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sábado, 24 setembro 2005
Aviso: Qualquer semelhança com o Sporting da época passada é mera coincidência.
Categoria: Col: Rui Melo , Sporting

Durante a pré-época, elogiou-se bastante o Sporting. As exibições foram bastante agradáveis e notava-se o mesmo fio de jogo da temporada passada. Posse de bola, excelente circulação da mesma, um futebol apoiado que tornou os “leões” numa das equipas com melhor futebol da Europa. Mas no melhor pano, continuava a cair a mesma nódoa: os erros defensivos. A mesma nódoa que manchou a época transacta do Sporting, uma época que por uma unha negra… não foi histórica.
O plantel sofreu algumas mudanças. Saíram Pedro Barbosa, Hugo Viana, Rui Jorge, Enarkahire, entre outros. Para os seus lugares entraram jogadores como Edson, Luís Loureiro, Deivid ou Tonel. Ao manter a mesma estrutura, Peseiro deixou no ar uma promessa. O Sporting havia aprendido a lição da época passada e este ano seria diferente. Mas fica a questão… terá o Sporting a mesma estrutura?
Com as entradas de Wender e João Alves – e saída de Rochemback – o plantel leonino mostrava-se mais equilibrado, com duas opções para cada lugar, algo que não acontecia na temporada passada (exemplo de Luís Loureiro como alternativa a Custódio). Por outro lado, o Sporting conseguiu (finalmente) um extremo esquerdo – Wender – algo que já não passava por Alvalade há bastante tempo.
Os primeiros jogos da Liga e das competições europeias revelaram um Sporting completamente diferente do da época passada, algo que, para quem manteve grande parte do plantel e se reforçou cirurgicamente, é impensável. O Sporting 2004/2005 actuava num 4-1-3-2, ou para alguns, uma derivação do 4-4-2 losango. À frente da defesa, Custódio (antes da lesão) era o vértice inferior. João Moutinho na direita, Hugo Viana (ou Carlos Martins) na esquerda e Rochemback como vértice superior. Após as lesões de Custódio, o brasileiro desceu no terreno e Sá Pinto ocupava a sua posição. Foi assim, mais menos coisa, que o Sporting quase atingiu o céu.
Agora vejamos o Sporting das primeiras jornadas da Liga e nomeadamente o de segunda-feira passada frente ao Nacional. Os “leões” actuam num 4-3-3. À frente da defesa surge Luís Loureiro, que compensa a falta de jeito com garra em campo (quando calha), João Moutinho e Sá Pinto. No ataque, Liedson, Deivid e Douala. Coincidência ou não, desde que Rochemback saiu, Moutinho desapareceu. Tudo bem que o miúdo está fora de forma, mas o seu melhor jogo foi contra o Belenenses, ainda com “Roca” a seu lado. Depois temos Sá Pinto. Não obstante a sua garra e vontade, o seu lugar na equipa é questionável. Vejamos o jogo diante do Nacional. Rogério não pode subir no terreno porque se via sempre em situações de 2 para 1, tal era a falta de auxílio de Sá Pinto, que não fechava o corredor. O mesmo se aplica a Douala. O camaronês começa todos os jogos em grande! Depois desaparece…
No ataque, Deivid é incógnita. O brasileiro está a subir de forma, mas não é jogador para 4-3-3, pois flecte sempre para o meio, deixando a equipa coxa. O exemplo destes dois jogadores dá um problema estrutural. Douala parece talhado para o 4-3-3, pois no 4-4-2, joga demasiado por dentro e não fecha a ala. Deivid é o oposto. Parece talhado para o 4-4-2, mas não é jogador para o 4-3-3, porque não abre a linha. Se Peseiro realmente quer manter o 4-3-3, porque não aposta em Wender de início, ficando com dois extremos puros?!
