quarta-feira, 4 maio 2005
PSV Eindhoven 3-1 AC Milan
Categoria: 04/05 Competições Europeias

Golo de ouro premeia Milan temeroso mas cínico
Kaká serviu três pratos durante uma refeição de 180 minutos. Uma cartola de cozinheiro e de mágico que confere ao brasileiro o estatuto de herói de uma eliminatória marcada por um tremendo equívoco. O PSV foi mais e melhor do que o super-favorito AC Milan, acanhado num esquema defensivo que encaixou três golos mas que segue em frente. Cocu foi um gigante pelo lado holandês mas no futebol nem sempre ganha o melhor. A julgar pelas amostras recentes, esta promete ser uma das piores finais da história da Liga dos Campeões...
Enquadramento.
PSV Eindhoven e AC Milan procuravam o acesso à final de uma competição que já venceram (os holandeses em 1988, diante do Benfica; o AC Milan por seis vezes, uma delas também frente aos encarnados - 1990, a última – 2003 - com um produto da Luz no plantel – Rui Costa). Tinha tarefa mais facilitada o conjunto italiano, por certo ainda escaldado com a eliminação surpresa face ao Depor na temporada transacta. Quanto ao PSV, tinha de virar um resultado de dois golos para se juntar ao Liverpool na final de Istambul. Novo campeão neerlandês, o onze de Hiddink ainda lamentava a injustiça do encontro de San Siro. Por sua vez, o Milan procurava manter a vantagem com que partia e, por outro lado, esquecer a importância do jogo do próximo fim-de-semana, o duelo com a Juve.
As tácticas.
Hiddink mudou esquemas e nomes relativamente à partida de Itália. Por um lado, o castigo de Ooijer obrigou ao recurso pelo polivalente Theo Lucuis, por outro, a necessidade de vencer levou a uma revisão da estratégia e à inserção de um ponta-de-lança. Assim sendo, o lateral-esquerdo Lee fazia todo o corredor, com Vogel bem à frente dos centrais Alex e Bouma. Van Bommel e Cocu surgiam atrás do organizador Park, com Farfán pela direita e Vennegoor of Hesselink colocado na área italiana. Quanto ao Milan, foi bem comedido na estratégia do que fora no seu terreno. Cafu era a unidade mais expedita do quarteto defensivo, sendo as suas subidas compensadas pela colocação de Maldini sobre o centro. Pirlo fechava ao meio, com Gattuso na direita e Ambrosini na esquerda. No ataque, duas linhas sem posições fixas, com Seedorf e Kaká mais recuados e Shevchenko destacado na frente. Crespo era suplente, tal como o português Rui Costa.

Guus Hiddink Impossível não elogiar um treinador que monta um plantel tão capaz depois de ter perdido aqueles que eram, porventura, os seus dois melhores atletas. Fez um trabalho brilhante com os jogadores que escolheu, alguns deles sem nome feito e provenientes de realidades tão diversas. Mais do que isso, Hiddink acabou com um enorme fantasma desta equipa, permanentemente eliminada em fases precoces da prova. Pô-la a jogar bom futebol, a marcar e a ganhar fora de casa, a olhar os adversários de frente. Foi isso que fez com o Milan, tanto em San Siro como em Eindhoven. Por exemplo quando, em igualdade na eliminatória, tirou um central para lançar um médio de ataque. Nem sempre a audácia é premiada...

Kaká Deixo para Cocu o estatuto de homem do jogo mas guardo umas linhas para o jogador que decidiu a eliminatória. Kaká é um regalo e não será por acaso que está na lista de Mourinho, não sendo também por acaso que liderou o AC Milan nesta meia-final. Três assistências são a marca do ex-São Paulo nesta ronda, ele que foi sempre o mais inspirado e o mais maduro do conjunto italiano. Kaká é um exemplo de sucesso na adaptação ao futebol europeu e o Milan deve-lhe uma estátua se vencer esta edição da Champions.

Injusto Sim, o pragmatismo tem o seu quê de interessante e este Milan encanta precisamente por isso. Todavia, o comum apreciador de bola odeia que o vitorioso seja o que menos faz por ganhar (no sentido atacante do termo), o que menos beneficia o espectáculo. Ancelotti tem montada a máquina do cinismo e tem conseguido óptimos resultados com isso. Lamenta-se que, com o plantel que tem à disposição, o Milan jogue tão pouco. Porquê? Não ganharia na mesma?
Cafú.
Teve imensos problemas a defender e sentiu demasiado o peso de ter a missão de espevitar um ataque amorfo. Não foi feliz em nenhuma das funções, tendo cometido várias faltas. Não travou, contudo, o centro de Lee para o 2-0.
Seedorf.
Terá ficado incomodado com os assobios? Difícil de acreditar quando se fala no único jogador que venceu a Champions por três clubes. Seedorf jogou muito pouco e muito mal e substituí-lo foi a melhor coisa que Ancelotti fez.
Kaká.
Tem muito a ver com o que atrás se disse. Fez as três assistências para os três golos que o Milan marcou nesta eliminatória e foi o grande dínamo da passagem italiana. Hoje voltou a resolver mas sempre mostrou ser o mais capaz de abanar o estado de coisas.
Cocu.
Foi decisivo pelo golo que marcou em Lyon e hoje preparava-se para voltar a fazer a diferença. Aos 34 anos, é um exemplo de esforço mas ainda possui uma capacidade física invejável. Trabalha por ele e pelos colegas e por isso continua a mencionar-se o seu nome por Barcelona...
Ficha do Jogo:
Estádio: Philips Stadion
Árbitro: Terje Hauge (Noruega)
PSV Eindhoven: Gomes; Lucius, Alex, Bouma (Robert, 70´) e Lee; Vogel, Van Bommel, Cocu; Park, Farfán e Hesselink
AC Milan: Dida; Cafú, Nesta, Stam, Maldini (Kaladze, 45´); Pirlo, Gattuso e Ambrosini; Kaká, Seedorf (Tomasson, 69´) e Shevchenko
Golos:
9' Park (1-0)
65´ Cocu (2-0)
90´ Ambrosini (2-1)
92´ Cocu (3-1)
Publicado por andré viana às 22:47
Comentários
Ontem pela primeira vez entendi um pouco aquele quarto lugar da Coreia no Mundial... excelente jogo dos dois coreanos, aliados aos restantes jogadores do PSV que fizeram um jogo empolgante, começando pelo practicamente "retirado" Cocu... claro que o Milão aproveitou o que tinha que aproveitar, mas que levaram banho de bola levaram... O árbitro no início da segunda parte parece-me que condescendeu um pouco com o Milão... houve uma sucessão de faltas algo duras, e nem um amarelo... isso pouco me importa em relação ao jogo de ontem, mas importa quando noutros jogos da Champions jogadores são sancionados por coisas mínimas... Excelente PSV, e com um Milão assim, apoio o Liverpool na grande final!
#1 | Comentado por: Luis Filipe Goncalves | 24 de outubro de 2005 às 21:12
Só um pequeno comentário: O Milan ganhou duas finais frente ao Benfica. Em 1962 (2-1, em San Siro se não me engano) e em 1989.
Quanto ao jogo...Que injustiça. Se havia uma equipa que merecia ir á final de Istanbul era o PSV. Mas o que é que se há de fazer? O futebol é injusto...
#2 | Comentado por: JoaoBento | 24 de outubro de 2005 às 21:12