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sexta-feira, 19 agosto 2005

Benfica: O Treinador

Categoria: 05/06 Guia da Superliga

Ronald Koeman






DATA NASCIMENTO: 21 de Março de 1963
NATURALIDADE: Zaandam, Holanda
NO CLUBE DESDE: Junho de 2005
CLUBES COMO TREINADOR: Selecção da Holanda (adjunto em 1997 e 1998), Barcelona (adjunto e responsável pela equipa B em 1998/99 e 1999/00 - incompleta) ; Vitesse (1-1-2000 a 2-12-2001) ; Ajax (3-12-2001 a 25-02-2005), Benfica (05-...).



Análise Táctica


Há pouco mais de um ano, quando o Benfica apresentava Giovanni Trapattoni como novo treinador, quebrava-se um tabú que já se transformava em novela, com os 'encarnados' a encontrarem em Itália, onde o FC Porto contratara Del Neri, um dos treinadores mais titulados do futebol mundial, ainda que com um passado recenre marcado pelas eliminações prematuras da selecção italiana do Mundial 2002 e Euro 2004. Um ano depois, contra a previsão da maioria, o Benfica aborda a nova temporada como campeão em título, após o maior jejum do seu riquíssimo historial, mas sem Trapattoni, que partiu sem deixar saudades para a maior parte dos adeptos, pouco convencidos com o cinismo italiano, do futebol estratégico e rigor defensivo, com pouco espectáculo e muito pouco virado para a frente.
Ronald Koeman foi o escolhido para a sucessão, oriundo da Holanda, onde o FC Porto contratara, pouco antes, Co Adriaanse, que, tal como Del Neri, nunca conheceu títulos. Com um currículo invejável como jogador - foi um dos defesas mais goleadores da história do futebol mundial, acumulou triunfos na Holanda e em Espanha, para além de três títulos europeus: dois de clubes e um na selecção holandesa -, Ronald Koeman persegue agora como treinador o sucesso alcançado como jogador e o seu trabalho no Ajax pode considerar-se um bom começo: 2 campeonatos da Holanda, 1 taça da Holanda e 1 supertaça da Holanda.
Contudo, depois de Luis Filipe Vieira ter prometido um nome que fascinaria os adeptos, a chegada do holandês a quem um dia chamaram 'homem-bala' esteve bem longe de criar ondas de euforia, apesar da certeza de um futebol de cariz mais ofensivo e atractivo.
Ainda assim, Ronald Koeman já não é hoje o técnico de fortes principios ofensivos que iniciou a sua carreira a 1 de Janeiro de 2000, ao serviço do Vitesse. No Ajax, tentou aliar o futebol atraente, de forte vocação atacante, com uma italianização progressiva, que acabou por estar na origem da sua 'queda' em Fevereiro de 2005.
Há pouco mais de dois meses, quando aceitou o convite do Benfica, Ronald Koeman dificilmente acreditaria que já depois de iniciar a competição oficial, com uma vitória na Supertaça Cândido de Oliveira, troféu que já escapava há década e meia aos 'encarnados', não tivesse o seu plantel completo, sobretudo quando faltam dois reforços vitais, desejados desde a semana da sua chegada: um 'nº10' - ou '9,5' - e um 'nº9'. Pelo meio, muitos nomes, algumas investidas mal sucedidas - a principal foi a de Tomasson -, misturadas com um anti-populismo de um presidente mais populista que a sua própria sombra e, sobretudo, demasiadas indefinições, para quem pretende defender o título nacional e fazer um trajecto interessante na Liga dos Campeões.
Com um plantel um pouco mais rico, quer em qualidade, quer em opções, do que na época anterior, apesar da deserção de Miguel, a pré-época, no entanto, deu a ideia que o conjunto de jogadores com que Koeman realmente conta é inferior ao de Trapattoni: Dos Santos e Nuno Assis, por exemplo, passaram de titulares a terceiras opções.
Tacticamente, Ronald Koeman tem dois esquemas preferencias: o 4x3x3, ora desdobrável em 4x1x2x2x1 (com um médio defensivo e dois interiores mais ofensivos), ora desdobrável em 4x2x1x2x1 (com dois médios mais defensivos, um mais fixo e outro mais volante, e um médio criativo), ou o 4x2x3x1, por vezes desdobrável em 4x4x2 ou 4x2x4, com o segundo avançado, em situação ofensiva, a juntar-se ao avançado mais fixo, sempre com dois extremos bem abertos nas alas. Tudo isto para ir de encontro ao tipo de futebol que Koeman gosta: futebbol apoiado, baseado na progressão através de passes curtos e circulação de bola, mas com forte sentido de baliza: muitas soluções de remate, quer dentro, quer fora da área. A solidez defensiva é outra das suas preocupações e os resultados foram vísiveis em Amesterdão: em muitos anos o Ajax nunca sofreu tão poucos golos como no período em que esteve no comando técnico da equipa.
Na baliza, a pré-época deu sinais evidentes que apostará inicialmente em Moreira, preterindo Quim, que, tal como na época passada, começará a temporada no banco.
