« Fernando Couto regressa ao Parma | Entrada | Sporting - Benfica :: na pele do Leão »
quarta-feira, 7 setembro 2005
Rússia 0 - 0 Portugal: Crónica
Categoria: Selecções Nacionais
A um ponto do Mundial e sem calculadora

A presença no Mundial de 2006, a disputar na Alemanha, está a apenas 1 ponto de ser mais do que uma certeza, uma evidência. Esta tarde, a nossa Selecção Nacional empatou a zero com a Rússia, no Estádio Lokomotiv em Moscovo, perante uma assistência entusiástica de cerca de 30 mil russos. O empate sem golos acaba por penalizar Portugal já que jogou mais de 45 minutos com um elemento a mais em campo e exerceu forte domínio das operações a atacantes, pecando somente no capítulo da finalização. Ficou igualmente a ideia de que Luiz Felipe Scolari podia ter arriscado um pouco mais. No entanto, jogou-se pelo seguro e o ponto conquistado na Rússia, a juntar ao preciso empate da Eslováquia em Riga, é mais do que motivo para se poder encomendar o champanhe que. a 8 de Outubro, altura em que Portugal receberá o Liechtenstein no Municipal de Aveiro, certamente marcará as celebrações do apuramento directo da Selecção para o Mundial.
A selecção russa começou a partida a todo o gás, tirando partido do desacerto português nas marcações à sua linha avançada, mas fundamentalmente explorando o lado esquerdo do ataque, de onde o jovem Bilyaletdinov punha todo o quarteto defensivo de Portugal em sobressalto. Aliás, foi durante a primeira vintena de minutos que o marcador mais perto esteve de ser aberto pelos russos, mas primeiro Maniche, depois Ricardo - uma grande defesa - evitaram que a bola levasse o selo de golo. E a partir daí Portugal rectificou as marcações e embalou para uma exibição tranquila, com boa circulação de bola e extrema consistência no seu sector mais recuado. A jogar bem, com a Rússia rendida ao seu futebol de pé para pé, a Selecção tentava, de fora da área, surpreender Akinfeev. Os intentos de Deco ou Maniche saiam gorados. Já com o intervalo à espreita e Portugal 'por cima', Smertin, minutos depois de ter provocado Cristiano Ronaldo - sem punição - viria a ser expulso por entrada violenta sobre Costinha. A Rússia reorganizar-se-ia num claro 4x1x3x1.
Numa segunda parte de domínio exclusivo português, a nossa equipa apenas pecou na finalização. As transições defesa-ataque funcionavam na perfeição, apenas faltava uma referência na frente de ataque - Pauleta, salvo os jogos 'menores', tarda em voltar a sê-la. Bem como tardam alternativas para o seu lugar. Ora os bons movimentos de Figo, Deco ou Cristiano Ronaldo eram assim acessíveis ao quarteto defensivo russo. Com o final do jogo a aproximar-se, a partida foi-se desenrolando sempre com sinal mais português, mas sempre, sempre com desfecho inconsequente na finalização, diga-se. Depois de Hélder Postiga ter rendido Pauleta, só as entradas tardias de Simão e João Moutinho trouxeram algum colorido às 'quinas', com o médio leonino a forçar Akinfeev a intervenção apertada, talvez a única digna de nota.
Enquadramento
A Rússia recebia a nossa Selecção Nacional sob um clima de “vingança” depois da pesada derrota imposta em Lisboa por 7-1, em Outubro de 2004. Por outro lado as recentes declarações de Maniche, manifestando estar descontente com o Dínamo de Moscovo e a liga russa, também ‘apimentava’ o desafio entre o líder do grupo 3 e um dos seus segundos classificados, a 5 pontos de distância. Mas para a Portugal e todo o grupo dirigido por Luiz Felipe Scolari a notícia do dia era, infelizmente, a do falecimento do pai de Cristiano Ronaldo, e também a vontade prontamente expressa pelo jogador do Manchester United em ficar em Moscovo, jogar e só depois regressar ao país na companhia da comitiva nacional.
