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sábado, 20 agosto 2005

Boavista 0 - 0 Vitória Setúbal

Categoria: 05/06 SuperLiga , Boavista , V. Setúbal

O primeiro nulo


Boavista - Vitória Setúbal (foto: Lusa)

Boavista e Vitória Setúbal empataram a zero na jornada de estreia da Liga portuguesa, um resultado que pode ser considerado justo, tendo em conta o jogo confuso, com muito poucas oportunidades de golo, apesar dos 'axadrezados' terem tido muito mais iniciativa ofensiva, mas os sadinos até estiveram mais perto do golo, a partir de situações de contra-ataque, já que em ataque continuado a equipa voltou a revelar claras limitações.

O Boavista, de Carlos Brito, entrou melhor em jogo, mostrando, sobretudo na primeira meia hora, um futebol muito interessante, de pé para pé, à base de triângulações bem projectadas, explorando sobretudo o flanco esquerdo. Com o passar dos minutos, denotou-se demasiada precipitação, que se agravou na segunda parte, em que a formação do Bessa relevou excesso de pressa em chegar à área adversária, raramente fazendo-o com perigo.

O Vitória Setúbal, por sua vez, entrou bastante mal, sobretudo porque Sougou e Tchomogo não conseguiam parar os laterais adversários, o que obrigou Norton de Matos a repensar rapidamente a estratégia, com sucesso, sobretudo defensivo. A criatividade da época passada está bem longe dos sadinos, que se mostram agora sólidos defensivamente, com Auri e Ricardo Chaves em destaque, mas pouco incisivos ofensivamente. Mesmo assim, Bruno Ribeiro, em duas ocasiões, esteve muito perto de desfazer o empate, mas falhou na cara de William. Fábio Hempel, que actuou no lugar do inócuo Heitor, esteve em bom plano na frente do ataque, mas foi, na maior parte das ocasiões, um homem só.

Já com Guga, Cafú e Fary na frente do ataque, o Boavista, ao minuto 92, pediu, pela terceira vez na partida, uma grande penalidade, após José Fonte ter travado com o braço um remate de Hélder Rosário. Se nos primeiros dois lances Duarte Gomes ajuizou bom, nesta ocasião esteve mal, deixando uma grande penalidade por marcar, embora, em sua defesa, tenha o facto do remate ter sido praticamente à 'queima-roupa'. Uma situação que importa rapidamente rever, e em que os árbitros deveriam optar por um critério uniforme, o que não acontece.



Enquadramento

Carlos Brito estreava-se em jogos oficiais no comando técnico do Boavista, clube que já representara como jogador. Do outro lado, primeira partida de Luis Norton de Matos, como treinador, na principal Liga portuguesa. Alguma expectativa em torno do jogo, pela perspectiva do início de um 'novo Boavista', com um perfil mais ofensivo, diante de um Vitória Setúbal, que há uma semana, perdera a SuperTaça perante o Benfica, num jogo em que mostrou uma equipa demasiado curta em termos ofensivos.

Tácticas

O Boavista apresentou-se no esperado 4x2x3x1. William na baliza ; defesa de quatro com Manuel José e Carlos Fernandes nas laterais e Hélder Rosário e Cissé a formarem o eixo central ; a meio campo, Tiago e Guy Essame formavam a dupla de médios mais defensivos, com o médio português mais fixo, enquanto o estreante camaronês, que rendeu o lesionado André Barreto, a ter um papel mais livre, libertando-se, em acções ofensivas, entre o centro e a direita ; João Pinto como médio organizador ; José Manuel e Diogo Valente abertos sobre as alas, no apoio a William Souza, avançado mais fixo.

O Vitória Setúbal, por sua vez, abordou a partida na perspectiva de utilizar um 4x3x2x1, mas a pouca apetência de Sougou e Tchomogo para acções ofensivas, levou Norton de Matos a reestruturar o conjunto num falso 4x2x3x1, já que partia de um 4x4x1x1 defensivo. Moretto na baliza ; defesa de quatro com Janício e Nandinho nas laterais, Auri e Veríssimo no eixo central ; uma primeira linha de dois médios defensivos, formada por Dembelé e Ricardo Chaves, com o médio francês, mais recuado em situação defensiva, a libertar-se, em acções ofensivas, para um posto mais volante ; Sougou e Bruno Ribeiro sobre as alas, com Tchomogo, numa posição de segundo avançado, nas costas de Fábio Hempel.

