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sexta-feira, 19 agosto 2005
Sporting: Os destaques
Categoria: 05/06 Guia da Superliga
O Levezinho
Liedson

DATA NASCIMENTO: 17 de Dezembro de 1977
NATURALIDADE: Cairú - Bahia, Brasil
ALTURA/PESO: 1.75/63
POSIÇÃO: Avançado
NO CLUBE DESDE: Agosto de 2002
CLUBES ANTERIORES: Poções (00), Prudentópolis (Jan01-Mai01), Coritiba (Jun01-Mai02), Flamengo (Jun02-Dez02), Corinthians (Jan03-Ago03).
ANÁLISE TERCEIRO ANEL:
Em menos de seis anos, Liedson passou de empregado de supermercado no desemprego a melhor marcador do campeonato português. Aquele que agora é conhecido por 'Levezinho', iniciou-se no futebol profissional apenas aos 22 anos, quando o modesto Poções lhe abriu as portas da equipa após dar nas vistas nos amadores do Valença, que representou num campeonato municipal. Depois, seguiu-se uma carreira em crescendo, com passagens pelo Prudentópolis e Coritiba, até chegar a Flamengo e Corinthians, somando, em menos de época e meia, 24 golos no principal campeonato brasileiro. Descontente em São Paulo, o Sporting acabou por ser o seu destino, após ver fracassada a sua transferência para o Leste europeu, e os números falam por si: 53 golos, em 84 jogos oficiais com a camisola do Sporting, uma marca notável, sobretudo vindo de alguém cuja aquisição não levantou inicialmente grandes expectativas. É certo que, em duas épocas de leão ao peito, ainda não ganhou nada a nível colectivo, mas em muito contribuiu para que isso não acontecesse. Sem físico de homem de área, Liedson contraria a regra e assume-se como um goleador felino. Rápido e muito móvel, usa e abusa do seu notável sentido de oportunidade, antecipando-se, de forma hábil, aos defesas, ou então, adivinhando, com um instinto raro, onde a bola vai cair, para depois finalizar, seja com os pés, seja de cabeça. Em final de contrato, muito se irá falar, durante a época, da sua saída ou continuidade em Alvalade, mas uma coisa é certa: o avançado de Cairú, no interior da Bahia, pode não marcar tantos golos como Jardel, mas conseguiu o que poucos esperariam - não eternizá-lo como saudade.
Prodígio
João Moutinho

DATA NASCIMENTO: 8 de Setembro de 1986
NATURALIDADE: Portimão
ALTURA/PESO: 1.70/61
POSIÇÃO: Médio interior, Médio defensivo, Médio ofensivo
NO CLUBE DESDE: Julho de 2000 ; Dezembro de 2004 como sénior.
CLUBES ANTERIORES: Portimonense (formação).
ANÁLISE TERCEIRO ANEL:
Depois de ter sido a revelação da pré-temporada passada, João Moutinho regressou à equipa júnior, onde se manteve até final de Dezembro. Nessa altura, e face à saída de Tinga e à lesão de Fábio Rochemback, José Peseiro não hesitou em dar oportunidade ao jovem talento, que, em 2000, o Sporting descobrira em Portimão, e a sua afirmação na equipa titular foi meteórica, ao ponto de rapidamente se ter tornado num indiscutivel. Menino-prodígio, Moutinho é o protótipo do médio moderno: extremamente evoluído tacticamente, é inteligente a defender, valendo-se do seu posicionamento para recuperar inúmeras bolas, o que lhe permite jogar também em posições mais recuadas, mas destaca-se sobretudo pela sua capacidade ofensiva, já que assume o jogo sem receios e rodeios, mostrando-se inteligente na condução e distribuição do mesmo, quer através de passes curtos, quer através de passes longos, para além de aparecer com facilidade em posições de remate, aspecto que poderá ainda melhorar, já que ainda não apontou qualquer golo em jogos oficiais. Apesar de parecer talhado para ocupar a posição de médio centro organizador, deverá ser deslocado para uma das posições interiores, mas não será por causa disso que deixará de aparecer mais ao centro. A um ano do Mundial 2006, se mantiver o rendimento revelado na segunda metade da temporada passada, dificilmente não fará parte do lote dos 23 eleitos de Scolari, e, o seu futuro, infelizmente para o campeonato português, não tardará a passar por uma liga bem mais competitiva.
O Mal-amado
Ricardo

