxima ronda. Nem ele nem a Juventus mereciam estar na meia-final frente ao Chelsea.

Mauro Camoranesi.
Confesso que não sou fã do italo-argentino e concordo que esta escolha podia passar por um outro jogador da Juventus. Todavia, e mesmo respeitando a forte oposição e o nulo apoio com que contou, a exibição de Camoranesi foi muito pobre. Ainda que esforçado e rigoroso tacticamente, o internacional transalpino não tem a capacidade de explosão nem a qualidade técnica que se exige a um atleta que faça a sua posição.

Milan Baros.
Num encontro insípido, os pormenores revelados por Milan Baros justificam a referência. Extremamente disponível, buscou espaços entre três centrais e esteve perto de vencer a luta num fabuloso num lance fabuloso, aos 50´. Rematou um pouco ao lado mas a jogada ficou na retina.

Xabi Alonso.
Repetindo que este foi um encontro fraco e sem grandes destaques individuais, permitam-me que eleja como melhor em campo o regressado médio espanhol. Esteve muito certinho no miolo e recorde-se a lacuna competitiva devido a longa paragem (desde a recepção ao Chelsea, no primeiro dia do ano), bem como o facto de ter sido chamado para fazer face à ausência do capitão Steven Gerrard. Xabi é reforço, até porque Hamann continua lesionado.

Remate.
Fabio Capello não montou uma Juventus capaz de desmontar o excelente esquema preparado por Benítez. Muito pragmático, o espanhol lidou bem com a ausência de Gerrard e beneficiou do regresso do ex-Real Sociedad Xabi Alonso. Controlado o miolo, Zlatan foi um oásis que cedo secou na produção ofensiva da Juve. Nem a entrada de Zalayeta mudou a cadência do encontro, sendo mesmo Baros a beneficiar de lance para matar a eliminatória. Cannavaro ainda cabeceou ao poste mas a sorte não lhe deu a repetição do golo alcançado em Anfield. Todavia, o conjunto das duas mãos acaba por premiar aquela que mostrou ser mais e melhor equipa – o Liverpool.


Ficha do Jogo:


Estádio: Delle Alpi
Árbitro: Valentin Ivanov


Juventus: Buffon; Thuram, Montero (Pessotto, 83´) e Cannavaro; Emerson, Olivera (Zalayeta, 45´), Camoranesi (Appiah, 84´) e Zambrota; Nedved; Del Piero e Ibrahimovic


Liverpool: Dudek; Finnan, Hyypia, Carragher e Traoré; Alonso, Biscan, Núñez (Smicer, 58´) e Riise; Luis García (Le Tallec, 85´) e Baros (Cissé, 75´)

Cartões Amarelos:

Juventus: Montero, Emerson, Zlatan e Zambrota
Liverpool: Finnan e Alonso

Publicado por andré viana às 22:12

Comentários

O que poderia dizer? A Juventus com uma equipa onde jogam Nedved, Del Piero, Emerson, Ibrahimovic, Trezeguet,Zambrotta, Zalayeta, etc, etc, teve nesta Liga dos Campeões os seguintes resultados:

Ajax 0- Juventus 1
Juventus 1- Maccabi Telavive 0
Juventus 1- Bayern Munchen 0
Ajax 0- Juventus 1
Juventus 1- Ajax 1
Maccabi 1- Juventus 1
Real Madrid 1- Juventus 0
Juventus 2 ( mas um no prolongamento)-Real 0
Liverpool 2- Juventus 1
Juventus 0- Liverpool 0

Ou seja, nada de marcar mais de um golo em cada 90 mns, mesmo com um sector ofensivo poderosíssimo... penso que é a isto que se pode chamar de "catennacio". Pelo bem do futebol ofensivo, preferia que a Juventus fosse eliminada... aposto na final Chelsea-Milan ( como penso que será o mais lógico...se bem que o futebol muitas vezes não tem lógica:)

#1 | Comentado por: Luis Filipe Goncalves | 24 de outubro de 2005 às 21:12

Eu pelo lógica também apontava para um final Chelsea-Milan, mas já no ano passado entre ingleses pensava que o Arsenal ía eliminar o Chelsea de Ranieiri, e depois, foi o que se viu.

#2 | Comentado por: Pedro Varela | 24 de outubro de 2005 às 21:12