Tácticas
A Rússia disposta num 4x4x2, facilmente desdobrável em 4x2x4, alinhou com Akifeev, um quarteto defensivo de moldes ‘clássicos’, tendo pela frente dois médios mais defensivos – Smertin e Aldonin – no apoio à dupla formada por Marat Izmailov e Diniyar Bilyaletdinov que sustentavam nas aulas os avançados Andrei Arshavin e Aleksandr Kerzhakov.
Luiz Felipe Scolari, replicando o onze com que goleara o Luxemburgo, e assim Portugal manteve-se fiel ao 4x2x3x1 com Costinha e Maniche mais recuados no meio-campo, com Deco em posições mais centrais em coordenação das manobras atacantes, Figo na direita, Cristiano Ronaldo na esquerda e por último Pauleta, a unidade mais avançada.
Positivo
Solidariedade no grupo. Portugal pode falhado imensos golos, mas volta a mostrar ter um grupo com uma força notável. Mérito para Scolari, mas também a todo o elenco que forma esta Selecção. Há dias em que apoiar, sentidamente, o colega e amigo vale mais do que fazer um hat-trick.
Gestão inteligente. Salvo os primeiros vinte minutos, Portugal fez uma boa gestão do seu esforço e das contingências favoráveis que os cinco pontos de vantagem lhe conferiam. Uma partida segura, acima de tudo sem sobressaltos. Inteligente, pois claro.
Negativo
Finalização. Apesar de Portugal ter o segundo melhor ataque do mundo nesta fase de qualificação, logo atrás do Brasil, o capítulo da finalização continua a ser uma importante pecha. É que numa fase final de um Mundial, os adversários não são o Luxemburgo, Estónia ou Liechtenstein.
Comentadores televisivos À parte das péssimas condições do retorno sonoro da transmissão da RTP 1, os jornalistas Carlos Daniel e Gabriel Alves exageraram nos juízos erráticos e em análises tácticas 'ao lado' do jogo. Já o repórter Luís Baila prestou um bom serviço público, especialmente informando, via SMS, os telespectadores.
Destaques
O duro: Smertin. Uma entrada violenta sobre Costinha valeu-lhe o segundo cartão amarelo, consequente vermelho. Já antes provocara Cristiano Ronaldo sem necessidade.
Que pesadelo!: Pauleta. Sempre perdido na frente de ataque, quando dispôs de uma chance para marcar, ao minuto 53, errou redondamente o alvo. Haverá melhor?
A força: Cristiano Ronaldo. Em dia profundamente triste, marcado pela notícia da morte de seu pai, o extremo fez questão de jogar e cumpriu os 90 minutos com uma entrega fenomenal. O seu habitual. Sentidos pêsames.
Ás: Ricardo Carvalho. Prémio que podia ser conjunto, a par de Jorge Andrade. Uma exibição segura, cheia de classe. Para alguém com tantos problemas de 'QI'... É surpreendente. Bravo, Ricardo.
Ficha do Jogo
Árbitro: Markus Merk (Alemanha)
Rússia (4x4x2 desdobrável em 4x2x4): Igor Akinfeev - Dmitri Sennikov, Vassili Berezutski, Sergei Ignashevich, Aleksei Berezutski - Marat Izmailov (Semak, 74), Evgeni Aldonin, Aleksei Smertin, Diniyar Bilyaletdinov - Andrei Arshavin (Anyukov, 88), Aleksandr Kerzhakov.
Portugal (4x2x3x1): Ricardo - Paulo Ferreira, Ricardo Carvalho, Jorge Andrade, Nuno Valente - Costinha, Maniche (João Moutinho, 83) - Luís Figo, Deco (Simão, 76), Cristiano Ronaldo - Pauleta (Hélder Postiga, 68).
Expulsões: Smertin, aos 43', por acumulação de amarelos.
Publicado por joão carmo às 19:49
Comentários
Será muito difícil ao scolari dizer PortugaL em vez de PortugaU?
Ehehehe...
#1 | Comentado por: Benfiquista do Norte | 24 de outubro de 2005 às 21:09
Esse tal de Diniyar Bilyaletdinov pareceu-me acima da média.
Partiu os rins ao Paulo Ferreira uma meia dúzia de vezes.
Segundo sei, joga no Zenith de São Peterburgo por isso não deve ser caro e daria um jeitão no SLB.