DATA NASCIMENTO: 11 de Fevereiro de 1976
NATURALIDADE: Montijo
ALTURA/PESO: 1.88/80
POSIÇÃO: Guarda-redes
NO CLUBE DESDE: Julho de 2003
CLUBES ANTERIORES: FC Os Unidos (formação), Montijo (formação, 94/95 senior), Boavista (95-03).
ANÁLISE TERCEIRO ANEL:
'Ele não é benfiquista, nem sportinguista. É guarda-redes e um grande profissional'. Foi assim que Paulo Futre, o anterior - e eterno - herói do Montijo, comentou a chegada de Ricardo, seu conterrâneo, a Alvalade, há pouco mais de dois anos atrás. Oito anos antes, o actual guarda-redes do Sporting e da Selecção Nacional, abandonara a sua cidade-natal rumo ao Porto, para representar o Boavista, por indicação de Manuel José, na altura técnico dos axadrezados, que ficou convencido quanto às virtudes daquele que via como o sucessor de Alfredo. E, foi mesmo assim. Ricardo sucedeu a Alfredo, mas pagou a sua inexperiência com a perda do estatuto de titular assim que William Andem chegou ao Bessa. Recuperou a posição, em 2000/01, ano em que o Boavista conquistou o único título do seu historial, o que lhe abriu as portas da Selecção na antecâmara do Mundial 2002. Foram dez jogos consecutivos como titular, até ser surpreendentemente relegado para o banco, em cima do início da competição, face à presença de Vítor Baía, quase há meio ano sem competir. O desastre coreano tornou-o em quase unanimidade nacional, com Sporting e Benfica a disputarem a sua aquisição. Um ano depois, quando tudo levava a crer que representaria o seu clube de coração, acabou por rumar a Alvalade, e rapidamente foi 'rotulado' de 'melancia': verde por fora, vermelho por dentro. De há dois anos para cá, e face à sua deficiente adaptação a um clube com a dimensão do Sporting e à péssima relação que tem com a crítica, perdeu, quase por completo, esse estatuto - as principais excepções serão o próprio Ricardo, Scolari e Peseiro -, até entre os adeptos do clube que representa, mesmo após a histórica noite da Luz, diante da Inglaterra, no Euro 2004. Decisivo em algumas ocasiões, 'coveiro' em outras, as conquistas do Sporting em 2005/06 terão que passar, e muito, pelo nivelamento por cima das suas exibições, até porque tem à sua frente uma defesa lenta e que joga muito adiantada, o que o obriga a ser, em várias ocasiões, um líbero. Forte entre os postes, onde se revela uma agilidade quase felina, é, sobretudo, nas saídas a cruzamentos que terá que ser bem mais eficaz, pois foi de erros seus, em situações desse género, que Portugal perdeu o Euro 2004 e o Sporting o último título nacional.
A Rocha
Fábio Rochemback

