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quinta-feira, 28 abril 2005

Sporting 2 - 1 AZ Alkmaar

Categoria: 04/05 Competições Europeias , Sporting

Pinigol contra o muro

Pinilla

Um espectacular golo de Pinilla, a dez minutos do fim da partida, quebrou o gelo que já se começava a sentir em Alvalade, onde o Sporting viu-se e desejou-se para ultrapassar a hirta teia táctica montada por Co Adriaanse, muito próxima do ferrolho. Para não variar, a formação de Peseiro, que estranhamente deixou João Moutinho no banco, viu o adversário adiantar-se no marcador, aos 35 minutos, no primeiro remate que fez à baliza de Ricardo. Só que Douala, no minuto seguinte, conseguiu a igualdade, numa das poucas vezes que o Sporting conseguiu finalizar um lance ofensivo na área adversária. Havia muito tempo pela frente, mas só 45 minutos depois, os leões conseguiram o tento que os coloca em vantagem na eliminatória, restando saber como o AZ Alkmaar, pela primeira vez esta época, consegue reagir à situação de partir para segundo jogo em desvantagem. É que a equipa holandesa tudo fez para segurar o empate, primeiro a zero e depois a um, mostrando-se, à imagem do que tem acontecido na fase a eliminar da Taça UEFA, uma equipa muito mais talhada para defender resultados, para depois procurar surpreender em contra-ataque, do que para partir em busca de uma vitória.

Ainda que sem grande imaginação e criatividade, o Sporting entrou na partida com maior ascendente, mas não encontrava soluções para entrar na área adversária, o que obrigava a procurar surpreender em remates de meia distância, que não resultaram, face à elevada concentração de jogadores nas imediações da área. Numa rápida e bem delineada iniciativa ofensiva, o AZ Alkmaar adiantou-se no marcador por Landzaat, o médio goleador dos holandeses, que, no primeiro remate dos holandeses à baliza de Ricardo, soube aproveitar da melhor forma um cruzamento da direita de Jaliens. Era um balde de água gelada para o Sporting, com Peseiro a recuar de imediato Sá Pinto para a ala direita e a avançar Douala, que, no minuto seguinte, aproveitou um ressalto para fazer o empate, num lance em que o AZ tinha dez jogadores na sua área.

Ao intervalo, e vendo a falta de soluções da sua equipa para entrar na área adversária, Peseiro lançou João Moutinho em jogo, que deu mais balanço ao jogo leonino. No entanto, e tirando sobretudo aproveitamento dos desdobramento de Van Galen à direita, o AZ Alkmaar poderia, em duas situações, ter-se colocado em vantagem. Valeu a atenção de Ricardo, a contrariar as desatenções e lentidão de Polga e Rui Jorge. Com Liedson desinspirado no ataque, Peseiro perdeu, por lesão, Fábio Rochemback e Rogério, que foram substituidos por Hugo Viana e Pinilla, o que obrigou a reposicionamentos de Sá Pinto e Douala, e à feliz deslocação de João Moutinho para uma posição mais central.

A tarefa, no entanto, permanecia complicada, e eram raras as situações em que o Sporting conseguia criar perigo ou encontrar soluções para criar desequilibrios face a uma equipa muito retraída. Foi Pinilla, num momento mágico, em que rompeu em diagonal desde a esquerda, que rematou forte e colocado de fora da área com a bola a parar apenas no fundo das redes de um surpreendido Timmer. Em desvantagem no marcador, o AZ procurou esticar-se mais em campo, e Sektioui, aproveitando um descuido defensivo do Sporting, obrigou Ricardo a uma defesa muito complicado. Só que acabou por ser Pinilla, em cima dos noventa, após uma excelente jogada com Liedson, que desperdiçou o 3-1, faltando-lhe força e frieza para bater Timmer no um para um.



Enquadramento. 1ªmão da meia-final da Taça UEFA, com o AZ Alkmaar, para muitos a equipa revelação do futebol europeu esta estação, no caminho do Sporting, que nunca foi eliminado por equipas holandesas no seu histórico em competições europeias. Orientado tecnicamente por Co Adriaanse, apontado como futuro técnico do FC Porto, o AZ Alkmaar é 3º classificado na Eredivisie, onde somou apenas um ponto nas últimas cinco jornadas, chegando a Alvalade, palco da final da competição, com apenas 1 derrota em 12 jogos na Taça UEFA, onde na ronda anterior eliminou o Villareal, apontado como um dos grandes favoritos à vitória final. No Sporting, Beto, devido a castigo, Carlos Martins e João Mota, por lesão, eram as ausências, enquanto que o AZ Alkmaar via-se privado de várias unidades no seu sector recuado: Jan Kromkamp, lateral-direito, de 24 anos, lesionou-se nos últimos dias com alguma gravidade e não volta a jogar esta época, juntando-se na lista de ausências aos centrais, habitualmente titulares, Martijn Meerdink e Barry Opdam - este por suspensão -, e ainda aos avançados Joris Mathijsen e Ali Elkhattabi, sendo que o último não se deslocou a Portugal porque tem medo de viajar de avião.



