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sexta-feira, 9 setembro 2005

O que faria no lugar de José Peseiro?

Categoria: Col: Ricardo Cunha , Sporting

José Peseiro

Costuma-se afirmar, com alguma verdade, que em cada português, existe um treinador de bancada. Como não poderia deixar de ser, não fujo à regra e imagino, muitas vezes, qual a sensação de vestir a pele de treinador principal.
Óbvio que não tenho a formação específica para a função, nem tão pouco conheço por dentro o plantel leonino, o que invalida, desde logo, alguma pretensão em mostrar que a minha razão deveria prevalecer. Contudo, dou por mim a idealizar o onze titular para o derby de sábado, colocando variadas hipóteses tácticas, consoante o desenrolar do marcador. Também, a tendência de ler a partida vai no sentido de prever substituições e acertar posicionamentos, sempre em termos meramente teóricos, enquanto observo, atentamente, as movimentações dos intervenientes.
Faltam pouco mais de 24 horas para o Sporting – Benfica e as cartas estão lançadas. Nas próximas linhas, vou tentar oferecer a minha opinião, caso estivesse no lugar de José Peseiro...

Táctica 4-4-2 losango

4-4-2

Acredito que o sistema que melhor serve as pretensões leoninas, assenta num 4-4-2 dinâmico, em que os centrocampistas assumem posições em losango. Desta forma, penso que será mais fácil preencher bem os espaços e, ao mesmo tempo, permitir uma rápida circulação do esférico. Por outro lado, este conceito táctico encontra-se enraizado na mente dos jogadores o que origina a possibilidade de efectuar uma pressão alta. Consequência imediata: maior entrosamento e ligação entre os sectores, sem esquecer que com a inclusão de dois pontas-de-lança, o Sporting assume as despesas do derby e mostra, desde o início, vontade para resolver a contenda a seu favor, perante o apoio dos seus adeptos.

Onze titular

GK - Nélson
RWB - Rogério
CD - Tonel
CD - Polga
LWB - Tello
CM - Luis Loureiro
RM - João Alves
LM - Doula
AM - João Moutinho
ST - Sá Pinto
ST - Liedson

Razões da escolha

Guarda - redes

No lugar de José Peseiro, optava pela inclusão de Nélson, não porque seja muito melhor do que Ricardo, mas porque há que salvaguardar aspectos emocionais que podem ser decisivos num derby. Sendo verdade que o 3.º capitão do Sporting merece a oportunidade de competir, não é menos verdade que com o titular da selecção pode dar-se o caso de um bloqueio psicológico individual. Basta ocorrer mais um lance fatídico de grande azar, para que os adeptos nunca mais perdoem tal afronta.

Defesa

Com a lesão de Beto, os nomes para o centro da defesa não acarreta dúvidas: Tonel e Polga são aqueles que dão mais garantias de estabilidade, face à concorrência ainda inexperiente e menos talhada em partidas deste grau de dificuldade.
Nas laterais, a minha escolha recai em Rogério e Tello, pois demonstram maior pendor ofensivo e possuem argumentos capazes de criar desequilíbrios no último terço de terreno. Miguel Garcia, por exemplo, é mais defensivo e já provou dificuldades, quando encontra Simão por diante. Quanto a Paíto, revela índices de desconcentração táctica, na hora de fechar o seu flanco e basta lembrar, na época anterior, quando Geovanni fez dele gato sapato.

Meio campo

Na posição de vértice mais recuado, a disponibilidade física de Custódio quase que impede o seu contributo à equipa. De qualquer forma, mesmo com essa possibilidade diminuta de marcar presença no jogo de sábado, prefiro a consistência e concentração de Luis Loureiro, ainda que o jogo de ambos reflicta o aspecto, menos positivo, de excessiva lateralização.
Por sua vez, encostado à direita, João Alves tem todas as condições de sair-se bem na fotografia, como debutante nestas andanças. Por um lado, a sua capacidade de batalhar ferozmente na intermediária representa uma mais-valia em jogos desta importância; por outro lado, ao preencher uma zona mais interior, funciona como um autêntico n.º 8, capaz de dinamizar a transposição defesa-ataque e, ao mesmo tempo, ajudar nas compensações defensivas, auxiliando Luis Loureiro na marcação.
Do outro lado, a velocidade de Doula pode ser crucial, como forma de provocar brechas no sector mais recuado do Benfica. A sua inclusão implica que a equipa leonina se apresente ligeiramente coxa, pois Doula pisa terrenos de extremo e, no outro flanco, João Alves movimenta-se numa zona mais central.
Finalmente, como pivot atacante e dinamizador de quase todo o futebol ofensivo, temos João Moutinho. Com a saída de Rochemback, penso não existir dúvidas quanto ao seu posicionamento e talento, na posição de n.º 10. Trata-se da estrela sportinguista mais cintilante, na ponta do diamante.