#2 | Comentado por: Pedro Neto | 24 de outubro de 2005 às 21:09
qualquer um deve ser melhor dos que la estao,não *Pedro neto???!!!!eheheh
estou a brincar contigo..
#3 | Comentado por: PEDRO SOUSA | 24 de outubro de 2005 às 21:09
Para ser melhor que o Nuno Gomes também não é preciso muito.
Agora melhor que o Miccoli não me parece, até porque o italiano é um fenómeno.
#4 | Comentado por: Pedro Neto | 24 de outubro de 2005 às 21:09
O БИЛЯЛЕТДИНОВ (Bilyaletdinov) é jogador do Lokomotiv e não do Zenit.
Se alguma vez vier jogar para Portugal, esperemos que tenha a decência de não dizer "não gosto do país, do clima, do campeonato".
#5 | Comentado por: Jose Soares | 24 de outubro de 2005 às 21:09
Tens razão, o Bilyaletdinov joga no Lokomotiv, fiz confusão com os dois jogadores da frente de ataque que são, de facto, do Zenith.
Já agora José Soares onde é que aprendeste cirílico?
#6 | Comentado por: Pedro Neto | 24 de outubro de 2005 às 21:09
Gravou o jogo e quando aparecia o homem de costas voltadas para a TV parou a cassete e copiou para um papel!!! Certo José Soares??? ;)
#7 | Comentado por: SEMPRE PRESENTES | 24 de outubro de 2005 às 21:09
Apesar de este tema ser a selecção , não consigo evitar de reparar na confiança dos benfiquistas em relação à nova contratação (o italiano).
Acreditam mesmo que um jogador é suficiente para alterar o marasmo da equipa do SLB ?!!
#8 | Comentado por: Maria Miguel | 24 de outubro de 2005 às 21:09
Eu li marasmo, Maria Miguel? Será que te estás a referir ao marasmo de o Benfica ter mantido a quase totalidade dos titulares da equipa que em 15 meses ganhou uma taça de Portugal(ao Mourinho), um campeonato e uma supertaça? Ou será que te estás a referir ao marasmo de um clube que em menos de um ano desfez e vendeu a totalidade da equipa titular que ganhou a Liga dos Campeões? Ou então, finalmente, se calhar estás-te a referir ao marasmo de outro clube que apesar de ter chegado à final da taça UEFA há escassos 4 meses, já conseguiu vender e despachar 5 titulares(meia equipa...) da época anterior? Antes de atirarem pedras para o telhado do vizinho, convém analisar bem a consistência das vossas telhas!
Se tudo isto é por o Benfica ter perdido com o Gil Vicente, relembro a todos os leitores que também o Barcelona se deu mal com os novos métodos do Rijkaard, nos primeiros jogos, até chegar à qualidade de futebol que todos vimos no ano passado. Sosseguem-se benfiquistas! Temos as quinas na manga e o Koeman tem a dura tarefa de «destrappattonizar» o futebol do Benfica. Pode levar ainda algum tempo. Mas, este ano, estou convencido disso, vamos vencer e convencer.
#9 | Comentado por: Miguel J. Lopes | 24 de outubro de 2005 às 21:09
Caros,
infelizmente nunca aprendi cirílico. Limitei-me a fazer um copy/paste a partir do site do Loko (www.fclm.ru).
#10 | Comentado por: Jose Soares | 24 de outubro de 2005 às 21:09
Para : Benfiquista do Norte
Se o Filipão tem o costume de dizer Portugau isso tem influência de sua descendencia Italiana , pois os descendentes de italianos tem um modo diferente de falar é isso implica na sua linguagem, ou seja, a linguagem portugues-italico.
É Quero agradecer aos italianos q tomaram rumo ao brasil; muito obrigado por fazer parte dessa história . A melhor influência que o brasil tem.
#11 | Comentado por: garaboni brasuca | 24 de outubro de 2005 às 21:09
Comente
Obrigado por se registar, . Já pode comentar. (Sair)
(Se nunca comentou aqui o seu comentário pode ter de ser aprovado para publicação pelo editor do blogue. Terá de esperar por essa aprovação para que o seu comentário surja. Obrigado pela espera.)Trackback Pings
TrackBack URL para esta entrada:
http://terceiroanel.weblog.com.pt/privado/tra.cgi/103005