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sábado, 27 agosto 2005

La Liga: Parte um

Categoria: 05/06 La Liga , Col: Rui Malheiro

La Liga 2005/06

Arranca hoje mais uma edição do Campeonato Espanhol. O Terceiro Anel apresenta, em dois posts, as 20 equipas que participarão na competição, a primeira, nos últimos dez anos, que não contará com a presença de Luis Figo. Conheça as principais movimentações de 'mercado', as 'equipas-tipo' e o que se poderá esperar de cada uma das formações.



Barcelona

Barcelona: 2005/06

O Barcelona começou a nova temporada, como terminou a anterior: a ganhar. Venceu a Supertaça espanhola, diante do Bétis, apesar de ter perdido o segundo jogo em casa, após uma vitória excelente em Sevilha, depois de um Verão marcado pela serenidade, com várias renovações de contrato, inclusive do treinador, para além de não ter sofrido qualquer perda de vulto no seu plantel, que registou (apenas) duas incorporações pouco mediáticas: Mark van Bommel, médio centro internacional holandês, contratado ao PSV Eindhoven ; Santiago Ezquerro, extremo esquerdo internacional espanhol, contratado ao Athletic Bilbau, que, pelo menos de início, vão reforçar as soluções à disposição de Frank Rijkaard na altura de fazer substituições.
Assim, o campeão parte à conquista da revalidação do título, apostando na continuidade, o que o torna, à partida, no principal favorito. A equipa será a mesma, com Edmilson, após grave lesão, a recuperar o seu lugar à frente da defesa, abrindo uma única dúvida no eixo da defesa: Márquez ou Oleguer. No banco, aí sim, Rijkaard terá muito mais soluções, pois para além dos dois reforços, poderá contar com um trio de jogadores que esteve grande parte da época afastado por lesões: Motta, Gabri e Henrik Larsson. A estes ainda se juntam a esperança Iniesta e o argentino 'Máxi' López, a procurar afirmar-se e a justificar a oportunidade que lhe foi dada para permanecer no plantel, e, caso não seja emprestado, o jovem argentino Lionel Messi, uma das grandes esperanças do futebol mundial.
Para lá do êxito interno, o Barcelona procurará chegar até ao título europeu, depois de ter caído aos pés do Chelsea, de José Mourinho, nos oitavos de final da competição passada. A tarefa não será fácil, mas a formação catalã estará sempre entre os favoritos a chegar à final da competição.

Equipa-Tipo (4-3-3): Valdéz - Beletti, Puyol, Márquez (Oleguer), 'Gio' Van Bronkhorst - Edmilson - Deco, Xavi - Giuly, Eto'o, Ronaldinho.



Real Madrid

Robinho Júlio Baptista

O que esperar do Real Madrid em 2005/06? Uma pergunta que levanta uma série de questões. As exibições da 'era Luxemburgo' não convenceram ninguém, mas os números do brasileiro não enganam: desde que assumiu o comando técnico do clube, o Real obteve mais pontos do que o Barcelona. Daí a 'carta branca' para construir o plantel para a nova época. Dois brasileiros: o 'galáctico' Robinho e o todo-o-terreno ofensivo Júlio Baptista ; dois uruguaios: o trinco 'batedor' Pablo Garcia e o central Carlos Diogo, oriundo do River Plate, são os novos reforços, aos quais se juntará, no final de Dezembro, o lateral brasileiro Cicinho, uma verdadeira ameaça para Michel Salgado, um dos homens fortes do núcleo de jogadores que não 'dançam' samba. Entre esses, a principal dispensa foi a de Luis Figo, que rumou, junto com Samuel e o 'injustiçado' Solari, para o Inter. Sobrou Owen, entre os excedentários, mas o seu futuro passará certamente por Inglaterra, isto se não quiser penar uma temporada entre o banco e a bancada. Se o plantel até parece mais equilibrado nos sectores mais recuados, há uma questão incontornável: Beckham, Zidane, Raul, Robinho, Júlio Baptista e Ronaldo não poderão jogar os seis em simultâneo, quem 'saltará' fora? E conseguirá Luxemburgo equilibrar a equipa com a utilização de cinco dos seis jogadores em simultâneo? Dúvidas, muitas dúvidas, que não deixam de colocar o conjunto 'branco' na linha da frente da luta pelo título, haja equilibrio, vontade de vencer e frescura física, pois, quem desequilibre, haverá certamente.

Equipa-Tipo (4-1-3-2): Casillas - Salgado, Helguera, Pavón, Roberto Carlos - Gravesen (Pablo García) - Beckham, Raul (Júlio Baptista), Zidane - Robinho (Raul), Ronaldo.



