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sábado, 17 setembro 2005
Naval 2 - 2 Boavista
Categoria: 05/06 SuperLiga , Boavista , Naval 1ºMaio

Naval e Boavista empataram esta noite na Figueira da Foz num jogo muito menos interessante do que o número de golos poderia fazer supôr. Golos que aliás resultaram mais de erros defensivos do que propriamente de jogadas com pés, tronco e cabeça. O elevado número de "tanques" no meio-campo não teve correspondência no número de "artistas" e obviamente a qualidade ressentiu-se. O Boavista esteve sempre na frente do marcador, mas a insistência navalista levou à divisão de pontos. A Naval ganha mais um ponto na sua (assumida) luta contra a despromoção. Manuel Cajuda joga com as armas que tem e ninguém o pode censurar. O seu trabalho numa equipa que, segundo o próprio, ainda está a aprender, tem sido bastante positivo. Resta saber se se mantém a pedalada quando chegarem os exames de fim de ano. O Boavista continua a perder pontos com equipas que não são do seu campeonato, o que poderá pesar na classificação final. Apesar de tudo, um empate conseguido frente a uma formação dura e num estádio que ameaça tornar-se complicado para as melhores equipas, acaba por ser um resultado aceitável para as aspirações axadrezadas.
O jogo até começou bastante promissor. Depois de Fogaça ter lançado um aviso à baliza do Boavista com um cabeceamento à barra, foi Guga logo aos 4 minutos a encontrar as redes navalistas com um belo golo. Seis minutos depois, Fogaça imitou o seu comptriota e empatou o jogo. A escassa assistência presente no José Bento Pessoa convenceu-se de que até não teria dado o seu tempo e dinheiro por perdido, mas rapidamente a dureza do meio-campo se sobrepôs à imaginação dos criativos e a qualidade do jogo decaiu. Até ao final da primeira parte as melhores oportunidades de golo pertenceram à equipa do Bessa com Zé Manel a desperdiçar um centro de Areias e Tiago a concluir com um remate à barra um bonito trabalho de Guga. O Boavista acabaria por chegar ao segundo golo num lance em que o sentido de oportunidade de Fary foi tão grande como a desorientação da defesa da Naval. Na segunda parte, o bom futebol que se tinha visto nos primeiros minutos despareceu por completo dando lugar a um rol interminável de faltas, chuveirinhos e distracções que tiveram expressão no estramho golo de Cadú na própria baliza. Até ao final, a Naval pressionou mais mas foi o Boavista que podia ter decidido o jogo com remates perigosos de Diogo Valente e Manuel José.
Enquadramento.
Na jornada passada o Boavista tinha conseguido finalmente alcançar a sua primeira vitória no campeonato, ainda por cima de maneira expressiva (4-1) frente ao Paços de Ferreira, depois de dois empates iniciais. Moralizados, os axadrezados encaravam esta visita à Figueira como uma oportunidade para assaltarem o pelotão europeu, onde pretendem terminar o campeonato. Depois de surpreender o futebol português na primeira jornada com uma vitoria em Guimarães, a Naval foi derrotada por duas vezes, na Figueira frente ao FC Porto e na Amadora na jornada passada. Apesar de tudo os 3 pontos iniciais e a boa exibição frente aos dragões indicavam alguma confiança no futuro.
Tácticas
Sem poder contar com João Pinto e Lucas, Carlos Brito apresentou um novo trio no meio-campo. Entre castigos e lesões é já a quarta experiência que o treinador axadrezado é obrigado a fazer. Desta vez, Cissé e Tiago jogaram mais recuados e Manuel José, à frente, como organizador improvisado a gozar de mais espaço. Guga e Zé Manel foram os extremos enquanto na área, Fary esperava os centros dos colegas. Em relação à Naval, é difícil esconder que se trata de uma equipa talhada para o choque. A regra de "a bola não passa nem o jogador" foi cumprida à risca pelo duo Glauber/Gilmar no meio-campo defensivo. Mais à frente, Fajardo tratava de pensar o jogo ofensivo, enquanto Lito à esquerda, Rui Miguel à direita e Fogaça no centro formavam o trio atacante.
Positivo
O golo de Guga. O brasileiro continua a parecer um jogador supérfluo neste Boavista, pesado e lento mas a verdade é que de vez em quando sai-se com umas faíscas de génio, um toque bonito aqui, uma finta curta acolá a conseguir colorir um jogo cinzento. O seu golo, um belísismo trabalho de recepção e finalização fazia prometer um grande espectáculo, algo que infelzmente não se concretizou.
