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sexta-feira, 15 julho 2005

Jon Dahl Tomasson: o 'Escorpião branco'

Categoria: Benfica , Col: Rui Malheiro

Tomasson

O Benfica está em vias de assegurar a aquisição de Jon Dahl Tomasson, avançado do AC Milan, que deverá ser apresentado no próximo domingo, quando o Benfica receber o Chelsea no seu estádio.

Especialmente talhado para jogar num esquema de dois avançados, em que joga ligeiramente mais recuado em relação ao avançado mais fixo, uma das curiosidades será ver onde encaixará no esquema de 4x3x3 de Koeman. São várias as soluções para o jogador dinamarquês: pode ser avançado mais fixo, o que se afigura como pouco provável, sabendo-se da intenção dos 'encarnados' de contratarem ainda mais um avançado ; médio ofensivo, posição que está mais habituado, sobretudo na selecção dinamarquesa, mas que acabaria por transformar o 4x3x3 num 4x2x3x1 mais próximo de Camacho e Trapattoni ; ou, por fim, mais sobre uma das alas, o que não é do agrado do jogador, sabendo-se da experiência pouca positiva no Newcastle a actuar em posições exteriores.

Evoluido tecnicamente, Tomasson destaca-se pela sua enorme mobilidade e capacidade de movimentação, assumindo o transporte de jogo sem receios. Dotado de boa visão de jogo, é forte no passe, mas trata-se também de um jogador rompedor, com boa capacidade de desmarcação, que entra muito bem de trás para a frente, sobretudo através de tabelas. Depois, por norma, surge outra das suas principais armas: um remate fácil e colocado, finalizando, sem problemas, dentro da área, como também à entrada desta, preferencialmente de pé direito, apesar de se revelar também perigoso de cabeça. E, ainda que não particularmente talhado para trabalho defensivo, é um jogador que começa a pressionar os adversários no meio campo adversário e que sabe sacrificar-se em prol da equipa.

A confirmar-se a sua aquisição, Tomasson será o segundo jogador dinamarquês da história do Benfica, depois de Michael Manniche, que representou os 'encarnados', entre 1983 e 1987, tendo apontado 77 golos, em 132 jogos. Ao todo, venceu 2 Campeonatos Nacionais, 3 Taças de Portugal e 1 Supertaça. Aliás, nas duas últimas décadas, apenas mais dois dinamarqueses representaram clubes portugueses: o médio Jan Sörensen, um ex-Ajax e Feyenoord, que jogou no Portimonense, no final da década de 80 ; e Peter Schmeichel, guarda-redes do Sporting, entre 1999 e 2001. A estes junta-se o treinador Ebbe Skovdahl, que teve uma passagem pouco feliz pelo Benfica, no início da temporada 1987/88.



Tomasson


Nascido em Roskilde, cidade nos arredores de Copenhaga, a 29 de Agosto de 1976, Jon Dahl Tomasson, prestes a completar 29 anos, 1.82/77, é a grande estrela do futebol dinamarquês na actualidade, e considerado como o sucessor dos irmãos Laudrup como 'bandeira futebolística' do país. Jogador dinamarquês do ano em 2002 e 2004, apresenta a média impressionante de um golo a cada dois jogos pela sua selecção, que já representou em mais de 70 ocasiões.

A sua carreira começou, ainda menino, no Solrod, mas acabaria por ser formado nas escolas do modesto Køge BK, onde começou por ser médio centro, estreando-se na primeira equipa com apenas 16 anos, seguindo-se duas épocas como titular, em que apontou 37 golos, em 53 jogos na 2ªDivisão, a última das quais já a jogar como avançado. Em 1994, no final da temporada dinamarquesa, sem nunca se ter estreado na divisão maior do seu país, transferiu-se para o SC Heerenveen, onde não tardou em tornar-se em indiscutivel no esquema de Foppe de Haan: depois de marcar 5 golos, em 16 jogos na primeira época, somaria 32 golos em 62 jogos nas duas campanhas seguintes, aos quais ainda juntou 6 golos na campanha do Heerenveen na Taça da Holanda (Amstel Cup) de 96/97, competição que perderia na final para o Roda.


Tomasson


Com muito 'mercado', o Heerenveen acabou por vender o seu passe ao Newcastle United, no Verão de 97, por uma verba a rondar os 3,9 milhões de euros. A sua passagem por Inglaterra acabou por revelar-se um grande fracasso, nunca se adaptando à posição de extremo que lhe estava destinada por Kenny Dalglish. Daí que, sem grande surpresa, acabaria por fazer parte do lote de dispensáveis no final da temporada, acabando por falhar o Mundial 98, depois de se ter estreado pela Selecção durante a fase de qualificação para a grande competição.


