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domingo, 24 abril 2005

Beira-Mar 0 - 1 FC Porto

Categoria: 04/05 SuperLiga , Beira-Mar , FC Porto

Quaresma ensina como se faz

Dois conjuntos obrigados a vencer, muito espaço para jogar mas pouca inspiração de parte a parte. Quaresma quebrou a toada em cima do minuto noventa, assinando mais um daqueles golos geniais, à Quaresma. Apesar das ocasiões criadas durante o restante do encontro, a falta de frieza ou a excelência dos guarda-redes (Vítor Baía, sobretudo) ia impedindo números no marcador. Quando a fé era já pouca, o FC Porto ganhou vantagem e a partida e mantém-se na discussão dos lugares cimeiros. Quanto a Beira-Mar, elogie-se o trabalho de Inácio mas reconheça-se que o fado auri-negro parece inevitavelmente traçado – Liga de Honra.

Enquadramento.
Crucial! O rótulo aplicava-se a ambos os conjuntos e não parecia consonante com as melhoras que Inácio trouxera. Derrotado em Alvalade, em já fizera uma boa exibição, o Beira-Mar derrotou o Boavista no seu terreno e parecia relançado na luta pelo título. Todavia, as duas vitórias consecutivas conseguidas pelo Gil Vicente (a última já esta tarde, em Vila do Conde) tornavam muito complicada a missão dos aveirenses. Beto marcou o golo diante dos axadrezados, ele que também fizera o tento solitário da partida da primeira volta, favorável aos auri-negros no Estádio do Dragão. Quanto ao FC Porto, as contas de Couceiro eram bem simples de fazer – ganhar os jogos até final e ver no que dá. Sendo certo que dá, pelo menos, para aceder à Liga dos Campeões, algo que não é possível na quarta posição em que os dragões partiam para esta jornada. Tal como acontecera na preparação para a recepção ao Vitória de Setúbal, esta semana ficou marcada por notícias de contratações. Sokota ainda é só rumor mas Jorginho está confirmado e o grupo trabalhou longe dos holofotes mediáticos. Havia, contudo, que anular a série negativa recente em jogos fora de casa. É que o FC Porto perdera nas duas anteriores deslocações, o que até era uma estreia. Benni era a grande novidade para esta jogo depois de ter cumprido três partidas de castigo.

As tácticas.
Muito por força daquilo que foi dito anteriormente, o Beira-Mar apresentou estrutura para ganhar. Ricardo e Tininho eram laterais com instruções para subir quando se proporcionasse e Sandro era o elo mais recuado do miolo, jogando à frente de Ricardo Silva e de Alcaraz. McPhee ocupava a meia-direita, com Rui Lima no lado contrário e Beto no centro, procurando apoiar Ahamada (mais solto) e o possante Tanque Silva ao centro. Quanto ao FC Porto, o regresso de Benni obrigou a mexidas. Seitaridis parece ter sido preterido na lateral-direita e Leandro voltava a merecer a confiança na esquerda, com Ricardo Costa a ocupar o lugar deixado vago pelo castigo de Jorge Costa. Costinha recuperou e formava trio no miolo com Ibson e com Diego. Ricardo Quaresma ia fazendo as alas mas actuava mais na esquerda, sem que Benni compensasse à direita, juntando-se a Postiga no centro.


Podia ser uma das notas negativas do encontro e explico porquê. Tal como quase todos os companheiros, tem períodos de total alheamento do encontro e isto não resulta apenas de desinspiração. Resulta, e isso é que é muito grave, de ausência de transpiração e de um gritante derrotismo. Ricardo Quaresma fez uma boa primeira metade mas estava a ser dos piores na etapa complementar. Entre outras coisas, não se percebe porque teima em bater livres directamente à baliza adversária nem se percebe porque é que se alheia do colectivo. Todavia, é daqueles jogadores capazes de resolver e capazes de levantar um estádio. Por isso é tão criticado quando não rende o que pode e sabe, por isso é tão adorado quando faz coisas como a que fez hoje, mesmo em cima do final. Quaresma tem talento para ser um dos melhores jogadores da Superliga e do futebol internacional. Porque não é?


O FC Porto não costuma jogar de outra forma e o Beira-Mar só podia enveredar por aí. Couceiro e Inácio apostaram em esquemas que lhes permitissem chegar ao único resultado admissível e houve muito terreno por explorar. Sem esquemas defensivos rígidos mas com muitos nervos à flor da pele, até porque o encontro tinha rótulo de decisivo. Foi, com efeito, um Beira-Mar distinto daquele que actuou em Alvalade, por exemplo, e apesar da magreza do resultado houve muitas oportunidades de golo para ambos os conjuntos. Raramente se jogou bem mas os treinadores não merecem grandes críticas porque entenderam a exigência do momento e responderam com o único estratagema possível – para ganhar.


