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domingo, 11 setembro 2005
Gil Vicente 0 - 1 Nacional
Categoria: 05/06 SuperLiga , Gil Vicente , Nacional
Alonso a todo o gás

Uma máquina de eficência está em desenvolvimento nos laboratórios que Manuel Machado edificou na Madeira. Funciona em Portugal continental e está provado que se dá bem com os ares do Norte. O Nacional tem a fórmula dos pontos, mas consegue-os com mais do que uma mera soma de casualidades. Não tem um futebol espectacular, mas delicia quem gosta de ver como é possível dominar os vários aspectos do jogo. Manuel Machado domina os ritmos, escolhe os timings, não sofre golos. Tanto pior para um Ulisses Morais que também não se tem dado mal no duelo dos bancos.
Enquadramento e Tácticas
Duas vitórias e a liderança partilhada à partida para esta jornada. O cenário que se apresentava ao Gil Vicente era animador, mesmo que Gregory e Williams fossem dúvidas para a recepção aos madeirenses. Nenhum dos dois foi titular, sendo que o central ainda se sentou no banco. Rovérsio rendeu-o no onze, com Leandro Netto a surgir como opção para a frente de ataque. Todavia, o ex-Ovarense não foi favorecido pela colocação à frente de Braima e Elias, bem nas costas de Carlos Carneiro. Com deambulações pela esquerda (troca com Nandinho), o brasileiro até começou bem o encontro, mas foi desaparecendo com o tempo. Com Carlitos à direita, Ulisses Morais montava o seu conjunto num claro 4-2-3-1.
Por seu turno, Manuel Machado iniciou o encontro num confuso e pouco profícuo 4-4-2. Nuno Viveiros fazia toda a frente de ataque, percorrendo a mesma linha que André Pinto. Esta disposição favorecia Alexandre Goulart, mas o brasileiro surgiu incompreensivelmente perdido como organizador do jogo. Tiques do posicionamento à direita, quiçá, neste regresso de Alex à posição de origem. O treinador leu bem as incidências, preterindo o esquema a que recorreu com frequência em Moreira de Cónegos pelo desenho típico do Nacional: 4-3-3. Viveiros passou a jogar na esquerda, Goulart regressou à nova base e Bruno jogava com Chaínho à frente de Cléber Monteiro
Gil ultrapassa pela direita
Sinal mais para a equipa local durante a primeira metade da etapa inaugural. Todavia, a chama de Leandro Netto cedo se apagou, pelo que a equipa, manca à esquerda e sem soluções ao centro, privilegiou os ataques pela direita. Edson foi ajuda preciosa nos primeiros minutos, mas a colocação de Viveiros sobre a lateral inibiu o defesa gilista, entregando a missão a Carlitos. Diga-se que o ex-Benfica a assumiu com mestria, sendo o grande desequilibrador do encontro, o grande motor do enganador domínio minhoto. Com diagonais muito conseguidas, mas que encravavam em Hilário ou na ineficácia dos companheiros, o ala-direito foi vendo as suas incursões esbarrar sucessivamente.
Bruno acorda Nacional
Sem incursões dignas de registo, o conjunto insular só despertou a meio do primeiro período. De livre, Bruno fez a bola embater no ferro superior da baliza de Jorge Baptista. Era a melhor oportunidade de golo até então e o mote para um novo Nacional, em curva contrária à do Gil Vicente, que continuava a depender de Carlitos. Todavia, o combustível do ala foi sendo sucessivamente desperdiçado até ao descanso, sendo que já não esteve disponível no segundo tempo. Com o eclipse da estrela da companhia, o futebol barcelense foi um mar de devaneios e de goradas tentativas de chegar à baliza de Hilário.
Machadada de banco
Com uma leitura irrepreensível das incidências, Manuel Machado apostou para ganhar... e ganhou, tal qual o havia feito em Paços de Ferreira. Ao intervalo, trocou Cléber por Alonso, preterindo uma unidade desnecessária no controlo de uma zona do terreno onde os locais não conseguiam impôr respeito. Devolveu Goulart ao centro, colocando Viveiros à direita para que a ala contrária ficasse à disposição de Alonso, uma unidade que ataca bem, mas que seria útil no controlo de Carlitos, na medida em que tem formação de defesa. Todavia, e anulada a unidade mais dos minhotos, o suplente cedo se lançou noutra missão: decidir.
Amarelo, golo, vermelho
Fê-lo de bola parada, num remate fulminante que Jorge Baptista apenas seguiu com os olhos. Um golo que nasce de uma falta cometida por João Pedro, que seria expulso escassos minutos mais tarde. Se o Gil Vicente já pouca sombra fazia ao gigante insular, a vantagem numérica pôs definitivamente termo às dúvidas sobre o vencedor. Tanto que até foi Alex Terra a dispor da melhor ocasião pós-golo, lançado por Goulart. No duelo entre conjuntos tranquilos neste agradável início de época, Manuel Machado revelou-se mestre ante um Ulisses Morais que também não passa por principiante na matéria. Mais do que isso, este Nacional será osso duro de roer e só um leão de dentes aguçados pode ferir a turma da Choupana.
Que pesadelo: Elias. Exibição muito fraca do homem que devia fazer a transição entre a defesa e o ataque do Gil Vicente. Nem a destruir se revelou cumpridor.
O duro: João Pedro. Não tanto pela insistência na falta, mas sobretudo pelo curto espaço de tempo em que prevaricou duplamente. Origina o livre que dá o golo e é expulso pouco depois.
O dandy: Carlitos. Fez os locais mexer no primeiro tempo, mas a sua capacidade de iniciativa esbarrou em Hilário ou na incapacidade dos colegas.
O Ás: Alonso. Pelo golaço, obviamente. Decidiu!
Ficha do Jogo
Estádio Cidade de Barcelos
11 de Setembro de 2005
Árbitro: Pedro ProençaGil Vicente: Jorge Baptista; Edson (Tonanha, 83´), Marcos António, Rovérsio e João Pedro; Braima e Elias; Carlitos (Rodolfo Lima, 72´), Leandro Netto (Luís Coentrão, 59´) e Nandinho; Carlos Carneiro
Nacional: Hilário; Patacas, Ricardo Fernandes, Ávalos e Miguelito; Cléber Monteiro (Alonso, 45´), Chaínho e Bruno; Alex Goulart (Luís Manuel, 82´), Nuno Viveiros e André Pinto (Alex Terra, 66´)
0-1 por Alonso, aos 62´, na conversão de um livre directo a 25 metros
Amarelos: Elias, Carlitos, João Pedro, Rovérsio e Braima; Bruno, André Pinto e Luís Manuel
Vermelho: João Pedro, por acumulação de amarelos
Publicado por andré viana às 21:01
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