Tomasson


O regresso à Holanda foi a opção, desta feita para o Feyenoord, na altura orientado por Leo Beenhakker, onde formou uma excelente dupla de ataque com o argentino Julio Ricardo Cruz, durante as duas primeiras épocas no clube, em que o argentino apontaria 30 tentos e Tomasson 23, em 61 partidas. Na primeira temporada, o Feyenoord viria a conquistar o título holandês, que já fugia há seis épocas, seguindo-se, no exercício seguinte, a conquista da SuperTaça, numa final diante do Ajax, em que marcou um golo.

Em 2000/01, depois de ter estado presente na decepcionante campanha da Dinamarca no Euro 2000 - 3 jogos, 3 derrotas, 0 golos marcados -, com a partida de Cruz para o Bolonha, Tomasson acabou por assumir o papel de goleador da equipa, apontando 15 golos, em 31 jogos, jogando, por norma, mais fixo, com Kalou como avançado mais móvel, ou solto, em cunha com o jovem sueco Elmander. A época seguinte, a sua última em Roterdão, trouxe-lhe um novo parceiro de ataque: Pierre van Hooijdonk, ex-Benfica, com quem fez uma dupla tremenda. Juntos, valeram 41 golos a nível interno - 24 do holandês, 17 do dinamarquês -, que não conduziram o Feyenoord, na altura orientado por Bert van Marwijk, a mais do que a um 3º lugar no campeonato, mas o sucesso chegaria a nível europeu, com a conquista da Taça UEFA, numa final diante do Borussia Dortmund, onde Tomasson marcaria o golo da vitória (3-2), o seu 5º nas provas europeias em 2001/02, menos 4 do que van Hooijdonk.


Tomasson


Com a cotação em alta, e com o Mundial à porta, o AC Milan tratou de o assegurar no final de Abril de 2002, por 5 milhões de euros. O Mundial de 2002, em que apontou 4 golos, tornando-se no segundo melhor marcador da competição, acabou por ser o momento da sua consagração definitiva. Em Itália, ao serviço do AC Milan, teve algumas dificuldades em afirmar-se na época de estreia, acabando por ser mais útil a Ancelotti como suplente utilizado, na 'sombra' de Inzaghi e Andrey Shevchenko. Foi nessa condição que, nos quartos de final da Liga dos Campeões, apontou o golo decisivo diante do Ajax de Koeman, que valeria a passagem ao Milan, na caminhada rumo ao título europeu. Na época seguinte, foi muito mais utilizado, acabando por ser mais vezes titular, ao tirar partido da lesão de Inzaghi. Apontou 12 golos, em 26 jogos, 15 dos quais como titular, contribuindo para a conquista do 'scudetto' da formação de Milão. A época passada, depois de ter estado em destaque no Euro 2004 - 3 golos, em 4 jogos -, a chegada do argentino Crespo parecia retirar-lhe espaço na equipa. No entanto, acabaria por ser a época de maior utilização: 30 jogos, 17 dos quais como titular, mas apenas 6 golos. Finalista vencido da Liga dos Campeões - marcou uma das grandes penalidades na final -, voltou a ter o seu momento de glória ao apontar um golo diante do PSV Eindhoven, depois de ter saído do banco, no último minuto da 1ª mão das meias finais, que valeria o 2-0 decisivo no desfecho da eliminatória (1-3, na 2ª mão, na Holanda).


Tomasson


Também conhecido por 'Escorpião branco', Jon Dahl Tomasson é, curiosamente, um fã confesso do Liverpool, recordando Graeme Souness, Kenny Dalglish - que foi seu treinador em Newcastle - e Ian Rush - com quem jogaria em Newcastle - como três das suas maiores referências. Fora dos campos de futebol, os carros e a moda são duas das suas paixões, sendo inclusivamente agenciado pela dinamarquesa Scoop Models. Para além disso, em declarações à imprensa, já chegou a admitir que, por vezes, se excede no consumo de alcool, mas que apenas o faz quando não há nem treinos nem jogos no horizonte. Exemplo disso mesmo, foi o escândalo em que se envolveu no Natal passado, quando, de férias em Copenhaga e em elevado estado de embriaguez, agrediu num bar o também futebolista Tommas Rytter.


Jon Dahl Tomasson: 2003/04 e 2004/05 ao detalhe







Tomasson: Golos em 2003/04 e 2004/05


18 golos: 12 golos solitários, 3 bis ; 1 golo de grande penalidade, 4 golos como suplente utilizado ; 13 golos em casa, 5 golos fora de casa ; 6 golos nas primeiras partes, 12 golos nas segundas partes.

Publicado por rui malheiro às 19:16

Comentários

Este parece que vai para o ESTUGARDA....se não acreditam vejam o site do a.c. milan.
incrivel mas é ultima hora

#1 | Comentado por: PEDRO SOUSA | 24 de outubro de 2005 às 21:11