Ataque

Neste caso, pode-se colocar a questão: Sá Pinto ou Deivid? Opto pela inclusão do jogador português, de início, pela razão de ser um atleta influente, capaz de galvanizar os seus companheiros na árdua tarefa de parar o Benfica. Sem Beto (e também Rochemback) o Sporting necessita de uma referência em campo e o capitão pode desempenhar essa tarefa na perfeição. Outro factor favorável a Sá Pinto, prende-se com a garra e vontade que demonstra a disputar cada lance. Esse aspecto não deve ser menosprezado, quando sabemos que um derby pode exigir mais atributos, para além da qualidade técnica.
Como companheiro de sector, não há muito a acrescentar: Liedson (pode) resolve(r).

Vicissitudes tácticas e considerações finais

Chamo a atenção para uma particularidade interessante, relativamente a este modelo táctico e com a escolha deste onze titular, que prende-se com o seguinte: o Sporting, pelas características dos seus jogadores, pode transformar o conceito de 4-4-2 em 4-3-3, assim as circunstâncias o permitirem. Basta que Sá Pinto encoste ao flanco direito (impedindo possíveis subidas do lateral esquerdo do Benfica), ficando Doula como extremo esquerdo. Resta Liedson como ponta-de-lança e o meio campo organiza-se num triângulo invertido, sendo Luis Loureiro o pêndulo de um duo, mais móvel, formado por João Moutinho e João Alves.
Esta reorganização, depende muito da forma como Koeman irá dispor as suas pedras. Supondo, hipoteticamente, que o Benfica preenche demasiado a zona central, através do típico 4-2-3-1, penso ser mais benéfico a opção genuína do 4-4-2 diamante, no movimento ataque-defesa, ou seja, quando o Sporting não tem a posse de bola. Pelo contrário, no caso da equipa da casa dominar as operações na intermediária, o 4-3-3 alarga mais o jogo pelos flancos e obriga o adversário a desdobrar-se em tarefas defensivas à esquerda, ao centro e à direita. Nesta última situação, as marcações homem-a-homem e os despiques físicos têm tendência a aparecer, pois as equipas ficam ainda mais encaixadas, tacticamente, uma na outra. Será o talento individual a fazer a diferença.
A crónica já vai longa, mas não gostaria de potenciar possíveis substituições capazes de mudar o rumo dos acontecimentos. Mais uma vez, de forma hipotética, vou considerar o cenário do Sporting estar em desvantagem no marcador. Desde logo, saltam à vista duas armas ofensivas: Wender e Deivid. Que mudanças podem, então, acontecer?

1 – saída de Sá Pinto e entrada de Wender. Com esta substituição, Doula pode aproveitar o seu repentismo no lado direito e o Sporting muda para um 4-3-3 puro, com desdobramento possível em 4-1-2-3, sendo Luis Loureiro o vértice mais recuado do meio campo. João Moutinho e João Alves municiam o trio da frente, com Liedson no meio e Wender e Doula nos flancos;
2 – saída de Luis Loureiro e entrada de Deivid. Esta alteração implica maiores riscos porque o Sporting perde a sua referência defensiva, mas por seu lado ganha mais presença na área. Em termos práticos, o modelo torna-se, praticamente, num 4-2-4 pois os extremos passam a acompanhar, de perto, os pontas Liedson e Deivid, sendo que exige maior sacríficio a João Moutinho e João Alves.


Publicado por ricardo cunha às 10:00

Comentários

O que faria no lugar de José Peseiro?

DESPEDIA-ME!!! OLOLOLOL

Vitoooooooooooooooria

#1 | Comentado por: albertoleite | 24 de outubro de 2005 às 21:09

Uma analise muito bem feita, para quem não tem a formação especifica para a função,mas com certeza na mente duma grande parte dos profissinais de futebol que tem essa carteira ,como o meu caso.desde já os meus parabens..
Só fazia duas alteraçoes,não jogava o Luis Loureiro e jogava com o Deivid.
Passo a explicar:jogava com o Sá Pinto mais descaido sobre a direita e fechando ao meio quando defendia e o Douala fazia o mesmo do lado esquerdo ,jogando com 2 medios centros,sendo que Moutinho e Joao Alves alternavam as subidas,sendo que Moutinho um pouco mais cerebral no jogo e Joao mais de contenção,que tinham ajuda dos alas a defender ao meio,jogava com Deivid nas costas do liedson acompanhando-o no ataque e quando defendiam ,estes abriam nas alas para os laterais não subirem e assim cortavam iniciativas dos alas contrarios.Pode-se pensar muito ofensivo,mas para mim sem o Custódio é a equipa ideal,pois a um equilibrio de sectores maior.
Mas cada treinador sua sentença.....