Pontas de lança. Fogaça e Fary cumpriram bem os seus papéis. Desgastaram as defesas adversárias, souberam jogar de costas para a baliza e acrescentaram mais um golo às suas contas pessoais. Fogaça é sem dúvida uma das grandes descobertas deste início de época enquanto Fary começa a assumir-se como opção frequente para o ataque do Boavista, em detrimento da contratação-estrela da época, William Souza.
Negativo
Pouca arte. Dada a disposição das duas equipas, o seu esquema de jogo acabava por tornar-se num estilo de "pontapé para a frente" e fé na velocidade e criatividade dos extremos. O meio-campo do Boavista, por exemplo, acabou por ficar completamente desconchavado com o decorrer do jogo: Cissé começou no meio-campo, mas quase sempre a funcionar como terceiro central, Manuel José não é jogador para aquela posição e Tiago é, enfim... Tiago. Acabavam por ser os extremos - especialmente Zé Manel - a tentar pensar o futebol axadrezado, deixando as alas para os laterais. Em defesa do Boavista e de Carlos Brito podemos dizer que há atenuantes para que a equipa tarde em assimilar as ideias do seu treinador e em afirmar-se como uma formação "positiva" deste campeonato. Para já a falta de um "Ricardo Nascimento", de um verdadeiro "patrão do meio-campo", um jogador que pense todo o jogo ofensivo da equipa. João Pinto, devido à sua forma física e à própria maneira de jogar, ainda está longe de ser uma solução permanente. Figueredo poderá ser o tal jogador. Em relação à Naval, a equipa já está construída em torno do seu meio-campo de choque. Glauber e Gilmar não são jogadores para grandes adornos, estão lá para destruir e isso fazem-no muito bem.
Disciplina. O jogo físico foi claramente priviliegiado, como princípio no que diz respeito à Naval, e como fruto das circunstâncias na equipa de Carlos Brito. O certo é que as faltas sucederam-se a um ritmo avassalador, especialmente na segunda parte.
O duro: Glauber. O ex-boavisteiro tratou de receber a sua antiga equipa da melhor maneira que conhece: com agressividade (às vezes excessiva). O estilo pode não ser apreciável mas é um jogador tremendamente útil e competente no que sabe fazer melhor.
Que Pesadelo: Cadú. Os erros da defesa axadrezada foram uma constante durante o jogo, mas Cadú levou tudo a um outro nível com o grotesco auto-golo que daria o empate à Naval.
O dandy: Fajardo. Foi uma espécie de "oásis" no meio-campo de um equipa virada para o choque como é esta Naval de Cajuda. Com um excelente toque de bola e visão de jogo, tentou sempre encontrar espaços para a velocidade de Lito e para as desmarcações de Fogaça. Um jogador que Carlos Brito não se importava de ter tido à sua disposição esta noite. Só é pena que por vezes queira insistir nos "rodriguinhos" quando devia tentar o remate. Um pouco de risco não lhe fazia mal.
O ás: Areias - Não é muito comum encontrarmos um lateral-esquerdo nesta categoria, mas a verdade é que o jogador dispensado por Adriaanse fez uma exibição bastante positiva. Consolidando o seu estauto de titular no lado esquerdo, não se coibiu de apoiar o ataque sempre que podia (em claro contraste com um inibido Rui Duarte no lado contrário) e fez mesmo o centro para o segundo golo axadrezado, marcado por Fary. Com a entrada de Diogo Valente, concentrou-se mais nas suas tarefas defensivas e aí foi sempre uma voz discordante no nervosismo dos restantes companheiros da defesa, salvando frequentemente algumas das suas "borradas", especialmente no período de maior aperto da equipa figueirense.
Ficha de jogo:Naval: Taborda, Carlitos, Fernando, João Paulo, China, Glauber, Gilmar, Lito (55', Léo Guerra), Rui Miguel (68', Saulo), Fajardo e Bruno Fogaça (89', Márcio Luís).
Boavista: William, Rui Duarte, Hélder Rosário, Cadu, Areias, Tiago, Cissé, Manuel José, Guga (58', Diogo Valente), Zé Manuel (74', Paulo Jorge) e Fary (79', William Souza).
Golos: (4', Guga; 10', Bruno Fogaça; 37', Fary; 58', Cadú p.b.)
Publicado por pedro nery às 03:35
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