O sector defensivo de quatro unidades, tem no eixo central a sua força: Luisão, Anderson e Ricardo Rocha dão bastante garantias, mas só dois poderão jogar, o que poderá levar Koeman a adaptar o central português a uma das laterais, indo de encontro a um conceito que perfilha: o de defesas polivalentes, capazes de se adaptarem a várias funções, aumentando o leque de soluções. Nesta corrida, Alcides parece ser, sem qualquer dúvida, o elo mais fraco. Nas laterais, João Pereira que já ganhara vantagem sobre Alex à direita, terá agora a concorrência de Nélson, ex-Boavista, também adaptável à esquerda, contratado ontem, após a transferência do ex-vimaranense para o futebol alemão. João Pereira e Nélson são laterais ofensivos, como Koeman gosta, mas ambos falham numa característica fundamental para o holandês: não defendem bem em posições interiores, embora Nélson seja um pouco mais forte nesse aspecto. À esquerda, face à lesão de Léo, que, assim que recuperar, tem condições de se assumir como titular, Koeman parece mais inclinado a apostar em Ricardo Rocha do que em Manuel dos Santos, que, de titular com Trapattoni parece passar a terceira escolha com Koeman.
No centro do meio campo, partindo do 4x3x3, face à ausência de reforços, o desdobramento em 1x2, com Petit, como trinco, e Beto e Manuel Fernandes, como médios interiores, parece ser a aposta inicial de Koeman. Este desenho cumpre uma das premissas do técnico holandês, de ter três médios pressionantes, que restrinjam os espaços e disponíveis para correr atrás da bola. Contudo, pelas características dos jogadores em questão, falta criatividade, apesar da disponibilidade física dos três jogadores para incorporarem acções ofensivas. Daí que não seja de estranhar que, em algumas situações, Karyaka seja chamado à titularidade, em detrimento de Beto ou Manuel Fernandes, passando a haver um desdobramento em 2x1. Nestas contas, Bruno Aguiar, ainda a recuperar de uma lesão, e Nuno Assis, cujas virtudes, pelo menos inicialmente, não parecem ter convencido Koeman, partem com algum atraso.
Na frente, um tridente de avançados: Geovanni e Simão Sabrosa partem em clara vantagem nas alas, afigurando-se como provável que troquem, mais vezes do que na época passada, de posição no decorrer dos jogos ; Nuno Gomes, sem a chegada de um novo avançado, começará como titular, mas a sua titularidade, face a uma eventual aquisição, passará pelo recuperar da confiança na finalização, para juntar a algo que revelou com frequência na pré-temporada e que é tão do agrado de Koeman: a capacidade para assistir os seus colegas, já que o holandês trabalha muito as combinações e tabelas, entre o médio ofensivo ou os extremos com o ponta de lança, de forma a aparecerem em posições de finalização. Nas alas, Hélio Roque, face ao desacerto permanente de Carlitos, surge como principal opção, com Mantorras, possibilidade para as alas e para o meio, a surgir como um 'joker' a ser lançado em muitas segundas partes.
Quanto ao 4x2x3x1, a sua utilização estará dependente da chegada dos dois reforços desejados. Foi testado em alguns jogos durante a pré-época, até mesmo como opção inicial, mas sem grande sucesso, até por retirar opções ofensivas para substituições. Uma das hipóteses é a deslocação de Simão para segundo avançado, abrindo a titularidade a Hélio Roque, mas fica sem uma real opção para as alas no banco ; outra seria, Nuno Gomes e Mantorras em conjunto no ataque, o que se torna impossível, como opção inicial, quando o Benfica não tem mais nenhum avançado. Assim, até ver, a adopção deste esquema, passará, pelo menos nesta fase inicial, por uma solução de recurso, em busca de uma vitória ou da recuperação de um resultado.



Onze Base (Aposta Terceiro Anel)


4x3x3 (desdobrável em 4x1x2x2x1): Moreira - João Pereira (Nélson ou Ricardo Rocha), Luisão, Anderson (Ricardo Rocha), Léo (Ricardo Rocha) - Petit - Beto, Manuel Fernandes - Geovanni, Simão Sabrosa - Nuno Gomes.

4x3x3 (desdobrável em 4x2x1x2x1): Moreira - João Pereira (Nélson ou Ricardo Rocha), Luisão, Anderson (Ricardo Rocha), Léo (Ricardo Rocha) - Petit, Beto (Manuel Fernandes) - Karyaka - Geovanni, Simão Sabrosa - Nuno Gomes.
4x2x3x1: Moreira - João Pereira (Nélson ou Ricardo Rocha), Luisão, Anderson (Ricardo Rocha), Léo (Ricardo Rocha) - Petit, Beto (Manuel Fernandes) - Geovanni, Jogador X (Nuno Gomes), Simão Sabrosa - Nuno Gomes (Jogador Y).
rui malheiro.

Publicado por terceiro anel às 16:52

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