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quarta-feira, 31 agosto 2005

O benefício da dúvida e as 7 razões para gostar de Adriaanse

Categoria: Col: André Viana

Visão de Jogo: Coluna de André Viana

Dia de fecho de mercado. Já se jogaram duas rondas na Liga (bem sei que o Benfica foi campeão na época passada, mas já me tinha habituado ao Super), que se encarregaram de provar que poucos ou nenhuns plantéis estão à altura das exigências. Face a esta realidade, dois comportamentos: perceber que há mecanismos e índices físicos que não estão disponíveis no início de época ou correr ao mercado para reforçar posições carentes. Benfica e Sporting lançaram-se às compras, quase sempre com mais olhos que barriga. O FC Porto, por seu lado, vive na pacatez de quem trabalha sem os jogadores que rumaram às selecções. Por outro lado, ninguém chega e a saída de Nuno Valente até já era aguardada. Como está diferente este FC Porto! O que nos leva, obviamente, a falar de Co Adriaanse, a estrela oculta no dia portista.

1. Finda uma época terrível aos comandos de Fernández e Couceiro, a chegada do treinador holandês era vista como a garantia de um corte com o passado. Todavia, Co Adriaanse chegou e evitou comparações com os antecessores. Quando a circunstância mais convidava a discursos "à BD de super-heróis", Co Adriaanse começou imediatamente por marcar a sua própria figura.

2. Por falar em Fernández e em Couceiro, é bom lembrar que nenhum dos dois contornou o fantasma de Mourinho. Se o primeiro afirmou, logo na apresentação, que a sua intenção era dar continuidade ao legado do líder do Chelsea, já o segundo, ainda que não em palavras, criou em seu torno uma aura de sucessor directo do grande treinador. Ora, Couceiro não teve dificuldade em copiar o estilo físico e a veemência verbal - ainda que em pior. Não revelou, isso sim, qualquer capacidade para imitar a excelência de Mourinho no que a treinar e a conseguir resultados diz respeito.

3. Contrariamente a estes dois exemplos, Co Adriaanse rompeu com o passado de conquistas que o ex-Leiria deixara bem vincado. Fê-lo por omissão, por evitar nas palavras e nos actos qualquer ligação ao treinador da moda. Sem grande mediatismo, o holandês troca a postura segura (arrogante?) de Mourinho por um estilo descontraído e até desbocado frente à comunicação social. Bem diferente daquilo que é perante os seus jogadores, acredita-se.

4. Não evitou, todavia, que lhe apelidassem de novo Del Neri. A eventual inclusão de Jorge Costa na lista de dispensas foi o mote para o paralelismo, que Co Adriaanse nem precisou de contornar. Isto porque, é bom lembrá-lo, a folha de Del Neri implicava a perda de importantes activos, sobretudo do ponto de vista financeiro. Pelo que o italiano nem teve oportunidade de provar em campo se a sua leitura era a correcta.

5. Em campo, o novo treinador tem agradado. É cedo, todos o sabemos, mas há linhas orientadoras que merecem ser consideradas. Co Adriaanse, isso parece seguro, vai resolver um dos grandes problemas da massa adepta portista: a falta de bom futebol. Longe parece ir a temporada passada. Hoje, o FC Porto joga para a frente e joga para ganhar, sendo que, em podendo, preferirá fazê-lo por 5-4 do que por 1-0 (e aí está mais um corte com Mourinho, não querendo eu avaliar se para melhor ou para pior).

6. Esta postura advém de um visão primitiva (não primária) que Adriaanse tem do futebol. Assim, o holandês será para mim a máquina de transporte a um tempo que eu não vivi, a um jogo que eu não vi.

7. Gosto deste FC Porto, que ataca com oito unidades, que varia entre o centro e as alas, que remata de fora, que trabalha bolas paradas, que sabe fazer circular a bola, que arrisca no um-para-um sem exceder o limiar do útil, que é eficaz no passe longo, que chama os extremos à área para finalizar, que joga para a frente. Gosto, francamente!

?. Claro que tudo isto tem o seu reverso: a defesa. Fraca, a meu ver, ainda mais fraca na medida em que perdeu uma referência típica do léxico portista: o trinco. Adriaanse prescindiu do 6 que sempre me lembro de ver nas Antas. Nem Meireles nem Ibson o são, com evidentes prejuízos para o sector recuado e largos benefícios para a qualidade ofensiva. Adriaanse não quis reforçar o quarteto mais recuado. Mal, a meu ver, que não acredito em Ricardo Costa nem no estado de graça de César Peixoto (que mesmo frente à Naval mostrou que não sabe defender, nem podia). Mas assim se passa um fecho de mercado tranquilo, com Adriaanse a reclamar um muito justo benefício da dúvida. Está dado, mister...

Publicado por andré viana às 10:32

Comentários

E este Max von Schlebrügge de que os suecos dão conta estar a caminho do FC Porto???

#1 | Comentado por: guardabel | 11 de junho de 2006 às 00:05

Está bastante bem feito este artigo. Só uma coisa que quanto a mim não é bem assim. O sistema que o FCP usou neste jogo não tem problemas defensivos. Quanto a mim o problema está nos interpretes lá atrás. Enquanto que o meio campo e o ataque estão recheados com uma classe tremenda - e ainda pode ser mais - a defesa está completamente pobre. O Ricardo Costa continua a preocupar-se mais com dar cotoveladas sempre que disputa uma bola ou então a tentar fazer bonito aquilo que não sabe fazer. O Sonkaya parece-me bastante fraco e com peso a mais. O Cesar não é defesa esquerdo e nunca vai ser. Resta Pedro Emanuel, que é o mais certinho e que ao lado de um central de classe se torna ainda melhor.

Se de facto se tivesse tido mais cuidado no planeamento defensivo do plantel durante a pré época acho que não estariamos aqui a falar do sistema do Cou ser permeavel defensivamente.

#2 | Comentado por: Filipe Sá | 11 de junho de 2006 às 00:05

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