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domingo, 22 maio 2005

Penafiel 1 - 3 Gil Vicente

Categoria: 04/05 SuperLiga

Canto de galo em tarde de festa e despedidas

Dia de festa em Penafiel, com o Gil Vicente a sair mais sorridente do encontro e de uma época que foi árdua para ambos os emblemas. Ainda assim, os objectivos foram alcançados e o resultado final da partida de ontem pouco importava. Muito estável neste fecho de época, o conjunto de Barcelos acabou por somar mais três pontos e subiu dois lugares na tabela. Quanto ao Penafiel, ficou por concluir o sonho da melhor classificação de sempre mas a temporada estava ganha para António Oliveira e Luís Castro. Houve lágrimas de alegria misturadas com a tristeza de ver partir alguns dos jogadores que marcaram as últimas temporadas do futebol nacional. Drulovic já pendurara as botas há alguns meses mas oficializou ontem o adeus, tal comos os companheiros Folha e João Viva. Casquilha e Paulo Alves retiram-se no lado gilista.

Enquadramento. Esta era então uma tarde de despedidas. Para além dos jogadores supra-citados, a época terminava em beleza para Penafiel e Gil Vicente. Ambos vinham de vitórias, com os durienses a golearem na Madeira e os minhotos a ultrapassarem o fantasma da despromoção. Assim, o interesse da partida residia na possibilidade de o Penafiel subir ao oitavo lugar e alcançar a sua melhor classificação de sempre. Também o Gil Vicente podia escalar posições em caso de vitória.

As tácticas. Sem Fernando Aguiar, Rolf, Clayton e Sidney, o Penafiel apostou num esquema em 4-5-1. Nuno Santos mantinha a titularidade na baliza, com o quarteto defensivo a fazer-se também com os mais utilizados. Celso, Odaír, Weligton e Kelly jogavam atrás, com Nilton e Nuno Diogo (adaptado) a ocupar as posições mais recuadas do meio-campo. Daí para a frente, só Roberto actuava num raio pré-determinado, sendo que o trio composto por N´Doye, Wesley e Edgar Marcelino dispunha de total liberdade de acção. Seriam eles a dinamizar o futebol penafidelense. Sem Tonanha, Sidrailson e Marcos António, o Gil Vicente apresentava um onze muito próximo do ideal. Bruno Tiago, Rovérsio, Gregory e Ezequías formavam o quarteto defensivo em frente a Paulo Jorge, com Braima e Paulo mais recuados no miolo. Luís Coentrão e Casquilha faziam a transição para os homens da frente, com Nandinho bem aberto e Carlos Carneiro a surgir mais sobre a área.

Entrada do Penafiel - Só isso rendeu a tarde dos locais, que morreram após a primeira dezena de minutos. Até então, exerceram total domínio da partida e tiveram em Wesley a sua principal arma. Assustou na marcação de um livre directo, concretizou após jogada que começa com uma abertura de Odaír para Roberto e termina com a conclusão fácil do médio e melhor marcador da equipa. Terminou aí a época duriense mas o dia era de festa. Luís Castro sucedeu a Manuel Fernandes e construiu uma equipa estável no 25 de Abril.

Atitude do Gil Vicente - Deu Gil até final. Ainda a festejar a manutenção, os pupilos de Ulisses Morais interromperam a festa para ganhar em Penafiel. Carlos Carneiro, o homem-chave da manutenção gilista, empatou após lance de Casquilha e deu início à reviravolta. Nandinho fez o segundo após canto de Ezequias e em fotocópia, Gregory matou o encontro e a Superliga destes dois emblemas. Menção também para Ulisses Morais, o obreiro da manutenção gilista. Emendou o período conturbado de Luís Campos.

Despedidas - Folha e Drulovic estão na galeria dos vencedores da última década do futebol português. Foram importantes no FC Porto e ontem despediram-se de carreiras muito positivas. Internacionais português e sérvio, terminam carreira no modesto Penafiel do ex-treinador António Oliveira. Casquilha também deixa saudades, naquele estilo sempre combativo que o celebrizou sobretudo em Barcelos. Paulo Alves, também internacional A nacional, foi um dos maiores goleadores do futebol português nos últimos anos e também deixa a sua marca junto de quem tem seguido a modalidade. Para todos eles, um muito obrigado e votos de boa sorte para o futuro.

Jogo Pobre - Ainda que com objectivos cumpridos, Penafiel e Gil Vicente podiam oferecer uma tarde descontraída e de bom futebol. Assim não aconteceu, muito por culpa da ambição limitada que ambos os emblemas apresentaram, sobretudo a turma duriense. Fica a nota, ainda que isso seja o menos na tarde de festa do 25 de Abril.

Os destaques do Terceiro Anel.



Nuno Diogo. Não foi um jogo duro mas teve fases de algumas picardias, o que não se compreende muito facilmente. Nuno Diogo estava claramente descontextualizado e isso reflectiu-se na atitude com que encarou alguns lances.


Roberto. Sobretudo pelas ocasiões de golo que desperdiçou. Foi um elemento importante no Penafiel desta temporada mas ontem estava em tarde não na hora de bater Paulo Jorge. Perdeu muitas jogadas de fácil concretização.


Ezequias. Assistiu os últimos dois golos da sua equipa na conversão de cantos. Foi decisivo, ele que também apareceu no momento certo para a equipa gilista. Foi um dos esteios para a boa segunda volta da turma de Ulisses Morais.


Carlos Carneiro. Não só pelo golo marcado mas pelos muitos e decisivos que fez desde que chegou de Guimarães. Foi o melhor jogador do Gil esta temporada e que mais positivamente influenciou a manutenção da equipa.

Remate. Era dia de festa mas quem mais celebrou foi o Gil Vicente. Muito mais empenhado, o conjunto de Barcelos somou os últimos três pontos de uma época que foi proveitosa para ambos os conjuntos. Notas para as despedidas de cinco jogadores – Drulovic, Folha, João Viva, Casquilha e Paulo Alves. Até sempre!!!

Ficha do Jogo:


Estádio: 25 de Abril
Árbitro: Artur Soares Dias


Penafiel: Nuno Santos (João Viva, 60´); Celso, Odaír (Folha, 45´), Weligton e Kelly; Nuno Diogo e Nilton (Cassiano, 55´); Edgar Marcelino, Wesley e N'Doye; Roberto



Gil Vicente: Paulo Jorge (Salgueiro, 90´); Bruno Tiago, Rovérsio, Gregory e Ezequías; Braima, Paulo, Luís Coentrão e Casquilha (Luís Tinoco, 71´); Nandinho (Cristophe, 84´) e Carlos Carneiro



Golos:

7' Wesley (1-0)
37´ Carlos Carneiro (1-1)
52´ Nandinho (1-2)
83´ Gregory (1-3)



Cartões Amarelos:

Penafiel: Roberto
Gil Vicente: Nandinho

Publicado por andré viana às 20:42