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sexta-feira, 9 setembro 2005
Nem: 'Vencer é um objectivo do grupo'
Categoria: Entrevistas , Sp. Braga
Hoje à noite, a jornada 3 da SuperLiga abre com um sempre aliciante derby minhoto, com o Sp. Braga a querer quebrar um jejum de quase vinte e um anos sem vitórias em Guimarães. Foi a 23 de Setembro de 1984, que o Sp. Braga, orientado por Quinito, derrotou o Vitória, treinado por Djunga, mas supervisionado pelo 'feiticeiro' Raymond Goethals, graças a um golo do médio brasileiro Zinho. Romper com a tradição é o objectivo da formação de Jesualdo Ferreira, personificado em Nem, esteio da defensiva do clube bracarense, autor do golo decisivo - o seu primeiro na SuperLiga, em 60 jogos - diante do Penafiel. Em entrevista ao Terceiro Anel, o central brasileiro perspectiva a partida desta noite, mas também recorda o passado, analisa o presente e olha - com grande optimismo - para o futuro dos 'arsenalistas'.
-- Quando chegou a Portugal, há pouco mais de dois anos, afirmou que vinha para conquistar títulos. Acredita que pode ser este ano?
-- É verdade. Desde a minha chegada afirmo que o Sp. Braga tem de procurar e desejar sempre mais, de forma a mostrar capacidade para estar na luta pelos lugares cimeiros da tabela classificativa. Há dois anos que estamos a conseguir manter-nos a esse nível e estou certo que este ano também seremos capazes de o fazer.
-- Como é que o plantel encarou a perda de dois jogadores nucleares como o João Alves e o Wender?
-- Os jogadores que sairam foram importantes para o clube, mas já não estão cá. No futebol isso acontece com frequência: saem bons jogadores, mas também entram bons jogadores. O Sp. Braga, apesar disso, consegue manter-se no topo. Eles foram importantes, sim, mas está na hora de deixarmos de falar deles. Temos atletas que chegaram e outros que podem fazer as mesmas posições e estão a corresponder, como é o caso do Cesinha. Os outros que foram chamados também responderão à altura, estou certo.
-- Estas duas saídas em cima do fecho do 'mercado' vão obrigar a uma redefinição dos objectivos para esta temporada, que passam por um dos três primeiros lugares da classificação?
-- A equipa do Sp. Braga sempre esteve no caminho certo. Não são as movimentações de mercado que nos vão desviar da nossa linha. Não mudaremos o nosso discurso nem os nossos objectivos. Temos é de trabalhar. Um passo de cada vez, como sempre fizemos, procurando sempre ganhar e esperando para ver o que pode acontecer.
-- Depois de uma vitória em Leiria, onde a equipa se exibiu a grande nível, o Sp. Braga sentiu imensas dificuldades para ultrapassar o Penafiel, que tinha perdido na primeira jornada, no seu reduto. Como explica isto?
-- O jogo com o Penafiel veio de encontro ao que vinha dizendo desde o início da temporada. Este ano, os jogos em casa serão muito mais complicados do que as partidas fora. Os adversários que se deslocarem a Braga vão jogar fechados, ficando lá atrás. Teremos de estar preparados para essas dificuldades. Fora de casa os oponentes sentem-se obrigados a tentar ganhar, têm de vir para cima do Sp. Braga, o que acaba por nos permitir realizar grandes jogadas e conseguir golos, como sucedeu frente à União de Leiria. Agora estamos conscientes e sabemos o que nos espera em casa.
-- Como pensam ultrapassar essas dificuldades nos jogos em casa?
-- É importante treinar ao máximo as bolas paradas, dado que podem voltar a ser decisivas como sucedeu frente ao Penafiel. É difícil, mas temos de ser pacientes. Em casa, sobretudo, temos de também pedir aos adeptos para ficarem do nosso lado e terem paciência. Temos de acreditar sempre que o golo vai acontecer.
-- Acha possível que o Sp. Braga consiga repetir a excelente temporada anterior ou até chegar mais longe?
