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sexta-feira, 26 agosto 2005

Naval 1º de Maio 2 - 3 FC Porto

Categoria: 05/06 SuperLiga , FC Porto , Naval 1ºMaio

peixoto bisou.jpg

Sofrer, mais por culpa própria do que por mérito de uma Naval sobrevalorizada após o triunfo em Guimarães. Com uma exibição muito mais conseguida comparativamente com a da jornada transacta, o FC Porto auto-flagelou-se numa noite em que foi tremendamente superior ao conjunto de Manuel Cajuda. Muito interessante ao nível dos processos ofensivos e das alternativas atacantes que consegue colocar ao seu dispor, a turma de Adriaanse peca muito no que a defender diz respeito. Lacuna óbvia e que pode trazer muitos dissabores aos portistas. Tivesse o dragão uma defesa à altura dos restantes sectores e ali estava um forte candidato a fazer mossa. Por onde quer que passasse...

Tácticas
Muito interessante do meio-campo para a frente, o FC Porto mostrou na Figueira da Foz que tem muitos recursos para jogar um bom futebol e marcar golos. Tacticamente, Co Adriaanse não mexeu. Torna-se claro que o técnico holandês tem um esquema, variando apenas nos nomes dos jogadores. Com Meireles impedido, lançou o outro 6 de que dispõe: Ibson. Atrás, ainda sem laterais-esquerdos de origem, voltou a apostar em César Peixoto. Numa Liga patrocinada pela betandwin.com, o treinador portista ganhou claramente no palpite. De resto, tudo igual comparativamente à recepção ao Estrela.
Manuel Cajuda, por seu turno, encarava este jogo com a confiança de quem entra a ganhar em ano de estreia, mas também com a tranquilidade de quem não tem quaisquer responsabilidades. Sem três peças, o algarvio tentou montar um esquema de contra-ataque, com jogadores rápidos e bons a executar. Frente à baliza de Taborda estava o autocarro, que nem esboçava qualquer temor face a prováveis amolgadelas. Fajardo e Saulo eram a esperança no desenvolvimento de ataques rápidos, com Bruno Fogaça a centrar as atenções no capítulo do golo. O estreante Márcio Luiz ajudava os trabalhadores Glauber e Gilmar, com ordens claras para não deixar passar.

Falta marcar
O FC Porto assumiu desde cedo o jogo. Co Adriaanse tinha-o anunciado e Cajuda consentiu, ciente de que não o poderia evitar. Rápido a fazer circular a bola e com extraordinárias soluções a toda a largura do terreno, o conjunto da Invicta lamentava apenas a ausência de um homem de área, que Postiga não pode ser. Com Lisandro a trabalhar muito bem e Diego a assumir o encontro, o FC Porto jogava muito perto da baliza de Taborda e criava constantes jogadas de perigo, fosse em jogo corrida, fosse de bola parada. Nesta toada, só espanta mesmo que o golo do dragão tenha tardado tanto em chegar. Para além disso, cedo ficou evidente que o fosso entre a linha média (que avança muito) dos portistas e o seu reduto mais recuado é imensa. Um vazio preocupante, tal a incapacidade do quarteto defensivo no cumprimento da sua missão. Com César Peixoto e Sonkaya a darem ainda mais largura ao ataque, esse vale cavou-se ainda mais. Curiosamente, seria mesmo o esquerdino, já em compensações da etapa inaugural, a dar mais do que merecida vantagem ao FC Porto. De bola parada, acrescento, juntando-lhe o insólito de o agora defesa ter ido à pequena-área cabecear para o fundo das redes de Taborda um canto de Jorginho.

Toca o mesmo
Insólito não será propriamente o termo, uma vez que Peixoto repetiu a gracinha no segundo tempo. A fotocópia dificilmente saíria tão perfeita e o vencedor do encontro parecia encontrado. E estaria, não fosse o benemérito Ricardo Costa tentar sair a jogar por entre uma muralha de pernas navalistas. Resultado: perda de bola e golo de Fogaça, um minuto depois do bis de Peixoto. Sem nada que o justificasse, a turma local marcava e colocava incerteza no resultado, obrigando a turma de Adriaanse a horas extra. Ora, parece que o holandês está com sorte ao jogo. Não sabemos se aconselhado pelo tutorial betandwin.com, o técnico voltou a apostar bem. O FC Porto estava claramente por cima, mas a inclusão de Quaresma e de Hugo Almeida revelou-se certeira. O extremo, que se estreou com o novo mister, cruzou bem, aparecendo Jorginho a servir Hugo Almeida para o tiro rumo às redes navalistas. Para o internacional português, está ultrapassado o trauma do primeiro golo pelos portistas.

