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terça-feira, 7 junho 2005

Sei o que fizeste o Verão passado

Categoria: Col: André Viana

pinto da costa-4.jpg

Maio de 2005. Termina a Superliga e com ela uma temporada marcada por devaneios no reino do Dragão. Couceiro diz que sai e Adriaanse chega por entre o torcer dos narizes da massa adepta, ainda traumatizada pela experiência Del Neri. Julgam os optimistas que não se cai no mesmo erro duas vezes mas os jogadores vão saindo e vão chegando a um ritmo frenético, a lembrar a agitação do Verão passado. Por entre promessas de revolução táctica, o FC Porto garante o preenchimento de sectores sobrecarregados e negligencia postos que se revelaram deficitários durante a temporada finda há poucas semanas. Para as alas é contratado Alan, um atleta brasileiro com experiência de clubes medianos da Superliga. Lembra Marco Ferreira, César Peixoto e Maciel. Não se vêem reforços para a defensiva mas a gota de água parece ter caído com a contratação do substituto de Costinha...

1. Parece natural que o FC Porto tenha aceite as propostas vindas de Moscovo para a cedência dos passes de Seitaridis, Maniche e Costinha. Começando pelo grego, estou certo de que teria condições para demonstrar melhor rendimento em épocas vindouras mas os números envolvidos (10 milhões de euros) nem sequer são compatíveis com esse tipo de ponderação. Passa-se o mesmo com Costinha, um médio (posição de grande desgaste) a entrar na casa dos trinta e que vinha de uma época esforçada mas pouco conseguida. Para além disso, esta era a última oportunidade de fazer dinheiro com o passe do ex-Mónaco. Quanto a Maniche, aquilo que lhe vimos esta temporada é ilucidativo sobre a vontade da estrela em permanecer de azul ao peito - nenhuma. Maniche ganhou um ego muito superior à capacidade do Estádio do Dragão, daí que a saída tenha sido a melhor opção para ambas as partes. Para o FC Porto, que fez um óptimo encaixe (Maniche veio a custo zero); para o jogador, que vai passear a sua magia para um campeonato de topo. Ironias à parte, também sou totalmente favorável (como por certo já constataram é um dos meus ídolos do momento) à contratação de Lucho González. Ibson merecia companhia assim e Diego também vai potenciar o seu talento com o argentino por perto. Quanto a Lisandro, nada tenho contra a sua contratação mas prefiro aguardar para ver. Ainda assim, quero acreditar que é um bom investimento, pelo menos no plano teórico.

2. Até aqui tudo bem. Entretanto, já sem Couceiro, o FC Porto continua a privilegiar o supermercado do Bonfim, que parece estar em saldos dada a quantidade de clientes que por lá tem passado. Nada tenho contra Jorginho, um dos melhores jogadores da última edição da Superliga e, como tal, um atleta que merece ser observado num clube de outra dimensão. Infelizmente, não vejo em Paulo Ribeiro nem em Sandro o mesmo sentido de oportunidade. Comecemos pelo guarda-redes - então não é Bruno Vale o titular da selecção jovem? Creio estar respondida a questão mas posso ainda lembrar que o FC Porto optou também pela contratação de Helton. Assunto fechado quanto ao jovem guardião sadino. Relativamente a Sandro, a mais recente contratação do clube, não vejo qualquer paralelismo entre o médio ex-Salamanca e o jogador que vem, alegadamente, substituir - Costinha. Independentemente de ser um jogador interessante no contexto de formações medianas, o centro-campista que capitaneou o Setúbal na final da Taça de Portugal não se enquadra no conceito de reforço que tenho estabelecido para mim. No meu entender, uma contratação só se justifica quando o atleta em causa vem suprir uma necessidade do plantel, tem maior valia do que as opções disponíveis ou denuncia um potencial de evolução notável. Ora, Sandro vem ocupar um posto fragilizado pela saída do respectivo titular mas não é um jovem (tem 28 anos) nem é, pelo menos no meu entender, melhor do que as opções existentes no actual plantel para a posição. Bosingwa provou esta temporada que se adapta muito bem às necessidades (ele que até prefere a posição de trinco, que raramente ocupou devido à presença de Costinha) e apesar da idade tem já uma vasta experiência de Superliga e também não é um novato em provas internacionais. Por outro lado, parece-me também muito mais credível a aposta em Raúl Meireles, um jovem internacional olímpico que teve poucas oportunidades no primeiro ano de FC Porto. Não sendo possível confirmar talentos sem lhes dar minutos de jogo, não vejo o porquê de apostar em Sandro e não o fazer relativamente a Meireles ou a Paulo Machado, um miúdo com muito pulmão e com grande cultura portista.

3. Sandro ocupou-me o grosso desta análise e fez-me relegar para segundo plano as contratações de Alan e de Sokota. Prefiro esperar para ver no caso do extremo ex-Marítimo mas a contratação do croata deixa-me reticente - é um avançado muito móvel, possante até, mas que tem características muito idênticas às dos avançados já disponíveis. Sokota pode ser um bom jogador mas não é um goleador por excelência e é disso que o FC Porto precisa. Ainda assim, o que mais me preocupa é mesmo constatar que se está a contratar em massa e sem grande critério. Era apologista da continuidade de Couceiro na medida em que ele seria um conhecedor do mercado por excelência onde os portistas se movimentam, algo que o colocaria num plano superior de decisão e o responsabilizaria pelo que de bom e de mau viesse a acontecer. Adriaanse não conhece os reforços que a direcção vem escolhendo e tem sentido entraves à concretização dos seus desejos para o novo FC Porto - nomeadamente no que diz respeito à intransigência do AZ relativamente à venda do lateral-direito Kromkamp. Muito me preocupa que o treinador seja alheio à definição do plantel e também me tem alarmado a possibilidade de o holandês tentar implantar no Dragão esquemas tácticos totalmente desenquadrados da realidade do futebol latino. Independentemente de tudo isso, restam por suprir insuficiências graves no plantel principal portista. Espero para ver...

Publicado por andré viana às 19:23

Comentários

""que mais me preocupa é mesmo constatar que se está a contratar em massa e sem grande critério""

->Exactamente. Acrescento ainda que algumas contratações apenas as são para provocar desdém a outros clubes. Por exemplo: Sokota ao Benfica e Jorginho ao Sporting.

Mas isso também já não é novidade para ninguém.

#1 | Comentado por: Pedro Neto | 11 de junho de 2006 às 00:11

que grande grande post. completamente de acordo com tudo dito e expressa bbem os receios da nação portista. o que se passará na cabeça de pinto da costa? espero que este co adriaanse traga o seu director de futebol e sejam gente a sério, com uma politica seria de contratações e de rigor de balneário porque o que se anda a passar é uma palhaçada.. só podemos rezar para ter sorte.

#2 | Comentado por: O Rei | 11 de junho de 2006 às 00:11

Por acaso, sinto que o Benfica é o único dos três maiores clubes da Superliga que está a agir com cabecinha...

#3 | Comentado por: Rui Alexandre | 11 de junho de 2006 às 00:11