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sexta-feira, 16 setembro 2005
Assim custa...
Categoria: Col: João Nuno Coelho

Custou ver o Porto perder injustamente em Glasgow. Foi daquelas derrotas que não se engolem facilmente e ainda para mais sabendo como são importantes os jogos de estreia na CL.
Mas não podemos pensar que foi apenas azar e injustiça - este jogo pode dizer-nos bastante sobre o Porto de Adriaanse, confirmando aliás algumas ideias que já era possível esboçar antes.
O resultado de um jogo de futebol nunca é explicável apenas com um factor, seja ele a arbitragem, a sorte, as opções dos treinadores, o estado do terreno ou do tempo. É sempre um todo complexo, embora se possam separar as partes, ainda que apenas em termos analíticos.
Depois de uma vitória suada, mas plenamente justa, perante o Rio Ave (só alguém que tenha visto outro jogo pode colocar em questão a justiça da vitória ou a qualidade e dinâmica do jogo colectivo do Porto nesta partida - apesar das limitações na concretização), o Porto de Glasgow mostrou que podemos contar com ele como fornecedor de grandes espectáculos futebolísticos neste época.
É uma equipa de risco, ofensiva, que nunca joga para o empate, mesmo quando este parece ser um bom resultado em certos momentos. Nesta partida mereceu a vitória, jogou mais, rematou mais, controlou quase sempre as operações. Mas entre o azar (que se estendeu a duas lesões gravese a jogar com dezos quinze minutos finais) e a falta de pontaria dos avançados acabou por perder 3 pontos.
Mas não se pense que se pode justificar esta derrota apenas com o azar. A verdade é que pela sua maneira de jogar (e de encarar o jogo) e por algumas limitações graves que apresenta, o Porto de Adriaanse "põe-se a jeito" para estas situações.
- primeiro, porque joga totalmente aberto, olhos nos olhos do adversário,em qualquer campo e em qualquer situação.
- segundo,porque é uma equipa construída de frente para trás,em que a primeira preocupação é atacar: note-se que o Porto apenas joga com dois centro campistas puros, Lucho e Ibson, e nenhum deles é de carácter defensivo.
- terceiro, a defesa do Porto desta época tem sido extremamente frágil (também por falta de apoio do meio campo), quer por alto, quer nas jogadas rápidas. O que vale é que os defesas também marcam golos. Ou seja, até os defesas jogam ao ataque...
- quarto, faltam homens golo, para que seja possível, mesmo sofrendo três, marcar quatro. Sem McCarthy, as coisas ficam ainda mais difíceis.
Tudo isto não quer dizer que não seja admirável ver o Porto jogar, ver a ousadia do treinador, a meter avançados quando as coisas correm mal e a controlar o jogo, a esmagar o oponente, mesmo jogando fora de casa. Mas parece um futebol demasiado idealista, demasiadas vezes condenado ao insucesso, a esta sensação de injustiça. Num tempo de futebol cada vez mais "científico", aparece este autêntico Dom Quixote do futebol, a dizer-nos que o ataque é sempre a melhor defesa. Ora, se calhar nem sempre é assim, ou pelo menos convém que a sorte ajude um bocadinho...
Na terça-feira, custou ver o Porto perder daquela forma. Mas não haja dúvida que a vontade de ver esta equipa jogar só pode aumentar...
Publicado por João Nuno Coelho às 13:00
Comentários
"Mas não haja dúvida que a vontade de ver esta equipa jogar só pode aumentar..."
Compra lá o cartão anual e deixa-te de merdas :-)
A questão dos 2 médios puros é interessante, até porque se está a sacrificar demasiado o Lucho para tarefas defensivas e a perder-se o enorme potencial que ele tem para atacar. Acho cómico que alguns que se calhar ainda não viram um jogo inteiro do Lucho esta época venham pôr em causa o seu valor dizendo que é sobre-valorizado. Uma vez que Diego não defende e Ibson (ou Raul Meireles, que eu até prefiro ao brasileiro) não pode ir a todas...
Acredito que esta derrota foi um acidente de percurso, mas nada melhor que o jogo em Braga para ver qual o "estado" anímico e competitivo da equipa. Apesar das limitações para construir a equipa devido às lesões.
#1 | Comentado por: guardabel | 11 de junho de 2006 às 00:04
O que mais me preocupa é mesmo a falta de concretizadores à altura das inúmeras siuações de golo que o Porto cria por jogo. O Sokota deixou de contar durante uns meses, se alguma vez contou; o Benni insiste em forçar a saída por todas as formas possíveis; o Hugo ainda não me convenceu; o Postiga só marca na selecção do Dr. Scolari. Acho que vai ser preciso rodar mais os outros avançados não só nas alas mas na frente também, e insistir mais no Jorginho e Lisandro a jogar pelo meio.
Ainda quanto ao Benni, confesso que estou curioso para ver como vai acabar esta história. Ao que sei, entre comissões do próprio, do seu inenarrável empresário e do Celta de Vigo, aquilo que o Porto virá a receber numa futura transferência é muito pouco. Sendo assim, esta seria uma excelente ocasião para mostrar a jogadores mimados, gananciosos e que não respeitam os adeptos que no Porto não fazem o que querem. Preferia que a SAD deixasse de ganhar 2 ou 3 milhões de € e que desse um aviso sério aos Ibarras, Jardeis, Migueis e Bennis que andam por aí...
#2 | Comentado por: joethelion1970 | 11 de junho de 2006 às 00:04
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