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sexta-feira, 9 setembro 2005
Futebol por Dentro #2
Categoria: Col: Vítor Pimenta

Começo a minha coluna desta semana, recordando um episódio, no qual estive directamente envolvido, e que envolveu queixas na UEFA e FIFA. Esta história é verídica!
Decorria a época de 1996/1997, representava, na altura, a A.A.AVANCA - um clube pobre, mas muito digno - da série C da 3ªDivisão, e jogávamos em casa contra o Cesarense, num jogo a contar para a 13ª jornada da competição.
Os árbitros, antes do jogo, como habitualmente acontece, foram verificar o campo, as marcações, as balizas, as redes... Até aí tudo normal! Só que havia um buraco, no meio de uma das balizas, que não era muito perceptível. Tanto assim era que nem nós sabíamos da sua existência, pois apenas o roupeiro do clube tinha conhecimento desse buraco.
O jogo começou normalmente e chegamos ao intervalo a vencer por 1-0. A segunda parte iniciou-se com o Cesarense a massacrar-nos de forma incessante, até que, sensivelmente a 15 minutos do fim, um jogador do nosso adversário chuta de fora da~área e a bola entra pelo meio da baliza e cai no buraco.
Foi tudo muito rápido: enquanto os nossos adversários festejavam o golo, o fiscal-de-linha, que estava encoberto por um jogador da nossa equipa, marcava pontapé de baliza. Os jogadores do Cesarense, como é natural, foram reclamarar junto do fiscal-de-linha, ao passo que eu, apercebendo-me da confusão, fui reclamar com o árbitro do comportamento deles e neguei a existência do golo. Um colega meu, apercebendo-se do que tinha realmente acontecido, tratou de dar um nó na rede, tapando o buraco. Fê-lo tão bem, que o árbitro, quando foi verificar a rede, passados apenas alguns segundos, não detectou qualquer irregularidade, o que o levou a ordenar a marcação do pontapé de baliza.
O certo é que esta situação levou a que expulsasse três jogadores do Cesarense por protestos, enquanto que o golo que existiu - mas não existiu - foi transformado em pontapé de baliza, e acabamos por vencer a partida por 1-0.
O Cesarense acabou por apresentar uma queixa escrita na UEFA e na FIFA, mas de nada adiantou, visto que não existiam provas.
Outra história engraçada, aconteceu quando representava o União de Coimbra, então na 2ª Divisão B. Fomos jogar para a Taça de Portugal a Loulé, contra o Louletano, e vencemos por 1-0.
Quando regressavamos a Coimbra, após o jogo, ao passar em Canal Caveira, o presidente do clube ordenou que se parasse o autocarro para jantar. Fomos jantar e no meio da euforia, escusado será dizer que esgotámos o stock de vinho verde.
No fim da refeição, bem bebidos, aliás muito bem bebidos, regressámos ao autocarro para continuar a viagem. Um jogador brasileiro foi para o microfone do autocarro fazer a festa. Como é lógico, sentiu-se mal e pôs a cabeça de fora na primeira janela que encontrou para vomitar. Três bancos atrás, com a janela aberta, descansavam o presidente e o vice-presidente, que acabaram por apanhar com grande parte do vomitado.
Foi um pandemónio dentro do autocarro: irritados com a situação, os dois dirigentes queriam deixar o jogador na auto-estrada! Mas após muita insistência da nossa parte deixaram-no regressar connosco, só que na terça-feira seguinte, propuseram-lhe a rescisão de contrato, que foi prontamente aceite, visto não haver condições para continuar no clube.
Espero para semana estar aqui a escrever sobre mais 3 pontos para o Gil Vicente, que seriam muito importantes para a nossa luta pela manutenção. Antes de terminar queria enviar um abraço a todos os jogadores, sobretudo da 2ª e 3ªDivisão, que têm ordenados em atraso, visto que trabalham em prol dos clubes e não são recompensados pelo seu esforço.
Até para a semana!
Publicado por Vítor Pimenta às 10:30
Comentários
São relatos como este que acrescentam o factor novidade ao Terceiro Anel. Os acontecimentos descritos são muito engraçados e curiosos, a provar que o mundo do futebol tem tanto para compartilhar.
