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terça-feira, 24 maio 2005

Balanço da SuperLiga (I)

Categoria: 04/05 Balanço da SuperLiga

Com o final da SuperLiga, o Terceiro Anel inicia hoje uma série de posts que se dedicarão ao balanço da edição 2004/2005. Para começar, uma análise mais detalhada à classificação final da SuperLiga e aos seus diversos ítens, como também a outras tabelas: as dos jogos em casa, fora e também a das primeiras e segundas partes.

Classificação Final

As diferenças pontuais em relação a 2003/2004:

Benfica -9
FC Porto -20
Sporting -12
Sp. Braga +4
V. Guimarães +17
Boavista +3
Marítimo +1
Rio Ave -1
Belenenses +11
Nacional -15
Gil Vicente 0
Académica 0
União Leiria -7
Moreirense -12
Beira-Mar -11


Assim, em termos pontuais, e comparativamente com a temporada passada, Vitória Guimarães e Belenenses, que tinham alcançado a manutenção na última jornada da SuperLiga 2003/2004, foram as equipas que mais cresceram. Os minhotos, orientados por Manuel Machado, somaram mais 17 pontos que na época passada, um facto digno de registo, ao qual se pode ainda acrescentar o decréscimo pontual do 'seu' Moreirense para o desta época: a formação vimarense, com 12 pontos perdidos, foi a terceira equipa a sofrer maior quebra pontual em relação à temporada passada.

Pior que o Moreirense, no entanto, os registos de FC Porto e Nacional. O anterior campeão nacional perdeu 20 pontos, enquanto que os madeirenses, depois do excelente 4º posto na época passada, perderam 15 pontos, caindo na segunda metade da classificação.

Em decréscimo também as prestações de Benfica e Sporting. Os novos campeões nacionais conseguiram o feito perdendo nove pontos em relação à temporada anterior, enquanto que os leões, que terminaram o exercício passado com menos um ponto que o Benfica, perderam 12 pontos em relação ao registo da última temporada. Beira-Mar, com menos 11 pontos, e União Leiria, com menos 7, foram outras equipas com pecúlios pontuais inferiores aos da última temporada.

Mesmo o Sp. Braga, que até duas jornadas do fim podia chegar ao título nacional, apresenta apenas mais quatro pontos em relação à última temporada. Entre as equipas que apresentam rendimentos regulares em relação ao feito no campeonato anterior, registo para o facto do Marítimo, mesmo com mais um ponto, ter perdido um lugar na tabela, com o Boavista a galgar duas posições graças a um pecúlio superior em dois pontos. Curioso também o facto de Gil Vicente e Académica terem terminado a temporada com os mesmos pontos da época passada.

Em relação a outros ítens da classificação final, o Sporting foi a equipa que apresentou melhor ataque e também a melhor diferença entre golos marcados e sofridos. No entanto, o saldo apenas é superior em 3 golos positivos em relação à temporada anterior (mais 6 golos marcados, mais 3 golos sofridos), destacando-se nesse aspecto a quebra abismal do FC Porto, que baixou de um saldo positivo de 44 golos para um dos piores registos da sua história: saldo de 13 positivo (menos 24 golos marcados - 6º melhor registo, em igualdade com Boavista, Marítimo e Penafiel, e com apenas mais um tento marcado que o despromovido Estoril -, mais 7 golos sofridos). O Benfica, por sua vez, também passou de um saldo positivo de 34 golos para apenas 20, com menos 11 golos marcados - mesmo assim foi o segundo melhor ataque - e mais três sofridos. Registo positivo para Nacional e Vitória Setúbal, que, com 46 golos marcados, partilham o 3º melhor ataque da prova, e Sp. Braga, com 45, o 5º melhor ataque.

