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terça-feira, 17 maio 2005

Premiership 2004/2005: Balanço

Categoria: Col: André Viana

lampard e mour.jpg
Foto: Associated Press

Terminou a Premiership mais portuguesa de todos os tempos e a que mais representou a nível de ganhos para o futebol nacional. Bastou um ano para que José Mourinho se tornasse um ícone na sempre fechada e controversa sociedade inglesa, arrastando para o sucesso cinco jogadores nacionais e membros da equipa técnica que já vinham trabalhando com ele desde os tempos de Leiria. Houve surpresas agradáveis mas também algumas desilusões na temporada em que o Chelsea bateu recordes. Cinquenta anos depois da única vitória no campeonato inglês, um século depois da fundação do clube de Stamford Bridge. Aqui fica uma proposta de balanço para o ano futebolístico em Inglaterra...

MAIS

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- Naturalmente, e neste caso nem é puxar a brasa à nossa sardinha porque é consensual, o Chelsea de José Mourinho. Com o dinheiro de Abramovich, com o génio de Kenyon nas movimentações no mercado mas sobretudo com a capacidade de trabalho de Mourinho e a liderança que consegue impor no balneário. Verdadeiramente notável.
- Muitas e boas foram as contratações em Stamford Bridge mas a chave-mestra já lá estava. Neste caso até foram duas. John Terry, para mim o melhor central da actualidade, e Frank Lampard, o melhor do ano até agora na minha opinião. Foram eles os principais elos de ligação entre Mourinho e o plantel e os mais fervorosos obreiros ao serviço do treinador português. Todo o campeão tem líderes em campo e o Chelsea teve dois. Mais do que isso, são atletas absolutamente brilhantes, a todos os níveis.
- Primeiro ano no regresso ao principal escalão, um plantel fraco e desequilibrado, uma situação classificativa sempre sofrível. Bryan Robson conseguiu manter o West Bromwich Albion na Premiership, ele que nunca foi bem sucedido como treinador. Sendo um dos melhores jogadores da história de Inglaterra, Robson soube reaparecer com coragem, mostrou conhecimento nas contratações que conseguiu. Está de parabéns, claro.
- Depois de uma época sofrível, o Everton era apontado como um dos candidatos à descida. Pior do que isso, perdeu a sua estrela para o Manchester United e tudo indicava que a temporada seria complicada. Qual não será a surpresa quando se constata que conseguiu apuramento para a Liga dos Campeões, superando mesmo o histórico rival Liverpool. Soberbo trabalho de David Moyes, que também perdeu Gravesen em Janeiro.
- Correu muito mal na Premiership (já lá vamos) mas a prestação na Liga dos Campeões está a ser de topo. Muito se saúda este regresso do Liverpool aos principais palcos, vinte anos depois de Heysel. Rafa Benítez merece os louros pelo trabalho feito, na sequência do que já conseguira em Valência. Provou ser um dos melhores técnicos europeus, mesmo sem Owen, mesmo com muitas complicações na constituição do plantel e na gestão das lesões.
- Sam Allardyce não tem um orçamento por aí além mas colocou o Bolton no caminho da UEFA. Escolheu bem o plantel, foi regular, teve uma longa série de jogos sem conhecer o sabor da derrota. Saem claramente vencedores desta época e tudo indica que uma das formações mais periclitantes dos últimos anos está para ficar na Premiership e na parte cimeira da tabela. Segue-se a Europa.
- Tirando a luta pelo título, a época ficou positivamente marcada pela competitividade. Isso sucedeu na discussão pelo segundo posto, nos acessos à Champions, na ida à UEFA (até ao último minuto) e na permanência (todas as equipas passaram pela salvação na derradeira jornada).


MENOS

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- Nem sequer foi uma má época mas o Arsenal pagou caro algumas opções que fez e a irregularidade que patenteou em fases da temporada. Grande dependência de Henry, rendimentos instáveis de Vieira e Pires, nenhuma opção segura na baliza, plantel escasso em todos os sectores mas sobretudo na defesa. Não deu sequência ao brilhante início de época mas acabou com uma concretização imensa. Destaque para as apostas em jovens, com ênfase nos espanhóis Reyes e Fabregas.
- Forçou a saída do Portsmouth e ingressou no grande rival do Sul de Inglaterra, o Southampton. Harry Redknapp é um dos derrotados do ano, sendo incapaz de manter o histórico emblema no principal campeonato inglês. Não tinha tarefa fácil mas falhou nas opções que fez e nos objectivos que traçou.
- Péssimo campeonato fez o Liverpool, facto que lhe pode valer o afastamento da Liga dos Campeões da próxima temporada. Muito irregular, ainda que se tenha debatido com uma série de lesões e com a escassez do plantel. Quase quarenta pontos para o Chelsea é muita fruta e se a prestação europeia compensa a performance interna não pode ser descuidada de forma tão gritante.
- Bons orçamentos, discursos pomposos mas sem concretização em campo. Comecemos pelo Newcastle, que termina a época sem UEFA nem FA Cup e com uma Premiership deprimente. Souness não foi boa aposta para mandar num balneário permanentemente marcado por conflitos. Bellamy, Dyer e Bowyer foram dores de cabeça mas a prestação em campo também se revelou problemática. Rivais da segunda maior cidade inglesa, Aston Villa e Birmingham ficaram bem longe dos objectivos traçados. Tinham matéria-prima para muito mais.
- Boas contratações para o sector atacante mas pouco ou nenhum reforço das restantes posições. Sendo que o ataque também se viu prejudicado pela ausência de Ruud van Nistelrooy em grande parte da temporada. Ferguson parece ter a fórmula gasta e o Manchester United deixou de meter medo - tanto internamente como na Europa. Três derrotas e um empate em confrontos com o Chelsea, apenas um golo marcado.