Villareal

Kromkamp Tacchinardi

Em ano de estreia na Liga dos Campeões - onde defrontará o Benfica -, depois de uma dupla vitória sobre o Everton na ronda preliminar, o Villareal, que continua a ser orientado pelo chileno Manuel Luis Pellegrini, surge ainda mais forte que na temporada anterior. O 'submarino amarelo', como é carinhosamente apelidado, deverá continuar a deliciar a Espanha e a Europa com o seu futebol requintado, até porque a grande aquisição para a nova temporada é Juan Román Riquelme, agora a título definitivo no clube, para além da manutenção do 'pichichi' Forlán, apesar do assédio de outros emblemas. A única saída relevante foi a do guarda-redes Reina, que rumou ao Liverpool, mas o jovem argentino Mariano Barbosa, ex-Banfield, apesar de alguma inexperiência, é um substituto à altura ou não fosse um dos mais promissores 'metas' argentinos. Assim, garantida a continuidade de toda a estrutura-base, Pellegrino reforçou o plantel com aquisições inteligentes: o lateral-direito Kromkamp, um dos frutos mais apetecidos do 'mercado' de Verão, reforça um dos sectores mais frágeis da equipa na época anterior, obrigando à partida de Armando Sá ; o médio-centro Tacchinardi, ex-Juventus, de 30 anos, vem dar mais consistência e experiência ao meio-campo defensivo ; o jovem médio ofensivo Luis António Valência, ex-Nacional Equador, é aposta do técnico e poderá, assim que complete o seu processo de adaptação ao futebol espanhol, ser uma agradável surpresa.
A aposta para a nova época passa por repetir a qualificação para a Liga dos Campeões, onde pretendem, este ano, chegar o mais longe possível, procurando também a intromissão na luta pelo título. Tarefa complicada é certo, até pelo desgaste que poderá provocar a estreia na prova rainha do futebol europeu, mas qualidade não falta ao 'submarino amarelo'.

Equipa-Tipo (4-4-2 desdobrável em 4-2-2-2): Barbosa - Kromkamp, Quique Alvarez, Gonzalo, Arruabarrena - Tacchinardi, Senna - Riquelme, Sorín - Figueroa, Forlán.



Bétis

Ricardo Oliveira

Outro estreante na Liga dos Campeões, graças ao quarto lugar alcançado na temporada anterior, o Betis, do experiente Serra Ferrer, tem pela frente uma temporada dificil, tendo em conta a fasquia elevada pelos resultados do exercício anterior. A pré-época foi inconstante, mas a eliminação do Mónaco, permitindo a chegada à fase de grupos da Liga dos Campeões, onde encontrarão Liverpool (campeão em título) e Chelsea (um dos principais favoritos), concluiu-a em beleza, mesmo depois da perda da Supertaça espanhola para o Barcelona, ainda que tenham vencido o segundo jogo em Camp Nou. A aposta passou, claramente, na continuidade, com a estrutura da época passada a manter-se, o que já é um importante trunfo. Serra Ferrer conseguiu também libertar-se de dois problemas: Benjamin e Denilson, que não entravam nas suas contas, e reforçou o plantel com segundas linhas, que aumentam o seu leque de soluções. Assim, chegaram a Sevilha os defesas Nano, ex-Getafe, e Óscar López, ex-Barcelona, os médios Rivera, ex-Levante, Juanlu, ex-Numancia e Miguel Ángel, ex-Málaga, e o avançado Xisco, ex-Valência, faltando ainda a aquisição de um ponta de lança, a sair do lote Borges (Paraná), Cavenaghi (Spartak), Adebayor (Mónaco). Repetir um lugar nos quatro primeiros será complicado, tendo em conta o 'peso' da concorrência, mas certamente que o Betis estará na luta por um lugar europeu. No entanto, o desgaste da Liga dos Campeões, tendo em conta os exemplos recentes de Celta e Real Sociedad, terá que ser acautelado.

Equipa-Tipo (4-4-2): Doblas - Melli, Juanito, Rivas, Luiz Fernandez - Joaquin, Miguel Angel, Marcos Assunção, Rivera - Ricardo Oliveira, Edu.