DATA NASCIMENTO: 10 de Dezembro de 1981
NATURALIDADE: Soledad - Rio Grande do Sul, Brasil
ALTURA/PESO: 1.83/83
POSIÇÃO: Médio interior, Médio ofensivo
NO CLUBE DESDE: Julho de 2003
CLUBES ANTERIORES: Internacional de Porto Alegre (formação, 00-01 sénior), Barcelona (01-03).
ANÁLISE TERCEIRO ANEL:
A primeira época de Rochemback no futebol português foi francamente boa. Utilizado praticamente em dois terços do campeonato, foi, nesse período, a melhor unidade dos 'leões', apontando 8 golos, em 21 jogos. Uma lesão grave retirou-o do último terço da competição, com consequências nefastas para o Sporting, que caiu a pique na tabela, acabando por perder o 2º lugar para o Benfica. A época passada, onde entrou ainda lesionado, começou mal para o Sporting, que viria a melhorar, de forma progressiva, com a sua entrada no 'onze'. Só que a preponderância de Rochemback foi muito mais escassa do que tinha sido em 2003/04: muito pesado, pouco ágil, jogou, sobretudo, em espaços curtos, tirando partido de um bom sentido posicional e da sua capacidade de passe, já que se mostrou sem grande capacidade para progredir com a bola e, sobretudo, para mostrar o seu forte pontapé - apenas 1 golo, em 23 jogos.
Este ano, pelas indicações dadas na pré-temporada, surge mais leve, mais ágil e mais solto, e o Sporting só terá a ganhar com isso. Adaptável a qualquer posto do meio campo em 4x1x3x2 ou 4x3x3, José Peseiro prefere utilizá-lo como médio centro ofensivo, ou seja, vê no brasileiro, que já representou Internacional de Porto Alegre e Barcelona, o condutor do jogo ofensivo leonino. Dotado tecnicamente e com grande força física, que o ajuda a progredir com a bola nos pés, já que não se trata de um jogador veloz, Rochemback destaca-se pela boa visão de jogo e capacidade no passe, quer curto, quer longo, para além de deter um forte remate, quer em bola parada, quer em bola corrida, que poderá reaparecer na nova temporada. Em termos defensivos, recuperando a boa condição física, também poderá ser um jogador com alguma importância. É certo que é lento a recuperar no terreno, mas o seu posicionamento e agressividade, tipicamente gaúcha, aliados à já citada força física, poderão ser muito importantes nas acções de recuperação de bola.
O 'Incrível Hulk'
Deivid

DATA NASCIMENTO: 22 de Outubro de 1979
NATURALIDADE: Nova Iguaçu - Rio de Janeiro, Brasil
ALTURA/PESO: 1.80/73
POSIÇÃO: Avançado
NO CLUBE DESDE: Julho de 2005
CLUBES ANTERIORES: Nova Iguaçu (formação), Joinville (formação), Santos (formação, 99-01 senior), Corinthians (01-02), Cruzeiro (03), Bordéus (03/04), Santos (04-Jul05).
ANÁLISE TERCEIRO ANEL:
Deivid é, à partida, o mais sonante dos reforços leoninos para 2005/06. Para isso muito contribui uma longa lista de golos nas principais competições brasileiras, curiosamente sempre em crescendo, que fazem dele um dos melhores avançados brasileiros da actualidade. No entanto, em 2003/04, Deivid teve a sua primeira experiência no futebol europeu, já que o Bordéus escolheu-o para substituir Pauleta, propósito em que fracassou rotundamente. Surge a pergunta: será o sucesso de Deivid Hulk - nome inspirado no super-herói da banda desenhada Hulk, alter-ego do cientista David Banner, que se transformava num monstro verde -, à semelhança de outros jogadores, apenas limitado ao território sul-americano? A temporada que se avizinha ajudará a uma resposta mais concreta. Certo é que o Sporting foi rápido e eficiente na abordagem ao 'mercado', contratando um bom valor a um preço acessível, ganhando uma opção mais consistente para jogar ao lado de Liedson, com quem partilha características, o que não os torna, longe disso, incompatíveis. Deivid tanto pode actuar mais fixo, apesar de não ter as características de um homem de área, como aberto em qualquer uma das faixas, embora sempre a procurar as diagonais, ou nas costas de um ponta de lança mais fixo. Rápido e dotado tecnicamente, o novo avançado do Sporting destaca-se, sobretudo, pelas suas movimentações, excelente capacidade de desmarcação e rápida finalização, pois tanto surge na área a concluir um passe ou um cruzamento, como é também capaz de protagonizar uma jogada individual ou de criar espaços, sem bola ou através de tabelas com um companheiro, já que possui um grande sentido colectivo. As finalizações com o pé direito são o seu ponto forte, mas também é capaz de surpreender no jogo aéreo, pois não sendo um especialista, tem uma boa capacidade de impulsão.
Publicado por terceiro anel às 15:47
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