No que concerne à melhor defesa, o FC Porto acabou por ter a defesa menos batida (26 golos consentidos), logo seguido de Sp. Braga - foi durante várias semanas a melhor defesa - com 28 tentos sofridos e Vitória Guimarães com 29, menos 11 tentos sofridos que a temporada passada. E se o Benfica apresentou o 4º melhor registo, o Sporting não foi além do 8º, em igualdade com a União Leiria, modesta 15ª classificada da prova. É que Marítimo, Belenenses e Rio Ave - o último goleado pelos 'leões' em Alvalade - terminaram a prova com melhores registos defensivos do que o Sporting.

Em relação a registos de golos negativos, o Beira-Mar apresenta não só a pior defesa - 56 golos sofridos, mais um que Estoril (17º) e mais três que Penafiel (16º) - como também o pior registo global - 26 golos negativos. O pior ataque foi partilhado por Académica e União Leiria, com apenas 29 golos marcados, seguindo-se Moreirense e Beira-Mar, com 30, sendo estes os únicos 4 clubes com média inferior a um golo por jogo.

No que diz respeito ao número de vitórias, empates e derrotas, como seria de esperar, o campeão Benfica, com 19 vitórias, foi a equipa que mais venceu, logo seguida do Sporting, com 18 triunfos, e FC Porto, com 17. Do lado oposto, o Estoril com apenas 6 vitórias, foi a equipa que menos jogos venceu na competição, seguindo-se Moreirense com 7, dois deles obtidos nas duas últimas jornadas, e Beira-Mar e União Leiria, com 8.

Quanto a empates, o Rio Ave, com 17, o que significa um empate a cada dois jogos, suplantou largamente a concorrência. Ao invés, Penafiel (4) e Nacional (5) foram as equipas que menos igualdades obtiveram.

No que toca a derrotas, foi o FC Porto, com apenas 6, a equipa que menos perdeu, seguida de um surpreendente Rio Ave e do Benfica, com 7. Do lado oposto, o Estoril, com 20 derrotas, bateu toda a concorrência, sendo que Penafiel e Nacional, ambos com 17, suplantaram os registos de Beira-Mar (16) e Moreirense (14), sendo que os vimaranenses apresentaram registos similares aos de Académica e Belenenses, o que prova que foram traídos pela pouca ambição: 13 empates, o terceiro maior registo de igualdades na competição.



Classificação - Jogos em Casa

Mesmo que com apenas mais dois pontos conquistados do que a temporada passada, onde apenas foi a 4ª melhor equipa a jogar no seu terreno, o Benfica, com 39 pontos, foi a formação mais forte a actuar em casa, superando a concorrência não só no número de pontos, como também no número de vitórias. Surpreendentemente, ou talvez não, o Belenenses foi a 2ª equipa mais forte a jogar em casa, onde também assegurou a melhor defesa do campeonato, com apenas 10 golos sofridos. O Sporting e o Marítimo repartitam o 3º lugar no campeonato caseiro: e se os leões apresentam o melhor ataque e o melhor saldo de golos dos dezoito concorrentes, o Marítimo foi a equipa que menos perdeu como visitado: apenas uma derrota, diante do Vitória Guimarães, no jogo que ditou a saída de Mariano Barreto dos verde-rubros. A grande decepção acabou por ser o FC Porto. Os azuis e brancos foram apenas a 10ª equipa a jogar em casa, totalizando 27 pontos, apenas mais 4 do que o Moreirense, o 16º classificado do campeonato caseiro. Esse parco pecúlio dos dragões significou a perda de 24 pontos em casa e também em relação à temporada anterior, já que o FC Porto de Mourinho, em 2003/2004, venceu todas as partidas disputadas em casa.
Na zona de descida deste campeonato caseiro, registo para a presença da União Leiria, juntamente com os despromovidos Moreirense e Beira-Mar, por troca com o Estoril, que partilhou o 13º posto com Académica e Penafiel. E se isso não bastasse, registo para o facto da formção leiriense ter apresentado o pior ataque caseiro, sendo o único clube que não conseguiu atingir a média de 1 golo por cada partida em casa.