#2 | Comentado por: PEDRO SOUSA | 24 de outubro de 2005 às 21:09

...sim, cada treinador cada sentença. Óbvio que esse 4-4-1-1 com Deivid atrás de Liedson, mais solto, pode resultar. De qualquer modo, optaria por um sistema mais conservador por duas razões:
1 - o Sporting não tem nada a perder e a pressão encontra-se do lado do Benfica, devido à distância pontual;
2 - convém ter alternativas no banco, porque o rumo dos acontecimentos pode ser nefasto para a equipa leonina.
Por fim, que carteira profissional o Pedro Sousa tem? Por acaso, gostaria de escrever um tópico sobre os cursos de 1.º, 2.º e 3.º nível, mas só consigo encontrar informação sobre o curso de 3.º nível na FPF. Há sites sobre o curso de 1.º nível? Já li que o Jorge Gabriel conseguiu conquistar esta etapa.

#3 | Comentado por: Ricardo Cunha | 24 de outubro de 2005 às 21:09

Tenho 2º nivel pro-eufa tirado por sinal na mesma associação que o Jorge Gabriel tirou agora o 1º nivel,A.F.Aveiro.Este curso dá para treinar ate a 2ºdivisão e ser adjunto da 1ª,mas na practica até pode dar para treinar na 1ª desde que se comprometa a tirar o 3º nivel que é obrigatório para a 1 divisão e veja-se o caso do Luis Castro que tirou o 3º nivel a pouco tempo e já treinava na 1ª ao serviço do Penafiel,qual ainda é treinador e 4 anos antes treinava as distritais,que por sinal tambem tirou os outros 2 niveis na mesma associação que eu.se precisar de alguma informação posso ajudar atraves dos meus arquivos ou outros,e pode contactar-me atraves do mail:pmosi@sapo.pt para mais informaçoes.

Abraço e no que puder ser util disponha.
saudações desportivas

#4 | Comentado por: PEDRO SOUSA | 24 de outubro de 2005 às 21:09

Já agora referir quanto ao seu 1º e 2º pontos eu não vejo da mesma maneira quanto a pressão e ter de ter uma equipa mais conservadora ,pois o Sporting joga em casa e o facto da equipa adversária ter a pressão mais razão me dá para eu assumir o jogo e não ter medo de assumir o jogo e muito menos esperar pelo que o adversário vai fazer ou mudar consoante o resultado.As grandes equipas devem apresentar sempre os melhores jogadores e assumir o Risco,mesmo que seja com Benfica ,Porto ou outras,pois deve-se ter é um equilibrio na equipa e na maneira de jogar com esses jogadores,mas isso trabalha-se.Quanto ao Banco,acho que o Sporting fica com bastantes e razoaveis soluçoes para mudar os acontecimentos se for caso disso,senão repare:terá Wender para uma alternativa para dar esquerda e Nani para a direita,para dar mais largura ao jogo se for caso disso,terá Pinilla,Silva para alternativas no ataque e terá Luis Loureiro e Carlos Martins para miolo, e Paito ou Miguel Garcia para alas sendo que o Miguel será tambem opção para central em ultimo caso..Como vê as minhas preocupaçoes não eram muitas em opçoes,é so utilizar a que parece mais acertada no momento da leitura do jogo e não programadas,como alguns defendem,pois o jogo pode não correr como o esperado,agora defendo que devem estar pensadas todas as alternativas para esta ou aquela situação.Com estes planteis e os valores dos Jogadores eu como Treinador sempre terei os melhores a jogar e sem medo de assumir o jogo num determinado contexto de modelo de jogo,independentemente da tactica e sistema a adoptar ,que esses são diferentes do modelo.

Essa é a minha opinião, e é o que faria com os jogadores disponiveis, mas com certeza o Peseiro treina com eles todos os dias e saberá o que é melhor para ele e para a sua equipa, assim como outras opinioes diferentes da minha,tomariam outras opçoes conforme o seu modelo e tactica de jogo.

#5 | Comentado por: PEDRO SOUSA | 24 de outubro de 2005 às 21:09

A QUESTAO NAO É O QUE EU FAZIA ,ERA O QUE EU TINHA FEITO.NUNCA TINHA IDO BUSCAR O LOUREIRO O TONEL O MANOEL O DEIVID E O SIVA.
EU IA BUSCAR O JOSE CASTRO(ACADEMICA),ALEXANDRE GOULART(NACIONAL)LUCAS(BOAVISTA),ADRIANO E O N,DOYE(PENAFIEL).
FOI SO UM DESABAFO DE UM SPORTINGUISTA QUE NAO ESTA CONTENTE COM ALGUNS DOS REFORÇOS .
SAUDAÇOES LEONINAS E QUE SEJA UM BOM JOGO SEM POLEMICA.

#6 | Comentado por: zizu | 24 de outubro de 2005 às 21:09

Afinal o Luis Loureiro deu jeito ;)
Obrigado pelo esclarecimento sobre o(s) curso(s) de treinador. Em breve, irei entrar em contacto consigo (via mail) para reunir informação que necessito.

#7 | Comentado por: Ricardo Cunha | 24 de outubro de 2005 às 21:09

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