As tácticas. José Peseiro surpreendeu ao deixar João Moutinho, provavelmente o jogador em melhor forma no Sporting, no banco dos suplentes, onde também se sentou Hugo Viana. A titularidade de Custódio, pouco utilizado desde que recuperou de uma lesão, foi a principal novidade, numa equipa que adoptou a habitual estratégia de 4x1x3x2, que se transformava, em algumas situações defensivas, em 4x1x4x1, com Sá Pinto, unidade móvel do ataque, a juntar-se ao tridente de médios ofensivos formado por Douala, Fábio Rochemback e Pedro Barbosa. Sem surpresa, Joseph Enakarhire, regressado de lesão, ocupou o lugar deixado vago por Beto, enquanto que Rui Jorge, ausente por castigo na partida diante da Académica, regressou à titularidade na lateral esquerda.

O AZ Alkmaar, por sua vez, adoptou uma estratégia ultra-defensiva, baseada num 4-6-0 em situação defensiva, com uma primeira linha de quatro muito próxima de uma primeira linha de três, a que se seguia, num espaço praticamente de 25/30 metros uma terceira linha de três, com a preocupação dos 10 jogadores estarem atrás da linha da bola. Em situação ofensiva, a equipa adoptava normalmente um esquema de 4-5-1, com um desdobramento em 4-1-2-2-1. Assim, Timmer era o guarda redes, seguindo-se o quarteto defensivo formado por Jaliens e De Cler nas laterais, com Buskermolen e Vlaar, a realizar apenas o seu segundo jogo na temporada, a formarem o eixo central. Depois, uma linha de três médios defensivos, com Linderbergh a fechar à direita e Ramzi a fazer o mesmo do lado oposto, ficando Landzaar numa zona central. Quando a equipa saia para o ataque, Linderbergh era a unidade mais fixa, com Landzaat e o marroquino Ramzi a funcionarem como médios interiores, no apoio ao dinamarquês Keneth Perez, o homem que assume o papel de coordenador de jogo ofensivo. Van Galen e Nelisse, em situação defensiva, fechavam as alas, com o primeiro a surgir como segundo avançado, bastante móvel, quando a equipa atacava, enquanto que Nelisse saia da esquerda para uma posição mais central, procurando incomodar Enakarhire e Polga.



Pinigol. Foi um golo espectacular, mas, acima de tudo, muito importante, pois pode ter sido o momento decisivo nesta eliminatória. Certo é que mudou o rumo da mesma, já que com o Sporting em vantagem, o AZ Alkmaar vai ter que assumir as despesas iniciais do jogo da segunda mão. Algo que nunca aconteceu até aqui.


Rigor holandês. Não foi bonito, mas foi eficaz. A estratégia montada por Co Adriaanse mostrou um estudo detalhado das virtudes e defeitos do adversário, com o objectivo de anular todos os caminhos em direcção à baliza de Timmer e explorar, sempre que possível, com um futebol rápido e objectivo o contra-ataque. E, na verdade, faltou espaço ao futebol do Sporting, quer na zona central, quer nas alas, e a área foi um espaço praticamente inexplorado, com Liedson a não ter praticamente oportunidades para finalizar. Um ressalto e uma jogada individual acabaram por fazer ruir uma estratégia que passava pela conquista de uma igualdade.


Falta de soluções. Ficou a ideia, mais uma vez, que o Sporting não tinha um conhecimento muito detalhado do adversário. A equipa de Peseiro não mostrou soluções para fazer face à estratégia apresentada pelo AZ Alkmaar. Houve muita troca de bola, excessiva por vezes, com vários passes transviados à mistura, faltando objectividade e agressividade para romper na área, sendo que Douala, durante muito tempo preso às alas, onde ganhou muitas vezes a linha, mas não acertou nas opções de passe, poderia ter explorado mais as diagonais.


Tremideira. A defesa do Sporting, sobretudo no espaço entre Polga e Rui Jorge abriu muitos espaços. Foram poucas as vezes que o AZ Alkmaar chegou à baliza de Ricardo, mas sempre que o fez foi com perigo, e quase invariavelmente pela direita.


Pouco espectáculo. O golo de Pinilla foi um oásis num jogo demasiado morno para uma meia final de uma Taça europeia, muito por culpa da estratégia montada por Co Adriaanse, que se tacticamente foi quase irrepreensível, deixou pouco ou nenhum espaço para valorizar o espectáculo.



Os destaques do Terceiro Anel.



Michael Buskermolen. Viu um cartão amarelo, que o impede de jogar a segunda mão. Defesa central agressivo, sempre que Liedson apareceu no seu raio de acção marcou-o bem, apostando, sobretudo, na antecipação. Quando sentiu mais dificuldades, acabou por recorrer à falta, justificando o seu estatuto de duro.


Pedro Barbosa. Passou claramente ao lado do jogo, dando sinais, a partir dos trinta minutos, de acusar algum cansaço. Não regressou dos balneários.