Positivo

Enleante. O Boavista, sobretudo na primeira meia hora, mostrou um futebol bonito, de claro cariz ofensivo, à base de triangulações, sobretudo pela esquerda, onde Carlos Fernandes e Diogo Valente, muitas vezes com o apoio de João Pinto, criaram vários desequilibrios na defensiva adversária. Faltaram, contudo, soluções na área, onde William Souza não se conseguiu impor perante Auri e Veríssimo (depois substituido por José Fonte).

Solidez defensiva. Depois de um início desastrado, Norton de Matos reviu a estratégia, deslocando Bruno Ribeiro para a esquerda, com Tchomogo, que aí começara, a passar para uma posição central, de forma a não ter que acompanhar Manuel José nos desdobramentos ofensivos do lateral-direito axadrezado. A opção resultou e o Vitória mostrou um bom bloco defensivo, com Dembelé e, sobretudo, Ricardo Chaves, a destacarem-se no meio campo defensivo, enquanto que Auri foi uma verdadeira muralha de aço no eixo defensivo, quer na marcação, quer jogando solto, após a saída de Veríssimo.

Negativo

Tanta precipitação. A qualidade de futebol dos 'axadrezados' acabou por esbarrar na pressa de chegar à área adversária, o que se agravou na segunda parte. Faltou mais calma, mais paciência, pois a equipa abusou de cruzamentos bombeados para a área, que nunca se revelaram a melhor opção, face à eficácia do sector recuado adversário. O nervosismo com o evoluir do cronómetro, também trouxe mais ineficácia no passe e soluções desajustadas no momento do remate. O estreante Essame, nesse capítulo, destacou-se pela negativa.

Curtos. O Vitória Setúbal, apesar das duas oportunidades desperdiçadas por Bruno Ribeiro, a partir de lances de contra-ataque, revelou-se uma equipa curta, sem vocação para ataque continuado, com Tchomogo a mostrar-se desastrado no passe. Há velocidade é certo, mas faltam soluções e a criatividade do ano passado está bem longe dos sadinos. Nota positiva, no entanto, para Fábio: rendeu Heitor no eixo do ataque, e mostrou-se bem mais incisivo, lutando, muitas vezes só, contra a defesa axadrezada.

Destaques

O duro: Sougou. Mostra claras dificuldades em adaptar-se aos movimentos defensivos que lhe são reservados, nomeadamente na cobertura aos desdobramentos ofensivos do lateral adversário. Teve duas entradas violentas sobre Carlos Fernandes, que lhe valeram (apenas) um cartão amarelo.
Que pesadelo!: Zé Manuel. É certo que esteve lesionado grande parte da pré-temporada, mas o seu futebol foi demasiado curto e complicativo, desequilibrando a equipa à direita. Foi substituido ao minuto 64, mas não teria sido estranho que tivesse ficado no balneário ao intervalo, dada a sua elevada ineficácia.
O dandy: Diogo Valente e Fábio Hempel. O extremo axadrezado, sobretudo na primeira parte, criou inúmeros desequilibrios pelos flancos, sobretudo o esquerdo, por onde normalmente deambulou. Foram dos seus pés que sairam as melhores oportunidades do Boavista, até se ir apagando na segunda parte ; o avançado brasileiro dos sadinos, por sua vez, foi, muitas vezes, um homem só, mas lutou muito e bravamente, criando desequilibrios na defesa adversária, acabando por estar na origem da maior parte dos lances em que o Vitória Setúbal tentou chegar à baliza de William Andem.
Ás: Ricardo Chaves. Pode não se ter dado muito por ele, mas a sua eficácia foi assinalável. À frente da defensiva, revelou-se inexcedível na recuperação de bolas e a cortar linhas de passe, ganhando também, quase todos os lances divididos, quase sempre sem recorrer à falta. Procurou ainda sair a jogar, mas, em algumas ocasiões, faltou-lhe quem servir.

Ficha do Jogo

Boavista (4x2x3x1): William Andem - Manuel José, Hélder Rosário, Cissé, Carlos Fernandes - Guy Essame, Tiago - Zé Manuel (64' Guga), João Vieira Pinto, Diogo Valente (75' Fary Faye) - William Souza (82' Cafú).

Vitória Setúbal (4x2x3x1): Marcelo Moretto - Janício, Auri, Veríssimo (38' José Fonte), Nandinho - Dembelé, Ricardo Chaves - Sougou, Tchomogo (86' Lacombe), Bruno Ribeiro - Fábio Hempel (89' Binho).

Publicado por rui malheiro às 23:58

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