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domingo, 24 abril 2005

Rio Ave 0 - 1 Gil Vicente

Categoria: 04/05 SuperLiga , Gil Vicente , Rio Ave

O fim da muralha dos Arcos no calcanhar do galo Carneiro

Ponto final na mais longa série de invencibilidade caseira na SuperLiga: o Rio Ave, que não perdia em casa desde Fevereiro de 2004, foi surpreendido por um Gil Vicente pragmático, que ficou mais perto da manutenção no principal campeonato português. O jogo foi fraco, com o conjunto vila-condense pouco inspirado e muito lento a ter algum ascendente na primeira parte. No entanto, e sem fazer muito por isso, Carlos Carneiro, num antológico toque de calcanhar, colocou a formação de Barcelos em vantagem a três minutos do intervalo. A etapa complementar, bastante desinteressante, mostrou um Rio Ave, com frente de ataque alargada, a não conseguir chegar ao empate, perante um Gil Vicente muito organizado defensivamente, que usou e abusou de marcações cerradas, de faltas cirúrgicas e de anti-jogo quase permanente para conseguir segurar a vitória.

Enquadramento. O Rio Ave recebia o Gil Vicente após oito partidas sem conhecer a derrota, naquela que era, à partida para esta jornada, a segunda melhor série de resultados de uma equipa na SuperLiga, só suplantada pela Académica. Para além disso, a formação vila-condense, fruto dos resultados do Boavista e Vitória Guimarães, poderia aproximar-se dos lugares europeus, tendo ainda a vantagem de em casa não perder há dezanove partidas. O Gil Vicente, por sua vez, procurava pontuar, mas uma vitória abriria excelentes perspectivas para assegurar a desejada manutenção. Contra a formação de Barcelos, o facto de já não vencer extramuros há seis jornadas, não marcando qualquer golo nas três últimas deslocações.


As tácticas. Carlos Brito manteve-se fiel à habitual estrutura de 4x3x3, desdobrável em 4x1x2x2x1. A defesa de 4 era formada por Zé Gomes e Miguelito nas laterais, com Bruno Mendes e Idalécio, recuperado de uma gripe, a formarem o eixo central. À frente da defesa actuava Niquinha, com Delson e Junas Naciri a jogarem como médios interiores. Evandro e Gama, mais abertos nas alas, apoiavam Gaúcho, a únidade mais avançada dos locais.

O Gil Vicente, por sua vez, apostou numa estrutura de 4x3x3, mas desdobrável em 4x2x1x2x1, que, em situação defensiva, era, muitas vezes, um 4x5x1. A defesa era formada por Gregory e Marcos António ao centro, ficando Bruno Tiago e Ezequias, bastante ofensivo, nas laterais. Braima e Ednilson eram os médios mais recuados, bastante presos a tarefas defensivas, sendo que Casquilha assumia o papel de médio organizador. Carlitos e Fábio Januário descaiam mais para as alas, enquanto que Carlos Carneiro actuava no meio dos centrais adversários.



Coesão gilista. Ulisses Morais, treinador do Gil Vicente, montou uma excelente estratégia, que revelou um estudo profundo das características do adversário, dificultando a ligação entre o sector intermediário e ofensivo, para além de tapar as alas, muito por culpa do apoio dado pelos alas em termos defensivos, o que impediu o Rio Ave de explorar a velocidade dos laterais e dos alas, um dos seus pontos fortes, o que tornou o futebol dos locais lento e muito previsivel.


Golaço. O golo de Carlos Carneiro é um momento de antologia, mesmo que não tenha sido totalmente intencional. Uma finalização surpreendente e invulgar de calcanhar, sobre a linha limite da pequena área, que apanhou todos, colegas e adversários, de surpresa.


