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terça-feira, 24 maio 2005
Começar de Novo
Categoria: Col: André Viana

Domingo. Celtic e Rangers discutem a vitória do campeonato escocês. Estamos na última jornada e os católicos têm uma vantagem de dois pontos sobre o rival de Glasgow. No terreno do Motherwell, o veterano Chris Sutton adianta a turma de Martin O´Neill, sendo que o conjunto de McLeish ganha vantagem no campo do Hibs após o recomeço do encontro. Marcou Nacho Novo, que não facturava desde Março. Faltam dois minutos para o final da Liga Escocesa e a festa católica é já imensa. Scott McDonald empata para o Motherwell e agora são os protestantes a festejar. Num cenário de igualdade pontual, são eles os campeões. Minuto noventa. McDonald faz o segundo e o título está entregue. Parece milagre mas os Rangers são campeões. Mais tarde, em Portugal, Ibson estreia-se a marcar na Superliga, ele que se mostrara confiante durante a semana. Crente no golo e na importância deste, o médio ex-Flamengo sonhava dar o título aos dragões. Faltava um golo... Sim, ele apareceu. Perto do final. Marcou a Académica. E agora?
1. Resolveu-se rapidamente a questão do treinador. Couceiro rejeitou a possibilidade de se manter no Dragão como adjunto e escolheu a porta de saída. Não foi brilhante a sua passagem mas na lista dos culpados pela frustrante época que agora fecha ele é seguramente dos últimos. Segue-se Co Adriaanse, como antecipadamente se anunciou. Enquanto o Benfica se unia em torno da Superliga, o FC Porto discutia chegadas e partidas. Adriaanse não tardou a chegar à Invicta, facto que nos conduz desde já a uma conclusão. Não há possibilidade de efectuar uma avaliação capaz dos jogadores que actualmente compõem o plantel portista e não há a tal transição que se classificou de essencial no caso de José Couceiro não ser o eleito para o comando da nova equipa. Desde já, Adriaanse será obrigado a trabalhar com uma mão cheia de atletas que não escolheu e não terá ao dispor um conjunto de jogadores entretanto cedidos a outros emblemas. Cheira a esturro esta opção pelo técnico do AZ, um nome muito respeitado na Holanda mas sem qualquer experiência no exterior. Aos 57 anos, foi figura importante no background do Ajax e até assumiu a liderança da equipa em momentos de aperto. Brilhou ao serviço do Willem II, que colocou na Liga dos Campeões e agora ao serviço do Alkmaar, que conduziu às meias-finais da Taça UEFA, como bem sabemos. Vem rotulado de apreciador do futebol total, com uma forte vertente técnica e virada para o ataque. Isto ajuda a diferenciá-lo de Del Neri mas as suspeitas são imensas. Pinto da Costa falhou nas últimas três escolhas que fez e o medo de novo fracasso é real. Ainda assim, fiz uma breve passagem por fóruns holandeses e o tema Adriaanse é muito comentado, mais até do que a saída de Gullitt do Feyernoord. Desde logo me apercebi do estatuto que o novo treinador do FC Porto goza no seu país, sendo mesmo catalogado como o melhor técnico holandês, ao lado de Guus Hiddink. Poucos têm dúvidas – Adriaanse será campeão em Portugal e os dragões escolheram muito bem...
2. Saltemos a questão do treinador, que não é consensual e suscita preocupações relativamente a problemas linguísticos, de conhecimento da realidade portuguesa, de noções sobre mercados potenciais, de avaliação do plantel actual. Deixem-me que elogie duas situações – foi cancelada, ainda que por indisponibilidade da outra parte, a digressão do FC Porto à Arábia Saudita. Ainda bem, não vale a pena chover no molhado e esta época já meteu água que chegue. Acabe-se com ela e pense-se muito seriamente na pré-temporada, altamente descurada no ano desportivo que agora finda; Pinto da Costa falou pouco durante esta Superliga mas ontem deixou um aviso às velhas e novas tropas. Criticou Del Neri e Fernández, fez reparos a Maniche e a Luís Fabiano, entre outros. Começa aqui a lacuna que devo apontar e que tem a ver com o esquecimento do Presidente. Ficava-lhe bem um mea-culpa, um reconhecimento dos erros que a sua direcção cometeu esta temporada. Claro que isso está subentendido mas faltou uma palavra de confissão e de lição aprendida.