Pinilla. Entrou a vinte e dois minutos do fim, devido à lesão de Rogério. Lutou bastante, mesmo sem ser muito feliz. Até que, praticamente do nada, doze minutos depois de ter entrado em campo, marcou um golaço que perdurará na memória do universo leonino: um excelente movimento de ruptura, da esquerda para o meio, finalizado de forma espectacular. Perto do fim, falhou o 3-1 de forma incrível, depois de ter encontrado espaços onde parecia não existir.


Sá Pinto. Não fez uma exibição de encher o olho, mas, na verdade, ninguém o fez. Só que, mais uma vez, foi inexcedível. Jogou a avançado, médio ofensivo, médio ala, lateral e médio defensivo. Com esforço, raça, devoção e um enorme coração de Leão.



Remate. A vantagem de um golo, ainda por cima sofrendo um tento em casa, não dá para grandes festejos, e o Braga-Sporting do próximo domingo, decisivo na luta pelo título da SuperLiga, não dá grandes margens de manobra para um plantel que José Peseiro definiu como algo desgastado, como foi vísivel esta noite, onde foram inúmeros os problemas físicos. No entanto, o 2-1 de Pinilla permitiu não só mais uma reviravolta caseira em jogos europeus, como também vai proporcionar um sentido diferente à partida da segunda mão. O AZ Alkmaar, que não poderá contar com o central Buskermolen e o médio defensivo Lindenbergh, vai ter que correr riscos e não poderá jogar, como tanto gosta, na expectativa. A história joga a favor dos 'leões', que nunca foram eliminados por equipas holandesas e só perderam por uma vez extramuros, em jogos das competições europeias, esta temporada.



Ficha do Jogo:


Estádio: Alvalade
Árbitro: Massimo De Santis (Itália)


Sporting: Ricardo - Rogério (68' Pinilla), Joseph Enakarhire, Anderson Polga, Rui Jorge - Custódio - Douala, Fábio Rochemback (60' Hugo Viana), Pedro Barbosa (int' João Moutinho) - Sá Pinto, Liedson.



Suplentes: Nélson, Miguel Garcia, Rodrigo Tello, João Moutinho, Hugo Viana, Pinilla, Marius Niculae.



AZ Alkmaar: Henk Timmer - Kew Jaliens, Ron Vlaar, Michael Buskermolen, Tim de Cler - Olaf Lindenbergh, Denny Landzaat, Adil Ramzi - Kenneth Perez - Barry van Galen (78' Tarik Sektioui), Robin Nelisse (71' Stein Huysegems).



Suplentes: Theo Zwarthoed, Tom Zoontjes, Haris Medunjanin, Christy Janga, Arjan Wisse, Stein Huysegems, Tarik Sektioui.



Golos:

35' Denny Landzaat (0-1), assistência: Kew Jaliens
36' Douala (1-1)
80' Pinilla (2-1)



Cartões Amarelos:

SPO: 77' Anderson Polga ; 80' Pinilla
AZ: 58' Vlaar ; 69' Buskermolen ; 74' Lindenbergh

Publicado por rui malheiro às 23:50

Comentários

Não vejo os sportinguistas a comentar!? Estranho! Será que estão com medo!? Se calhar pensam que o campeonato está dificil e a taça Uefa é quase impossível! Não pensem assim! Quanto ao campeonato como sou Benfiquista e não desejo-vos sorte, é claro! Mas em relação à Taça Uefa!? O sporting vai à final! Façam como os do outro lado da avenida e acreditem. O sporting tem jogado bem fora de casa na taça uefa e portanto vai sacar um bom resultado fora de casa! Boa sorte nisso e façam o que tem de ser feito (tanto os adeptos como os jogadores)!

#1 | Comentado por: Ricardo Wiggy Gomes | 24 de outubro de 2005 às 21:12

"Não vejo os sportinguistas a comentar!? Estranho! Será que estão com medo!?"

É para rir ??? só pode ...

Com medo de que ???
De estarmos a um passo de jorgar uma final europeia ???

Ricardo como tu escreveste e bem o SCP joga bem fora de casa, e como o AZ vai ter de arriscar mais ... muito mais do que o fez em Alvalade estou confiante na passagem a final.

Assim como estou confiante que vamos ganhar ao Braga e ao Benfica, já com o Guimareaes temo que possamos vir a ter um mau resultado se eles apostarem num jtipo de jogo do genero da AC ou do AZ.

Saudações Leoninas

#2 | Comentado por: Sérgio Palhas | 24 de outubro de 2005 às 21:12

Começo a ficar farto de ver o Douala só correr quando tem a bola no pé... é usual ver os médios à espera que ele fuja nas costas do defesa e ele parado, à espera da bola no pé para depois fazer aqueles correrias desenfreadas... falta muita técnica ao Douala e capacidade de desmarcação.

Mas os jornalistas adoram-no e abominam o Pinilla. Não é desprestigiar o Douala (que acho muito útil ao SCP), mas parece-me que os senhores jornalistas ainda dão muito valor ao "chuta para frente e corre atrás da bola" que fazia furor nos anos 50...

#3 | Comentado por: Pedro Santo | 24 de outubro de 2005 às 21:12