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sábado, 30 abril 2005
Académica 1-0 Boavista
Categoria: 04/05 SuperLiga , Académica , Boavista
Mais um ano na Superliga
Não há como escondê-lo: tudo corre bem à Académica. A 3 jornadas do fim, a Briosa alcançou praticamente a manutenção com uma vitória justa mas pouco inspirada sobre o Boavista, evitando as dependências de terceiros, como foi o caso das duas últimas épocas; instalou um novo recorde no campeonato, de 11 jogos sem perder, superando o pecúlio de 10 alcançado pelo FC Porto da era Fernandez; mostrou que é um clube capaz de seduzir os conimbricenses e de os unir em torno das suas campanhas; e ainda se deu ao luxo de vencer um concorrente à Taça UEFA, sem sequer fazer uma exibição particularmente convincente. Nelo Vingada tem razões para sorrir e é sem dúvida o primeiro grande vencedor desta época 2004/2005. Do outro lado está um Boavista cansado e desmotivado, com apenas 3 vitórias nos últimos 10 jogos, e que corre o risco de ver o V.Guimarães roubar-lhe o lugar europeu já na 2ª feira, depois de ter passado todo o campeonato a oscilar entre o 1º e o 5º lugar.
Enquadramento. Jogo mais importante para o Boavista do que propriamente para a Académica, que vinha de uma espantosa de série de 10 jogos sem perder. Seria esse talvez o grande incentivo do conjunto de Nelo Vingada para este jogo, o estabelecimento de um novo recorde no campeonato, já que a manutenção estava praticamente garantida. O Boavista entrava em Coimbra nervoso, depois de uma semana particularmente agitada, de protestos contra o treinador Jaime Pacheco no seguimento da eliminação da Taça de Portugal e do empate caseiro frente ao Moreirense. Um novo desaire em Coimbra poderia colocar em causa o 5º lugar e a participação numa prova europeia
As tácticas. O Boavista entrava em Coimbra com um 4-4-2 que se transformava num 4-2-4 com alguma facilidade já que Nelson assumia frequentemente a função de extremo-direito, cabendo a Lucas fechar o flanco quando tal acontecia. Do outro lado, Diogo Valente e no centro João Pinto no apoio a Cafú. De realçar também a estreia como titular do central camaronês Ambassa, ao lado de Cadú no centro da defesa. Nelo Vingada, por sua vez, abdicou de um homem do meio-campo (Dionattan) por um extremo, Luciano, já que este não era um jogo de contenção, como o de Alvalade. Manteve o trio formado por Brum, Hugo Leal e Paulo Adriano no meio-campo e voltou a contar com Dário, na esquerda e Marcel ao centro para assegurarem os golos.
Ambiente - Quase 13 mil pessoas presenciaram este desafio da 31ª jornada e, apesar de no relvado, as coisas terem sido quase sempre monótonas, animação foi coisa que não faltou nas bancadas.
Centrais - Será que depois de tantas experiências, Pacheco encontrou finalmente uma dupla de centrais à altura dos objectivos da sua equipa ? Cadú e Ambassa foram quase perfeitos e se Marcel e Dário raramente se mostraram no ataque, foi muito por sua culpa. Do outro lado, os Zés (Castro e António) repetiram a exibição segura de Alvalade, só falhando na marcação a Hugo Almeida nos minutos finais.
Disciplina - 4 cartões amarelos e todos para jogadores da Académica, poucas faltas e poucas picardias - a perigosa entrada de Kenedy sobre Nélson já em tempo de descontos foi a excepção. Quase nem se deu por Elmano Santos e esse é o maior elogio que se pode fazer ao árbitro madeirense e, já agora, aos jogadores.
Que soneira ! - O público bem puxava mas a verdade é que o jogo teve poucos momentos de interesse. A Académica pareceu constrangida na primeira parte, raramente incomodando a baliza de Carlos e só as investidas de Luciano faziam alguma mossa na bem estruturada defesa do Boavista. Boavista, que dominava completamente o meio-campo e apostava na velocidade de Diogo Valente e Nélson pelas alas para criar desequilíbrios, algo que no primeiro tempo raramente aconteceu. O golo de Luciano, um pouco contra a corrente do jogo, acordou os jogadores da casa que na segunda parte dispuseram de mais algumas oportunidades por Paulo Adriano e Kenedy. O Boavista só com a entrada de Hugo Almeida ganhou algum poder ofensivo que lhe permitisse chegar ao empate, mas o avançado emprestado pelo FC Porto voltou a ser infeliz na finalização.
Os destaques do Terceiro Anel.
Kenedy Num jogo tão pacato, só mesmo aquela entrada feia de Kenedy sobre Nélson já nos últimos minutos podia merecer este “prémio”. Uma entrada tão dura que foi até vaiada pelos próprios adeptos da Académica…
Hugo Almeida Desta vez mostrou mais empenho que em jogos anteriores, mas também uma enervante falta de pontaria que impediu a sua equipa de chegar ao empate.
Nélson Uma lufada de ar fresco na monotonia do jogo. Um jogador rapidíssimo e invulgarmente maduro para a sua idade, mostrando uma calma desconcertante e uma frescura que lhe permitia tomar conta de todo o flanco direito sem problemas. Por quanto tempo mais conseguirá o Boavista segurar esta verdadeira pérola ?
Luciano Não só por ter marcado o golo (o que já não é pouco num jogo com tão poucas oportunidades), mas por ter dinamizado o ataque da sua equipa, quando os seus colegas da frente pareciam adormecidos ou domados pela trabalhadora defesa do Boavista. Acabou por contagiar o resto da equipa com as suas arrancadas pela direita e centros perigosos que infelizmente para si nunca tiveram o melhor seguimento. Foi substituído por Dionattan e arrancou uma justa ovação dos adeptos da Briosa.
FICHA DO JOGO
ACADÉMICA - Pedro Roma, Nuno Luis, Zé Castro, Zé António e Vasco Faísca; Roberto Brum, Hugo Leal (Danilo) e Paulo Adriano; Luciano (Dionattan), Marcel e Dário (Kenedy)
BOAVISTA - Carlos; Nélson, Cadú, Ambassa e Carlos Fernandes; Tiago, Lucas (Hugo Almeida), André Barreto e João Pinto (Flores); Diogo Valente e Cafú (Guga
ÁRBITRO: Elmano Santos (Funchal)
CARTÕES AMARELOS: Luciano, Brum, Kenedy e Dionattan, todos para a Académica.
GOLO: Luciano aos 37 minutos.
Publicado por pedro nery às 16:09
Comentários
Sobre a "entrada do Kenedy: " Uma entrada tão dura que foi até vaiada pelos próprios adeptos da Académica…", lolololol. Deves andar a sonhar, não? Eu estava lá e não ouvi nada disso. Por favor... Se queres falar de entradas duras fala daquela do Carlos Fernandes sobre o Luciano, na 1ª parte, (mais ou menos no mesmo local do campo), em que o defesa do Boavista entra "com tudo" e por trás, levando o Luciano na frente. O Sr. árbitro (e o auxiliar) marcaram canto!!!!! Num lance em que deveria ter sido mostrado VERMELHO DIRECTO! Deves estar a falar deste lance quando falas de assobios do público...
Kompensam é a minha receita para isso...
#1 | Comentado por: Pedro Santos | 24 de outubro de 2005 às 21:12