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domingo, 24 abril 2005
Boavista 1 - 1 Moreirense
Categoria: 04/05 Guia da SuperLiga , Boavista , Moreirense
Empate justo mas indesejado
Na batalha dos "axadrezados" repetiu-se o resultado da primeira volta que, na verdade, não agrada a nenhuma das equipas, com objectivos diferentes mas com a mesma necessidade de vitórias. Um início fulgurante do Boavista fazia prever que os axadrezados conseguiriam deitar para trás os últimos desaires e a crescente contestação e instabilidade que vinha a tomar conta da equipa. Mas não contaram com a atitude digna e ambiciosa com que o Moreirense encarou esta partida. Destaque também para o reduzido número de faltas e para a boa exibição do árbitro Pedro Henriques.
Enquadramento. Jogo de grande importância para as duas equipas: O Moreirense precisava de voltar rapidamente às vitórias - já lá vão 7 jogos sem vencer - para continuar a alimentar a esperança de ficar mais um ano na Superliga. Depois da eliminação da Taça de Portugal, o Boavista olhava para o 5º lugar como a única via para entrar na Taça UEFA e teria de aproveitar a ajuda do Belenenses na 6º feira, para se distanciar de vez do Vitória de Guimarães nessa luta
As tácticas. Com Tiago, Carlos Fernandes e Toñito castigados, e o seu jogador mais importante Zé Manel, lesionado, Pacheco viu-se obrigado a formar uma equipa de recurso: André Barreto, Guga e Diogo Valente foram chamados, mantendo-se o 4-2-3-1 habitual com João Pinto atrás de Hugo Almeida a comandar todo o jogo ofensivo. Na defesa, Nélson foi adaptado a lateral-esquerdo, cabendo a Hélder Rosário a tarefa de vigiar o lado contrário. Em ambos os casos com algum sucesso.
No Moreirense não havia dúvidas de que este jogo seria para ganhar. Jorge Jesus prescindiu do terceiro central, deslocando Sérgio Lomba para a ala esquerda e concedendo a tiularidade a Delfim no centro do terreno. Na frente Lito e Fernando trocavam frequentemente de alas, ficando Manoel como o homem de área, pronto a receber os centros dos seus colegas.
Atitude do Moreirense - Depois da entrada fulgurante dos boavisteiros e do golo de Hélder Rosário seria de esperar que os cónegos se retraíssem enquanto os boavisteiros tentavam a todo o custo resolver de vez a partida, mas foi precisamente o inverso que sucedeu. O resto do primeiro empo pertenceu por completo ao Moreirense, especialmente pelos rapidíssimos Lito e Fernando. Duas grandes oportunidades marcaram os primeiros 45 minutos. Nelson sobre a linha impediu o golo que Sérgio Lomba já festejava e mais tarde Delfim fez tremer a barra da baliza de Carlos. Dois grandes susto para as “panteras” que rapidamente se encolheram e assustaram perante a vontade do Moreirense. Golo que surgiria no segundo tempo numa jogada rápida concluída por Lito. Mas não parece mais o último respiro do morto. A descida à Liga de honra é quase certa para os lados de Moreira de Cónegos.
Nervosismo do Boavista - O momento não é fácil para os lados do Bessa: poucas vitórias, muitos empates e derrotas que comprometem a presença nas competições europeias do próximo ano. Triste para uma equipa que passou grande parte do campeonato a oscilar entre o 1º e o 5º lugar. As exibições também ajudam a deixar os adeptos à beira de um ataque de nervos. Ontem o desespero e a falta de ideias eram tão evidentes que na segunda parte poucas foram as vezes que os jogadores do Boavista resistiram ao “chuveirinho” para a área de João Ricardo, que esteve sempre atento. Vontade não faltou aos axadrezados; arte, é que já foi outra história…
Os destaques do Terceiro Anel.
Nenhum jogador merece aparecer nesta categoria, já que se tratou de um jogo limpo, sem quezílias e onde Pedro Henriques – em grande plano – mostrou apenas 3 cartões amarelos.
Hugo Almeida A verdadeira “estátua da pantera”, como já é apelidado pelos sócios do Boavista, desesperados com a sua falta de vontade e empenho para disputar bolas com Orlando e Ricardo Fernandes. Que os sócios nunca gostaram dele é um facto, e se nas entrevistas tem sido infeliz, no campo não tem tido muito mais sorte. Apenas dois remates perigosos e ambos de fora da área.
João Pinto Não se compreende como é tão pouco utilizado por Jaime Pacheco quando a sua influência e capacidade de pensar o jogo é mesmo o que o clube precisa para afastar a imagem da "equipa sarrafeira". O Boavista de ontem foi de facto uma equipa com um pouco mais de classe que o habitual e muito desse mérito pertence a João Pinto. Na segunda parte foi o mais rematador da equipa.
João Ricardo Na segunda parte foi o principal responsável pela manutenção do empate nos períodos de maior pressão boavisteira, com algumas defesas importantíssimas a remates de Cafú e João Pinto.
Remate. Apenas 4 vitórias é o fraco pecúlio dos boavisteiros nesta segunda volta. Em menos de uma semana os axadrezados despedem-se da hipótese de disputar a Liga dos Campeões e comprometem seriamente as suas hipóteses de conseguir um lugar na Taça UEFA. Pacheco é cada vez mais questionado pelos adeptos, tristes pela possibilidade de ver a equipa pelo terceiro ano consecutivo afastada das competições europeias. Como já não lhe bastasse ter o Guimarães a respirar no seu pescoço, os axadrezados podem ver hoje o Rio Ave aproximar-se perigosamente. O Moreirense deve ser elogiado pela atitude com que encarou este jogo, nunca desistindo de conseguir o 3 pontos e reagindo com grande categoria ao golo de Hélder Rosário. Mas a verdade é que parece ter chegado tarde. Com um calendário altamente desfavorável (recebem FC Porto e Sp. Braga) O Moreirense é de longe a equipa com menos possibilidades de ficar na principal divisão do futebol português. Mas se há coisa que Jorge Jesus já mostrou ser capaz de fazer são milagres…
FICHA DO JOGO
BOAVISTA – Carlos; Hélder Rosário (Martelinho), Cadú, Éder (Ambassa) e Nélson; André Barreto, Lucas e João Pinto; Guga, Diogo Valente e Hugo Almeida (Cafú).
MOREIRENSE – João Ricardo; Primo, Orlando, Ricardo Fernandes e Sérgio Lomba; Jorge Duarte, Delfim (Vítor Pereira) e Afonso Martins (Demétrios); Lito (Nei), Fernando e Manoel.
Árbitro: Pedro Henriques
Cartões Amarelos: Lucas para o Boavista; Primo e Manoel para o Moreirense.
Golos: Hélder Rosário (13´) e Lito (64´)
Publicado por pedro nery às 14:03