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domingo, 15 maio 2005
Rio Ave 0-2 FC Porto
Categoria: 04/05 SuperLiga

Acreditar! Quanto vale essa palavra?
Acreditar até final! Foi esse o lema durante toda a temporada e será esse o mote até final, até à última jornada. Nada mais resta a um FC Porto irregular, raramente empolgante e com lacunas evidentes nas mais diversas etapas do trabalho feito durante a época que agora finda. Ontem, depois de desperdiçada a brilhante porta de Moreira de Cónegos, o ainda campeão foi a Vila do Conde impor a segunda derrota caseira a um Rio Ave descaracterizado. Fê-lo sem brilhantismos, novamente com dificuldades na concretização mas com uma persistência que nem sempre lhe temos visto. Perante isto, Carlos Brito despediu-se com uma derrota da massa adepta vila-condense e José Couceiro ganha um ténue alento para a última semana de trabalho da temporada. Possível. Mas improvável...
Enquadramento. Perdida a invencibilidade caseira na recepção ao Gil Vicente, o Rio Ave passeava pelo restante da temporada sem grandes objectivos. Permanência assegurada, Europa distante, o conjunto de Carlos Brito queria apenas fechar de forma positiva um ciclo de longa duração ao emblema dos Arcos. São bem conhecidas as limitações do plantel neste fim de época, pelo que restou aos vila-condenses o recurso aos habituais e a opção por caras menos vistas ao longo de mais um campeonato. Quanto ao FC Porto, a hipótese título ficara mais distante em Moreira de Cónegos mas cabia aos dragões adiar a decisão por uma semana, sendo que a vitória não era apenas uma questão de desmancha-prazeres. Com o Braga a um ponto, o triunfo era obrigatório.
As tácticas. Carlos Brito não alterou a habitual estrutura em 4-3-3, com um meio-campo de combate e um ataque aberto e veloz. Miguelito e José Gomes eram laterais com espírito ofensivo numa defesa que contava ainda com Idalécio e com Bruno Mendes. Alexandre era a novidade num trio de meio-campo composto ainda por Delson e por Niquinha. Adiantados, Evandro e o capitão Gama abriam nas alas, com Paulo César a actuar mais pelo centro, ainda assim distante do aperto da grande-área. Sem Fabiano mas sobretudo sem Quaresma, Couceiro regressou ao 4-4-2 e até introduziu no onze Costinha e Maniche, de malas feitas para Moscovo. Mantinha-se o quarteto defensivo, com Costinha a trinco e Ibson e Maniche no apoio ao play-maker Diego. Postiga e Benni formavam a dupla de avançados.
Mentalidade Portista - Mesmo não tendo entrado bem, o FC Porto tomou conta das operações e lançou-se rumo à baliza de Mora. Fê-lo sem grande método mas o certo é que construiu situações para marcar, algo que vem sendo um problema dos portistas. Benni surgiu mais interventivo do que em encontros recentes mas Costinha e Maniche também revelavam uma disponibilidade salutar, algo que raramente têm expressado em palavras e em actos. Ainda assim, pelo menos inicialmente, o perigo azul e branco surgia em acções isoladas, frequentemente associadas a bolas paradas e a confusões junto da baliza de Mora. Lá vieram os golos no segundo tempo.
Jorge Costa - Sabe Deus o processo burocrático e a papelada de que é preciso tratar para que o FC Porto marque um golo. Por vezes, todavia, Deus troca de papéis com Jorge Costa. Tudo se resolve, ou não fosse o capitão portista um pragmático. Jorge Costa não é homem para pensar duas vezes e também não tem feitito para ficar quieto quando precisam dele. Ontem, inventou o golo de Benni num lance em que mistura duas características que lhe são reconhecidas - inesgotável entrega e auto-superação. "Como é que ele fez aquilo?", perguntou-se a assitência do Estádio dos Arcos e os que seguiam pela televisão. Incrível, este capitão!