Classificação - Jogos Fora

Ao contrário do que aconteceu no campeonato caseiro, o FC Porto foi o dominador da prova nos jogos extramuros: os 35 pontos conquistados pelos dragões na condição de visitados permitiram mesmo suplantar em 4 pontos o pecúlio alcançado pela equipa a temporada passada. Curioso, no entanto, um facto: a força dos azuis e brancos fora de casa foi sobretudo a sua defesa, com praticamente um golo sofrido de dois em dois jogos, ao invés do ataque, que apresenta uma média pouco superior a um golo por jogo, o que significa vitórias pela margem mínima e com poucos golos sofridos.
O Benfica, melhor equipa fora de casa em 2003/2004, perdeu 11 pontos extramuros em relação à temporada anterior, conquistando apenas um 4ºposto, suplantado por Sporting e Sp. Braga. E se os leões até perderam dois pontos fora de casa comparando com a prova passada, conquistaram o melhor ataque, com uma média próxima dos dois golos por jogo, o que é significativo.
A meio desta tabela, registo para a sui-generis campanha do Rio Ave extramuros, com 10 empates, o que significa uma média próxima a dois empates de três em três jogos, e para as campanhas positivas de Penafiel, Vitória Setúbal e União Leiria como visitados. Ao invés, o Belenenses acaba por ser a decepção, surgindo como 17º classificado e apresentando o pior ataque da prova, em igualdade com a Académica, na condição de visitado. Prestação pior só a do Estoril, que apenas conquistou 6 pontos fora da Amoreira, sofrendo 36 golos - média superior a dois por jogo - sendo esses os principais factores que justificam a despromoção dos canarinhos.



Classificação - 1ª parte

Se os jogos apenas durassem 45 minutos, o Sp. Braga seria o campeão nacional. É esse o principal facto a retirar de uma classificação virtual das primeiras parte, onde é notória a supremacia dos bracarenses, com 62 pontos conquistados, mais 9 que o FC Porto e o Rio Ave - outra surpresa! -, que partilham o 2º lugar. A supremacia dos bracarenses é tão evidente, que basta ver o domínio da formação de Jesualdo Ferreira em quase todos os ítens: mais vitórias, menos derrotas, melhor ataque - aqui em igualdade com o Sporting - e melhor defesa. Refira-se que o Sporting, 4º classificado, apresenta um dado curioso: 19 empates ao intervalo, o que significa que os jogos da equipa de José Peseiro foram, muitas vezes, decididos nas etapas complementares.
Pela negativa, referência para as más primeiras partes de Vitória Setúbal (16º) e União Leiria (18º), que se juntam na zona de despromoção virtual ao Beira-Mar, presença habitual em quase todos os ítens negativos desta edição da SuperLiga. Também o Boavista, apenas dois pontos acima da linha de água, mostrou pouca apetência para as etapas iniciais.



Classificação - 2ª parte

Com tendência para a igualdade ao intervalo, o Sporting foi o dominador das etapas complementares, transformando, muitas vezes, empates em vitórias. Logo a seguir nesta classificação virtual, surgem Benfica, também com segundas partes melhores que as primeiras, Boavista e Vitória Setúbal, que conseguem suplantar os registos de FC Porto, mostrando-se muito fortes após o intervalo. Do ponto de vista negativo, destaque para a Académica, a pior equipas nas segundas partes, cinco pontos abaixo do Penafiel, 15º classificado desta tabela virtual, e ainda para a quebra do Sp. Braga, líder nas etapas iniciais, mas que cai para o meio da tabela na classificação da segunda metade das partidas. Referência, por fim, para as duas equipas com médias de idade mais elevadas da SuperLiga: Rio Ave (13º) e Moreirense (16º) foram por norma mais fortes na etapas inicial do que na complementar ; e para o Marítimo, que, com 20 empates, mostra que os seus resultados em mais de metade dos jogos foram construidos na etapa inicial.

Publicado por rui malheiro às 18:00