Lentos e previsiveis. O Rio Ave nunca se conseguiu encontrar durante os 90 minutos da partida. Criou poucas oportunidades de perigo, mostrou um futebol lento e denunciado, onde se acumularam perdas de bola e passes errados. Se defensivamente a equipa mostrou a coesão habitual, só surpreendida no tento de Carlos Carneiro, em termos ofensivos a prestação 'verde e branca' deixou muito a desejar, que nem as entradas de Saulo e Paulo César, ao intervalo, conseguiram rectificar.


Anti-jogo. Esteve longe de ser bonita a estratégia utilizada pelos gilistas, sobretudo na segunda parte, em que pretenderam segurar a vantagem a todo o custo. Muito anti-jogo, com quatro paragens para assistir jogadores por pretensas lesões, a que se juntaram faltas e mais faltas, num total de 26, mais do dobro das cometidas pelo Rio Ave. Elmano Santos, estranhamente, só mostrou dois cartões amarelos a jogadores da formação de Barcelos.



Os destaques do Terceiro Anel.



Bruno Tiago. Demasiada agressividade, estranhamente não punida disciplinarmente por Elmano Santos, que lhe terá perdoado um vermelho, depois de agressão a Paulo César.


Gaúcho. Andou noventa minutos perdido entre os centrais adversários. Se praticamente não teve oportunidades para rematar à baliza, sempre que procurou as alas revelou-se inconsequente.


Carlos Carneiro. Mais um golaço, novamente num espectacular toque de calcanhar, tal como acontecera, à 20ª jornada, diante do Beira-Mar. Foi, mais uma vez, decisivo, confirmando-se como uma importante mais valia para a formação gilista nesta segunda volta, atingindo o ponto de afirmação na sua carreira marcada pela irregularidade. Para além do golo, muito esforço, quer a nível ofensivo, quer defensivo.


Ezequias. Grande exibição do defesa brasileiro, que ontem actuou como lateral esquerdo. Bem a defender, onde não deu grandes espaços a Evandro e Saulo, esteve ainda melhor nos desdobramentos ofensivos, que lhe permitiram assistir Carlos Carneiro para o golo, como também para desperdiçar a única oportunidade dos gilistas no segundo tempo.



Remate. O Gil Vicente voltou a ganhar fora de casa, conseguindo a sua segunda vitória consecutiva e o terceiro jogo sem perder na SuperLiga. Com sete pontos acima da linha de água, a manutenção da formação de Barcelos ficou bem mais perto, sendo que uma vitória num dos próximos quatros jogos deverá ser suficiente. O Rio Ave, por sua vez, ficou mais longe dos lugares europeus, e viu Marítimo e Belenenses aproximarem-se do 7º lugar que agora ocupa. Chegou também ao fim a série de 8 jogos sem perder e, sobretudo, a de 19 jogos caseiros sem conhecer a derrota.



Ficha do Jogo:


Estádio: do Rio Ave Futebol Clube, em Vila do Conde
Árbitro: Elmano Santos (Madeira)


Rio Ave: Mora - Zé Gomes, Bruno Mendes, Idalécio, Miguelito - Mozer - Delson, Junas Naciri (int' Paulo César) - Evandro (73' Jacques), Gama (int' Saulo) - Gaúcho.



Suplentes: Candeias, Alexandre, Danielson, Marquinhos, Saulo, Jacques, Paulo César.



Gil Vicente: Adriano - Bruno Tiago, Gregory Arnulin, Marcos António (38' Rovérsio), Ezequias - Braima, Ednilson - Casquilha (67' Luís Coentrão) - Carlitos (77' Paulo Costa), Fábio Januário - Carlos Carneiro.



Suplentes: Salgueiro, Rovérsio, Nuno Amaro, Luís Coentrão, Nandinho, Paulo Costa, Val Baiano.



Golos:

42' Carlos Carneiro (0-1), assistência: Ezequias



Cartões Amarelos:

RA: Evandro, Paulo César
GV: Fábio Januário, Evandro

Publicado por rui malheiro às 23:03