Parabéns, Vítor Pimenta, pela crónica e por possibilitar a todos os leitores, estas experiências únicas e interessantes. Um abraço.
#1 | Comentado por: Ricardo Cunha | 24 de outubro de 2005 às 21:09
Ao rir-me com esta história lembrei-me de algumas que aconteceram comigo quando era junior da equipa da minha terra.
Como é óbvio e para não ferir susceptibilidades não refiro nem o nome da equipa nem dos jogadores envolvidos.
A história aconteceu quase no fim de um jogo que a equipa onde eu jogava fez em casa com o na altura líder do campeonato de juniores e por coincidência marca a minha estreia a titular na mesma equipa.
Estavamos a perder penso que por 3-0 - não tenho a certeza porque já foi há uns 7,8 anos - e o nosso defesa-esquerdo estava a ter um dia não. Todos os golos do adversário tinham sido pelo lado dele - jogador que até era dos melhores da equipa e que detinha um pontapé digno de escalões mais altos.
Passa o minuto 80 e tal e sofremos o 4-0, o presidente que estava no banco e que por coincidência é avô do dito jogador passasse da cabeça e começa aos insultos ao neto. Tudo isto durante bastante tempo, o jogador sentiu-se mal por estar a ser insultado pelo próprio avô e envergonhado saiu do campo indo directamente para casa.
Depois da sua saída sofremos mais 3 golos e apenas 10 minutos. Como não havia mais substituições ficamos o resto do jogo a jogar com 9 - já tinha sido expulso outro jogador da nossa equipa.
Teve de haver um pedido de desculpa público para que o defesa-esquerdo tivesse de voltar à equipa e ainda hoje joga na equipa da minha terra agora já como sénior.
O seu avô já não é presidente do clube.
#2 | Comentado por: Pedro Neto | 24 de outubro de 2005 às 21:09
Parabens por estas historias interessantes e espero tambem um dia contar algumas engraçadas....Abraço e é com prazer que leio os seus post..
#3 | Comentado por: PEDRO SOUSA | 24 de outubro de 2005 às 21:09
Obrigado Ricardo,pelos teus comentários acerca da minha coluna.Agradeço-te imenso e espero que continues a ler, porque para a semana tenho mais algumas histórias.
Obrigado também ao Pedro Neto por compartilhar a sua história com todos nós.Espero que esta coluna, não seja só minha, mas de todos nós.
Pedro Sousa, obrigado também por gostar destas histórias verídicas e espero que compartilhes também algumas conosco
#4 | Comentado por: Pimas | 24 de outubro de 2005 às 21:09
Vitor, só uma pergunta:
O caso do 1º relato que fazes já prescreveu? Não será possível, agora a partir da tua "confissão" se reabrir este processo e fazer nova exposição à UEFA e FIFA?
Um pequeno àparte para saudar-te e dar-te as boas vindas. Já participei mais, mas ultimamente não tenho tido muita disponibilidade para ler o TA com mais assiduidade. Li as tuas 3 crónicas hoje e fiquei com água na boca à espera que venham as sextas feiras.
É sempre motivante ler estas delícias dos bastidores do futebol, contadas por quem as viveu in loco.
Boa sorte, e ao TA parabéns pela contratação
Um abraço Benfiquista e em Janeiro encontramo-nos prá desforra ;)
#5 | Comentado por: Jacinto | 24 de outubro de 2005 às 21:09
Só mais um pedido:
É possível relatares-nos como viviam, os "putos" no teu tempo no lar do Benfica? O que é estar longe da família, que dificuldades, que sonhos acalentavam, que sonhos nasceram e/ou morreram logo ali, que conversas partilhavam, o que sentiram quando conheceram em pessoa os verdadeiros craques (ou ídolos), episódios engraçados passados com eles, e quando e porquê saíste? Já agora, foi uma boa experiência?
PS - Se calhar estou a meter o carro à frente dos bois e já lá chegarias um dia ?!
#6 | Comentado por: Jacinto | 24 de outubro de 2005 às 21:09
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