Mas o problema mais grave é mesmo a forma de jogar do Sporting e quem vê futebol, apercebe-se logo disso. A circulação de bola e o futebol apoiado desapareceram. O Sporting já não encanta. A formação de Peseiro joga num futebol directo, aposta demasiado no pontapé para a frente – vejam o que fazem os centrais com a bola – erram demasiados passes (o oposto do Sporting passado), porque não existem linhas de passe. A menos que João Alves comece a jogar de início (o que já se justifica) no lugar de Sá Pinto e deslumbre, o meio campo do Sporting está muito mais fraco do que o da época passada. Se com as saídas de Barbosa e Viana já estava, a transferência de Rochemback foi uma baixa de vulto. Falta classe! Moutinho não chega para tudo, e Custódio faz muita falta.
Quanto aos erros defensivos, eles mantêm-se. Vejamos o jogo diante do Nacional. Com as trocas constantes de Sá Pinto e Moutinho, a ineficácia de Loureiro, as deambulações de Douala para o meio (!), e Deivid por tudo que era sítio, assim que o Sporting perdia a bola, os jogadores estavam perdidos em campo à procura da sua posição e respectivo marcador. Daí que as situações de 2 para 1 – com Alonso e Miguelito à cabeça – eram frequentes. Resumindo, o Sporting junta ao pior da época passada a destruição do melhor.
Com isto tudo, lá foram 3 pontos ao ar que dariam a liderança na classificação. Mais uma vez, e como já vem sendo habitual, o Sporting desperdiçou essa chance. Porém, ainda só estão jogadas 4 jornadas, nada está decidido. E verdade seja dita, o começo do campeonato não foi nada mau, com vitórias sobre um excelente Belenenses, uma sempre difícil vitória nos Barreiros e um triunfo sobre um rival directo (Benfica). A derrota na Choupana não compromete nada. Mas um triunfo ontem, e consequente liderança, daria aos “leões” um bom tónico para as próximas jornadas. O Sporting defronta V. Setúbal e Académica em casa. Pelo meio uma deslocação a Paços de Ferreira. Tudo isto enquanto o FC Porto tem dois embates complicados - Belenenses no Dragão e Marítimo nos Barreiros -, assim como o Benfica – deslocação a Penafiel e V. Guimarães na Luz. A finalizar este ciclo, um FC Porto / Benfica no Dragão.
Resumindo, quando no início desta temporada FC Porto e Benfica apresentaram novos treinadores e o Sporting manteve Peseiro e grande parte do plantel, era de esperar uma equipa mais consistente. Tudo isto na teoria, porque na prática Peseiro fez aquilo que já havia feito na final da Taça UEFA e de que Koeman também foi acusado: inventou e baralhou.
Escusado será dizer que, se Alvalade ficar sem títulos mais uma temporada, Peseiro poderá ter os dias contados. Ou não…
Publicado por Rui Melo às 13:10
Comentários
NA MINHA OPINIAO O BONITO FUTEBOL QUE O SPORTING APRESENTAVA O ANO PASSADO ERA MUITO POR FORÇA DO (ROCA).
O ANO PASSADO QUANDO O (ROCA ) NAO JOGAVA NOTAVA-SE LOGO A DIFERENÇA E ESTE ANO É O QUE SE ESTÁ A VER, APESAR DE EU CONTINUAR A ACHAR QUE TEMOS EQUIPA PARA LIMPAR O CAMPEONATO ISTO CLARO SE O SR PESEIRO NAO INVENTAR MUITO.SAUDAÇOES SPORTINGUISTAS.
#1 | Comentado por: zizu | 24 de maio de 2009 às 20:09
Bem, acho que a saída do Roca pode trazer mais velocidade, sentido prático e técnica ao meio campo do Sporting.
Por outro lado o meio campo perde em força e resistencia, pois em campos dificeis e empapados lá mais para dezembro, janeiro e fevereira vai-se notar a falta de um jogador como o Rochemback.
Cabe ao treinador encontrar as melhores soluções e maneiras de ultrapassar os obstáculos.
#2 | Comentado por: Benfiquista do Norte | 24 de maio de 2009 às 20:09
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