3. Resta então a questão dos jogadores. Fez-se um óptimo negócio na venda dos passes de Costinha e de Maniche, sendo que esta era a última oportunidade para fazer encaixe com os internacionais portugueses. Fez-se esse encaixe e até no plano desportivo julgo ter sido esta a melhor opção. Seitaridis também se revelou uma oportunidade de rentabilização enorme, facto que justifica a sua venda ao Dínamo de Moscovo. Não tendo sido o craque com que todos contavam, Seitaridis tem algumas atenuantes e acredito que seria um jogador para render em contexto diferente. Não sei se Adriaanse trará esse contexto propício mas a oferta moscovita é para aceitar imediatamente. Tudo certo! Ora, o FC Porto investiu muito bem no médio Lucho González (falo no plano teórico, claro, mas estou mesmo esperançado numa enorme mais-valia) e a vinda de Jorginho também não me parece nada despropositada. Lisandro tem características similares às dos avançados que já estão no plantel mas resta acreditar que renda bem mais do que os jogadores que fizeram a temporada que termina. Paulo Ribeiro é opção para um posto que tem dono mas agora importa projectar o novo plantel e as carências que a direcção e o treinador devem suprir. Comecemos pela defesa. Não há lateral-direito e nem Ricardo Costa nem Bosingwa são, pelo menos para mim, opção para esse posto. Faltam dois, portanto, sendo que Kromkamp parece ser um deles. Pepe não convenceu, Jorge Costa está a chegar ao fim da linha, Pedro Emanuel não complementa o “Bicho”, Ricardo Costa não ultrapassa o suficiente. Arranje-se clube para Pepe e busque-se um central para ocupar a titularidade. Requisitos – jovem, veloz, bom na antecipação e nas compensações. Sugestão, mera sugestão – João Paulo (União de Leiria). Nuno Valente parece fisicamente gasto para a esquerda e as restantes opções são demasiado fracas para figurarem no plantel. Areias e Leandro estão a mais, falta uma opção capaz de assumir a titularidade. Quanto ao miolo, há que contar com as saídas de Costinha e de Maniche. Lucho supre a ausência do ex-Benfica mas falta um médio-defensivo. Landzaat será uma hipótese credível mas tem 29 anos e só deve ser adquirido em moldes favoráveis do ponto de vista económico. Por outro lado, as suas características são distintas do típico trinco que tem vingado no FC Porto. Diego e Ibson têm condições para a titularidade e sobram três jovens valores. Bosingwa mostrou valia esta temporada, Raúl Meireles tem mais do que aquilo que deu e Paulo Machado também deve ser incluído no lote dos disponíveis. Ainda assim, uma boa oportunidade de negócio não deve ser descurada. Muito carente está a posição de extremo, que conta com Quaresma para a direita e Ivanildo para a esquerda. Estão em falta dois alas, sendo que se exige muito mais do que opções do nível de um César Peixoto ou de um Marco Ferreira. Certo é que o FC Porto carece de futebol flanqueado e só com extremos será possível alargar o jogo portista. Lucho joga sobre a direita mas não é atleta para rasgar na linha, o mesmo se passando com Ibson na esquerda. Relativamente ao ataque, há nomes certos, quanto mais não seja para efectuar pré-época – Postiga, Licha, Bruno Moraes. Hugo Almeida pode ficar no Bessa no caso de o FC Porto ter interesse em atletas axadrezados, Fabiano não estará no novo plantel, McCarthy tem mercado em Inglaterra. Talvez falte um homem-de-área... Meras dicas!
Publicado por andré viana às 18:39
Comentários
Bastava ao Porto (e porque é o único clube português que actualmente tem suporte financeiro para o fazer) estar atento e ir buscar o Van der Vaart do Ajax... a posição de número 10 até pode não ser a mais necessitada, mas um jogador destes a custo zero e que, pelos vistos, está diposto a ingressar no Hamburgo, parece-me que não rejeitaria o campeonato português. Ainda por cima, seria orientado por um treinador que bem conhece...
#1 | Comentado por: Pedro Santo | 11 de junho de 2006 às 00:11
Relativamente ao Van der Vaart, ele tem contrato com o Ajax até 2006. Ele afirmou que quer sair este Verão mas não sai a custo zero, até porque não ia fazer essa desfeita ao clube que o projectou... Pelo que não será tão barato quanto isso, sobretudo ao nível salarial
#2 | Comentado por: André Viana | 11 de junho de 2006 às 00:11
O Van der Vaart obviamente que preferirá o campeonato alemão onde certamente irá ganhar muito mais que no Porto. Apesar do Hamburgo ser um clube de expressão menor ao nível europeu o seu nível salarial é elevadíssimo.
De facto o Porto tem muitos jogadores dispensáveis. A venda de Rossato e de Carlos Alberto foi um erro crasso. O que se passou com Pepe (apelidado de novo Jorge Andrade)?
O que falta no balneário do Porto é disciplina (Quaresma e a turma brasileira principalmente) e duvido que o novo técnico se consiga impor em curto espaço de tempo. Não será, certamente com este treinador que o Porto irá acabar a época visto ser muito inexperiente a nível internacional (como se viu nos jogos com o Sporting) juntando isso à enorme pressão de ganhar por parte dos adeptos depois de uma época muito má.
#3 | Comentado por: Pedro Neto | 11 de junho de 2006 às 00:11
Bem, realmente, o Van der Vaart não sairá a custo zero, mas sim por uma soma a rondar os 5 milhões de euros (metade do Seitaridis, portanto)... continuo a achar que seria um excelente negócio.
