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sexta-feira, 26 agosto 2005
Sampdória: Missão (quase) impossível
Categoria: 05/06 Calcio , 05/06 Competições Europeias , Col: Rui Malheiro , V. Setúbal

A Sampdoria é o adversário do Vitória Setúbal na 1ª eliminatória da Taça UEFA. Missão muito difícil para os comandados de Luís Norton de Matos no regresso à Europa, depois de, na última presença, terem caído frente a um emblema italiano: a AS Roma, em 1999/00, com um humilhante 0-7 no Olímpico. É certo que o valor da formação de Génova é inferior à que então apresentava a equipa da capital, mas o 5º classificado da última Série A, orientado por Walter Novellino, procura recuperar o prestígio perdido com a queda na Série B. Regressados, há dois anos, à Série A, pelas mãos do mesmo técnico, seguiram-se um 8º e um 5º lugar no principal campeonato italiano.
Sem grandes estrelas - as principais são o guardião Antonioli e o avançado Flachi -, a equipa vale sobretudo pelo conjunto e pela inteligência táctica que costuma apresentar, revelando-se extremamente perigosa no desenvolvimento de lances de contra-ataque, tirando partido, quer dos desdobramentos dos laterais, quer da qualidade de passe dos médios, no lançamento de um duo da frente, onde Flachi se destaca pela velocidade e capacidade de finalização. Para a nova época, a aposta foi na continuidade, com os poucos reforços a dotarem a equipa de mais soluções em todos os sectores. Entre estes, destacam-se o central Sala, o médio centro 'Sam' Dalla Bona e o possante avançado Bonazzoli.

A Táctica

Baliza

Um dos pontos mais fortes da equipa. Guarda-redes veterano, de 35 anos, Antonioli, há dois anos no clube, atravessa uma das melhores fases da sua carreira, que conta com passagens por Roma e AC Milan. A época passada sofreu apenas 26 golos, em 37 jogos na Série A.
Defesa

Defesa de quatro unidades, forte nas laterais, mas algo insegura no eixo central, o ponto mais fraco da equipa. Cristian Zenoni e Marco Pisano são indiscutiveis nas laterais. O primeiro, ex-Alatanta e Juventus, é internacional italiano, e faz com muita facilidade todo o corredor, provocando desequilibrios com as subidas, enquanto que o segundo, de 24 anos, teve a época passada a sua afirmação na Série A, depois de dois anos como suplente no Brescia. É também um lateral ofensivo, que centra bastante bem, mas competente a defender, ainda que sinta algumas dificuldades em defender posições interiores. O eixo central é formado por dois veteranos: Marcello Castellini, de 32 anos, e Luigi Sala, de 31, um dos novos reforços para a nova temporada, contratado à Atalanta. São dois defesas agressivos, mas que revelam alguma lentidão, e apesar de altos, nem sempre se mostram eficazes no jogo aéreo.
Giuli Falcone e Simone Pavan, ambos de 31 anos, são as outras opções para o eixo central da defesa. O primeiro, titular grande parte da época passada, parte em desvantagem por estar lesionado. Marco Zamboni, contratado à Reggina, surge como opção para as laterais, ainda que também possa ser utilizado como central, sobretudo num esquema de três defesas.
Meio-campo