-- Temos de ser capazes de fazer sempre o melhor para adquirirmos estatuto. Não adianta fazermos duas épocas como as últimas e este ano não conseguirmos o mesmo êxito. Todo o mundo aqui tem consciência do que custou fazer este trabalho, e sempre que posso friso que não se trata somente do plantel. A equipa técnica e a SAD têm desempenhado um papel fundamental, dedicando-se ao máximo. Esta época vai correr tudo da mesma maneira, estou certo.
-- Em relação ao 'derby' diante do Vitória, como analisa o início do campeonato dos vimaranenses?
-- O Vitória de Guimarães também teve um início complicado na época passada e ficou em quinto lugar. Temos de estar atentos, mas sentimo-nos tranquilos. Já temos dois triunfos.
-- Acha que a pressão vai estar toda do lado do Vitória de Guimarães?
-- Acho que sim, pois eles é que devem estar preocupados, dado que têm duas derrotas em dois jogos. Nós temos seis pontos, a carreira do Sp. Braga não depende deste jogo, logo podemos encarar a partida sem dramas, o que não significa com menos ambição. Vamos para fazer uma boa exibição e procurar a vitória, para juntar às duas que já conseguimos. E é isso que iremos sempre tentar fazer, independentemente do nome do adversário, que até pode ser o Benfica, o FC Porto ou o Sporting.
-- Acredita que é este ano que o Sp. Braga quebra o jejum de vinte e um anos sem triunfos em Guimarães?
-- Esse é um objectivo interno do grupo. A maioria das vezes em que colocámos um objectivo à nossa frente conseguimos concretizá-lo. Espero que seja quebrado mais este 'tabu', a exemplo das barreiras que fomos superando ao longo dos últimos dois anos.
-- Os últimos jogos entre os dois clubes têm sido marcados por alguns incidentes. Como é do conhecimento público, o Vitória de Guimarães vendeu, no início desta temporada, 15 mil lugares anuais. Temem um ambiente escaldante?
-- É um problema que não é de hoje. Vem de há muito tempo atrás. Sempre que vamos jogar a Guimarães sabemos que eles vão ter muitos adeptos do lado deles. Conhecemos a rivalidade que existe e a forma como as pessoas de lá vivem este jogo. Por isso é importante pedirmos para as pessoas serem conscientes. Não queremos que o derby se transforme numa guerra. Infelizmente, já passei por situações difíceis. Estava no autocarro que foi apedrejado. Isso não é bom. Dentro de campo todos temos de mostrar grande vontade e determinação, mas acabando o jogo os adeptos também têm de acabar com as 'brigas' fora do estádio dado que isso não leva a lado nenhum. Espero que em Portugal isso acabe de uma vez.
-- Que comparação faz entre o 'derby' minhoto e os 'clássicos' que disputou no Brasil?
-- Lá no Brasil, quanto os 'clássicos' se tornam violentos há sempre pessoas prejudicadas e não queremos que o futebol português siga esse caminho. Por isso é que muitos jogadores brasileiros procuram sair de lá... Mas é sempre bom chegar a estes jogos, pois os jogadores ficam com outra motivação. Um 'clássico' é um jogo onde ninguém quer perder.
-- Este jogo antecede a primeira mão da eliminatória frente ao Estrela Vermelha. Está confiante numa passagem do Sp. Braga à fase de grupos?
-- A verdade é que os 'três grandes' têm conseguido boas campanhas na Europa. O Sp. Braga, que é 'grande', também tem de conseguir.
Publicado por terceiro anel às 08:30
Comentários
O Nem, é um bom jogador, espero como ele que logo não haja incidentes, mas o Vitoria é que é um clube grande não o braga, quantas cadeira vendeu?
5.000, tantas quantos os socios do Moreirense, não é só por isso, é por todo o resto que envolve o futebol, começando nos associados que por cá são unicos, não têm duas caras, e acabando no complexo desportivo que é um dos melhores do país.
Quanto ao resto espero como sempre uma vitoria do meu Vitória de Guimarães, e desejo ao Braga e todas equipas portuguesas uma boa campanha na UEFA, porque com isso Portugal é que fica a ganhar.
Força VITORIA, mesmo depois de morto irei-te apoiar.
#1 | Comentado por: albertoleite | 24 de outubro de 2005 às 21:09
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