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domingo, 1 maio 2005
Moreirense 0 - 0 Beira-Mar
Categoria: 04/05 SuperLiga , Beira-Mar , Moreirense
Nítido Nulo
Moreirense e Beira-Mar foram protagonistas de um jogo péssimo, que acabou com o resultado certo para o que se passou nas quatro linhas e mesmo fora delas, onde Augusto Inácio e Jorge Jesus trocaram palavras amargas e acusações de plágio. Apesar de terem consciência que só uma vitória interessava, ambos os conjuntos não se conseguiram libertar do estigma de descida e preocuparam-se mais em não perder. Na etapa inicial, ainda assim, foi o Beira-Mar que se revelou mais perigoso, mas em 7 remates, os aveirenses apenas conseguiram que um fosse na direcção da baliza de João Ricardo. Após o intervalo, foi o Moreirense que teve maior ascendente, mas só ao minuto 89 dispôs da melhor oportunidade de golo de toda a partida, com a bola a rolar sobre o risco fatal, mas a teimar em não entrar, num dos lances mais caricatos da SuperLiga 2004/2005. Pelo meio, também o árbitro Paulo Costa, muito criticado por ambos os técnicos, ficou mal na fotografia: uma grande penalidade por marcar a favor do Moreirense e muitas dúvidas num golo invalidado a 'Tanque' Silva.
Enquadramento. Depois da vitória da Académica sobre o Boavista, Moreirense e Beira-Mar enfrentavam-se com a Liga de Honra como pano de fundo. Um autêntico jogo de 'mata-mata', onde só a vitória interessava, para manter um sonho, ainda que ténue, de manutenção. O Moreirense, que não vencia há sete jogos, procurava a primeira vitória na 'era Jorge Jesus', enquanto que o Beira-Mar, com apenas um ponto nas cinco últimas deslocações, procurava somar a sua 3ª vitória nos últimos 13 jogos.
As tácticas. Jorge Jesus apostou na manutenção da estrutura táctica que lhe garantiu a conquista de um ponto no Bessa. Um esquema de 4x3x3, desdobrável em 4x2x1x2x1, com João Ricardo na baliza ; uma defesa de quatro, com Orlando e Tito nas laterais, Ricardo Fernandes e Sérgio Lomba ao centro ; Jorge Duarte e Delfim como médios defensivos ; Eriverton Lima como médio criativo ; Lito e Fernando Moura abertos nas alas, no apoio ao avançado Manoel.
Já Augusto Inácio optou por apresentar um esquema diferente do que tem vindo a utilizar, estruturado num 4x1x3x2, numa linha próxima ao de Peseiro no Sporting. Srnicek na baliza ; defesa de 4 elementos, com Ricardo e Tininho nas laterais, Ricardo e Alcaraz no centro ; Sandro Gaúcho como trinco ; Beto, McPhee e Rui Lima como médios ofensivos ; Hassan Ahamada, mais livre sobre as alas, e 'Tanque' Silva, mais fixo, como unidades mais avançadas.
Muralha checa. Depois de uma primeira parte tranquila, Srnicek teve muito mais trabalho na segunda parte. O veterano guardião checo segurou o nulo com boas intervenções, e também contou com a ajuda da barra e de Ricardo Silva.
Tão mau. Tecnicamente foi um jogo muito fraco. Inúmeros passes transviados, remates disparatados e sem direccção, acrescidos a muitos nervos, contrariando a muita vontade com que os jogadores se entregaram à partida. Acabou por ser um jogo mais tenso do que intenso.
Peixeirada. A semana que antecedeu o jogo, já tinha ficado marcada por algumas palavras amargas de Augusto Inácio em relação ao treinador da equipa adversária, que, como se sabe, substitui-o, a época passada, no comando técnico do Vitória Guimarães. O que se passou no final da partida, nem no nervoso da situação em que ambas as equipas se encontram pode encontrar justificação: Inácio acusou Jesus de plágio nos lances de bola parada e deixou ficar nos balneários um livro para o treinador do Moreirense ; Jesus apresentou argumentos contrários, relembrando Guimarães e acusando Inácio de ser especialista em conversa da treta. Pouco edificante.
Os destaques do Terceiro Anel.
Orlando. Adaptado a lateral direito, sentiu muitas dificuldades para travar Tininho e Ahamada.
Eriverton Lima e Rui Lima. Dois médios por quem passava a construção de jogo ofensivo, e que não conseguiram assumir essas funções. Muitos passes transviados, acabaram por justificar a saída de ambos.
Nei. O jogador contratado à Ovarense entrou a 19 minutos do fim e conseguiu introduzir velocidade ao jogo ofensivo dos cónegos. Esteve muito perto de marcar, mas a barra e Ricardo Silva negaram-lhe o tento, com Srnicek já batido.
Pavel Srnicek. Segurou o nulo, com boas intervenções na etapa complementar, depois de uma primeira parte relativamente descansada. Excelentes intervenções a remates de Lito e Armando nos últimos cinco minutos.
Remate. Com a igualdade final, que acaba por beneficiar o Moreirense, que venceu em Aveiro, só um milagre poderá evitar a descida de ambos os conjuntos à Liga de Honra. Curiosamente, para que isso aconteça, as duas formações precisam uma da outra: futuros adversários da Académica, na 32ª e 33ª jornada, só com vitórias sobre o conjunto de Coimbra, poderão sonhar com chegar à última jornada com hipóteses de ficarem na SuperLiga.
Ficha do Jogo:
Estádio: Joaquim de Almeida Freitas, Moreira de Cónegos
Árbitro: Paulo Costa (Porto)
Moreirense: João Ricardo - Orlando, Ricardo Fernandes, Sérgio Lomba, Tito - Jorge Duarte, Delfim (60' Armando) - Eriverton Lima (71' Nei) - Lito, Fernando Moura (65' Afonso Martins) - Manoel.
Suplentes: Nuno Claro, Filipe Anunciação, Afonso Martins, Bruno Mestre, Nei, Armando, Demétrios.
Beira-Mar: Pavel Srnicek - Ricardo, Ricardo Silva, Alcaraz, Tininho - Sandro Gaúcho - Beto (78' Ali), McPhee (60' Marcelinho), Rui Lima (71' Kingsley) - 'Tanque' Silva, Hassan Ahamada.
Suplentes: Paulo Sérgio, Ribeiro, Jorge Silva, Marcelinho, Ali, Kingsley, Heitor.
Golos:
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Cartões Amarelos:
MOR: 24' Manoel ; 49' Ricardo Fernandes.
BM: 61' Sandro Gaúcho ; 65' Hassan Ahamada ; 74' Ricardo Silva.
Publicado por rui malheiro às 01:08