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sábado, 16 abril 2005
Beira-Mar 1-0 Boavista
Categoria: 04/05 SuperLiga , Beira-Mar , Boavista
Um Beto rebelde reanima o Beira-Mar
Num jogo monótono e sensaborão, valeu o magnífico pontapé do brasileiro Beto, um "tiro de raiva" que poderá mudar o destino dos aveirenses nesta Superliga. O Boavista está agora definitivamente arredado da luta pelo título e tem na 3ª feira em Setúbal, aquele que é porventura seu o jogo mais importante do campeonato. O Beira-Mar respira um pouco melhor e o efeito-Inácio já se começa a fazer sentir, na confiança e na disponibilidade com que os jogadores abordam o jogo. Será suficiente para anular o efeito-Luís Campos ?
Enquadramento. O Beira-Mar vinha de uma derrota em Alvalade na estreia de Inácio, num jogo marcado por alguma polémica. A recepção ao Boavista era assim essencial para não perder de vista os concorrentes mais directos na luta pela manutenção. Pelo meio não faltaram recados à equipa de arbitragem liderada por Paulo Paraty. O Boavista vingara-se de uma goleada frente ao Sporting com uma vitória sobre o rival da Invicta, como já tinha acontecido na primeira volta. A equipa de Pacheco tentava esta noite iniciar uma sequência de vitórias para assim manter o distanciamento em relação ao Vitória de Guimarães e Rio Ave
As tácticas. Como seria de esperar, Inácio abdicou do terceiro central que tinha utilizado em Alvalade, reforçando o sector atacante com a entrada de Tanque Silva, auxiliado pelos velozes McPhee e Ahamada. O Boavista não podia contar com Tiago e Toñito, pedras-chave do meio-campo, e disso se ressentiu logo no início. João Pedro e André Barreto foram chamados para o centro do terreno, assim como Milhazes, que descaía para a esquerda. Na frente Zé manel mais livre e Hugo Almeida como homem de área, à espera das bolas que os companheiros bombeavam. Estratégia que saiu completamente furada a Pacheco.
Atitude do Beira-Mar. - Foi, como Inácio tinha avisado durante a semana, uma equipa “prá frentex”. Era um jogo decisivo para os aveirenses que, por vezes, foram traídos por alguma ingenuidade e nervosismo próprios de quem anda de mão dada com o desespero. Mas nunca desistiram de procurar o golo que surgiu pelo pé do seu jogador mais talentoso.
Golo de Beto. - Depois de muito tentar na frente e de ter mesmo passado por alguns sustos na defesa, Beto dispara um tiro de raiva a fazer respirar de alívio os 6 mil adeptos que se deslocaram ao Estádio Mário Duarte. Um momento que redimiu o jogo e trouxe justiça ao resultado. Neste aspecto, apesar da monotonia constante, o jogo assemelhou-se bastante a uma qualquer final europeia.
Carlos - Se há coisa de que Pacheco não se pode queixar este ano é do trio de guarda-redes que tem à sua disposição. Carlos é o mais jovem e foi o último a revelar-se. Na primeira parte defende um cabeceamento de Tanque Silva que levava selo de golo. Na segunda, entre outras defesas importantes, tratou de levar os aveirenses ao desespero, negando a McPhee uma grande penalidade. Em grande !
Boavista - Uma equipa amorfa, trapalhona e no geral pouco ambiciosa. Na segunda parte, as entradas de Diogo Valente e Cafú trouxeram alguma profundidade ao ataque, mas ainda assim muito pouco para quem ainda tentava um lugar na Liga dos Campeões. As ausências de Tiago e Toñito poderão ajudar a explicar, mas de modo algum servem de desculpa. Mais do que tudo parece que a equipa se arrasta à espera do fim do campeonato. A revolução no blaneário operada no último Verão trouxe alguns jogadores que não justificam as apostas, sem qualidade e categoria para uma equipa que se pretende “europeia”.
Os destaques do Terceiro Anel.
Ricardo Silva e Hugo Almeida Um duelo que prometia faísca e não enganou. Muita fruta distribuída junto à área aveirense, mas no final um duelo vencido pelo antigo central axadrezado.
Milhazes A face da “verdura” deste Boavista e dos problemas que as revoluções nos balneários trazem. Extremamente ingénuo (já o tinha demontrado por várias vezes) e por mais de uma vez ultrapassado sem problemas por McPhee e Ahamada.
Ahamada Tem genica este jovem francês, dono de um toque de bola curto e preciso. Espalhou o pânico na defesa axadrezada em combinações rápidas com o uruguaio Tanque Silva.
Beto Sem desprimor para o Beira-Mar, Beto é claramente jogador para outros vôos. Nem precisava do seu aspecto exuberante para se destacar. Fá-lo pelo seu espírito de sacrifício, pelas suas desmarcações fáceis e pelo seu potente e preciso remate que já lhe valeu 6 golos esta época. Não vamos ao ponto de afirmar que o brasileiro carrega com a equipa às costas, mas ninguém pode negar que é um dos grandes artistas deste campeonato. Pacheco não se importaria decerto de poder contar com um jogador desta categoria.
Remate. A chegada de Inácio trouxe de facto uma nova alma ao conjunto auri-negro. O Beira-Mar começa a acreditar com mais força nas suas possibilidades de manutenção. A teoria fácil e preguiçosa que aponta os jogadores estrangeiros como os grandes culpados perde o seu gás, quando vemos que qualidade não falta a este plantel. Faltava sim, um treinador como Augusto Inácio, corajoso e com grande capacidade para analisar e repensar o jogo.
O Boavista parece claramente uma equipa cansada, a arrastar-se pelo que resta de campeonato. Os dois próximos jogos são decisivos: com o Vitória de Setúbal, na Terça, está em jogo a presença no Jamor e um lugar garantido na UEFA se o Benfica for o adversário. Em caso de insucesso, a recepção ao Moreirense no sábado reveste-se de uma importância extrema. Uma equipa que passou o campeonato inteiro nos 5 primeiros lugares arrisca-se agora a perder o barco para a Europa.
FICHA DE JOGO
BEIRA-MAR: Srnicek; Ricardo, Ricardo Silva, Alcaraz e tininho; Beto, Sandro Gaúcho e Rui Lima; McPhee, Ahamada e Tanque Silva.
BOAVISTA: Carlos; Martelinho, Hélder Rosário, Cadú e Carlos Fernandes; Lucas, João pedro, Milhazes e André Barreto; Zé manel e Hugo Almeida.
ÁRBITRO: Paulo Paraty (Porto)
Publicado por pedro nery às 12:39