Epílogo
Complicar era o termo e, não contente com a proeza, César Peixoto lá marcou mais um. Novamente de bola parada, mas, desta feita, na própria baliza. Um lance muito infeliz da defesa portista, que sofreu até final para garantir um triunfo que mereceu amplamente. Ainda longe do auge, este conjunto é já um caso muito interessante de futebol de ataque. No primeiro teste fora de portas, Adriaanse mostrou que lhe é indiferente o terreno onde joga. Com ele, o FC Porto é sempre favorito e joga sempre para ganhar o jogo. E isso implica atacar mais, rematar mais, ganhar mais cantos... ser melhor! Hoje, com uma evidência que os números não explicam, os portistas conseguiram sê-lo. Até daqui a duas semanas.

Ricardo Costa, o Amador - Sair a jogar em zona defensiva e perante uma muralha de pernas é de distrital. Na Liga, dá golo ao adversário. Esse foi o ponto negro mais visível da exibição do central, mas há muitos outros lances que revelam a sua falta de classe. Finalmente no centro da defesa, Ricardo Costa não tem desculpas. Não é, de facto, um jogador com nível de FC Porto. Péssimo ao nível técnico, mau a calcular os tempos e os ressaltos de bola, débil a posicionar-se.

Diego, o Mártir - Bom jogo. Revela facilidade em jogar para a frente, em carregar o futebol da sua equipa. Sem individualismos exarcebados, todavia, parecendo ciente do momento em que deve avançar e do momento em que deve soltar a bola. Continua, ainda assim, e ser um alvo a abater. Tanta porrada leva o brasileiro.

Lisandro, o Completo - Muito bom tecnicamente, aparece em qualquer zona do ataque, tem velocidade e sabe arriscar nos lances individuais, sem os tornar rendilhar além do desejável. Luta imenso, ganha muitas bolas e uma garantia de entrega nos limites.

César Peixoto, o Ás - Quase dá para esquecer o auto-golo. Revelou instinto de ponta-de-lança nos dois golos que introduziu na baliza certa. Não tão bem a defender, dá grande largura ao ataque. Falta acertar um ou outro cruzamento. Foi decisivo, pelos golos...

Estádio Municipal José Bento Pessoa
Arbitro: Lucílio Baptista
NAVAL - Taborda; Carlitos, João Paulo, Nélson Veiga e Bessa; Gilmar e Glauber (Luís Miguel, 54 m); Saulo (Léo Guerra, 62 m), Fajardo e Márcio Luís (Solimar, 74 m); Bruno Fogaça.
FC PORTO - Vítor Baía; Sonkaya, Ricardo Costa Pedro, Emanuel e César Peixoto; Ibson e Lucho González; Diego (Alan, 84 m); Jorginho, Hélder Postiga (Hugo Almeida, 68 m) e Lisandro López (Quaresma, 77 m).
Golos: 0-1, César Peixoto (45 m); 0-2, César Peixoto (52 m); 1-2, Bruno Fogaça (56 m); 1-3, Hugo Almeida (82 m); 2-3, César Peixoto (85 m, pb).
Acção disciplinar: cartão amarelo a Pedro Emanuel, Carlitos, Márcio Luiz, Nélson Veiga.

Publicado por andré viana às 23:53

Comentários

1-1??? Há aqui qualquer coisa que não está bem.

#1 | Comentado por: João Campos | 11 de junho de 2006 às 00:06

Eu não seria tão castigador para com o Ricardo Costa. É certo que não é um Ricardo Carvalho, é certo que tem as suas limitações, mas tem ainda margem de progressão, se for bem ajudado pelo treinador. Para além disso, tanto ele como o Pedro Emanuel ainda estão a "verdes" a jogarem juntos. Lembro que no ano passado efectuou excelentes exibições quando jogou a central.

Quanto ao resto, queria ainda destacar Lucho Gonzalez, um jogador que dá ao meio-campo um equilíbrio que não se via no ano passado. A sua presença, sem ser exuberante, regula todos os movimentos da equipa, quer a defender, quer a atacar. Estará, por ordem do treinador, a pisar terrenos mais recuados do que gostaria, mas a sua utilidade à equipa é preciosa.

#2 | Comentado por: guardabel | 11 de junho de 2006 às 00:06

Pessoalmente gostei do jogo.
Vi um Porto mais "afinado", com momentos muito interessantes.
Lisandro está a ser mais do que esperava,o Diego, bom, esse já tinha aberto o livro o ano passado, mas estou certo que quando acabar de mostrar este "exemplar", vai vir com outra "edição",lol:).
Lucho!!!!!!!!Este, a continuar assim, vai ser a melhor contratação dos ultimos 5 anos.
Poderá a ser daqueles jogadores que receberão uma proposta absurda num futuro próximo.
Gostei do jogo....Gostei da equipe....Gostei ainda mais da vitória.

#3 | Comentado por: Leandro | 11 de junho de 2006 às 00:06

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