Ineficácia - Mesmo sem brilhar, como atrás se disse, o FC Porto voltou a perder muitas bolas de golo. Falta um último toque, falta acerto no remate, falta a opção correcta. Falta quase sempre alguma coisa e por isso mesmo é que a produção ofensiva dos dragões tem sido tão escassa nesta temporada. Benni fez o 11º golo, ele que falhou um 1/3 dos encontros desta Superliga e tem quase 1/3 da capacidade concretizadora dos portistas. Postiga só recentemente descobriu o golo, Fabiano raramente o conseguiu. Quando os avançados não marcam fica difícil mas isso também estará relacionado com a deficiente produção do miolo. Diego está em crescendo, a equipa agradece e marca há cinco jogos consecutivos.
Rio Ave - Custa dar destaque negativo a uma equipa que teve as suas limitações para construção de um plantel, salvaguarda a sua situação antes de muitas outras e se vê obrigada a jogar parte da temporada sem os pilares da sua formação inicial. Carlos Brito merecia melhor despedida e as palavras só podem ser elogiosas para ele. Todavia, o Rio Ave fez muito pouco na noite de ontem. Segurança classificativa e impossibilidade de aspirar a mais são bons argumentos mas o adeus ao treinador justificaria outra postura por parte dos atletas. Como não é só Carlos Brito a despedir-se, talvez a próxima época esteja já a pairar sobre alguns jogadores.
Delson. Algumas entradas bem durinhas, que foram passando sem punição disciplinar mas deixaram marcas nas pernas portistas. Seguramente! Para além disso, exibiu-se a um nível bem inferior comparativamente com aquilo que tem conseguido produzir.
Alexandre. Compreende-se porque não tem jogado durante toda a temporada. Foi um vazio no miolo e disso se aproveitou o FC Porto, sobretudo sobre a meia-esquerda. Raramente subiu a preceito, foi mau a defender e também recorreu à falta com frequência.
Benni McCarthy. Pelo golo. Mesmo inconstante, tem sido quase sempre ele a encontrar o caminho das redes. Fala muito, fala quase sempre mal e nem em campo é regular. Tem, todavia, uma eficácia notável e foi assim que abriu o caminho para a vitória. Parecia ter adiantado em demasia mas lá tocou para o fundo das redes. Estava feito...
Diego. Muito diferente do Diego que temos visto até há semanas. Joga em progressão, rompe na vertical, arrisca no remate. Diego está muito diferente, para muito melhor, e o FC Porto só tem a ganhar com a prestação do jovem médio brasileiro. Promete muito para a próxima época.
Remate. Continua a ser muito difícil mas ao FC Porto só resta mesmo acreditar que é possível. Com a vitória de ontem, essa possibilidade mantém-se e a Liga dos Campeões está praticamente assegurada. Mesmo sendo esta uma época medíocre e repleta de incidências negativas, o certo é que os dragões discutem o campeonato até à última, o que atesta bem sobre a incapacidade dos adversários. Quanto ao Rio Ave, as limitações e a ausência de ambições explicam a fraca prestação. Não foi a despedida desejada por Carlos Brito e por Miguelito mas o brilhantismo do trabalho feito em Vila do Conde não se esfuma neste encontro.
Ficha do Jogo:
Estádio: dos Arcos
Árbitro: Paulo Costa
Rio Ave: Mora (Candeias, 63´); Zé Gomes, Idalécio, Bruno Mendes e Miguelito; Niquinha, Alexandre e Delson; Evandro (Gaúcho, 63´), Gama (Saulo, 70´) e Paulo César
FC Porto: Vítor Baía; Bosingwa (Seitaridis, 85´), Jorge Costa (Ricardo Costa, 92´), Pedro Emanuel e Leandro; Costinha, Ibson, Maniche e Diego; Postiga e McCarhty (Ivanildo, 87´)
Golos:
55´ McCarthy (0-1)
79´ Leandro (0-2)
Cartões Amarelos:
Rio Ave: Zé Gomes
FC Porto: Bosingwa
Publicado por andré viana às 14:11