Meio-campo trabalhador e valioso tacticamente, onde todos têm que defender, mas em que são muito trabalhados os desdobramentos ofensivos dos alas, como também dos médios centrais, quer no lançamento das iniciativas ofensivas, quer no aparecimento, na sequência de saídas rápidas para o ataque, em posições de remate.
Sam Dalla Bona, contratado ao Lecce, depois de passagens pelo AC Milan, Chelsea e Bolonha, é já um jogador chave no esquema de Novellino: ajuda na recuperação de bolas, lança inicitivas ofensivas, marca lances de bola parada e aparece também a concluir ataque, tirando partido do seu forte pontapé. Sergio Volpi, de 31 anos, é o seu parceiro no miolo, tratando-se de um exímio recuperador de bolas, forte fisicamente, mas que também sabe sair a jogar e de utilizar o seu bom remate. Angelo Palombo, jovem de 23 anos, é a principal alternativa, e está também na luta por um lugar. Muito impetuoso, é, sobretudo, um excelente marcador e muito forte a destruir jogo, mas também sabe construir. Mark Edusei, internacional ganês, que já passou pela União Leiria, e Gionata Mingozzi, contratado ao Perugia, são as outras opções para o centro do meio-campo.
Nas alas, o polivalente Max Tonetto é indiscutivel à esquerda, tratando-se de um jogador muito competente e valioso tacticamente, já que defende e ataca, podendo também fazer outras posições. À direita, duas opções: Aimo Stefano Diana e o ex-sportinguista Vitali Kutuzov, que pode também derivar para uma função de segundo ponta de lança. O primeiro, capaz de desempenhar qualquer posto defensivo ou ofensivo à direita, dá uma maior valia táctica ao conjunto, mas o internacional bielorrusso é também opção, sobretudo nas partidas em que Novelinno pretende que a equipa tenha um maior cariz ofensivo. Marco Borriello, contratado ao Reggina, e que já teve uma curta passagem pela equipa principal do AC Milan, é outra opção para as alas, quer esquerda, de preferência, ou direita.
Ataque

