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domingo, 11 setembro 2005
FC Porto 3 - 0 Rio Ave
Categoria: 05/06 SuperLiga , FC Porto , Rio Ave

O FC Porto venceu com inteira justiça o Rio Ave, num embate entre duas formações até então vitoriosas. Durante o primeiro tempo assistiu-se a um espectáculo agradável com um ritmo de jogo bastante elevado e com as duas equipas com os olhos postos na baliza adversária. Como seria de esperar os dragões assumiram o comando do jogo e foram criando várias oportunidades para abrir o activo; num registo mais modesto, os vila-condenses não deixaram de dispor de duas boas oportunidades para se adiantarem no marcador.
A história da segunda parte foi ligeiramente diferente com o caudal ofensivo dos azuis-e-brancos a aumentar progressivamente enquanto os comandados de António Sousa se viram remetidos para papéis mais defensivos. Ainda assim, só a 3 minutos do final da partida o FC Porto conseguiu chegar ao golo com um remate soberbo de Quaresma. Os últimos 8 minutos foram demolidores para o reduto defensivo do Rio Ave, que desnorteado viu Alan e Hugo Almeida aumentarem a diferença, numa vitória inteiramente justa dos dragões.

Enquadramento
Duas equipas só com vitórias e com vontade de mostrar bom futebol era o que se esperava do embate de hoje no Dragão. Adriaanse queria não só a vitória mas também que esta acontecesse por números expressivos, mas era importante saber como iria reagir a equipa perante aquele que se pode considerar o primeiro grande teste da temporada. O Rio Ave sabia que nada tinha a perder, e que esta era uma oportunidade perfeita para demonstrar que as qualidades que no passado a fizeram uma das equipas mais incómodas do campeonato permaneciam intactas.
Tácticas
As equipas entraram em campo sem surpresas em termos de organização táctica, embora houvesse trocas e ausências nos nomes que constituíam as equipas titulares. Enquanto que Sousa tentou surpreender colocando Ricardo Jorge em campo ao invés dos esperados André Vilas Boas ou Delson, Sokota surgia surpreendentemente como o ponta-de-lança isto porque McCarthy resolveu auto-excluir-se!
O FC Porto apresentou o seu habitual 4-3-3 com o trio de meio-campo constituído por Ibson, Lucho e Diego a mostrar-se o motor da equipa através de trocas rápidas de bola e constantes trocas de posição. Na frente, Lisandro e Jorginho ocupavam as alas no apoio a um Sokota muito estático e mais preocupado em abrir espaço para as entradas dos companheiros do que em posicionar-se para atirar à baliza. Os azuis-e-brancos apostavam ainda na subida dos laterais de forma a aproveitarem o espaço liberto pelas diagonais dos alas, sendo que César Peixoto esteve bem melhor nesse capítulo do que Sonkaya, embora o turco tenha melhorado no segundo tempo. Com o desenrolar da partida, e sem os ambicionados golos, Adriaanse arriscou e apostou num 4-1-3-2 que por vezes tornava-se num 4-1-1-4 com Lucho como único responsável pelas tarefas defensivas no meio-campo.
O Rio Ave apostou, e bem, num 4-4-2 aberto nos flancos em posição atacante e compacto defensivamente; com isto rapidamente se desdobrava a toda largura do terreno em rápidos e bem construídos contra-ataques. Ricardo Jorge sobre a direita, e Cleiton na ala esquerda eram os principais apoios de Gaúcho e Chidi que formavam a dupla de ataque. Na dinâmica deste duo destacava-se a maior mobilidade do nigeriano, procurando cair numa das faixas ou vindo atrás construir jogo, sendo que o brasileiro surgia mais vezes no interior da área portista. Niquinha e Marquinhos formavam a dupla do centro do meio-campo, com o primeiro mais recuado e Marquinhos a surgir mais vezes no apoio ao ataque.
Positivo
Dinâmica Ofensiva do FC Porto: o quinteto de sul-americanos que iniciou a partida como os jogadores de apoio ao ponta-de-lança, demonstrou toda a sua dinâmica e capacidade técnica. Rápidos, com a bola a trocar de dono constantemente e sempre em movimento, o ataque portista é extremamente perigoso, faltando apenas quem concretize as oportunidades.
Estrutura Defensiva do Rio Ave: enquanto não caiu à magia de Quaresma, o quarteto defensivo do Rio Ave, apoiado pelos médios, foi aguentando com estoicidade as investidas do dragão, com mais ou menos dificuldade, mas sempre de forma organizada e compacta.
Adriaanse: o técnico holandês já assumiu por várias vezes que as suas equipas só jogam ao ataque, mas ainda assim é preciso ter coragem para apostar em tácticas tão ofensivas como as que usou no segundo tempo; ainda por cima com o resultado empatado e frente a uma equipa com um contra-ataque muito forte. Aposta ganha!
Negativo
Falta de concretização: o FC Porto fez 26 remates e marcou 3 golos. Podia ter marcado mais, mas foram desperdiçadas oportunidades atrás de oportunidades, um mal que se repete desde a primeira jornada e que Adriaanse terá que corrigir se não quiser ter dissabores.
Desnorte final do Rio Ave: sofrer um golo perto do fim e sem que nada se possa fazer para evitá-lo (quer dizer, Milhazes devia ter feito mais) é um rude golpe para quem já tinha aguentado tanto, mas mesmo assim não justifica o que se passou nos minutos finais em que os portistas tiveram à sua disposição todo o espaço do mundo e não o enjeitaram.