#4 | Comentado por: Pedro Santo | 11 de junho de 2006 às 00:11
O Andriaanse tem pouca experiência internacional, em que sentido? Levar uma equipa como o Alkmaar às meias-finais da taça UEFA, perdendo o acesso à final na última jogada do encontro, treinar o Ajax, não dá experiência internacional?!?! O holandês só não terá sucesso no FC Porto se "chocar" com os "donos" do plantel (Baía e J. Costa)...
#5 | Comentado por: Pedro Santos | 11 de junho de 2006 às 00:11
A experiência intenacional não se faz num ano e o que referi é que nunca treinou um clube de um país estrangeiro. Nem um clube de grande dimensão, no Ajax esteve muito pouco tempo como treinador principal.
Essa é a realidade.
#6 | Comentado por: Pedro Neto | 11 de junho de 2006 às 00:11
Vejamos,
O plantel do Porto - partindo do pressuposto que a delapidação do mesmo não vai continuar - é muito jovem, tem efectivamente uma média de idades baixa.
Há jogadores de elevado potencial - caso de Diego, Ibson, Paulo Machado, Ivanildo, Bruno Moraes, entre outros - e, por isso, acho que só daqui a dois, três anos, se se conseguir manter estes jogadores, é que estaremos outra vez com uma equipa capaz de discutir as competições europeias. Não para ganhar - como é óbvio - mas para se afirmarem como candidatos fortes. (o Deco, com a idade do Diego, não tinha nem metade das responsabilidades do novo 10 portista.)
Até lá, resta-nos o campenonato nacional. Mas para garantir este objectivo, é só preciso não inventar. Como se viu, este ano o Porto perdeu 24 pontos em casa. 24 pontos!! É obra.
Ora, mesmo perdendo em casa 24 pontos, o Porto ficou em segundo lugar, a 3 pontos do (por isso, justissimo) campeão.
Tendo em conta este cenário, considero a aposta no técnico holândes, no mínimo, extremanente duvidosa. Preferia, sem sombra de dúvidas, alguém que reunisse dois requisitos que considero fundamentais: falar e compreender português; conhecer a realidade do futebol nacional.
O Técnico contratado não fala português. E, repare-se, não quero com este requisito fazer qq apologia nacionalista ou de defesa da língua mãe. É que o contacto com o balneário é demasiado importante para ser efectuado através de um intérprete! Não há mediação suficiente, só passa o essencial - pouco - da mensagem e os jogadores acabam por não sentir quem é que manda ali.
O Técnico contratado não conhece o futebol português. Isto sim, é uma lacuna do tamanho do mundo. Saberá ele a diferença entre jogar em Setúbal ou em Belém? Quem é o Penafiel? O que é um sumaríssimo? Há jornadas no Algarve?
Sinceramente, não estou a gostar disto.
#7 | Comentado por: Vandelart | 11 de junho de 2006 às 00:11
Vejamos,
O plantel do Porto - partindo do pressuposto que a delapidação do mesmo não vai continuar - é muito jovem, tem efectivamente uma média de idades baixa.
Há jogadores de elevado potencial - caso de Diego, Ibson, Paulo Machado, Ivanildo, Bruno Moraes, entre outros - e, por isso, acho que só daqui a dois, três anos, se se conseguir manter estes jogadores, é que estaremos outra vez com uma equipa capaz de discutir as competições europeias. Não para ganhar - como é óbvio - mas para se afirmarem como candidatos fortes. (o Deco, com a idade do Diego, não tinha nem metade das responsabilidades do novo 10 portista.)
Até lá, resta-nos o campenonato nacional. Mas para garantir este objectivo, é só preciso não inventar. Como se viu, este ano o Porto perdeu 24 pontos em casa. 24 pontos!! É obra.
Ora, mesmo perdendo em casa 24 pontos, o Porto ficou em segundo lugar, a 3 pontos do (por isso, justissimo) campeão.
Tendo em conta este cenário, considero a aposta no técnico holândes, no mínimo, extremanente duvidosa. Preferia, sem sombra de dúvidas, alguém que reunisse dois requisitos que considero fundamentais: falar e compreender português; conhecer a realidade do futebol nacional.
O Técnico contratado não fala português. E, repare-se, não quero com este requisito fazer qq apologia nacionalista ou de defesa da língua mãe. É que o contacto com o balneário é demasiado importante para ser efectuado através de um intérprete! Não há mediação suficiente, só passa o essencial - pouco - da mensagem e os jogadores acabam por não sentir quem é que manda ali.
O Técnico contratado não conhece o futebol português. Isto sim, é uma lacuna do tamanho do mundo. Saberá ele a diferença entre jogar em Setúbal ou em Belém? Quem é o Penafiel? O que é um sumaríssimo? Há jornadas no Algarve?
Sinceramente, não estou a gostar disto.
#8 | Comentado por: Vandelart | 11 de junho de 2006 às 00:11