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sexta-feira, 19 agosto 2005
Boavista: O treinador
Categoria: 05/06 Guia da Superliga
Carlos Brito

DATA NASCIMENTO: 21 de Setembro de 1963
NATURALIDADE: Porto
NO CLUBE DESDE: Maio de 2005
CLUBES COMO TREINADOR: Rio Ave (96-00), Estrela Amadora (00-01), Rio Ave (Out02-05).
Análise Táctica
Aos 41 anos, Carlos Brito assume o grande desafio da sua carreira como treinador, regressando ao Boavista, clube que o lançou, há pouco mais de duas décadas atrás, no futebol profissional, depois de ter concluido a sua formação no Bessa, onde jogou ao lado de João Loureiro. Com uma carreira pouco normal - em cerca de 15 anos como jogador, apenas representou três clubes (Boavista, Salgueiros e Rio Ave) ; em nove anos como técnico parte para o seu 3º clube, após Rio Ave (duas passagens) e Estrela Amadora -, Brito é, para muitos, um dos melhores treinadores portugueses da actualidade, ainda que, para outros, pouco rendidos à sua postura 'low-profile', o seu sucesso deva-se, única e exclusivamente, ao 'micro-clima' vila-condense. Será sobretudo aos últimos que o técnico portuense dará uma resposta nesta época, provando que este 'salto', que terá acontecido no momento certo, até poderia ter chegado mais cedo, e, à partida, as condições estão criadas para haver sucesso, pois o plantel foi bem construido e a empatia entre boavisteiros e Carlos Brito é enorme: contar-se-ão pelos dedos de uma só mão aqueles que receberam o seu nome com relutância.
Acima de tudo, são dois os grandes desafios do treinador para esta época: recolocar os 'axadrezados' na Europa, à qual já não chegam há três temporadas ; e, ainda mais aliciante, romper com a imagem de equipa de futebol negativo, transformando-a, apesar de manter a espinha-dorsal da última época, numa formação de futebol positivo, atraente e ofensivo, indo de encontro aos desejos de Direcção e adeptos do clube. No fundo, a imagem que o Rio Ave deixou nos palcos da SuperLiga, nos últimos dois anos, partindo de uma organização defensiva consistente e solidária, para um futebol tecnicista, apoiado, sempre em busca da baliza adversária, ou então, para rápidos e incisivos contra-ataques.
Tacticamente, Carlos Brito é um adepto do 4x3x3, desdobrável, preferencialmente, em 4x2x1x2x1 ou 4x2x3x1, mas também aberta ao 4x1x2x2x1, sobretudo nos desdobramentos ofensivos.
Na baliza, a luta promete ser grande: Carlos e William Andem prometem disputar o posto, ainda que o guardião português, de origem congolesa, possa ter uma ligeira vantagem. A defesa, de quatro unidades, deverá ter em Hélder Rosário e Cadú o eixo central, ainda que o facto do segundo falhar a estreia do campeonato, devido a castigo, poderá abrir as portas da titularidade ao jovem Cissé, revelação da pré-temporada, ou a Ricardo Silva, que tem a desvantagem de ter a preparação um pouco atrasada. À direita, com a saída de Nélson, em cima do início do campeonato, Manuel José ou Lucas devem ser adaptados à posição, soluções testadas no decurso da pré-temporada. À esquerda, por sua vez, Carlos Fernandes parte com vantagem, mas Areias, ex-FC Porto, terá, por certo, uma palavra a dizer na luta pelo lugar.
A meio campo, Tiago parece levar vantagem para o posto de médio mais defensivo, enquanto que André Barreto poderá ser a opção para o posto de médio volante, uma espécie de 2º trinco quando a equipa defende, mas que se liberta ofensivamente nas saídas para ataque. Lucas e Manuel José, sendo que este numa concepção mais ofensiva, são também opções para o posto. Como médio ofensivo, as dúvidas não são muitas: depois de uma época negativa, João Vieira Pinto é uma aposta forte de Carlos Brito, que travou a sua saída, para assumir a coordenação das manobras ofensivas desta 'nova versão' do Boavista. Uma aposta de risco, é certo, mas que tem tudo para ser ganha.
No ataque, dois extremos bem abertos sobre as alas e um avançado mais fixo. Manuel José e Diogo Valente, pelas indicações dadas na pré-temporada, são as principais opções, embora seja preciso não esquecer que José Manuel, o melhor jogador do clube na temporada passada, esteve lesionado e deverá recuperar o lugar, abrindo outras perspectivas de posicionamento ao ex-sadino. Paulo Jorge, excelente jogador contratado ao Maia, e Guga, podem ser os 'jokers' nesta posição, ficando a zona central do ataque entregue ao reforço William Souza, ainda que Fary Faye, regressado após grave lesão, pareça estar em condições de voltar aos golos. Cafú, possibilidade para as alas ou para o eixo do ataque, é mais uma opção para Carlos Brito.
Em alguns jogos, não é de excluir que Brito aposte num esquema de 4x4x2 losango, jogando com uma dupla de avançados - um mais aberto, outro mais fixo - apoiados por João Vieira Pinto, com um tridente de centro-campistas nas suas costas.
Onze Base (Aposta Terceiro Anel)
4x3x3 (desdobrável em 4x2x1x2x1): Carlos (William Andem) - Manuel José (Lucas), Hélder Rosário, Cadú, Carlos Fernandes (Areias) - André Barreto (Lucas ou Manuel José), Tiago - João Vieira Pinto - José Manuel (Manuel José), Diogo Valente - William Souza.
rui malheiro.
Publicado por terceiro anel às 14:25
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