PORTUGUESES

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José Mourinho - Chegou, viu e venceu. Ganhou a Taça da Liga e a Premiership, foi semi-finalista da Liga dos Campeões e cedeu nos quartos-de-final da FA Cup. Bateu o recorde de pontos e de golos sofridos, impôs o seu estilo mostrando-se mais casmurro e obstinado do que a comunicação social britânica, termina o ano num clima de autêntica veneração. Goste-se ou não, grande Mourinho.
Carlos Queiroz - Regresso a Manchester após a experiência falhada de Madrid. Não teve uma época feliz e o seu mediatismo vem decrescendo, tanto em Portugal como em Inglaterra. Pouca se fala da possibilidade de suceder a Alex Ferguson.

Paulo Ferreira - Fica associado à única derrota do Chelsea na Premiership por ter cometido a grande penalidade de que resultaria a vitória do Manchester City. Fora isso, pautou-se pela regularidade do costume. Sem ser brilhante, esteve longe de destoar na forte defesa londrina. Contrariamente ao passado, não conseguiu fazer toda a temporada, tendo contraído uma lesão que o afastou do último mês e meio de campeonato.
Ricardo Carvalho - Também passou por uma lesão complicada mas conseguiu marcar o seu espaço junto de Terry. Marcou um golo mas distinguiu-se por aquilo que já mostrara no FC Porto. Antecipação, velocidade e poder de choque fazem deste central um dos melhores do Mundo.
Tiago - Titular em muitas ocasiões, Tiago é um médio ainda muito jovem e que deu um enorme salto na carreira. Adaptou-se bem a um nível elevadíssimo, mereceu a confiança de Mourinho e o reconhecimento dos adeptos. Fez alguns golos (em Old Trafford, inclusive) e actuou em posições que não o favorecem. Para continuar a crescer...
Nuno Morais - Sagrou-se campeão e participou em alguns jogos das taças. Mourinho continuará a seguir este jovem internacional sub-21.
Filipe Oliveira - Exactamente o mesmo que se disse do defesa, sendo que o jogador formado no FC Porto actuou menos em virtude de um empréstimo ao Preston North End, clube do segundo escalão onde passou três meses.

Cristiano Ronaldo - Seguramente um dos melhores da temporada do Manchester United, foi muito prejudicado pela instabilidade dos red devils. Mais regular do que fora na época anterior, está bem mais crescido e adaptado ao futebol inglês. Isso é-lhe prejudicial por um lado, até porque é rara a equipa que lhe dispensa atenção especial.

Ricardo Vaz Tê - Jovem algarvio que mereceu a aposta de Allardyce. Foi titular em Manchester e é muito elogiado pela exigente imprensa inglesa. Fez sete jogos para o campeonato e dois para a Taça, onde marcou o seu único golo. Para seguir na próxima temporada.

Boa Morte - Há muito que tem o seu espaço em Craven Cottage e até esteve a um passo de se transferir para Newcastle. Muito influente pelos londrinos, marca e assiste com frequência e é titular absoluto para Chris Coleman. Uma das estrelas da companhia.

Pedro Mendes - Foi muito criticada a sua inclusão no negócio do regresso de Postiga. Titular com Santini, passou por tempos dificéis com Jol e acabou a época lesionado. Utilizado na direita, raramente se sentiu confortável em campo mas foi cumprido a missão. Fez um brilhante golo diante do Everton e um ainda melhor em Old Trafford. Todos viram menos o fiscal-de-linha.


O MEU ONZE

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GR - Petr Cech (Chelsea)
DD - Lauren (Arsenal)
DE - John Arne Riise (Liverpool)
DC - John Terry (Chelsea)
DC - Ledley King (Tottenham)
MD - Luis García (Liverpool)
ME - Arjen Robben (Chelsea)
MC - Frank Lampard (Chelsea)
MC - Steven Gerrard (Liverpool)
AV - Thierry Henry (Arsenal)
AV - Jermain Defoe (Tottenham)


MELHOR JOGADOR

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A FA nomeou John Terry e entregou o prémio de jovem jogador do ano a Wayne Rooney. Gosto de Terry e acho-o o melhor central da actualidade, reconhecendo também a importância que teve na liderança do balneário. Todavia, Lampard tira-me do sério! Frank é absolutamente genial, alia uma entrega incrível a um savoir-faire que enche os campos por onde passa. Tem naturalidade no que faz, tem sempre a cabeça erguida mas está a pensar no que fazer a seguir, muitos segundos antes de todos os outros. Lampard empurrou o Chelsea para o título, foi o melhor e o mais regular de todos os intervenientes neste campeonato.

Publicado por andré viana às 22:37