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terça-feira, 26 abril 2005

AC Milan 2-0 PSV Eindhoven

Categoria: 04/05 Competições Europeias

Eficácia italiana castiga melhor jogo holandês

sheva abriu a contagem.jpg

Há equipas que não brincam em serviço e o Milan é uma delas. Com Sheva e Kaká muito acima da média, o campeão italiano aparentou ter sido dominado pelo PSV e isso mesmo se concretizou no domínio do novo campeão holandês e no imenso caudal ofensivo da turma de Hiddink, que criou uma montanha de oportunidades. Ganha quem marca e o Milan marcou dois; Kaká sempre no lance, com o grande Shevchenko a abrir e o oportuno Tomasson a fechar, bem perto do final. Está mais fácil para Ancelotti mas em Milão recordasse o Depor, à boca pequena ou não vá o diabo tecê-las. Sim, Rui Costa ficou-se pelo banco.

Enquadramento.
Dois antigos campeões nas meias-finais da Champions! Bem nosso conhecido é o caso holandês, dado que o PSV venceu a prova às custas do Benfica, na final de 1988 decidida nas grandes penalidades. Mais vasto é o currículo do Milan, que já venceu a prova por seis ocasiões e contou com Rui Costa para o triunfo de 2003. Líder da Serie A por parceria com a Juventus, o conjunto italiano defrontava um adversário moralizado pela conquista da Eredivisie. Hiddink tem ajudado a equipa a subir de forma na Europa, sendo que o emblema de Eindhoven eliminara as duas melhores equipas francesas da actualidade depois de se ter quedado pela segunda posição no grupo do Arsenal. Bem mais imaculada a carreira do Milan, primeiro do Grupo F e carrasco dos gigantes Manchester United e Inter e Milão. Melhor defesa da prova, a equipa de Ancelotti não sofrera qualquer golo desde que a competição entrou em eliminatórias. Aqui estavam, pois, dois conjuntos com moral elevada e ambições a rodos.

As tácticas.
Não houve surpresas no esquema dos locais. Dida foi o guarda-redes, Cafu tinha a lateral-direita e o georgiano Kaladze ficava com a esquerda. Stam e Maldini eram a dupla de centrais, com Pirlo à frente mas muito interligado com os homens da frente, até porque tinha a compensação de Gattuso, que fechava mais sobre a direita, e de Seedorf, que surgindo pela esquerda deambulava frequentemente pelo centro. Kaká gozava de maior liberdade, surgindo no apoio a Crespo e ao Bola de Ouro da France Football, o ucraniano Shevchenko. Quanto ao PSV, Hiddink não fugiu muito da estrutura habitual mas as circunstâncias obrigaram-no a optar por um esquema diferente no que concerne aos nomes da frente. Já lá vamos. Heurelho Gomes foi o guarda-redes (duelo canarinho nas redes), com Andre Ooijer e o coreano Lee nas laterais. Alex e Bouma foram centrais, tendo à frente o suíço Vogel. Cocu e Van Bommel também faziam parte de um meio-campo de contenção mas muito virado para a ligação a um trio de velozes. Park jogava mais recuado e com tendência para lateralizar, tal como o norte-americano Damarcus Beasley. Jefferson Farfán, jovem peruano, era o homem mais adiantado.


Grande PSV. Tremeu nos minutos iniciais mas descomplexou-se para uma grande exibição que não teve correspondência no resultado. Hiddink esteve soberbo, demonstrou trabalho de longos meses mas juntou-lhe uma preparação excelente para este jogo. Quase colhia frutos da boa organização que fez do meio-campo para a frente e apostou nos jogadores certos no momento certo. Foi claramente infeliz e não contava que quase todos os remates fossem à figura de Dida, tal como não contava com o golo de Tomasson. Todavia, a lição é evidente – há que contar com o PSV nesta Liga dos Campeões.


Bola de Ouro. Shevchenko mostrou a arte dos grande jogadores e ele é, a par de Samuel Eto´o, um dos melhores avançados da actualidade. Tem toque de bola, tem arranque e explosão, tem inteligência e remate. Usou esses predicados durante todo o encontro e foi, conjuntamente com Kaká, a maior estrela do futebol milanês, muitas vezes desinspirado e sem grande envolvimento colectivo. Sheva é um regalo de jogador, um soberbo executante e um homem que pode decidir esta prova – tal como fez em 2003.


Pontaria holandesa. Quantos lances na cara de Dida, todos eles desaproveitadas com remates fortes mas altos ou por remates bem dirigidos mas sem força. Farfán criou muitos lances, Park também teve as suas bolas e até o soberbo Van Bommel beneficiou de bolas para marcar. Mesmo tendo feito um grande jogo, o PSV pagou a imaturidade que revelou face à extraordinária experiência e eficácia do Milan e isso pode decidir uma eliminatória. Ainda que, lembram-se do Depor, o melhor é não dar nada por decidido. E se o PSV decide acertar com a baliza na partida do Philips Stadion...

Andre Ooijer. Não é um jogador agressivo nem maldoso mas bate normalmente muito. Viu um cartão amarelo e não hesita quando tem de escolher entre a falta e o avanço do adversário. Principalmente se este se chamar Kaká.

Farfán. Cinco remates, alguns deles em óptima situação, e nenhum golo. Fez um bom jogo mas quando um avançado tem bolas para marcar tem e concretizar. Sob pena de o adversário marcar quando se chega a Gomes e a eliminatória ir para Eindhoven com uma desvantagem de dois golos.

Kaká. Um dos melhores jogadores do Mundo. Dá gosto vê-lo actuar, a forma como trata a bola, como tem sempre a escolha mais correcta. Serviu Sheva, esteve no golo de Tomasson. Decisivo...

Shevchenko. Rapidez, técnica, poder de choque, instinto goleador. Sheva tem as características de um bola de ouro e hoje teve uma, não desperdiçando. Bateu Gomes e abriu caminho à vitória do Milan.

Remate.
Tomasson é mesmo um jogador cirúrgico e o golo que marcou perto do final acentua a injustiça do resultado e a tremenda matreirice deste Milan. Kaká e Sheva merecem mas o resto da equipa foi impotente para travar um PSV muito bem organizado e com óptimas transições para o ataque. Todavia, a eficácia manda muito nisto do futebol e Farfán e Park, principalmente estes, foram anjinhos perante o gigante Dida. Está muito encaminhado para os vencedores de 2003 mas o novo campeão holandês ainda pode ter uma palavra a dizer. Contando que acerta com a baliza claro...

Ficha do Jogo:


Estádio: San Siro, Milão
Árbitro: Kyros Vassaras, Grécia


AC Milan: Dida; Cafu, Stam, Maldini e Kaladze; Pirlo (Ambrosini, 72´), Gattuso, Seedorf (Serginho, 81´) e Kaká; Shevchenko e Crespo (Tomasson, 64´)



PSV Eindhoven: Gomes; Ooijer, Alex, Bouma (Lucius, 46´) e Lee; Vogel, Van Bommel, Cocu e Park, Farfán e Beasley (Vennegoor, 61´)



Golos:

42' Shevchenko (1-0)
90´ Tomasson (2-0)



Cartões Amarelos:

AC Milan: Seedorf
PSV Eindhoven: Gomes e Ooijer

Publicado por andré viana às 21:57

Comentários

O Milan é sempre o mesmo..boa defesa, ataque cirurgico e mt mt sorte..aquele 2º golo com ressalto incluido é prova disso..no mesmo estadio coexistem a equipa com masi sorte que conheço e a com mais azar!!!

#1 | Comentado por: Renato Miguel | 24 de outubro de 2005 às 21:12