Couceiro tem razão (ainda que relativa porque não a há absoluta) quando diz que a arbitragem actua, na dúvida, contra o FC Porto – foi assim quando Diego foi tocado por Srnicek na área de rigor aveirense. Todavia, não é totalmente verdadeiro quando nota melhoras nesta equipa e tem-no feito constantemente. Sim, é um discurso para dentro. Não obstante, o que salta para fora é ainda um conjunto com picos de intensidade competitiva dentro do próprio jogo, com lacunas no tocante ao preenchimento de espaços, com debilidades na entrega e muita incapacidade de concretização. Couceiro tem margem de trabalho e será o menos culpado por aquilo que venha a acontecer até final da época, ainda que seja ele a responder por tudo o que está para trás. Não lhe será fácil, reconheço, lidar com a constante referência a nomes para a sucessão e estranha-se que Pinto da Costa ainda não tenha esclarecido o futuro relativamente à equipa técnica. Claro que isto pode ser lido como um sinal mas o melhor é esperar para ver.


Inácio pôs o Beira-Mar a jogar bem melhor do que no restante da temporada e os aveirenses bateram-se muito bem em todos os últimos três encontros. Inácio é quem dá a cara por uma época decepcionante mas o alvo da ira auri-negra deve ser só um. Mano Nunes deixou-se impressionar por dinheiro fácil e estabeleceu uma parceria que trouxe treinadores e jogadores de qualidade duvidosa por troca com um treinador altamente competente e um grupo de atletas por ele escolhido e trabalhado com os resultados que se conhecem. O Beira-Mar construiu um novo estádio mas vai usá-lo para a Liga de Honra. No futebol, como em outros ramos de actividade, há gente manifestamente incompetente e que, pior do que isso, se agarra ao poder.

Alcaraz.Será possível que tenha completo o encontro? Podia lembrar vários outros lances mas posso apenas referir uma entrada por trás sobre Postiga, ainda no primeiro tempo, e um valente pontapé em Ibson, já perto do final. Saiu com a ficha limpa...

Benni McCarthy.Não agrediu ninguém e antes ser completamente passivo do que activo pelos maus motivos. Todavia, o regresso de Benni foi tudo menos conseguido e o sul-africano pouco fez para merecer as palavras elogiosas do treinador. Nota única para um remate forte mas deslocado após passe de Ibson.

Vítor Baía.Com um excelente par de defesas segurou o nulo no marcador. Antes do golo de Quaresma, era o Beira-Mar quem jogava melhor e construía as melhores ocasiões. Esteve brilhante no frente-a-frente com Beto e com Tanque Silva.

Ricardo Quaresma.Teria merecido referência altamente negativa (pela segunda metade) se não tem tido aquele lance de génio. Quaresma é um génio e resolveu a partida de hoje. Como atrás se disse, é uma pena que raramente utilize as suas potencialidades.

Remate.Podia ter sido outro o resultado mas a realidade é que o FC Porto se mantém na luta por vencer todos os jogos até final e ver no que dá. Ainda pode dar tudo... Quaresma decidiu o encontro num lance de inspiração mas podia ter sido outro companheiro a resolver mais cedo. Podia ter sido, por exemplo, na conversão da grande penalidade que Duarte Gomes não assinalou após Srnicek ter derrubado Diego na grande-área aveirense. Sobretudo no segundo tempo, o Beira-Mar também construiu bons lances para ganhar mas aí apareceu o factor Baía, imponente no duelo com Beto, primeiro, e Tanque Silva, depois. Inácio sabe-o mas não quer reconhecer – o Beira-Mar prepara-se para descer à Liga de Honra.

Ficha do Jogo:


Estádio: Municipal de Aveiro
Árbitro: Duarte Gomes


Beira-Mar: Srnicek; Ricardo, Ricardo Silva, Alcaraz e Tininho; Sandro, Beto (Marcelinho 92 m), McPhee e Rui Lima (Ali 64 m); Ahamada e Tanque Silva (Kingsley (82 m)


FC Porto: Vítor Baía; Bosingwa, Ricardo Costa, Pedro Emanuel e Leandro; Costinha, Ibson e Diego (Paulo Machado 94 m); Quaresma (Raúl Meireles 92 m), Benni (Luís Fabiano 73 m) e Postiga


Golos:

90' Ricardo Quaresma (0-1)



Cartões Amarelos:

Beira-Mar: Ricardo, Rui Lima e Ricardo Silva
FC Porto: Pedro Emanuel, Diego e Fabiano

Publicado por andré viana às 23:58

Comentários

Grande golo do Quaresma, de facto... o Porto ainda pode chegar ao título, sem dúvida...

E parece-me que o Beira Mar joga bem melhor que muitas equipas que se vão manter... é pena.

#1 | Comentado por: Pedro Santo | 24 de outubro de 2005 às 21:12