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quarta-feira, 25 maio 2005

Liga dos Campeões - FINAL, 19h45m, Sport Tv e RTP1

Categoria: 04/05 Competições Europeias

Milan Vs Liverpool

É hoje a grande final da mais importante competição de clubes a nível europeu. Quem sucederá ao FC Porto?
Com a devida vénia ao site da UEFA aqui deixo o lançamento do encontro entre ingleses e italianos.

Equipas prováveis

AC Milan: Dida; Cafu, Stam, Nesta e Maldini; Gattuso, Pirlo e Seedorf; Kaká; Shevchenko e Crespo.

Liverpool: Dudek; Finnan, Carragher, Hyypiä e Traoré; Hamann e Xabi Alonso; Luis García, Gerrard e Riise; Baros.

Árbitro: Manuel Mejuto González (Espanha)

A 50ª final da Taça dos Clubes Campeões Europeus não poderia ter escolhido local melhor para sua realização do que a grande metrópole de Istambul e o seu grande recinto, o Estádio Olímpico de Atatürk. Acrescente-se a isto o facto de estarem frente-a-frente as duas equipas que mais troféus ganharam entre si do que quaisquer outros finalistas numa mesma temporada de edições anteriores e temos reunidos todos os ingredientes para o espectáculo.

Experiência em grandes jogos
O AC Milan, seis vezes vencedor na prova, é favorito e tem uma equipa repleta de grandes nomes, com experiência em jogos deste nível. O quarteto que constitui a defesa - Paolo Maldini, Cafu, Alessandro Nesta e Jaap Stam - são um bom exemplo da experiência da equipa, com Maldini, de 36 anos de idade, a contar na sua galeria pessoal com quatro títulos na competição.

Feito de Seedorf
O meio-campo tem a imagem de Clarence Seedorf, três vezes vencedor, por outros tantos clubes e, tal como Gennaro Gattuso e Andrea Pirlo, esteve presente na vitória do Milan na Liga dos Campeões, há dois anos. Por outro lado, Pirlo e Gattuso tentarão conter os ataques adversários no sector mais recuado do meio-campo, ao passo que Seedorf procura, juntamente com Kaká, apoiar o ataque da sua equipa.

Shevchenko ameaçador
Caso não seja a noite de Kaká, como tem acontecido mais vezes nesta temporada do que na anterior, ninguém aposta contra Andriy Shevchenko, que cobrou o penalty decisivo no desempate com a Juventus, em 2003. No entanto, o Liverpool sabe que não pode concentrar-se em demasia no ucraniano. "Concentrarmo-nos apenas em Shevchenko seria um grande erro, uma vez que o Milan tem muito bons jogadores", disse o treinador do Liverpool, Rafael Benítez.

Competição pelos lugares
A única dúvida que paira entre os titulares de Carlo Ancelotti é em relação a quem jogará ao lado de Shevchenko. Filippo Inzaghi e Jon Dahl Tomasson estão em boa posição, mas Hernán Crespo, cujos golos deixaram pelo caminho o Manchester United FC na competição, é o grande favorito ao lugar, apesar de o treinador manter todas as opções em aberto. "Não vou dizer que vai jogar de início", disse Ancelotti.

A surpresa
Enquanto o Milan estará em busca de apagar a imagem deixada quando esteve perto de ser eliminado pelo PSV Eindhoven, nas meias-finais, e a angústia de ter perdido o "scudetto", o Liverpool FC já está feliz por ter chegado a esta fase, uma vez que está na final pela primeira vez em 20 anos. Ainda assim, tendo em conta o seu momento de forma, a conquista de um quinto troféu não está posta de parte. "Talvez o Milan seja favorito", disse Benítez, "mas estamos confiantes e poderemos vencer".

Confiança de Gerrard
Muito dependerá da inspiração do capitão Steven Gerrard e da sua capacidade de se superiorizar a Gattuso e Pirlo, para dar a confiança necessária ao meio-campo. Luis García é fundamental no flanco direito, John Arne Riise uma presença poderosa na esquerda, ao passo que Dietmar Hamann vai, provavelmente, alinhar na frente de Igor Biscan, na quinta vaga do meio-campo.

Opções ofensivas
Quem marcará presença no ataque é ainda uma questão em aberto: o jovem Milan Baroš, cujas actuações permanecem abaixo do normal, ou Djibril Cissé, que partiu uma perna no Outono, podem ambos alinhar. "Estão os dois disponíveis", disse Benítez, não dando pistas a Ancelotti. "Talvez possam jogar os dois. Porque não?"