Espanyol

Zabaleta

Depois da milacorosa salvação pelas mãos de Luis Fernandez, em 2003/04, Miguel Angel Lotina, o seu sucessor, um técnico que está longe de gerar unanimidades em redor do seu trabalo, conseguiu qualificar a equipa para a Taça UEFA a temporada passada, só perdendo na última jornada a última esperança de chegar à Liga dos Campeões. Repetir a campanha do ano passado é dificil, mas não impossível, já que o Espanyol, apenas perdeu uma unidade chave: o criativo Maxi Rodriguez, que rumou ao Atletico Madrid, por 5 milhões de euros - reforçando-se fortemente. A principal aquisição é o médio criativo Pablo Zabaleta, campeão do Mundo de sub-20 pela Argentina, um jogadores sobre o qual recaem enormes expectativas. A estes juntam-se o lateral luso-moçambicano Armando Sá, os médios Jofre, ex-Levante, e Eduardo Costa, ex-Marselha, os alas Juanfrán, ex-Real Madrid, e Riera, ex-Bordéus, e o avançado Luis Garcia, ex-Maiorca. Gente de peso, que garante a Lotina muito mais soluções, apesar de uma pré-época manchada por uma série de derrotas e por problemas internos já resolvidos: os nucleares Pochettino, De la Peña e Tamudo, que estiveram em vias de abandonar o clube, vão permanecer.

Equipa-Tipo (4-2-3-1): Kameni - Armando Sá (Jarque), Lopo, Pochettino, David Garcia - Eduardo Costa, Ito - Juanfran, De la Peña, Zabaleta - Tamudo.



Sevilha

Saviola Kanoute

Depois de ter concluido a última temporada num 6ºlugar, apesar de ter lutado pela presença nos quatros lugares de acesso à Liga dos Campeões até à última jornada, o Sevilha, em ano de centenário, parte para a nova temporada com a ambição de fazer melhor do que na última temporada, apurando-se para a Champions, como também conquistando um troféu: a Taça do Rei ou a Taça UEFA.
Perdido Júlio Baptista para o Real Madrid, que pagou 24 milhões de euros pelo seu passe, e o técnico Caparrós para o Deportivo, depois de ter levado o Sevilha da segunda divisão à dupla qualificação para as provas europeias, a formação agora orientada pelo experiente Juande Ramos, com provas dadas no rival Bétis, garantiu, até ver, a continuidade do defesa Sergio Ramos, também desejado em Madrid, mas com uma cláusula proibitiva: 27 milhões de euros.
Em termos de reforços, houve investimento forte, sobretudo para o ataque: Luis Fabiano, ex-FC Porto, tem a derradeira prova de fogo às suas capacidades goleadoras no futebol europeu, contando, contudo, com a forte concorrência do francês Kanoute, contratado ao Tottenham por 6,5 milhões de euros, que se juntam ao luso-congolês Makukula, definitivamente recuperado dos problemas físicos que marcaram a sua temporada anterior.
Contudo, a aquisição mais mediática é a do argentino 'Conejo' Saviola, cedido pelo Barcelona, após época irregular no Mónaco. A estes juntam-se ainda o guardião Palop, ex-Valência, e o italiano Enzo Maresca, um médio de amplos recursos, contratado por 3 milhões de euros à Juventus, depois de ter actuado, por empréstimo, na Fiorentina, e que promete ser um importante complemento ao brasileiro Renato.

Equipa-Tipo (4-4-2): Palop - Alves, Sérgio Ramos, Javi Navarro, David - Jesus Navas, Marti, Renato, Saviola - Kanouté, Luis Fabiano.



Valência

Miguel Hugo Viana Kluivert

Pouca margem para errar. Depois do 7º lugar a época passada e da perda na final da Intertoto diante do Hamburgo, a pressão é grande sobre Quique Sánchez Flores, um dos rostos da 'nova vaga' de técnicos espanhóis, com passagens pela formação do Real Madrid e pelo Getafe, ou não fosse a massa adepta do Valência a mais impaciente e irascível do futebol espanhol. Técnico de discurso elaborado, com o seu quê de poético, um pouco à imagem do ídolo Valdano, teve claros problemas em domar um balneário campeão, com jogadores-chave em baixa de forma e saudosos de Rafa Benitez. 22 milhões de euros foram investidos em aquisições com o objectivo de não só recolocar a equipa na Europa, como também de recuperar o título perdido para o Barcelona. Tarefa muito complicada a última, apesar do plantel ser claramente mais forte do que na temporada anterior. Perdido Sissoko para o Liverpool a troco de 7,5 milhões de euros, Flores reforçou o contingente luso no clube, com Miguel e Hugo Viana a juntarem-se a Marco Caneira. Se a titularidade do primeiro, assim que se reencontre, depois do 'Verão quente' que passou, é praticamente certa, já Viana, contratado para suprir a lesão grave de Edú, contratado ao Arsenal, terá muitas dificuldades para se impor devido à forte concorrência no centro do meio-campo. Para a frente do ataque chegaram a incógnita Kluivert, depois de época conturbada em Newcastle, e 'El Guaje' Villa, o grande reforço interno, ex-Saragoça. O uruguaio Regueiro, ex-Racing Santander, será a sombra de Vicente, cobrindo uma lacuna do plantel anterior, já que o brilhante canhoto teve época intermitente, muito por culpa de lesões.