Francesco Flachi, antigo companheiro de Rui Costa na Fiorentina, é o indiscutivel do ataque. Autor de 25 tentos nas duas últimas edições da Série A, Flachi, ora mais atrasado, ora mais adiantado, é uma autêntica seta apontada à baliza adversária. Muito móvel e extremamente veloz, é especialista no desenvolvimento de lances de contra-ataque, apesar de ser um quase recordista mundial na queda em fora-de-jogo. Contudo, alia o excelente poder de desmarcação a um bom poder de finalização. Para seu companheiro no ataque há várias alternativas: o veterano Lamberto Zauli, de 34 anos, contratado ao Palermo, trata-se de um jogador com características de médio ofensivo/2º ponta de lança, que pode jogar mais atrasado, como lançador de Flachi ; Emiliano Bonazzoli, o seu mais provável companheiro, é um avançado muito alto e possante, com características de 'nº9', que gosta de actuar mais fixo entre os centrais adversários, embora possa jogar um pouco mais recuado, de forma a ganhar bolas para lançar a velocidade de Flachi ; e, por fim, Fabio Bazzani, que se encontra lesionado e procura reencontrar-se com os golos, depois de passagem pouco feliz pela Lazio, após duas épocas de luxo na 'Samp' - 29 golos em duas temporadas.
Publicado por rui malheiro às 14:30
Comentários
Desculpem lá, mas apesar de o meu clube preferido em Itália ser o "inimigo" da Samp, estes gajos da Sampdoria têm um símbolo e uma camisola do caraças. Verdadeiramente do mais original que há.
Lindo lindo, é comprar uma camisola da Samp, e escrever nas costas Mancini e com o nº10.
Ha, e será imensamente difícl ao Setubal vencer esta eliminatória.
Nomes a ter em atenção: Antonioli, Diana, Volpi e Flachi.
#1 | Comentado por: Jose Leal | 24 de outubro de 2005 às 21:10
Tal como a maior parte das equipas italianas (sejam elas de topo ou nem por isso), quando jogam com equipas portuguesas, acho que o Sampdoria é claramente favorita. Mais do que uma superioridade no terreno de jogo (que a há, diga-se) o que transforma as equipas italianas em papões para as portuguesas é uma inibição psicológica da nossa parte, que normalmente dá as eliminatórias por perdidas antes de se jogar um único minuto. E os clubes italianos sabem disso, claro.
Acho que o Setúbal não tem qualquer hipótese. Nem com uma equipa da Serie B teria, infelizmente.
Só uma questão, há quanto tempo é que um clubes português não ganha uma eliminatória a um italiano (tirando o FCP de Mourinho frente à Lazio, quando ganharam a UEFA). Eu não me lembro...
#2 | Comentado por: liliaotorrao | 24 de outubro de 2005 às 21:10
concordo perfeitamente com o que o José Leal disse, sempre que um clube portugues (A, B ou C) apanha uma equipa italiana ( D, E ou F), pomo-nos sempre num patamar inferior e acabamos por perder. não só por isso, mas porque as equipas italianas, grande parte delas utilizadoras do famoso Catenaccio, jogam num estilo de jogo que desfavorece as equipas portuguesas (adeptas do ataque continuado). vamos lá ver, mas assim ao inicio acho que o Setúbal tem 10% de hipóteses de passar para a próxima ronda. pelo menos enquanto continuar a praticar o futebol que tem vindo a praticar sob o comando do Mister Norton de Matos!
#3 | Comentado por: Fleming | 24 de outubro de 2005 às 21:10
tirando a do Mourinho acho que foi o Guimaraes contra o Parma em 95/96 (salvo erro) na Taça uefa. 1-1 lá 2-0 cá com jogão do Paneira.
#4 | Comentado por: Cláudio Assunção | 24 de outubro de 2005 às 21:10
PArabens! Eu sou italiano e vossa relaçao sobre Samp é muito boa. Sò uma coisa, o goleiro pode ser també o CAstellazzi, bom. Muita attençao a Bonazzoli, que o anho pasado, fu muito bom na Reggina. A vera força da equipa de Genova é o treinador Walter Novellino, que merece, ha tempo, de treinar um agrande equipa. ELe fui grande jogador e ganho o titulo (scudetto) com Milan, mas è gran torceador do Inter! ELe pode ser parecido, tacticamente e filosoficamente, com Mourinho.
Hola, C.
#5 | Comentado por: Carlo | 24 de outubro de 2005 às 21:10
Excelente trabalho de pesquiza e de informação. Como Vitoriano, agradeço.
Gostava apenas de deixar três observações, se me for permitido, aos comentários à reportagem.
Em primeiro lugar "o Setúbal" não existe. A identidade do Clube é "Vitória", que quase todos desprezam e insistem em desrespeitar argumentando "comodidade" para justificar a falta de profissionalismo de uma classe jornalística que ignora a identidade de um dos maiores clubes portugueses e que dessa forma ensinou uma sociedade a fazer-lhe referência com a terra de origem da agremiação desportiva. O SCP e o SLB nasceram na Capital e nem por isso lhes chamam "o Lisboa". O VFC, nascido em 1910 (8 anos antes do Vitória minhoto, que veio buscar o nome ao sadino, conforme relata a sua história), é "Vitória" para os seus adeptos, e isso tem que ser respeitado por toda a gente!
Em segundo lugar, parece que se dá mais valor, interesse e importância à Sampdoria que ao próprio clube português, o que é, no mínimo, triste. E é aqui que começa a inferioridade portuguesa... A própria comunicação social privilegia a informação sobre o desporto internacional em detrimento das restantes equipas portuguesas que não os "três estarolas". (o Blog Terceiro Anel está, obviamente, excluído)
Em terceiro lugar, penso (e podem-me corrigir se estiver enganado) que o Vitória é a única equipa portuguesa que não tem saldo negativo contra equipas italianas nas competições europeias. Das 5 ocasiões que enfrentou italianos (2 x Fiorentina, 1 x Inter, Roma e Juventus), passou 3 por vezes as eliminatórias (2 x contra a Fiorentina e 1 x contra o Inter)... já nas idas décadas de 60 e 70.
fonte: http://desportoluso.no.sapo.pt/Eurohist_VFC.html
Na última ida à Europa, há seis anos, frente à Roma, o golo de Maki no Bonfim, que deu o triunfo por 1-0 ao Vitória, não chegou para melhorar a má imagem deixada na capital italiana...
Em relação ao encontro frente à Sampdoria, e apesar do inferno que se vai encontrar no estádio Luigi Ferrari, em Génova, penso que o Vitória poderá ter futebol para enervar os italianos. Assim esperamos e desejamos todos, acredito.
Saudações vitorianas.
#6 | Comentado por: Sócio_5679_VFC | 24 de outubro de 2005 às 21:10
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