Uma revelação
A defesa tem sido o ponto forte do Liverpool, ao deixar pelo caminho até Istambul equipas como Juventus FC e Chelsea FC. O finlandês Sami Hyypiä reencontrou a inspiração no eixo do sector mais recuado, enquanto, ao seu lado, Jamie Carragher tem sido a revelação.


Um pouco de História...

Cinquenta anos de finais

O jogo desta noite entre o AC Milan e o Liverpool FC será a 50ª final da Taça dos Campeões Europeus.

Iniciativa exterior
Embora tenha sido o Comité Executivo da UEFA a decidir formalmente organizar a competição, a 21 de Junho de 1955, esta não foi uma iniciativa da UEFA. Tal como nos casos dos campeonatos do Mundo e da Europa, a força inspiradora da prova foi o francês Gabriel Hanot, jornalista do L'Equipe.

Resposta
Hanot lançou a ideia de uma competição pan-europeia de clubes no dia 15 de Dezembro de 1954, em resposta a um artigo publico pelo jornal inglês Daily Mail, que declarou o Wolverhampton Wanderers FC como campeão do mundo, na sequência de vitórias sobre o Budapest Honvéd FC e o FC Spartak Moskva.

Ideia pioneira
A resposta de Hanot lançou a base de cinco décadas de futebol europeu a nível de clubes. "Antes de declararmos que o Wolverhampton é invencível, deixêmo-lo jogar em Moscovo e Budapeste. E há outros clubes reconhecidos internacionalmente: o AC Milan e o Real Madrid CF, só para citar dois. Um campeonato do mundo de clubes, ou pelo menos um europeu - mais alargado e prestigiante do que a Taça Mitropa e mais original do que uma competição para selecções nacionais - deveria ser lançado", escreveu então Hanot.

Desafio aceite
Os seus colegas no L'Equipe aceitaram o desafio e rapidamente as bases para o lançamento da prova foram lançadas, embora inicialmente não existisse a confirmação de que os campeões de cada país participassem. Jacques Ferran, colega de Hanot no L'Equipe e outras das figuras chave para a aplicação prática da ideia, disse mais tarde: "Pensávamos que a melhor hipótese de sucesso seria a inclusão dos clubes mais prestigiados".

Motivação financeira
Ferran explicou também qual era a intenção do L'Equipe ao criar uma prova destas: "O nosso único objectivo era pôr a competição no terreno para nos ajudar a vender mais jornais a meio da semana. Nunca escondemos isso. Depois de concebermos a criança, a nossa maior preocupação era encontrar alguém para adoptá-la".

Responsabilidade europeia
Esse alguém acabou por ser a UEFA. A 6 de Maio de 1955, o Comité de Emergência da UEFA pediu à FIFA para analisar as condições de organização de uma competição do género e, dois dias depois, a FIFA reconheceu o torneio com a condição de ser "organizado sob a autoridade e responsabilidade da UEFA".

Primeira eliminatória
Quando a UEFA decidiu assumir a responsabilidade pela competição, os jogos da primeira eliminatória já estavam definidos. Não existiu um sorteio, mas uma decisão dos organizadores, o que aconteceu pela única vez na história da prova.

Final em Paris
O primeiro jogo foi disputado a 4 de Setembro de 1955, em Lisboa, entre o Sporting e o FK Partizan, que empataram a três golos no Estádio Nacional. Nove meses e 28 jogos depois, a primeira final foi realizada em Paris, sendo ganha pelo Real Madrid frente ao Stade de Reims Champagne, por 4-3.

Troféu original
O troféu que será levantado esta noite por Steven Gerrard ou Paolo Maldini não foi o mesmo que Miguel Muñoz recebeu depois desse jogo. O original foi entregue ao Real Madrid em 1966 e o secretário geral da UEFA, Hans Bangerter, avalizou uma nova taça em Berna, feita pelo designer Jürg Stadelman.

Nova casa
O troféu actual é a quarta versão dessa taça e os regulamentos da UEFA permitem que cada clube que ganhe a competição cinco vezes ou três vezes seguidas fique com ele. Real Madrid, AFC Ajax, FC Bayern München e Milan têm originais nas suas salas de troféus. O Liverpool já conquistou quatro vezes a prova e se vencer esta noite a taça terá uma nova casa em Anfield.


Publicado por João Gonçalves às 16:02