Destaques
Que Pesadelo!: Sokota o croata é um jogador esforçado e que trabalha para a equipa, mas não nasceu para marcar golos. A forma como desperdiçou 3 oportunidades claras de golo é disso exemplo, sobretudo quando perdeu uma imensidão de tempo e permitiu que Danielson lhe roubasse a bola na cara de Mora.
O dandy: Alan entrou em campo e mexeu com a estrutura ofensiva do FC Porto que ameaçava entrar numa rotina demasiado previsível. Abalou o jogo e conseguiu ainda apontar o seu primeiro golo com a camisola do dragão, mostrando ser uma boa aposta para a temporada qua agora se iniciou.
Ás: Quaresma. só mesmo um jogador com o talento de Quaresma poderia ter marcado um golo daqueles, numa partida em que tudo o mais parecia falhar. O remate de trivela começa a tornar-se uma imagem de marca do extremo portista.
Ficha do Jogo
Árbitro: Elmano Santos (Madeira)
FC Porto (4x3x3): Vítor Baía - Sonkaya, Ricardo Costa, Pedro Emanuel, César Peixoto - Ibson (56' Alan), Lucho Gonzáles, Diego (78' Quaresma) - Lisandro López (65' Hugo Almeida), Jorginho, Sokota.
Rio Ave (4x4x2): Mora - Zé Gomes, Danielson, Idalécio, Milhazes - Niquinha, Marquinhos, Ricardo Jorge (62' Delson), Cleiton - Chidi (66' André Vilas Boas), Gaúcho ('83 Keyta).
Golos: 87' Quaresma (1-0) ; 90'+2' Alan (2-0), 90'+4' Hugo Almeida (3-0)
Publicado por bruno ribeiro às 01:27
Comentários
Apesar da vitória a exibição não foi por aí além.
O Sokota só joga por decreto do presidente PC por motivos conhecidos e óbvios (ainda por cima em dia de clássico em Lisboa).
A defesa do Porto é assustadoramente fraca para uma equipa com ambições, então os laterais são uma anedota.
O Porto tem um meio campo de luxo com um fantástico Diego.
Grande categoria nas substituições por parte deste treinador. Já no jogo contra a Naval sucedeu o mesmo. Espero que tenha sido só sorte.
#1 | Comentado por: Pedro Neto | 24 de outubro de 2005 às 21:09
Gostei da exibição.
O FCP pecou por não ter "conseguido" marcar antes..
O Rio Ave, jogou bem, procurou sempre o resultado, num jogo em que o FCP estava mais "encontrado".
A magia de Diego parecia não contagiar os colegas..Lisandro esteve apagado, Sokota não mostrou (minimamente) ao que veio.
O resultado parece injusto, especialmente, pela demora em que sugiu o 1º golo...E que golo!(o Quaresma vai ser o mlehor do mundo, quando crescer)
Uma palavra ainda para Alan, que na minha opinião "partiu a louça toda", jogando apenas uns minutos...
Admito não ter concordado com as substituições do Co, mas assumo que a sua sorte e a audácia, permitiram que o FCP acabasse o jogo com um resultado expressivo.
O que vale são os 3 pontos..
Continua assim FCP.
#2 | Comentado por: Leandro | 24 de outubro de 2005 às 21:09
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