Equipa-Tipo (4-4-2): Cañizares - Miguel (Caneira), Ayala, Marchena, Fábio Aurélio - Rufete, Albelda, Baraja, Vicente - Kluivert, Villa.



Deportivo

Jorge Andrade

Ano de transição na Corunha, com o início de um novo ciclo, após o frustrante 8º lugar da última temporada, que levou à saída do treinador Javier Irureta - durante sete anos treinador do clube, onde conquistou um campeonato, uma taça do Rei e duas supertaças -, a que se juntou o fim de carreira dos dois resistentes do 'Super-Depor', Fran e Mauro Silva.
Joaquin Caparrós, protagonista da ressurreição do Sevilha no topo do futebol espanhol, foi o escolhido para a sucessão, arrancando para a nova temporada antes dos outros clubes, devido à participação na Taça Intertoto, que fica manchada pela pesada derrota em Marselha na final, deixando o 'Depor' fora da Europa pela primeira vez nos últimos anos. Técnico disciplinador e que aposta na 'cantera', irá, com isso, procurar suprir duas das principais lacunas do Depor nas últimas temporadas.
Quanto a reforços, o tempo é de 'vacas magras' na Corunha, ainda que a recente venda de Luque ao Newcastle, abra espaço para a chegada de novos reforços até à próxima quarta-feira. De Guzman, ala canadiano, ex-Hannover, e Juanma, defesa central, ex-Racing Santander, são os nomes principais, enquanto Caparrós espera pela aquisição de um ponta de lança, para se juntar a Diego Tristán e Ruben Casto. Com Jorge Andrade indiscutivel no eixo central da defesa, o objectivo passa pela conquista de uma vaga na Champions, assim como por uma vitória na Taça do Rei.

Equipa-Tipo (4-4-2): Molina - Manuel Pablo, Coloccini, Jorge Andrade, Capdevilla - Victor, Sérgio, Duscher (Valerón), Munitis - Ruben Castro, Diego Tristán.



Athletic Bilbau

Llorente

Perdidos Del Horno, para o Chelsea, e Ezquerro, para o Barcelona, o Athletic ficou orfão de duas das suas principais figuras na última temporada. José Luis Mendilíbar, um quase desconhecido, que realizou bom trabalho no Eibar, é a nova aposta para o comando técnico da equipa. Sem grandes nomes ao seu dispor, o técnico aposta em potenciar os recursos existentes e na descoberta de talentos nas divisões secundárias, construindo uma equipa para girar em torno do jovem ponta de lança Llorente, estrela maior da selecção espanhola de sub-20, onde Julen Guerrero, antiga referência da equipa, parece disposto a reaparecer ao mais alto nível esta época, ao lado de Yeste, que, apesar de muito pretendido, renovou o seu contrato com a formação de San Mamés. O objectivo é a qualificação para uma competição europeia, mas não se afigura fácil.

Equipa-Tipo (4-2-3-1): Aranzubia - Exposito, Prieto, Lacruz, Casas - Gurpegui, Tiko - Iraola, Yeste, Etxeberria - Llorente.



Malaga

Salva Ballesta

Depois de uma época irregular, que começou torta com Gregorio Manzano, e foi-se endireitando com Antonio Tapia, o seu substituto, que conduziu a equipa até um tranquilo 10º lugar no final da temporada, o Malaga surge na nova época com baixas de vulto e várias indefinições. Fernando Baiano, o brasileiro que se revelou um verdadeiro reforço de Inverno, partiu para Vigo, e o português Duda, o grande desequilibrador da faixa esquerda, está 'cortado', por se ter negado a transferir para a Real Sociedad, já que o Malaga pretendia evitar a sua saída a 'custo zero' no final da temporada. O plantel, onde se mantêm Litos e Edgar, parece, à partida, algo curto em soluções, e os reforços não são muito estimulantes. Os avançados Salva Ballesta, ex-Atlético Madrid, e Richard 'Chengue' Morales, uruguaio, ex-Osasuna, são os principais nomes, mas as suas carreiras atravessam fases menos luminosas. A estes juntam-se ainda Bóvio, ex-Santos, e Pablo Couñago, um espanhol que actuava no Ipswich Town. Assim, não se esperam grandes feitos do Malaga na nova temporada. E, dificilmente, conseguirá escapar à luta pela fuga aos últimos lugares.

Equipa-Tipo (4-2-3-1): Arnau - Valcarce, Fernando Sanz, Navas, Gerardo - Romero, De los Santos - Juan Rodriguez, Nacho, Edgar (Luque ou Duda) - Salva Ballesta.

Publicado por rui malheiro às 18:35

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